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sábado, 9 de novembro de 2013

Ramos Pinto - Prova especial de vintages - ECVS 2013

Foi no Encontro Com o Vinho e Sabores 2013, no Centro de Congressos de Lisboa, que tive oportunidade de participar nesta prova da casa Ramos Pinto, a que estava associado o lançamento do livro "Adriano Ramos Pinto - Vinhos e Arte", um trabalho de pesquisa na documentação histórica da casa, recuperando obras de arte publicitária, que foram compiladas nesta edição de grande qualidade fotográfica.
Ramos Pinto dispensa grandes apresentações, é uma casa portuguesa fundada em 1880, com história no Brasil desde o início do século passado. O fundador Adriano tinha formação de artes, o que influenciou muito a publicidade tão característica desta casa, bem como o seu espirito "avant-garde" inovador para a época.
Esta prova foi apresentada por João Nicolau de Almeida, atual administrador-delegado, que foi contando memórias da casa Ramos Pinto associadas ao ano de cada vinho apresentado.

Seguem algumas notas pessoais dos vinhos:

1912
Vinho associado aos tempos conturbados da implantação da república, e da expansão da casa para o Brasil.
- ligeiro depósito
- côr acastanhada
- nariz muito complexo, especiarias, frutos secos, mas discreto
- na boca é sedoso, mas ainda com garra, vinagrinho
- final enorme

1922
Gago Coutinho e Sacadura Cabral aterram no Brasil. Tendo levado uma garrafa de Ramos Pinto na viagem, gostaram tanto do vinho que a autografaram e devolveram às caves, estando hoje essa garrafa exposta no museu da casa.
- menos depósito, mas algum
- côr acastanhada
- nariz complexo e intenso, frutos secos, passas, iodo
- na boca é muito intenso, vinagrinho
- final muito prolongado

1927
Ano da morte de Adriano Ramos Pinto.
Foi comentado por um participante da prova, que este vintage foi lançado no ano da grande recessão (2 anos depois da vindima), e por isso muitas garrafas da exportação teriam sido devolvidas às caves, o que leva ao facto de ainda existirem hoje em dia apesar de se tratar de um vinho fora de série. Uma teoria interessante.
- apresenta depósito
- côr acastanhada
- nariz muito rico, aromas de farmácia, mentolados, iodo, especiarias
- na boca é sublime, sedoso a fazer cócegas na lingua
- final memorável, com ligeiro picante, nunca mais acaba
Para mim o melhor vinho nesta prova.

1934
- côr acastanhada, cerejeira
- frutos secos e algumas resinas no nariz
- na boca é acetinado, tudo no sitio
- final muito longo e agradável

1983
Execução do projeto de seleção de 5 castas recomendadas para o Douro, numa altura em que não se conheciam as uvas que haviam nas vinhas velhas nem havia meios científicos e humanos à disposição para as identificar a todas. Partiram de uma seleção de 12, e obtiveram 5: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Francesa, Tinto Cão. Selecionadas para plantação de 2500 ha de vinha.
Este vinho é um blend dessas 5 castas (onde a Tinto Cão é residual), que foram vinificadas em tonéis separados, com uvas provenientes da Quinta da Ervamoira.
É também a altura em que surge a Universidade em Vila Real, de onde sairam gerações de enólogos que mudaram completamente o panorama vínico nacional, apostando em vinhos de qualidade feitos com tecnologia avançada.
- côr ruby esbatida
- nariz complexo, refinado
- enche a boca, redondo
- final muito persistente

1995
A casa Ramos Pinto foi comprada pela casa de champanhe Roederer, mantendo a administração local, com respeito a todas as tradições de família, uma vez que a casa Roederer é também um negócio de família.
- côr ruby
- nariz complexo, frutos silvestres, especiarias
- volumoso na boca com final moderado
- muito concentrado, fruta de ano quente

2011
Ano de declaração geral de vintage. Novo rótulo nas garrafas com fundo branco.
- côr retinta
- nariz muito intenso, cerejas em calda
- na boca é muito redondo e volumoso
- final persistente, a deixar boa recordação


Todos os vinhos eram excelentes, tendo-se destacado o 1927 que está um vinho fenomenal, muito rico de aromas e com um final interminável.
Foi ainda referido que os vinhos provados até ao 1934 foram feitos com uvas provenientes da Quinta do Bom Retiro, e quintas vizinhas. Sendo que a partir do 1983 foram feitos com uvas provenientes da Quinta da Ervamoira.

Frederico Santos

domingo, 6 de novembro de 2011

Porto Vintage 2009, casas do grupo Fladgate

Viva,

No passado dia 21 de Outubro participei numa prova de Porto Vintage 2009 das casas do grupo Fladgate, gentilmente organizada pela garrafeira Latina Adega, em Aveiro, já agora uma garrafeira que vale a pena visitar tão aprumada é a sua selecção de vinho e tão equilibrada é a sua politica de preços, digamos assim :-)

Indo directo ao assunto, provei Taylor's, Fonseca, Croft e "extra concurso" provei também os vintages Romariz e Quinta do Crasto. Em prova estava também (acho eu, sem ter certeza...) o Taylor's Vargellas 2009 mas não o provei.

Foi uma prova contra relógio (menos de 30 minutos) dados compromissos familiares inadiáveis. Contudo foi tempo suficiente para fazer a vénia a Taylor's e Fonseca, com toda a certeza ao nível dos vintage 2007.

Atrevo-me a dizer que o Taylor's 2009 supera o 2007 com uma combinação de potência e elegância invulgar, notas muito bonitas de folha silvestre bem verde e casada com fruta vermelha e azul muito madura. Apresenta também uma frescura incrível, dá vontade de beber e beber e beber. Com a enorme estrutura e corpo apresentado, com toda a certeza envelhecerá bem e por décadas, assim espero...
Pontuação: 19/20;

O Fonseca apareceu muito em linha com a sua matriz aromática típica, cheirando este vinho em cega apostava as minhas hipotecas como acertava à primeira.Aqui dominam notas de cacau e fruta cristalizada, num nariz muito complexo. Na boca apresenta também enorme corpo e estrutura sendo no entanto menos seco do que o Taylor's e do meu ponto de vista um pouco menos impressionante.
Pontuação: 18/20;

Como cheguei atrasado e não segui a sequência lógica de prova, provei o Croft após os dois anteriores. E esse pode ter sido um problema, porque não fiquei nada impressionado. Parecia sempre pouco e acima de tudo é um vintage feito para deslumbre aromático enquanto novo, com fruta e folhas silvestres muito frescas e  muito evidentes, exuberantes diria. Contudo na prova de boca o vinho cai um pouco e por comparação com os monstros anteriores fica bastante aquém em complexidade. Não me parece um vintage para envelhecer décadas, se assim for ficarei muito surpreendido e acho que descobriram a pólvora, fazendo um vintage para dois tipos de mercado: o dos curiosos e dos pacientes :-)
Pontuação: 16,5/20;

Romariz e Crasto não tiveram uma prova atenta da minha parte, mas o meu primeiro prognóstico é o seguinte: não são vintages, mas são muito bons portos. É preciso ter alguma calma com isto de lançar vintages por dá cá esta palha. Acalme-se a soberba...

Boas provas,

Mário Rui da Costa

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Garrafeira Tio Pepe, 25º aniversário, 4º dia de provas

Nas comemorações do seu 25º aniversário, a garrafeira Tio Pepe ofereceu 5 dias de provas vínicas de alto nível, sendo cada dia dedicado a uma região, com alguns dos produtores mais significativos a disponibilizarem os seus vinhos topo de gama.
Não podendo comparecer todos os dias, optámos pelo 4º dia dedicado ao vinho do porto e madeira, e lá fomos numa quinta à tarde.

Estavam em prova vinhos veneráveis, alguns do século XIX, muitos do século XX, e ainda alguns vintages novos de 2009. Eram todos vinhos do porto com exceção de dois madeiras da Blandy's.

Numa prova deste calibre é muito difícil classificar os vinhos, no entanto ficam algumas notas para a posteridade.

Começámos pelos mais velhos, os colheitas, e acabámos nos vintages novos.

Niepoort colheita 1957
Com mais de 50 anos, tem um nariz muito rico e equilibrado, na boca é suave e tem um final muito prolongado. Tudo em harmonia.
Um grande colheita.

Niepoort colheita 1863
Apresentou-se com consistência ligeiramente caldosa, com um nariz de grande complexidade, muito equilibrado na boca, e com um final interminável.
Apareceu de surpresa, no formato meia garrafa com o ano pintado, como concorrente de Dirk Niepoort ao Scion de David Guimaraens.

Warre's colheita 1882
De côr acastanhada, apresentou um nariz intenso, mas achei-o ligeiramente desequilibrado no conjunto.

Taylor's Scion (1855)
De côr aloirada com tons de ruby, uma côr surpreendente para a idade que tem.
O nariz apesar de excelente é ligeiramente mais fechado que o Niepoort 1863, mas na boca este pareceu-me ser mais intenso.
É um vinho que tem causado sensação no último ano, por terem sido descobertas por acaso duas pipas com 150 anos guardadas por várias gerações da mesma família.
Ao descobrirem que o vinho estava em perfeitas condições apesar da sua idade pré-filoxérica, decidiram engarrafar e vender a preços proibitivos dada a sua raridade. Uma garrafa de 50cl custa cerca de 2500 euros.
Compreende-se assim que o vinho tenha sido servido a conta-gotas, só meio centilitro em cada copo.


Madeira
Blandy's Bual 1908
Blandy's Bual 1920
Dois vinhos com cerca de cem anos ainda em grande forma, com a sua acidez típica a dar-lhes vida.
Para além de um nariz riquíssimo, estes vinhos têm um final de boca que nunca mais acaba.

Noval colheita 1937
Um vinho sublime.
Constato que 1937 foi um grande ano e ainda existem alguns colheitas de várias casas de vinho do porto à espera de ser engarrafados.
Este é um exemplo de perfeição, com uma intensidade surpreendente na boca.

Noval colheita 1964
Também em grande nível, ainda com muita frescura apesar dos seus 47 anos.
Foi comentado pela enóloga que os colheitas da Noval só são engarrafados a pedido, mantendo-se na madeira que é onde devem envelhecer.
Isso explica a fantástica frescura destes colheitas.

Graham’s vintage 1970
Um vintage de 40 anos.
Com aromas refinados, a boca sedosa sem perder firmeza, a sua elegância e o final muito longo, tornam este vinho exemplar na sua categoria.

Vesúvio vintage 1994
É possivelmente o melhor Vesúvio, e todos os Vesúvios são bons.
Agora com cerca de 15 aninhos, continua com um nariz exuberante, uma boca muito viva e carnuda, e um grande final.

Noval Nacional vintage 1994
Este vinho não é acessível ao comum dos mortais.
Primeiro por ser um vintage Noval Nacional, de uma vinha que foi replantada sem recurso a enxertos, na época da filoxera. Segundo por ser o de 1994, ano que foi pontuado com a nota máxima pela conceituada revista Wine Spectator.
É reconhecido como um dos melhores vintages do último século, a par do 1963 e do 1931. O seu preço ronda os mil euros por garrafa.
Com 15 anos de idade, apresentou o melhor nariz dos vintages em prova, intenso e com uma complexidade infindável. Imagino o que será daqui a mais uma(s) década(s)...
Na boca está impecável, muito correcto e saboroso, com final muito longo.

Adelaide vintage 2009
Este foi o vintage de 2009 que mais me impressionou até agora.
Tem um nariz intenso e muito rico, mineral, frutos silvestres, chocolate, tabaco.
Na boca mastiga-se de bom que é, e tem um belo final.

Taylor's vintage 2009
Não é todos os anos que a Taylor's declara um vintage clássico, só o fazendo 3 ou 4 vezes por década. Quando o faz é sinónimo de qualidade garantida.
Este é um vinho portentoso, com um perfil austero que promete longevidade.
A côr é quase preta, de nariz intenso sem ser exuberante, notas de fruta madura, ameixas, cerejas, amoras, muito mineral.
Na boca mostra os taninos bem polidos, é muito encorpado, e tem um final enorme.

Todos os vinhos eram excelentes e deram que pensar durante pelo menos um mês, até me conseguir recompor da experiência e escrever aqui algumas linhas, que nem de longe fazem justiça a estes vinhos que atravessam séculos.
Os preferidos foram o Niepoort 1863 e o Taylor's Scion, não consegui decidir de qual gosto mais.

Muito grato à garrafeira Tio Pepe por ter proporcionado esta oportunidade de provar vinhos tão inacessíveis.

Bem hajam.

Frederico Santos

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prova de porto Vintage



Prova realizada na sala castanha do Mercado Negro em Aveiro, depois de jantar.
Foi dedicada ao vinho do porto vintage, e tentámos seleccionar bons exemplares de vários anos, e de vários estilos.

- Graham's 1970
- Dow's 1980
- Graham's 1985
- Vesúvio 1994
- Fonseca Guimaraens 2001
- Noval Silval 2005
- Niepoort 2007

Acompanhámos com:
- queijo da serra e tostas
- ovos moles
- amores da curia
- chocolates Michel Cluizel

Os três vinhos mais antigos foram decantados antes de jantar, e os restantes também foram abertos nessa altura.

Começámos a prova pelo mais velho, o Graham's 1970, que apresentou uma côr alaranjada, nariz complexo e suave. Na boca era delicado, sedoso, ainda com alguma intensidade, e final longo. Um bom vintage de 40 anos, em estado óptimo de maturação. Este não se deve guardar muito mais.

Passámos ao Dow's 1980, uma força da natureza este vinho com 30 anos. Ainda de côr ruby, de nariz intenso e rico de aromas. Apesar da idade ainda preserva muitas notas de fruta, uma bela mistura de especiarias e uma base aromática de licor de Cassis que achamos fabulosa. A boca é cheia de sensações de potência equilibradas pela elegância da sua idade. Um aspecto que demonstra a complexidade de boca deste vinho é o facto de ser muito difícil de "descodificar", cada prova de boca transmitia sensações novas e difíceis de referenciar. Um dos provadores (Mário Rui) lembrou-se da ameixa de Elvas como referência, pode ter sido delírio... Foi o vinho que tinha mais depósito ao ser decantado. Muito bom de se beber agora, mas ainda está para durar.

Seguiu-se o Graham's 1985, um vintage clássico com 25 anos, com côr ruby mais suave, um nariz complexo onde já se sentem aromas mais maduros de passas, especiarias. Na boca é intenso e tem um final muito prolongado. Um muito bom vinho.

Continuámos com o Quinta do Vesúvio 1994, um vinho de 15 anos, de côr muito escura. O nariz é exuberante, numa mistura de fruta madura, chocolate negro e especiarias, muito sedutora. Na boca é redondo e mais vinoso, com uma grande complexidade e potência. Um vinho intenso e sedutor, que está aí para durar muito anos, vai ter de certeza um futuro auspicioso.

Mudámos de milénio com o Fonseca Guimaraens 2001, de côr ruby escura, de nariz intenso, boca pujante onde os taninos marcam presença. Apesar de não ser uma declaração clássica, este vinho está para durar décadas.

Seguiu-se o Noval Silval 2005, um vinho aveludado, de nariz complexo, com aromas silvestres e muito mineral, intenso na boca, deixando uma boa recordação. Talvez o vinho com estilo mais seco na boca de todos os provados, agradou muito.

Terminámos com o Niepoort 2007, um vinho novo, no nariz tem algumas notas de chocolate e aromas de fruta fresca. Na boca é muito intenso, ainda com as garras de fora. A guardar.

Segue a média das pontuações dadas, onde se destacaram o Dow's 1980 e o Vesúvio 1994:


  • 18,5 - Dow's 1980
  • 18,4 - Vesúvio 1994
  • 17,8 - Noval Silval 2005
  • 17,8 - Graham's 1970
  • 17,4 - Graham's 1985
  • 16,9 - Niepoort 2007
  • 16,9 - Fonseca Guimaraens 2001

Frederico Santos
Carlos Amaro
Mário Rui Costa

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Graham's Vintage 1977

O objectivo era claro: provar este Porto, um Graham's 1977, um vintage com fama de grande qualidade e que desde que repousava na garrafeira que esperava por uma desculpa para ser bebido.
Pensou-se num jantar. Sucederam-se marcações e desmarcações, parecia que nunca mais se chegava a consenso entre os membros do blog.
Foi finalmente neste ultimo fim de semana, e não desiludiu as espectativas.

Avançando para o vinho, que é o que interessa.
Revelou complexidade enorme, com um nariz muito sedutor em que os aromas a fruta, especiarias, chocolate e mais um sem número de pequenas coisas se misturavam.
Na boca continuava sedutor, grande equilíbrio e complexidade e um final interminável. Para este vinho é difícil descrever com exactidão tudo o que passava pelo nariz e boca.
Só sei que chegou ao fim com grande pena por não haver mais.

Foram bebidos outros vinhos ao jantar, sempre a um nível de qualidade alto, mas a estrela da noite foi definitivamente o Graham's.

Segue a lista dos outros vinhos bebidos:
- Omlet 2005
- Aalto 2000
- Terra d'Uro 2006
- Quinta da Pellada Reserva 2006

Destes é difícil destacar qual o melhor. Elegância e equilibrio do Terra d'Uro e do Pellada.
Mais corpo, acidez e fruta no Omlet, e o prazer de um vinho mais velho e complexo com o Aalto. Todos foram uma boa introdução para o Graham's.

Em conclusão, um belo jantar, que não acontece todos os dias.

Carlos Amaro

domingo, 7 de março de 2010

Prova de Vintages Fonseca

No último dia da Essência do Vinho rumamos de novo ao Palácio da Bolsa para mais uma prova, desta vez de portos Vintage da Fonseca.
A prova decorreu no Salão Árabe, e foi conduzida por David Guimaraens, enólogo da casa Fonseca.
Os vinhos provados foram os Fonseca 1985, 1994, 2000, 2007, e os Fonseca Guimaraens 1987, 1995, 2001.
A diferença entre as duas marcas de vinho tem a ver com a declaração de ano Vintage. Quando a Fonseca considera o ano como tendo qualidade suficiente para merecer uma declaração de Vintage clássico, é declarado um Vintage Fonseca. Nos anos em que a qualidade não chega a esse patamar, ao contrário da maioria das marcas de vinho do porto, que optam por lançar vinhos "single-quinta" nos anos em que não declaram vintages clássicos, a Fonseca lança um blend das suas quintas, em tudo idêntico a um ano clássico, só que o vinho é lançado como Guimaraens.
Para ter uma ideia do patamar de qualidade imposto pela Fonseca para declarar os seus vintages clássicos, nunca houve uma década em que fossem declarados mais do que 3 colheitas como vintage Fonseca.
Avançando para as provas.
Fonseca 1985: Apesar de já ter 25 anos, o vinho parece muito mais jovem. Pela côr não está diferente do 94 ou 95, com uma bonita côr ruby. Tem um nariz fantástico, de grande complexidade, ainda com muita fruta madura, especiarias, ameixa e algumas notas de chocolate. A boca é quase perfeita, frutos vermelhos, notas de bosque, figos secos, chocolate negro. Um vintage fabuloso, que promete continuar ainda a melhorar. Está para durar mais umas décadas.
Guimaraens 1987: Mais evoluído do que o 85, mais pronto para beber já, tem já a complexidade de vintages velhos. Menos fruta já, mais floral, muitas especiarias, como num bazar oriental, mais algum chocolate, tudo com muita elegância.
Fonseca 1994: Este vinho recebeu nada menos do que 100 pontos da Wine Spectator. Neste momento está ainda algo fechado, mas o vinho está muito prometedor. Apesar de ter passado a exuberância da juventude e de precisar de mais anos em garrafa este vinho tem uma complexidade fora do comum. Muita elegância, apesar da fase fechada. Frutos do bosque, floral, ameixas, e um final enorme, que simplesmente não acaba. Este vinho deverá começar a ser bebido lá para 2020. Está nitidamente feito para durar.
Guimaraens 1995: Mais fácil de beber já do que o 94. Tem muita fruta, mas não me pareceu tão fresco como os restantes. Mais quente, aparentemente mais doce, com figos maduros e muito chocolate negro.
Fonseca 2000: Um vinho fantástico. Ainda na fase da juventude, encorpado, fruta e especiarias em força, mas muito em elegância, taninos muito finos. Está um grande vinho, muito bom agora.
Guimaraens 2001: Talvez o único Guimaraens dos pares provados com maior estrutura e corpo do que o irmão Fonseca do ano anterior. É um vinho com uma força bruta, estrutura fabulosa, muita fruta, um nariz totalmente sedutor, impossível de parar de cheirar. Na boca sucedem-se em catadupa as sensações. Fiquei seduzido por este vinho. E a um preço de "saldo" comparado com os irmãos mais velhos.
Fonseca 2007: Mais um vinho que me seduziu por completo. É o vintage mais novo, neste momento apresenta-se como o "ruby perfeito". Tem a fruta, o floral, os taninos, o chocolate, tudo em grande, mas ao contrário de outros vintages novos, tudo muito afinado, nada difícil de beber já. Praticamente impossível resistir-lhe agora, vai dar grande satisfação a quem o conseguir.

Para beber agora escolheria os 87, 2001 e 2007.
Com mais potencial o 85 e 94.

Carlos Amaro


Acrescento ainda que os vinhos foram provados aos pares, comparando vintages Fonseca e Guimaraens de cada década, em que por regra os Guimaraens se apresentavam mais evoluídos e prontos para beber, e os Fonseca mais robustos ainda com muito para durar.
A excepção foi o Guimaraens 2001 que mostrou mais estrutura que o Fonseca 2000.
Foi referido pelo enólogo que o Guimaraens 1976, não incluido nesta prova, é um vintage monstro.

Frederico Santos

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Grande prova de Porto Vintage 2007


Foi no Palácio da Bolsa, no Porto, que foi realizada a declaração oficial de vintage 2007, pela Confraria do Vinho do Porto.
Depois da cerimónia, foi aberta ao público uma grande prova no Pátio das Nações, onde estiveram mais de 30 produtores com os seus vintages 2007.
A entrada para o público custava cinco euros, com direito a um copo oficial de vinho do Porto, e um livro de notas com duas páginas para cada produtor e com o nome dos respectivos vinhos apresentados.
Não consegui provar todos, mas foi uma oportunidade de apreciar diferentes estilos de vintage, pois havia vinho para todos os gostos.
Seguem algumas apreciações, numa escala de 0 a 20.

Adriano Ramos Pinto:
  • 17,0 - Porto Vintage, com um belo nariz, muita estrutura a indicar que será um vinho para aguentar muitas décadas na cave.
  • 16,5 - Qta . de Ervamoira Porto Vintage - nariz mais suave, e boca mais redonda.

Para a Quinta do Noval, foram declarados três vintages 2007, todos excelentes. Em 2007 não foi declarado vintage para a vinha Nacional.
  • 17,5 - Quinta da Romaneira, é talvez o que está mais apetecível como novo, mais suave.
  • 18,0 - Noval Silval, tem um nariz muito intenso e complexo, este cheirava-me a castanhas, entre outras coisas. Na boca é muito redondo, mas com estrutura.
  • 18,5 - O Noval é mais austero, mais fechado, mais denso.
Quinta Nova de Nossa Sra. do Carmo, gostei muito do nariz, na boca tambem está muito bom, mas ainda pode afinar mais um pouco: 16,5.

Quevedo Porto Vintage, um nariz muito intenso, com aromas herbáceos, na boca é muito redondo. Foi a melhor surpresa da prova, e a um preço um pouco mais acessivel que a maioria: 17,0.

Quinta de Vale Meão Porto Vintage, talvez ao estilo da Noval, mas não ao mesmo nivel: 16,0.

Niepoort Porto Vintage, muito equilibrio, nariz complexo com notas de chocolate, de fruta madura, especiarias. Na boca é potente de forma bem controlada: 17,5.

Taylor's, nariz frutado sem excesso, potente na boca com bons taninos muito bem equilibrados: 17,5.

Quinta do Portal, é bom, mas há melhor: 16,5.

Sogevinus:
  • 17,0 - Kopke, num estilo mais austero, sem ser exuberante mas com tudo no sitio.
  • 16,0 - Burmester, é bom mas não me entusiasmou por aí além.
  • 15,5 - Barros.
  • 15,0 - Cálem.

Ferreira Porto Vintage, bom nariz, achei-o demasiado alcoólico na boca para o meu gosto: 16,0.

Dow's Porto Vintage, austero, com um belo nariz, e uma boca muito correcta, é um vinho ao meu gosto: 17,0.

Vesúvio Porto Vintage, muito frutado, mas sem exageros, na boca é um néctar: 18,0.
Já não havia o Capela do Vesúvio quando lá cheguei.

Vista Alegre Porto Vintage, também me agradou bastante: 16,5.

Quinta do Tedo, está muito bom, e promete ser um vinho para guardar por várias décadas, pois para além de um nariz complexo ainda algo fechado, tem boa estrutura: 17,0.
Savedra: 16,5.

Os vintages de 2007 estão tão bons que acabei por beber um pouco mais do que devia, e no dia seguinte acordei um bocado enjoado de tanto porto. Mas nada que não se curasse com um bom almoço.
Fica um agradecimento especial para o meu amigo Rui, que insistiu em vir a conduzir para Aveiro no fim da noite, apesar de ainda estar a recuperar de um braço partido. É bom ter amigos assim.

Frederico Santos

sábado, 7 de março de 2009

Vintages clássicos da Taylor's




Foi durante o evento "Essência do Vinho" organizado anualmente no palácio da bolsa no Porto que realizámos esta prova.
Tratava-se de uma prova comentada de vintages clássicos da casa Taylor's, apresentada pelo enólogo David Guimaraens, onde foram provados 8 vintages Taylor's entre 1977 e 2003, faltando apenas o de 1983.
Esta prova decorreu na sala do tribunal do palácio da bolsa, onde foram realizadas as Entronizações da Confraria do Vinho do Porto até 1995, antes de transitarem para o Pátio das Nações, onde ao mesmo tempo que decorria a nossa prova estavam as bancas dos produtores num verdadeiro reboliço, pois era sábado à tarde.

Os vinhos apresentados foram:

  • 1977 - côr ligeiramente atijolada, no nariz sobressaem passas, chocolate, especiarias, embora contenha muito mais aromas na sua complexidade. Na boca é sedoso, com um final interminável. Muito elegante. Um vintage com 32 anos no seu estado maduro.

  • 1980 - côr ruby pálida, com algumas notas de passas e massapão, muita fruta, menos complexo que o de 1977. Na boca sentem-se bons taninos, "spicy", tem um final muito longo.

  • 1985 - côr ruby menos pálida, nariz suave mas complexo, na boca muita estrutura e muito equilibrio. Bom para guardar pelo menos uma década.

  • 1992 - côr ruby, nariz muito complexo, já perdeu a fruta jovem, na boca é forte mas muito equilibrado nos taninos. Gostei muito deste. Notou-se uma diferença relativamente ao estilo dos 3 vinhos anteriores.

  • 1994 - côr mais aloirada que o 92, muita complexidade: frutos silvestres, couro, chocolate. Na boca é muito redondo, sente-se a intensidade da fruta. No final fica alguma adstringência.

  • 1997 - côr mais ruby que o anterior, aromas de ameixa madura, azeitonas, chocolate, especiarias. Muito bom na boca, com alguns taninos bem equilibrados. Um vintage de concentração.

  • 2000 - mais ruby que o anterior, muito complexo e intenso no nariz, muita fruta, couro. Na boca sentem-se os taninos que não deixam uma boa recordação no final, que é muito longo.

  • 2003 - côr retinta, nariz muito concentrado, complexo mas equilibrado. Na boca é extraordinário, potente e redondo ao mesmo tempo.
Os que mais me impressionaram, foram o 1977 e o 1980 pela complexidade e elegancia, o 1992 pelo potencial, e o 2003 pelo equilibrio.
Eram todos vinhos excelentes, pelo que não vou pontuá-los. É curioso como todos os anos são diferentes, com caracteristicas muito distintas. Vinhos com personalidade.

No final, ainda fomos dar uma volta rápida por alguns stands, onde ainda provei:
- Niepoort colheita 1987 (excelente)
- Dalva colheita 1975 (nariz óptimo, mas na boca tem um travo que não me agradou)
- Noval vintage Silval 2005 (divinal)
Dos quais destaco o vintage da Quinta do Noval, que me seduziu por completo.

Frederico Santos

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Jantar Vintage

O objectivo do jantar era abrir uma garrafa de porto Niepoort Vintage de 1982.
O jantar foi em casa do Fred, com 8 participantes, e o menu foi:

- Foie-Gras grelhado, com confit de cebola e chutney de manga
- Lombinhos de veado assados com batata gratinada e molho de frutos silvestres
- Chocolate preto e ovos moles

Os vinhos servidos foram:

- Matua Valley Botrytis Riesling 2007 (NZ)
- Casal Figueira 9,5
- Jota 2005
- Batuta 2001
- Robustus 2004
- Porto Niepoort Vintage 1982
- Porto Pintas Vintage 2005
- Porto Niepoort Vintage 2005
- Porto Niepoort 10 Years Old White


O Jota 2005, apesar de ser um vinho 4 vezes mais barato que os outros tintos, não se desenquadrou, e mostrou-se um vinho muito agradável e equilibrado.

O Batuta 2001 estava muito bom, a acusar a idade com uma ligeira côr atijolada, um nariz suave mas complexo, muito redondo na boca e a deixar uma boa recordação no final. Tinha muito depósito, acho que foi aberto em boa altura.

O Robustus 2004 é um vinho dificil de não gostar, irrepreensivel no equilibrio, com fruta qb no nariz, na boca é fresco e sente-se o sabor das boas uvas com que foi feito, amaciado pela madeira mas sem se sentir qualquer sabor "amadeirado", tal é o equilibrio conseguido. Um vinho excelente.

O vintage de 1982, depois de ser decantado algumas horas antes, estava divinal, a côr aloirada escura, o nariz intenso e delicado onde sobressaiam as passas de uva, muito elegante, na boca parecia seda.

Abrimos o vintage Pintas 2005, que estava muito bom, mas com um perfil completamente distinto, neste vintage novo o nariz era mais intenso e mais bruto, a atirar-nos com notas de frutos silvestres e ameixas maduras, muito frutado, na boca mostrou-se algo desiquilibrado para o meu gosto, demasiada fruta torna-o um pouco enjoativo.

Abrimos um vintage Niepoort 2005, que continua a ser dos melhores vintages novos que tenho provado, muito intenso no nariz, com mais complexidade, tambem muito frutado mas sem enjoar. Potencia controlada. Este vintage promete.

Entretanto ainda houve quem provasse um colheita Kopke 1978 que andava aberto lá em casa, para felicidade do Ivo era do ano em que ele nasceu, este com mais madeira no nariz, num estilo diferente, mas comparável com o vintage de 1982, pela sua elegancia e fineza.

Abrimos ainda um porto branco de 10 anos, engarrafado em 2008, uma novidade da Niepoort, cujo nariz era delicioso, com notas de passas que me fizeram lembrar o moscatel, mas na boca é seco, o que o torna um excelente aperitivo.

Cumprimos assim o nosso objectivo pedagógico que era provarmos um vintage com mais de 20 anos.
Fiquei a saber que os vintages velhos ganham aromas de passas de uva, enquanto os colheitas velhos (os unicos vinhos que posso comparar com este vintage) ganham aromas de madeira velha e frutos secos.

Dois estilos diferentes de porto envelhecido, ambos muito elegantes e finos, de tal modo que não me consigo decidir de qual gosto mais.

Tenho de continuar a provar...

Frederico Santos