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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Roquette & Cazes 2008

Um dia cheio de más notícias, como hábito de passado recente. O vazio do fim de dia temperado com os paradoxos da praxe... reúnem-se todas as condições para procurar um amigo na garrafeira, decantar, respirar, descodificar...

Começa o monólogo, eu não lhe digo nada, mas ele farta-se de falar comigo. Começa tímido no nariz, mas após 10 minutos de decantação expressa primeiro notas vegetais, com o aroma da violeta bem marcado, secundado por fruta vermelha madura, afinadinho como um solista de orquestra.

Não falo da sua cor, nos meus amigos tintos estou-me borrifando para a cor, não sou mesmo nada racista.

No retro nasal expressa de novo a fruta e na boca surge clara a harmonia com a madeira, veludo, tudo muito bem casado, taninos polidíssimos. Está muitíssimo elegante, deve gastar fortunas no ginásio.

Face a provas anteriores em 2013 e 2014, evoluiu muito bem, tem vindo sempre a crescer, bem mais expressivo e definido no aroma, corpo médio mas com a finesse de uma madame francesa.
Parece estar no seu auge e recomendo consumo imediato, durante 2015.

Inspirou-me e bebi-o até à última gota, não se queixou por um segundo que seja...

Touriga Nacional, Tinta Roriz & Touriga Franca: três castas, duas famílias, um terroir...
Roquette & Cazes 2008

Mário Rui Costa


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lokal Silex 2008, Bravo!!!

Bravo, torno a dizer, que magnifico prazer foi a degustação deste vinho.
 
Ainda ontem, ao comentar um post referi que foi a zona do Dão a primeira a causar uma forte impressão quando comecei a ter algum interesse no mundo do vinho. Então, deparei-me com alguns vinhos que misturavam frescura, elegância e corpo de uma forma única e que achei muito apelativa. Passaram-se anos de travessia de deserto na região, ninguém percebia a estratégia da região que se descaracterizava dia após dia, ao mesmo tempo que o Douro (nos vinhos de mesa) e o Alentejo ganhavam protagonismo.
Nos últimos tempos sinto (pela desgustação claro está) ventos de mudança, no meu top 2010 essa sensação fica bem expressa, e este Lokal Silex fechou para mim o ciclo, avivando memórias do "tal perfil". E causou-me surpresa porque vem de uma enóloga (Filipa Pato) cheia de talento mas oriunda de uma outra região, a Bairrrada.


Focando no vinho, é feito de Touriga Nacional e Alfrocheiro, transpirando frescura logo no aroma, dominado pelo floral típico da expressão da Touriga no Dão (para mim diferente da expressão no Douro ou outras zonas do país), também com alguma fruta fresca e tosta residual. Na boca permanece fresco, com a fruta viva e com taninos domados, o que confere delicadeza.

Degustado agora está óptimo para consumo, e neste caso em particular tenho dificuldade (por incompetência minha claro está) em vaticinar a sua longevidade (já agora, a maior parte dos entendidos faz pura adivinhação), se calhar é por estar tudo tão bem casado já em novo...

Pontuação: 17,5 / 20
Nota: um amigo meu disse-me que como dou sempre notas altas, sou um gajo que gosto de tudo :-) . Compreendo a crítica, mas isso tem uma justificação: não tenho o hábito de publicar sobre vinhos que me desagradam ou que não me impressionam de todo. Excepção feita a provas de amostras fornecidas por produtores, se não gostar não vou fazer o jeito...

Boas provas,

Mário Rui Costa