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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Garrafeira Tio Pepe, 25º aniversário, 4º dia de provas

Nas comemorações do seu 25º aniversário, a garrafeira Tio Pepe ofereceu 5 dias de provas vínicas de alto nível, sendo cada dia dedicado a uma região, com alguns dos produtores mais significativos a disponibilizarem os seus vinhos topo de gama.
Não podendo comparecer todos os dias, optámos pelo 4º dia dedicado ao vinho do porto e madeira, e lá fomos numa quinta à tarde.

Estavam em prova vinhos veneráveis, alguns do século XIX, muitos do século XX, e ainda alguns vintages novos de 2009. Eram todos vinhos do porto com exceção de dois madeiras da Blandy's.

Numa prova deste calibre é muito difícil classificar os vinhos, no entanto ficam algumas notas para a posteridade.

Começámos pelos mais velhos, os colheitas, e acabámos nos vintages novos.

Niepoort colheita 1957
Com mais de 50 anos, tem um nariz muito rico e equilibrado, na boca é suave e tem um final muito prolongado. Tudo em harmonia.
Um grande colheita.

Niepoort colheita 1863
Apresentou-se com consistência ligeiramente caldosa, com um nariz de grande complexidade, muito equilibrado na boca, e com um final interminável.
Apareceu de surpresa, no formato meia garrafa com o ano pintado, como concorrente de Dirk Niepoort ao Scion de David Guimaraens.

Warre's colheita 1882
De côr acastanhada, apresentou um nariz intenso, mas achei-o ligeiramente desequilibrado no conjunto.

Taylor's Scion (1855)
De côr aloirada com tons de ruby, uma côr surpreendente para a idade que tem.
O nariz apesar de excelente é ligeiramente mais fechado que o Niepoort 1863, mas na boca este pareceu-me ser mais intenso.
É um vinho que tem causado sensação no último ano, por terem sido descobertas por acaso duas pipas com 150 anos guardadas por várias gerações da mesma família.
Ao descobrirem que o vinho estava em perfeitas condições apesar da sua idade pré-filoxérica, decidiram engarrafar e vender a preços proibitivos dada a sua raridade. Uma garrafa de 50cl custa cerca de 2500 euros.
Compreende-se assim que o vinho tenha sido servido a conta-gotas, só meio centilitro em cada copo.


Madeira
Blandy's Bual 1908
Blandy's Bual 1920
Dois vinhos com cerca de cem anos ainda em grande forma, com a sua acidez típica a dar-lhes vida.
Para além de um nariz riquíssimo, estes vinhos têm um final de boca que nunca mais acaba.

Noval colheita 1937
Um vinho sublime.
Constato que 1937 foi um grande ano e ainda existem alguns colheitas de várias casas de vinho do porto à espera de ser engarrafados.
Este é um exemplo de perfeição, com uma intensidade surpreendente na boca.

Noval colheita 1964
Também em grande nível, ainda com muita frescura apesar dos seus 47 anos.
Foi comentado pela enóloga que os colheitas da Noval só são engarrafados a pedido, mantendo-se na madeira que é onde devem envelhecer.
Isso explica a fantástica frescura destes colheitas.

Graham’s vintage 1970
Um vintage de 40 anos.
Com aromas refinados, a boca sedosa sem perder firmeza, a sua elegância e o final muito longo, tornam este vinho exemplar na sua categoria.

Vesúvio vintage 1994
É possivelmente o melhor Vesúvio, e todos os Vesúvios são bons.
Agora com cerca de 15 aninhos, continua com um nariz exuberante, uma boca muito viva e carnuda, e um grande final.

Noval Nacional vintage 1994
Este vinho não é acessível ao comum dos mortais.
Primeiro por ser um vintage Noval Nacional, de uma vinha que foi replantada sem recurso a enxertos, na época da filoxera. Segundo por ser o de 1994, ano que foi pontuado com a nota máxima pela conceituada revista Wine Spectator.
É reconhecido como um dos melhores vintages do último século, a par do 1963 e do 1931. O seu preço ronda os mil euros por garrafa.
Com 15 anos de idade, apresentou o melhor nariz dos vintages em prova, intenso e com uma complexidade infindável. Imagino o que será daqui a mais uma(s) década(s)...
Na boca está impecável, muito correcto e saboroso, com final muito longo.

Adelaide vintage 2009
Este foi o vintage de 2009 que mais me impressionou até agora.
Tem um nariz intenso e muito rico, mineral, frutos silvestres, chocolate, tabaco.
Na boca mastiga-se de bom que é, e tem um belo final.

Taylor's vintage 2009
Não é todos os anos que a Taylor's declara um vintage clássico, só o fazendo 3 ou 4 vezes por década. Quando o faz é sinónimo de qualidade garantida.
Este é um vinho portentoso, com um perfil austero que promete longevidade.
A côr é quase preta, de nariz intenso sem ser exuberante, notas de fruta madura, ameixas, cerejas, amoras, muito mineral.
Na boca mostra os taninos bem polidos, é muito encorpado, e tem um final enorme.

Todos os vinhos eram excelentes e deram que pensar durante pelo menos um mês, até me conseguir recompor da experiência e escrever aqui algumas linhas, que nem de longe fazem justiça a estes vinhos que atravessam séculos.
Os preferidos foram o Niepoort 1863 e o Taylor's Scion, não consegui decidir de qual gosto mais.

Muito grato à garrafeira Tio Pepe por ter proporcionado esta oportunidade de provar vinhos tão inacessíveis.

Bem hajam.

Frederico Santos

sábado, 7 de março de 2009

Vintages clássicos da Taylor's




Foi durante o evento "Essência do Vinho" organizado anualmente no palácio da bolsa no Porto que realizámos esta prova.
Tratava-se de uma prova comentada de vintages clássicos da casa Taylor's, apresentada pelo enólogo David Guimaraens, onde foram provados 8 vintages Taylor's entre 1977 e 2003, faltando apenas o de 1983.
Esta prova decorreu na sala do tribunal do palácio da bolsa, onde foram realizadas as Entronizações da Confraria do Vinho do Porto até 1995, antes de transitarem para o Pátio das Nações, onde ao mesmo tempo que decorria a nossa prova estavam as bancas dos produtores num verdadeiro reboliço, pois era sábado à tarde.

Os vinhos apresentados foram:

  • 1977 - côr ligeiramente atijolada, no nariz sobressaem passas, chocolate, especiarias, embora contenha muito mais aromas na sua complexidade. Na boca é sedoso, com um final interminável. Muito elegante. Um vintage com 32 anos no seu estado maduro.

  • 1980 - côr ruby pálida, com algumas notas de passas e massapão, muita fruta, menos complexo que o de 1977. Na boca sentem-se bons taninos, "spicy", tem um final muito longo.

  • 1985 - côr ruby menos pálida, nariz suave mas complexo, na boca muita estrutura e muito equilibrio. Bom para guardar pelo menos uma década.

  • 1992 - côr ruby, nariz muito complexo, já perdeu a fruta jovem, na boca é forte mas muito equilibrado nos taninos. Gostei muito deste. Notou-se uma diferença relativamente ao estilo dos 3 vinhos anteriores.

  • 1994 - côr mais aloirada que o 92, muita complexidade: frutos silvestres, couro, chocolate. Na boca é muito redondo, sente-se a intensidade da fruta. No final fica alguma adstringência.

  • 1997 - côr mais ruby que o anterior, aromas de ameixa madura, azeitonas, chocolate, especiarias. Muito bom na boca, com alguns taninos bem equilibrados. Um vintage de concentração.

  • 2000 - mais ruby que o anterior, muito complexo e intenso no nariz, muita fruta, couro. Na boca sentem-se os taninos que não deixam uma boa recordação no final, que é muito longo.

  • 2003 - côr retinta, nariz muito concentrado, complexo mas equilibrado. Na boca é extraordinário, potente e redondo ao mesmo tempo.
Os que mais me impressionaram, foram o 1977 e o 1980 pela complexidade e elegancia, o 1992 pelo potencial, e o 2003 pelo equilibrio.
Eram todos vinhos excelentes, pelo que não vou pontuá-los. É curioso como todos os anos são diferentes, com caracteristicas muito distintas. Vinhos com personalidade.

No final, ainda fomos dar uma volta rápida por alguns stands, onde ainda provei:
- Niepoort colheita 1987 (excelente)
- Dalva colheita 1975 (nariz óptimo, mas na boca tem um travo que não me agradou)
- Noval vintage Silval 2005 (divinal)
Dos quais destaco o vintage da Quinta do Noval, que me seduziu por completo.

Frederico Santos