quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Top 10

É chegada a altura de lembrar as coisas boas que mais me impressionaram durante este ano:

- porto Niepoort garrafeira 1931
- porto Messias colheita 1977
- porto Dow's vintage 1980
- madeira Blandy's Bual 1920
- moscatel JMF Trilogia
- champagne Taittinger Blanc de Blancs 1999
- tinto Gonçalves Faria 1991 tonel 3 (Bairrada)
- tinto domaine Clape - Cornas 2007 (França - Côtes du Rhône)
- branco Louis Latour "Chenevottes" 2007 (França - Bourgogne)
- branco Rolly Gassman Gewurztraminer SGN 1989 (França - Alsace)

Metade são vinhos generosos, quase metade são franceses, e o Gonçalves Faria já não se encontra. Estes vinhos foram provados em eventos colectivos, à excepção do último que foi numa viagem de férias.

Vinhos mais acessíveis a destacar em 2010:

- branco Quinta dos Roques Encruzado 2008 - Dão
- branco Guarda Rios 2009 - Ribatejo
- branco Luis Pato Vinhas Velhas 2009 - Bairrada
- tinto Bageiras Garrafeira 2005 - Bairrada
- tinto Lav. de Feitoria - Grande Escolha 2005 - Douro
- tinto Vertente 2007 - Douro
- tinto Glória Reserva 2005 - Douro (não encontro à venda)
- moscatel JMF Alambre 20 anos
- porto Kopke fine tawny
- espumante Vértice Millésime 2005

Que em 2011 hajam muitos mais.
Frederico Santos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Melhores do ano 2010

Na sequência do Post do Comendador Amaro, seguem os vinhos que mais gostei de degustar em 2010. Olhando para trás constato que foi um ano um pouco "monocórdico" no que diz respeito às regiões alvo de prova, praticamente não saí de 3 regiões, Douro, Dão e Bairrada, não me perguntem uma razão objectiva para assim ter sido mas de facto são as "minhas" regiões...

Em jeito de resumo do ano de 2010 gostava de realçar:
  • Nunca se fizeram tantos e tão bons brancos no Dão...
  • Na Bairrada o Mário Sérgio permanece num patamar de excelência com os seus garrafeira tintos e  brancos...
  • O Douro confirma o estatuto de região de excelência, tantos nos brancos como nos tintos. Nesta região o difícil foi escolher apenas alguns...
  • Magnifico o estilo vigente nos Porto Vintage. Na minha opinião são finalmente vinho feitos para dar um prazer descomunal tanto novos, como em meia idade, como velhos ou velhíssimos (por confirmar :-) ). Alguns amigos meus acham esta minha opinião uma heresia e uma ofensa à velha escola do vinho do Porto... treta...
Segue a lista:

Tintos

Douro
- Quanta Terra Grande Reserva 2007
- Poeira 2007
- Morgadio da Calçada Reserva 2007
- Charme 2007
- Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2007

Dão
- Four C 2007
- Quinta dos Carvalhais Único 2005
- Júlia Kemper 2008
- PAPE 2007

Bairrada
- Quinta das Bageiras Garrafeira 2005
- Quinta das Bageiras Garrafeira 2004
- Calda Bordaleza 2007

Alentejo
- Herdade dos Grous Reserva 2007

Brancos

Minho
- Soalheiro Primeiras Vinhas 2008
- Muros de Melgaço 2008

Douro
- Guru 2006
- Redoma Reserva 2008
- Vértice 2008
- Bétula 2009

Dão
- Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2008
- Four C 2008
- Condessa de Santar 2008
- Quinta dos Carvalhais Encruzado 2008
- Quinta da Pellada Primus 2009

Bairrada
- Quinta das Bageiras Garrafeira 2007
- Diga? 2008

Espumantes
- Vértice Grande Reserva 2007
- Vértice Milesime 2005
- Murganheira Touriga Nacional 2003

Colheitas Tardias
- Kracker Trockenbeerenauslesen Grand Cuvée TBA Nº 6 2007

Vinho do Porto
- Quinta do Vesúvio Vintage 1994
- Dow's Vintage 1980
- Taylor's Quinta das Vargellas Vintage 2008
- Fonseca Quinta do Panascal Vintage 2008



Bom Natal e que 2011 seja um ano cheio de eventos de degustação,

Mário Rui Costa
PS: Fred, só faltas tu...

Bétula 2009

Antes de tudo o mais, cabe-me agradecer a amabilidade do produtor, Catarina Montenegro, pelo envio de amostras de prova para o painel de provadores do nosso blog. Achamos que é um acto que revela uma percepção clara de como funcionam os meios de comunicação nos dias de hoje e aplaudimos a iniciativa. Felizmente para nós e para o sector do vinho de uma forma geral é uma prática em grande crescendo.

Quanto ao vinho, trata-se do branco duriense Bétula 2009, produzido pela Quinta do Torgal estando a enologia ao cargo do Francisco Montenegro. É um vinho resultante de vinhas situadas em solos graníticos e feito a partir de duas castas internacionais muito em moda no nosso país, o Sauvignon Blanc e o Viognier. Este cartão de visita é em si muito prometedor, duas castas que aprecio muito, de grande intensidade aromática e perfil muito próprio (espargos, relva cortada, lima no Sauvignon, laranja, pêssego em calda, anis no Viognier), um enólogo de renome, um produtor com visão, uma garrafa com excelente apresentação, ufa... e deixem-me dizer-vos que o vinho confirmou em grande estilo o que de bom se prenunciava.

Notas de prova:
  • Visão: Amarelo limão com tons esverdeados, límpido.
  • Olfacto: A laranja cristalizada, o pêssego em calda e o anis do Viognier dominam num nariz exuberante sem ser nada enjoativo. É um daqueles vinhos que dão um prazer extraordinário na prova olfactiva e que eu "cheirei" uns bons 10 minutos antes de estimular o palato. As notas citrinas e herbáceas do Sauvignon equilibram bem o nariz, dando-lhe frescura, equilíbrio e sofisticação.
  • Paladar: Ao contrário do Olfacto, aqui predomina o Sauvignon e por inerência temos um vinho bem mineral, com acidez no ponto e bem complexo, com notas de tosta fantásticas e um final longo onde balançam notas citrinas e muito leves de menta. É um vinho cheio de corpo, bem gastronómico.

Conclusão: é um branco de grande estilo e de grande prazer e não há melhor elogio do que dizer que vai passar a figurar na minha garrafeira (assim as 3000 garrafas produzidas o permitam :-) ). Gostei muitíssimo do resultado final da combinação de duas castas com grande personalidade e que costumam ser apresentadas ao consumidor em monocastas (predominantemente), resultado o melhor dos dois mundos.

Nota final: 17/20

Mário Rui Costa

PS: comentando um outro blog, não acho má ideia o uso de castas internacionais no Douro, principalmente castas brancas e este vinho é uma boa prova disso.

____________

Uma novidade, este vinho branco de castas internacionais feito no Douro.
A garrafa está muito bem apresentada, com um rótulo sóbrio. Gosto especialmente do pormenor da cápsula metálica verde que envolve o topo do gargalo, e dá continuação ao grafismo do rótulo. Fica bem em qualquer mesa.

De côr amarela citrina, no nariz sobressaem frutas tropicais tendo em fundo aromas herbáceos, muito complexo.
Na boca é intenso, tem uma acidez acentuada, e um final muito longo.
É um vinho gastronómico, que deve ligar bem com pratos de marisco. Acompanhou lindamente uma açorda de gambas.

O vinho está bem conseguido, muito fresco e ao mesmo tempo encorpado. Melhor no nariz do que na boca, para o meu gosto falta-lhe ainda algum polimento na acidez para ser um grande vinho.
Acho que a junção destas duas castas resulta muito bem, e aguardo ansiosamente futuras edições.

Nota: 16,5

Frederico Santos
Janeiro 2011

____________


Um novo branco do Douro, que vai na sua segunda edição, e que foi gentilmente enviado pelo produtor para a prova deste blog.

Aroma muito exuberante e sedutor, com fruta tropical em primeiro plano, notas vegetais, relva cortada e espargos verdes, típicos do Sauvignon Blanc.
Na prova de boca, mostra excelente corpo, dado principalmente pelo Viognier, com notas de barrica a mostrarem-se, mas tudo num conjunto muito fresco, muito mineral e com uma belíssima acidez, e novamente com a fruta tropical em evidência.
Em resumo, gostei muito do vinho, deu muito prazer. Uma combinação de castas fora do comum, mas que aqui resulta muito bem, com as duas a equilibrarem-se lindamente.
Mais uma bela aposta do Douro de um novo produtor.

Nota: 16,5
Carlos Amaro
15-01-2011

domingo, 19 de dezembro de 2010

Melhores Vinhos de 2010


Aproximando-se o final do ano, segue a lista do que foi para mim o melhor que bebi no ano de 2010.
Nos tintos e brancos, seleccionei 10 vinhos. Nas categorias restantes, coloquei apenas aqueles que pela sua qualidade me ficaram especialmente na memória.

Vinhos Tintos:
Xisto 2005
Pape 2007
Quanta Terra Grande Reserva 2007
Quinta da Gaivosa 2005
Quinta dos Carvalhais Único 2005
Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007
Poeira 2007
Quinta do Vallado Reserva 2007
Quinta das Bageiras Garrafeira 2005
Quinta do Noval Labrador Syrah 2007

Vinhos Brancos:
Quinta do Soalheiro Reserva 2008
Ázeo Reserva 2008
Louis Latour Chassagne-Montrachet 1erCru "Chenevottes" 2007
Herdade dos Grous Reserva 2008
Quinta das Bageiras Garrafeira 2007
Quinta das Bageiras Garrafeira 2004
Pellada Primus 2007
Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2008
Louis Latour Corton-Charlemagne Grand Cru 2007
Tiara 2009

Vinho do Porto:
Niepoort Colheita 1987
Quinta do Vesúvio Vintage 1994
Dow's Vintage 1980
Graham's Vintage 1985
Fonseca Vintage 2007
Fonseca Vintage 1985
Messias Colheita 1963
Messias Colheita 1977

Champanhe/Espumantes:
Louis Roederer Cristal 2002
Taittinger Comtes de Champagne Blanc de Blancs 1999
Pommery Cuvée Louise 1995
Vértice Millesime Gouveio 2004

Moscatel:
José Maria da Fonseca Trilogia

Madeira:
Blandys Bual 1920
Blandys Malvasia 1985
Blandys Malvasia 1992
Barbeito Malvasia Single Cask 40a 2000

Carlos Amaro


domingo, 12 de dezembro de 2010

Tinto da Gaivosa 2008


Primeira versão deste vinho, que se vem posicionar como o segundo vinho da Quinta da Gaivosa.
Bonita cor rubi. Nariz muito apelativo,com aromas intensos de fruta do bosque, especiarias e cacau.
Na boca vai pelo estilo elegante, novamente com fruta e especiarias a comandar, num final longo harmonioso.
Em resumo, um vinho bem feito, num estilo mais directo e descomplicado, deixando os voos mais altos para o seu irmão mais velho, mas que está bem para a sua gama de preço.
Preço: 9€
Nota: 16

Carlos Amaro

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Prova de Brancos


Prova promovida pela garrafeira Tio Pepe, dedicada a vinhos brancos.
A lista de vinhos provados foi a seguinte:

- Esporão Private Selection bº 2009
- Herdade dos Grous Reserva bº 2008
- Castelo D’Alba Grande Reserva V. Velhas bº 2009
- Terrenus bº 2008
- Dolium Escolha bº 2009
- Alvarinho Contacto bº 2009
- Alvarinho Quinta de Soalheiro Reserva bº 2008
- Alvarinho Quinta do Regueiro Reserva bº 2009
- Oboé de JM Reserva bº 2009
- Redoma Reserva bº 2009
- Aveleda Grand Follies bº 2007

De destacar a excelente qualidade de todos os vinhos provados. De facto, não havia um vinho fraco.
De entre todos estes vinhos, destaco os seguintes:

Terrenus 2008:
A maior surpresa. Apesar de já conhecer a boa qualidade do tinto da mesma marca, não estava à espera.
Um muito bom vinho, fresco mineral, fruta tropical, um nariz fantástico e uma prova de boca de grande qualidade. Um vinhão a preços “acessíveis” (13.90€)
Quinta Soalheiro Reserva 2008
Um grande vinho, com um estilo muito diferente dos alvarinhos “normais”, mais encorpado e sério, sem a exuberência no nariz da versão Soalheiro normal.
Maior complexidade e elegância, com a barrica muio bem integrada com o vinho, num equilibrio que não se vê muitas vezes em Alvarinhos.
Um dos meus dois favoritos da prova
Herdade dos Grous Reserva 2008
Um vinho que já conhecia e que nesta prova confirmou o a sua qualidade. De cor forte dourada, mas escuro que os demais, belíssimos aroma a fruta tropical, compota de ameixa, e um fumado da madeira a dar complexidade.
Intenso, gordo, estruturado e envolvente, mas com acidez suficiente para dar equilibrio ao corpo. Um vinho que enche a boca.
Foi este o outro dos meus favoritos
Redoma Reserva branco 2009
Mais uma bela colheita de um dos brancos portugueses com mais qualidade.
Neste momento tudo em elegância, muito concentrado e equilibrado. Um vinho fantástico, que merece ser guardado uns anos.

Em resumo, uma bela prova, com vinhos brancos de grande qualidade.

Carlos Amaro

sábado, 4 de dezembro de 2010

Vinho da Madeira Blandy's


Foi na garrafeira Tio Pepe, no Porto, que provámos estes madeiras da Blandy's, uma das maiores casas de vinho da madeira, adquirida recentemente pelo grupo Symington.

Alvada 5 year old, um vinho que se distinguiu por uma acidez intensa bem equilibrada pelo doce. Faz lembrar a acidez do Moscatel Roxo de Setúbal. Muito bom.
Malmsey Harvest 2004, mais elegante, de nariz complexo, um bom prelúdio para os irmãos mais velhos.
Vintage Terrantez 1976, um vinho distinto, de nariz intenso e complexo, algo anizado, acidez presente e bem delimitada pela doçura. Uma delícia.
Vintage Malmsey 1985, ao nível do anterior, mas uns pontos acima pelo equilíbrio, muito intenso e elegante, de final muito longo.
Bual 1920, um vinho com 90 anos, apresentou-se ligeiramente turvo no início, mas foi clarificando. Tinha o nariz mais intenso e complexo de todos, a princípio cheirava a cola branca, mas foi abrindo e revelando uma imensidão de aromas. A boca também era a que tinha o final mais longo, quase interminável, num estilo menos doce que os outros. Um vinho para beber com muita calma e ir meditando.

Os vinhos eram todos de grande qualidade, de cor acobreada, com narizes muito ricos de aromas de frutos secos, fruta cristalizada, madeira, ...
Vinhos requintados e com preços para todas as carteiras, desde os 9 aos 350 euros.

Frederico Santos

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prova de porto Vintage



Prova realizada na sala castanha do Mercado Negro em Aveiro, depois de jantar.
Foi dedicada ao vinho do porto vintage, e tentámos seleccionar bons exemplares de vários anos, e de vários estilos.

- Graham's 1970
- Dow's 1980
- Graham's 1985
- Vesúvio 1994
- Fonseca Guimaraens 2001
- Noval Silval 2005
- Niepoort 2007

Acompanhámos com:
- queijo da serra e tostas
- ovos moles
- amores da curia
- chocolates Michel Cluizel

Os três vinhos mais antigos foram decantados antes de jantar, e os restantes também foram abertos nessa altura.

Começámos a prova pelo mais velho, o Graham's 1970, que apresentou uma côr alaranjada, nariz complexo e suave. Na boca era delicado, sedoso, ainda com alguma intensidade, e final longo. Um bom vintage de 40 anos, em estado óptimo de maturação. Este não se deve guardar muito mais.

Passámos ao Dow's 1980, uma força da natureza este vinho com 30 anos. Ainda de côr ruby, de nariz intenso e rico de aromas. Apesar da idade ainda preserva muitas notas de fruta, uma bela mistura de especiarias e uma base aromática de licor de Cassis que achamos fabulosa. A boca é cheia de sensações de potência equilibradas pela elegância da sua idade. Um aspecto que demonstra a complexidade de boca deste vinho é o facto de ser muito difícil de "descodificar", cada prova de boca transmitia sensações novas e difíceis de referenciar. Um dos provadores (Mário Rui) lembrou-se da ameixa de Elvas como referência, pode ter sido delírio... Foi o vinho que tinha mais depósito ao ser decantado. Muito bom de se beber agora, mas ainda está para durar.

Seguiu-se o Graham's 1985, um vintage clássico com 25 anos, com côr ruby mais suave, um nariz complexo onde já se sentem aromas mais maduros de passas, especiarias. Na boca é intenso e tem um final muito prolongado. Um muito bom vinho.

Continuámos com o Quinta do Vesúvio 1994, um vinho de 15 anos, de côr muito escura. O nariz é exuberante, numa mistura de fruta madura, chocolate negro e especiarias, muito sedutora. Na boca é redondo e mais vinoso, com uma grande complexidade e potência. Um vinho intenso e sedutor, que está aí para durar muito anos, vai ter de certeza um futuro auspicioso.

Mudámos de milénio com o Fonseca Guimaraens 2001, de côr ruby escura, de nariz intenso, boca pujante onde os taninos marcam presença. Apesar de não ser uma declaração clássica, este vinho está para durar décadas.

Seguiu-se o Noval Silval 2005, um vinho aveludado, de nariz complexo, com aromas silvestres e muito mineral, intenso na boca, deixando uma boa recordação. Talvez o vinho com estilo mais seco na boca de todos os provados, agradou muito.

Terminámos com o Niepoort 2007, um vinho novo, no nariz tem algumas notas de chocolate e aromas de fruta fresca. Na boca é muito intenso, ainda com as garras de fora. A guardar.

Segue a média das pontuações dadas, onde se destacaram o Dow's 1980 e o Vesúvio 1994:


  • 18,5 - Dow's 1980
  • 18,4 - Vesúvio 1994
  • 17,8 - Noval Silval 2005
  • 17,8 - Graham's 1970
  • 17,4 - Graham's 1985
  • 16,9 - Niepoort 2007
  • 16,9 - Fonseca Guimaraens 2001

Frederico Santos
Carlos Amaro
Mário Rui Costa

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Graham's Vintage 1977

O objectivo era claro: provar este Porto, um Graham's 1977, um vintage com fama de grande qualidade e que desde que repousava na garrafeira que esperava por uma desculpa para ser bebido.
Pensou-se num jantar. Sucederam-se marcações e desmarcações, parecia que nunca mais se chegava a consenso entre os membros do blog.
Foi finalmente neste ultimo fim de semana, e não desiludiu as espectativas.

Avançando para o vinho, que é o que interessa.
Revelou complexidade enorme, com um nariz muito sedutor em que os aromas a fruta, especiarias, chocolate e mais um sem número de pequenas coisas se misturavam.
Na boca continuava sedutor, grande equilíbrio e complexidade e um final interminável. Para este vinho é difícil descrever com exactidão tudo o que passava pelo nariz e boca.
Só sei que chegou ao fim com grande pena por não haver mais.

Foram bebidos outros vinhos ao jantar, sempre a um nível de qualidade alto, mas a estrela da noite foi definitivamente o Graham's.

Segue a lista dos outros vinhos bebidos:
- Omlet 2005
- Aalto 2000
- Terra d'Uro 2006
- Quinta da Pellada Reserva 2006

Destes é difícil destacar qual o melhor. Elegância e equilibrio do Terra d'Uro e do Pellada.
Mais corpo, acidez e fruta no Omlet, e o prazer de um vinho mais velho e complexo com o Aalto. Todos foram uma boa introdução para o Graham's.

Em conclusão, um belo jantar, que não acontece todos os dias.

Carlos Amaro

domingo, 17 de outubro de 2010

Quinta das Marias Encruzado 2009


Já há bastante tempo que andava para provar o Encruzado deste produtor, uma vez que sou fã dos seus tintos.
A produção é pequena, apenas 7330 garrafas, da qual me calhou a número 3334.

Belo nariz, com uma boa intensidade, muito fresco e elegante, centrado em aromas de fruta, principalmente citrinos, algum floral, notas de especiarias e muito mineral.
Boca muito fresca e com boa estrutura, com muita fruta a mostrar-se, aliada a uma bela acidez que suporta muito bem o vinho. Boa persistência.
Gostei bastante do vinho, tendo ficado com vontade de ver como está o seu irmão com estágio em barrica.
Preço: 11€
Nota: 17


Carlos Amaro

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Munda 2007


Engarrafado pela Fontes da Cunha, é um monocasta Encruzado do Dão com seis meses de barrica.
Aromas discretos ao inicio, chegando primeiro notas fumadas, pólvora, tostados da barrica e só depois fruta madura. Tudo num grande equilíbrio.
Na boca é muito elegante. Bom corpo, frutos cítricos, acidez viva, repetem-se as notas de pólvora e alguma maçã. Final longo.
Tudo num grande equilíbrio e muito bem integrado, com a acidez a dar-lhe vida.
Um belo branco, muito equilibrado e elegante.
Garantidamente a comprar mais.
€8
16,5

Symmetria 2006

É um vinho do Alentejo, feito por Paulo Laureano. Cumprindo a política comercial do produtor, utiliza apenas castas portuguesas. Neste caso Trincadeira, Tinta Grossa, Aragonez e Alicante Bouschet.
Nariz muito agradável, com notas de compota de ameixa, frutos do bosque e um toque de especiarias.
Na prova de boca é elegante, mais uma vez com notas de fruta em compota e especiaria. Fim de boca longo, com taninos suaves e elegantes.
Um vinho muito bem feito, que dá bastante prazer beber.Uma bela escolha nesta gama de preços
8€
16,5

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Viagem a Champagne e Alsace


Estas férias proporcionou-se uma estadia de uma semana no nordeste de França. Aproveitámos umas milhas acumuladas e arranjámos uns voos para Paris - Orly, onde alugámos um carrito económico a gasóleo, um Corsa 1.3 que não gastava mais de 5 litros aos 100 (bebia menos que eu).
Apanhámos a A4 e seguimos para Épernay, no coração de Champagne, junto ao rio Marne. Uma bonita cidade cuja vida se desenrola em torno de um dos vinhos mais famosos do mundo. Foi com alguma emoção que passeei pela "Avenue de Champagne" sabendo que por baixo dos meus pés se acumulavam alguns milhões de litros do precioso líquido. Dizem que tem 100 km de caves, onde as garrafas repousam vários anos antes de sair para o mercado. Apenas passámos lá duas noites, e tivemos um dia para passear por entre vinhas com uma paragem em Reims a norte e uma visita ao farol de Verzenay. Não houve tempo para grandes provas, e acabámos por visitar dois pequenos produtores.
Fomos às caves Gaston Chiquet em Dizy, pois havia lá um concerto de uma mistura de rock com chanson française, que foi bastante engraçado. Este produtor tem a particularidade de usar vinhas de Chardonnay plantadas a norte do Marne, coisa que não é muito comum pois a Côte des Blancs estende-se na margem sul, e é daí que normalmente vêm as uvas brancas usadas no espumante. Eram vinhos com grande acidez, mas nada que entusiasmasse muito.
Já a caminho da Alsácia, parámos em Ambonnay para visitar o produtor Egly-Ouriet, que no guia 2011 da RVF vinha com 3 estrelas, e muito boas críticas, ao nível de grandes casas como Bollinger e Krug. Gostei muito do "Brut Grand Cru Tradition" que custava uns acessíveis 28 euros. Os millésime eram fantásticos e valiam bem os 60 euros, pois nas grandes casas de champagne custam pelo menos o dobro. Grandes vinhos, com boa acidez, e um bouquet delicado e complexo. São vinhos com grande capacidade de evolução, podendo ser guardados durante décadas.

Atravessámos a província de Lorraine directamente para a Alsace, onde ficámos 4 noites em Rorschwihr, uma pequena aldeia um pouco a norte de cidade de Colmar, no coração desta região vínicola. Alugámos uma "gite", que era um segundo andar de uma casa, muito cómodo e bem equipado. Tinha uma varanda que dava para a adega de Rolly Gassman, com a encosta de vinhas por trás, e ao fundo o sobranceiro chateau de Koenigsburg. Uma paisagem magnífica.
A região é óptima para passear, mas os nomes das povoações são quase impronunciáveis, existindo muitas aldeias típicas medievais muito bem preservadas, com as suas casas coloridas com grandes traves de madeira. É uma mistura curiosa de cultura francesa com alemã, manifestando-se na culinária com pratos típicos como chucrute, foie-gras en croute, tartes flambées, enfim, um não acabar de coisas boas, regadas com o óptimo vinho branco da região.
Os vinhos alsacianos são regra geral monocasta, sendo os Grand Crus feitos com quatro castas nobres: Riesling, Muscat, Pinot Gris, e Gewurztraminer. Têm ainda dois estilos de vinhos doces, os "vendages tardives" (VT), e os "sélection des grains nobles" (SGN). São também utilizadas outras castas brancas como Pinot Blanc, Sylvaner, e Auxerrois, mas em menor quantidade. Os tintos são de Pinot Noir.

O produtor Albert Boxler, em Niedermorschwihr, tem vinhas velhas (40 anos) em encostas muito íngremes, que constituem a apelação Grand Cru de Sommerberg. Fomos lá visitá-lo com alguma dificuldade em encontrar o local, em busca de vinhos muito bem cotados pela crítica profissional e com óptima relação qualidade preço, mas os melhores Rieslings que custavam uns módicos 20 euros já tinham sido todos vendidos, logo em Janeiro disse-nos a senhora que nos atendeu. Apesar de não termos provado os vinhas velhas, ficámos rendidos à extrema qualidade dos vinhos que tivemos oportunidade de degustar. Apreciei muito o Riesling Jeunes Vignes Grand Cru Sommerberg, de vinhas de 15 anos, com uma acidez brutal, mas bem equilibrada, muito aromático. Um vinho intenso, que custou 15 euros, e pretendo guardar uns anitos. Os Pinot Gris e Gewurztraminer eram mais dóceis, mas também muito bons. Excelente era o colheita tardia de Pinot Gris, uma goludice deliciosamente equilibrada.

Outro produtor que me fascinou foi Rolly Gassman, onde tive oportunidade de provar toda a sua gama de vinhos, até porque ficava ao lado de nossa casa. Este produtor tem a particularidade de lançar vinhos para o mercado passados vários anos do seu engarrafamento, apenas quando acha que estes se encontram prontos para venda. Tem agora à venda muitos da década de 2000, alguns de 99, 97 e 94, e ainda um SGN de 89, e estamos a falar de vinhos brancos.

  • Auxerrois, um vinho dócil e equilibrado, típico da região de Rorschwihr, que dizem ser muito usado em casamentos, por ser tão fácil de agradar e tão barato.
  • Muscat, também algo adocicado, tem um estilo particular que não será muito consensual.
  • Riesling, era bem bom, mas não é a especialidade nesta região.
  • o Pinot Gris Réserve 1997, ainda com uma frescura incrível, e de grande complexidade aromática, é uma maravilha. Não acusa nada os seus 13 anos.
  • Também de destacar o Pinot Gris Vendages Tardives, de qualquer ano, são todos muito bons.
  • o Gewurztraminer, é um pouco no estilo do Pinot Gris, também muito leve e inebriante, mesmo no de 1999 que parece um vinho novo de tão fresco.
  • o que mais gostei foi o Gewurztraminer Sélection des Grains Nobles de 1989. Depois de ter provado 4 ou 5 VT's e outros tantos SGN's, este apresentou-se como o mais intenso e mais equilibrado. Que vinho magnífico. Acabei por comprar o irmão de 1997 que não ficava muito atrás e custava quase metade.
Fiquei muito bem impressionado com a qualidade destes brancos da Alsácia, que se aguentam tantos anos em garrafa sem perder vida. São vinhos com excelente relação qualidade/preço, não entrando nos patamares de preços abusivos da região de Champagne. Além disso, a região da Alsácia é mais bonita e as pessoas mais simpáticas, embora Champagne tenha outro glamour.

Segue uma foto do espólio que consegui enfiar em 2 malas antes de apanhar o avião de volta, não me perguntem como.

Frederico Santos

domingo, 5 de setembro de 2010

Quinta do Monte d´Oiro Madrigal 2006

Penso que terá sido o primeiro vinho Viognier estreme português, e desde que a marca foi lançada no mercado que foi um vinho de que gostei particularmente.
O vinho tem evoluído de colheita para colheita, e a cada nova edição parece-me que caminha no sentido de ser um vinho mais delicado, elegante, com mais fruta.
Esta garrafa de 2006 era a ultima dessa colheita que tinha em casa.
Aroma com fruta melada, alperce, pêra e notas florais. Pastelaria doce, especiarias e com abaunilhados dados pelo estágio em madeira.
Na boca, perdeu já um pouco da acidez que o caracterizava quando mais novo. É um vinho gordo, envolvente, mas parece-me que perdeu alguma elegância e finura, estando talvez demasiado orientado para os sabores abaunilhados, e melados, ainda que mantenha alguma fruta (principalmente alperce), faltando no entanto uma maior acidez para um melhor equilíbrio.
Pode ter sido desta garrafa, mas parece-me que talvez tenha passado um pouco o ponto optimo do consumo, já que me lembro de garrafas anteriores desta colheita de 2006 como um excelente vinho, com boa acidez e mais delicado.
Nota: 15,5

Carlos Amaro

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vertical de Garrafeiras brancos das Bágeiras


Foi na Quinta das Bágeiras, em Fogueira, que nos juntámos para uma prova vertical de brancos garrafeira. Éramos 15 provadores. Desta vez tínhamos o petisqueiro sr. Simões a cozinhar para nós, e ao chegarmos, lá estava ele na cozinha a beber uma flute de espumante, acompanhado à guitarra pelo seu amigo de longa data, que também era da Figueira da Foz. E não é que canta bem o sr. Simões...
Fomos para a adega onde nos esperavam umas ovas magníficas, acompanhadas pelo não menos magnífico espumante super reserva 2006.
Passámos todos para a mesa, onde nos foram dados a provar os Garrafeiras brancos da casa desde 2001 a 2008. Todos os vinhos estavam em grande nível, ainda muito frescos e cheios de garra, e ao mesmo tempo muito elegantes. Destacaram-se o 2004 e o 2007, que infelizmente já não se encontram à venda na loja da quinta.
A acompanhar foram servidas umas petingas de caldeirada maravilhosas, seguidas de uma Raia de Pitau que estava de chorar por mais. Não me vou esquecer tão cedo daquele molho avinagrado.
No final ainda fomos presenteados com uns Amores da Curia, receita recuperada recentemente pela Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada. Uns pastelinhos de massa folhada em forma de coração, recheados com ovos moles, maravilhosamente acompanhados com espumante, e ainda com uma garrafa de champagne Cristal 2002, gentilmente oferecida pelo Sr. Mário Sérgio, que é um vinho com uma acidez fantástica, ainda com muitos anos para durar.
Rematámos o banquete com a excelente aguardente velha da Quinta das Bágeiras.
Não se pode pedir mais, e saímos todos em estado de graça.

Segue a média das pontuações atribuídas aos garrafeiras brancos:

  • 18,3 - Garrafeira 2007
  • 17,7 - Garrafeira 2004
  • 16,4 - Garrafeira 2006
  • 16,2 - Garrafeira 2001
  • 16,2 - Garrafeira 2005
  • 16,0 - Garrafeira 2008
  • 15,9 - Garrafeira 2002

Mais importante que qualquer pontuação foi o convívio e a alegria deste jantar.

Foi uma noite inesquecível, sobretudo pelos dois senhores figueirenses, que com mais de 70 anos ainda nos fazem ver como é a arte de (con)viver.

Bem hajam.

Frederico Santos

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Quanta Terra Grande Reserva 2007


De um ano glorioso para a produção de vinho no Douro surge um espécime magnifico, um vinho mesmo ao meu estilo, cheio de nuances aromáticas de fruta vermelha e preta bem madura, extraordinariamente macio sem comprometer a complexidade, gordo e guloso na boca.

Este é o meu vinho do Douro, o que mais gostei e impressionou nos últimos anos. Quero realçar o trabalho nos taninos, este vinho consegue manter um  perfil de degustação elevadíssimo sem deixar de ser um modelo de polimento. Fabuloso, já vi muitos produtores comprometer a complexidade dos seus vinhos para os tornar todo o terreno.

Resta referir a cor quase preta, sinal da extracção elevada que se conseguiu e dizer que é feito maioritariamente com Touriga Nacional (65%), Tinta Barroca e Touriga Franca em partes quase iguais e um cheirinho de Sousão.

Parabéns aos enólogos Celso Pereira e Jorge Alves. Este produtor sempre fez muito bons vinhos, está a alargar/verticalizar a gama (ver post do Carlos Amaro sobre o "Terra a Terra", que ainda não provei) e a continuar assim acho que vai deslumbrar no mercado, até porquê pratica preços mais do que justos.

Nota:19/20 (gostei mesmo deste, bolas...)
Preço: cerca de 17€ (aqui está um produtor com vergonha na cara, muito melhor vinho do que muitos 30€ e superior da mesma região)

Boas provas,

Mário Rui Costa

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pequeno Pintor 2006


A marca Monte do Pintor, desde que surgiu no mercado, tem sido sempre um porto seguro para vinhos correctos, muito bem feitos, e a preços sensatos.
Para além do Monte do Pintor, nas versões normal e reserva, tem ainda o topo de gama Escultor, e este Pequeno Pintor, que eu não tinha provado ainda.
A versão do ano 2006 é feita a partir de trincadeira e aragonêz que estagiaram 6 meses em barricas de carvalho Allier e 8 em garrafa.
É muito fresco e vivo no aroma, com a fruta vermelha e ameixas bem integradas com notas de barrica.
Na boca é um vinho muito guloso, equilibrado, com taninos afinados e bela fruta.
Está no momento óptimo para consumo. Fiquei fã deste vinho, e certamente que vou comprar mais.
Preço: 7€
Nota: 16,5

Carlos Amaro

Terra a Terra Reserva 2007


Este vinho é produzido por Celso Pereira, produtor dos Vértice e Quanta Terra, de que sou fã.
É uma marca de gama de entrada, e mostrou-se um tinto cheio de fruta, taninos com garra mas bem polidos, de fácil agrado.
Além da fruta madura, algum chocolate, tosta e toque balsâmicos no nariz.
Bom volume de boca, acidez correcta,e mais uma vez os frutos vermelhos. é um tinto guloso, muito bem feito, daqueles impossíveis de não gostar.
E a um preço bem apetecível.
Um vinho que entra directo para a minha lista do dia a dia.
Preço: 8€
Nota: 16

Carlos Amaro

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Restaurante Pedro Lemos

Fui há uns dias atrás a um restaurante que abriu recentemente no Porto e que desde o seu início tem vindo a receber excelentes críticas.O restaurante chama-se Pedro Lemos, liderado pelo chefe do mesmo nome.
O chefe Pedro Lemos tem um currículo muito interessante, o que me aguçou ainda mais a curiosidade para experimentar o seu novo restaurante.
Trabalhou no Porto com Miguel Castro e Silva e Hélio Loureiro, tendo depois seguido para Lisboa onde ingressou na equipa de Aimé Barroyer no Pestana Palace.Esteve depois disso na Quinta da Romaneira, já como Chefe de Cozinha.

Passo de seguida a descrever o jantar.
O menu é muito curioso, com o nome dos pratos quase em pequenas histórias, o que dá um toque original.
Além de poder pedir à carta, existem 2 menus de degustação, o menu 1, composto por 5 partos e menu 2, com 7 pratos.Qualquer um dos 2 menus pode ser acompanhado por uma degustação de vinhos preparada para o Menu pelo escanção.
A minha selecção recaiu no Menu 1, incluindo a degustação de vinhos.
Como entrada foi apresentado um pão cozido no próprio restaurante a acompanhar um excelente azeite e umas boas alcaparras.
Nota muito positiva para o pão e para a qualidade do azeite.
Seguiram-se então os pratos do menu. O nome do prato é o que vem na ementa.

...bacalhau de boas recordações sobre gelatina das bochechas,
a posta desfiada num ouriço com seu aveludado
acompanhada das caras num caldo de poejos
Esta primeira entrada consistia num bolo de bacalhau em formato de ouriço do mar, aberto em cima, com uma espécie de bacalhau com natas dentro do ouriço.Este bolinho de bacalhau vinha sobre pedaços de caras de bochechas de bacalhau, e depois era tudo regado com um caldo de caras de bacalhau e poejo.Foi um prato de que gostei bastante, com um contraste muito interessante de diversas texturas de bacalhau, desde o crocante ao cremoso, e mesmo ao líquido.Muito bem conseguido no seu todo.
Este prato foi acompanhado de Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2008, um vinho que com a sua boa acidez e fruta lidou bem com os vários sabores de bacalhau propostos.

...do bísaro a bochecha em verde tinto guisada,
do seu nectar as filhoses com cominhos e canela,
do céu o leite creme com louro e limão, os rojões da região
Aqui trata-se de uma descontrução de um clássico do norte, os rojões de porco, e foi talvez o que mais gostei. O prato parece quase uma brincadeira, com uma mistura de sabores tão improvável como saborosa. Constituído pelas bochechas de bísaro, muito tenras, a desfiar-se, por uns mini rojões bem fritos e saborosos, leite creme com um toque de limão, e por último uma filhoz com sangue de porco, canela e cominhos.Os sabores fortes das carnes de porco, conjugados com a canela, e com o doce e açucar do leite-creme apresentam-se como uma criação feliz e divertida.
Acompanhou este prato o Morgado Sta Catherina Reserva 2007. Um muito bom vinho, com acidez muito bem conjungada pela madeira, e que conseguiu ligar muito bem com alguma untuosidade do prato.

... deu o diabo,na sertã corado com o fofo do seu alimento,
caneloni de choco e puré de aipo, um saboroso tormento
Este prato era constituído por um filete de peixe-diabo, coberto com uma pasta de sapateira (o seu principal alimento).Ao lado um bisque de Lagosta, e um caneloni de tinta de choco recheado de puré de aipo. Achei este prato muito interessante. Ao provar o caneloni com aipo, por si só o seu sabor pareceu-me demasiado intenso, pouco agradável.O peixe com o creme de sapateira interessante, mas a faltar qualquer coisa. Ao provar tudo em conjunto no entanto, parece que os sabores de equilibram e se tornam num novo, muito melhor. O ponto do peixe, perfeito.
Foi bebido aqui um Quinta do Cidrô Rosé 2008. Para os sabores fortes do peixe, marisco e aipo, não seria fácil encontrar um bom vinho, e fiquei surpreendido com o modo como este rosé encaixou bem no prato.

...o cabrito das terras altas, enrolado e lentamente assado
altar de cenoura em raz el anout,
couscous com hortelã aromatizado
Aqui brilhou a qualidade da carne. Assadura lenta, a deixar a carne tenríssima. A conjugar com o sabor característico do cabrito, uma espécie de folhado de cenoura que achei delicioso.
O vinho foi um Tapada de Coelheiros 2005, que se mostrou num óptimo momento. Os taninos já a começar a amaciar, boa fruta e um corpo capaz de ombrear com o cabrito. Muito bom.

citrinos, em torta com mousse de mascarpone,
pérolas de tapioca em infusão de toranja
A sobremesa foi outro dos pontos altos da noite. Citrinos em diversas apresentações, numa torta com mascarpone, um shot de pérolas de tapioca com toranja. Gomos de tangerina caramelizados e um pudim de laranja óptimo.
Acompanhou um excelente Quinta do Noval LBV 2003

Em resumo, um excelente jantar, num restaurante do qual fiquei definitivamente cliente.Neste momento, não tenho dúvidas em colocá-lo como um dos melhor locais para comer no Porto.

Rua do Padre Luis Cabral, 974
4150-459 Porto, Portugal
Tel: (351) 22-011-59-86
www.pedrolemos.net

Carlos Amaro

Villa Maria Cellar Selection Sauvignon Blanc 2007


Este fim de semana bebi um vinho de uma das várias marcas da Nova Zelândia que se podem encontrar hoje em Portugal: Villa Maria
Os Sauvignon Blancs neo-zelandeses são vinhos de que normalmente gosto bastante. Tipicamente muito exuberantes, com fruta tropical e citrinos, quase sempre associada a uma excelente acidez.
Este exemplar mostra isso mesmo, mas tem ao mesmo tempo uma complexidade e elegância de que gostei. A gama Cellar Selection é a segunda da marca, a seguir ao Private Bin (gama de entrada) e abaixo do Reserve e do Single Vineyard.
Mostrou-se um vinho de nariz intenso, com notas de fruta tropical, maracujá, toranja, lima e ananás. Tem ainda notas herbáceas e algum floral. Na boca, é muito fresco e mineral, muito bem equilibrado com fruta madura e citrinos, mostrando complexidade aliada à concentração. Um vinho de que gostei muito e que vai muito bem com marisco. Para mim no ponto óptimo de consumo.
Preço: 15€
Nota: 16.5
Carlos Amaro

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Luis Pato Vinha Barrosa 2001


Já há algum tempo que andava para abrir o último exemplar que tinha deste vinho, após uns 3 anos desde a garrafa anterior.
Este fim de semana, ao fazer arrumações à garrafeira, não resisti e foi mesmo desta que o voltei a beber.
É sempre um prazer beber um vinho já com alguma idade (apesar de com 9 anos não ser ainda propriamente velho). Os vinhos que envelhecem bem ganham uma complexidade impossível de igualar por vinhos novos.
Abrir o vinho com 2 horas de antecedência foi importante para o bom desempenho, para limpar alguns aromas a garrafa.
O vinho tinha ainda uma cor granada bem carregada.
Nariz com boa intensidade, complexo, com muita coisa por dizer, com aromas balsâmicos, madeira, algum fumado. Após maior evolução no copo, surge a fruta preta, cerejas, ameixas, alguns toques abaunilhados, num conjunto muitíssimo bom, de grande prazer.
Na boca mostra-se em grande forma, pujante, um grande vinho. Fruta lado a lado com tosta de barrica, com acidez correcta, os taninos secos já amaciados, boa frescura, com um final levemente fumado de grande categoria e equilíbrio.
Pareceu-me que ainda tinha uns bons anos de vida pela frente.
Em suma, brilhou a grande altura num almoço, acompanhando uns lombos de porco preto e ratatouille.

Carlos Amaro

Vale D'Algares Selection Branco 2008


Bebi recentemente este vinho, uma novidade do produtor Vale D'Algares, que se coloca num patamar entre o Guarda Rios, entrada de gama do qual gosto bastante e o Vale D'Algares (Viognier), o patamar mais elevado da casa.
Para estreia, gostei muito deste Selection branco 2008, está um vinho muito bom, com um preço muito moderado para a qualidade.
É um vinho com um lote improvável, Alvarinho e Viognier, duas castas de outras zonas, mas que aqui funcionam muito bem juntas.
Tem uma bonita cor amarelo citrino, nariz com muita fruta madura, citrinos, acompanhado por alguma tosta, um toque floral e muito mineral.
Boca com belo perfil, é um vinho muito fresco, muito bem integrado com a barrica onde estagiou, sentem-se os citrinos e fruta madura (pêssego, manga), algum mineral, em harmonia com o leve tostado que confere um bom equilíbrio ao vinho.
Em suma um belo vinho, com excelente harmonia fruta/barrica e bela acidez.
Preço; 9€

Carlos Amaro

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Brancos monocasta

Foi no dia 14 de Maio, que nos juntámos em casa do Enes, para uma prova de vinhos brancos monovarietais, onde o Rui Correia nos presenteou com um belo arroz de tamboril. Éramos 11 provadores, para 10 vinhos.
Começámos pelo argentino Crios Torrontes 2009, que agradou a todos com a sua exuberância de aromas de frutos tropicais e de flores, sendo um vinho muito novo sem madeira, é muito fresco e agradável.
Passámos ao Alvarinho, com o Soalheiro Primeiras Vinhas 2008, que revelou grande complexidade com aromas herbáceos e alguns tostados, aliada a uma acidez bem equilibrada. A boca muito longa e mineral, com alguma fruta no ponto certo. Muito bom.
Seguiu-se um Arinto de Bucelas, o Morgado de Santa Catherina 2007 apresentou-se muito elegante, um vinho fino.
Saltámos para o Chardonnay com um 1er Cru da Borgonha, o Louis Latour "Chenevottes" 2007. Um vinho que se distinguiu não só pela sua complexidade aromática com aromas de baunilha amanteigados, fruta tropical e amendoas, mas também pela riqueza equilibrada na boca, e sobretudo pela sua persistência, com amendoas verdes, notas herbáceas e muito mineral deixando um ligeiro picante no final longuíssimo. Uma maravilha.
Para representar o Sauvignon-Blanc, fomos para o Neo-zelandês Villa Maria Reserve 2007 (já provado aqui). Tinha aromas adocicados, ervas, algo apetrolado. Na boca era doce e ácido em simultâneo, e com comprimento assinalável. Algum desequilíbrio fez com que este vinho não fosse apreciado por muitos dos provadores, não é para todos os gostos. Foi o vinho com maior disparidade de notas.
Seguimos para o Quinta dos Roques Encruzado 2008, que apresentou um nariz excelente, com fumados, ervas aromáticas, algo metálico. Na boca é redondo, mostrando ao mesmo tempo boa estrutura e bom comprimento. Uma revelação.
Continuámos com a uva Bical da Bairrada, representada pelo Luis Pato Vinha Formal 2008. Com um nariz muito bom, onde sobressairam aromas abaunilhados de barrica, toques florais e algum mineral. Na boca tem fruta madura, mas muito mineral e fresco, corpo cheio, com bastante complexidade e elegância. Um vinhão.
Avançámos para a casta Viognier, com o Madrigal 2008. Um vinho da Estremadura que é um luxo, com aromas de ervas de campo, alecrim, na boca tem um equilíbrio fenomenal.
Para representar a uva Antão Vaz tivemos o Dollium Escolha 2006, um alentejano com nariz muito complexo e intenso, na boca também muito bem conseguido o equilíbrio, mas talvez a começar a faltar-lhe alguma estrutura (este já tinha 4 anos).
Finalizámos com a uva Rabigato do Douro, representada pelo Dona Berta "Vinhas Velhas" 2007, que não impressionou muito, talvez por ser já no final de uma grande prova. Este vinho já se apresentou melhor em provas anteriores. Segue a média das pontuações atribuídas:

  • 17,2 Louis Latour Chenevottes 2007
  • 16,1 Quinta dos Roques Encruzado 2008
  • 15,9 Soalheiro Primeiras Vinhas 2008
  • 15,7 Luis Pato Vinha Formal 2008
  • 15,7 Dollium Escolha 2006
  • 15,3 Madrigal 2008
  • 15,3 Morgado Santa Catherina 2007
  • 14,8 Crios Torrontes 2009
  • 13,4 Villa Maria Reserve SB 2007
  • 13,4 Bona Berta Rabigato 2007

Ficámos assim a conhecer um pouco melhor algumas das principais uvas brancas que se usam por cá, bem como alguns exemplares de uvas brancas populares no estrangeiro.

Frederico Santos
Carlos Amaro
Mário Rui

domingo, 9 de maio de 2010

Prova Kracher na WOC

Na passada sexta-feira, 7 de Maio, tive o prazer de participar num evento de degustação promovido pela WOC sobre vinhos da casa Austríaca Kracher, vinhos esses que a WOC tem desde já à venda nas suas lojas. Esta casa produz fundamentalmente colheitas tardias, feitas na maior parte das vezes sobre uvas Chardonnay e Welschriesling atacadas pelo fungo Botrytis, mas produz também Icewines e colheitas tardias com a casta Moscatel, apenas para dar alguns exemplos. 
Sendo há muito tempo (anos) um grande adepto deste produtor e dos seus vinhos, fico consideravelmente satisfeito por os ter de novo à mão, após o fecho do Vinho&Coisas não era muito fácil encontra-los.

Focando nos vinhos, foram facultados para prova quatro vinhos diferentes, em crescendo de açúcar residual, de complexidade, estrutura e também de preço, seguindo a seguinte ordem:
  1. Auslese 2008
  2. Beernauslese 2007
  3. Trockenbeerenauslesen Muskat TBA Nº 1 2007
  4. Trockenbeerenauslesen Grand Cuvée TBA Nº 6 2007. 
  
Os dois primeiros são velhos conhecidos, companheiros assíduos de finais de tarde quentes no Verão. Os restantes eram estreias para mim e a razão fundamental de ter comparecido. 

OAuslese 2008 não me impressionou de todo. Ainda não tinha bebido a colheita 2008 e embora seja muito equilibrado na proporção açúcar/acidez (condição fundamental para que estes vinhos não sejam enjoativos), não apresenta grande complexidade e achei-o muitíssimo curto.
O Beernauslese 2007 já tinha bebido diversas vezes, é a colheita tardia que mais bebo (desta casa ou de outras) e faço parte do clube de fãs deste vinho. A um preço acessível (+ ou - 15€) é um vinho fantástico de equilíbrio, tem um final bastante longo e acima de tudo tem um perfil aromático fantástico, com notas de pêssego em calda e alguma laranja cristalizada. É absolutamente  impossível alguém não gostar deste vinho.

Os dois vinhos finais fazem parte da Collection Kracker, uma gama de vinhos numerados de 1 (menos açúcar residual) a 10 (mais açúcar residual), os Trockenbeerenauslesen, o topo da gama Kracker. São ambos vinhos fantásticos, convidam à meditação, mantendo um equilíbrio notável entre ácido e doce. 


O Muskat apresenta 162 g/l de açúcar residual, não estagiou em madeira, tem um perfil aromático bem distinto dos restantes, lembrando um pouco o nariz dos nossos Moscatel de Setúbal, onde ao pêssego em calda e laranja cristalizada somaria algum floral que não consigo descrever objectivamente. Na boca tinha um final longo dominando a passa de uva, fantástico.
O Grand Cuvée foi a grande estrela da prova, um vinho que considerei soberbo. Com 217 g/l de açúcar residual e estágio em carvalho francês, apresenta uma cor mais evoluída (dourado lindíssimo) e no nariz, por inerência do estágio em madeira, apresenta notas de frutos secos combinados com as notas de pêssego. Na boca é portentoso, tem um final longuíssimo, profundo, ficamos com a boca dominada por este néctar dos deuses.

Eu pessoalmente gosto destes vinhos sem acompanhamento, a acompanhar foie gras ou queijos bem intensos e salgados (queijo da ilha). Na prova foi sugerido o queijo Stilton. Vou experimentar logo que possa.

Nesta prova tive a companhia do co-autor deste blogue, o Carlos Amaro. Carlos, se quiseres acrescentar alguma coisa...


Boas provas,

MRC

domingo, 18 de abril de 2010

Vértice branco 2007


Bebi este fim de semana este Vértice branco 2007. Cada vez mais acho que os vinhos tranquilos da marca Vértice são um segredo bem guardado, não chegando nem sequer perto da notoriedade dos espumantes da marca, e não tendo a meu ver todo o reconhecimento que merecem.

Gouveio e Viosinho vindos da sub-região do Cimo Corgo são as castas que dão forma a este vinho de Celso Pereira.
Belo nariz, com notas de tosta de barrica, mas sem cansar devido ao fruto citrino e maçã fresca.
Na prova de boca a acidez toma a dianteira, em sugestões de citrinos, pêra, maçã, algum fruto seco, com algum fumado muito elegante, bem como uma acidez muito viva, que sustenta todo o conjunto e lhe dá uma grande vivacidade.
Excelente corpo e acidez, complexo e estimulante, foi um vinho que deu muito prazer beber.
Preço: aprox. 14€

Carlos Amaro

domingo, 28 de março de 2010

Prova Louis Latour


No passado sábado, dia 27, participei em Matosinhos na prova Louis Latour, organizada pela Wine o'Clock.
Este produtor é um dos maiores e mais famosos da Borgonha, tendo sido esta prova uma excelente oportunidade para conhecer a sua gama de vinhos.
Os vinhos franceses estão divididos em vários categorias, sendo que começam com os regionais, depois os que têm o nome da localidade onde são produzidos, seguindo para os 1er Cru, chegando ao topo, que é a categoria Grand Cru.
A prova consistiu em 8 vinhos, 6 brancos e 2 tintos, e foi complementada por uma boa surpresa final, fora do programa original.
Segue a lista dos vinhos provados, com preços.
Brancos:
- Duet Chardonnay Viognier 2007 (8.95€)
- Grand Ardeche 2007 (9.95€)
- Chablis "La Chanfleure" 2009 (15.95€)
- Mersault Blanc 2007 (38.50€)
- Puligny-Montrachet 1erCru "Sous Puis" 2007 (45€)
- Chassagne-Montrachet 1erCru "Chenevottes" 2007 (45€)

Tintos:
- Aloxe-Corton "Domaine Latour" 2007 (32.50€)
- Corton Grand Cru "Domaine Latour" 2007 (54.50€)

O Duet e o Grand Ardeche são vinhos mais simples, mais directos, mas muito bem feitos e saborosos, sendo que o Duet é o único de todos os provados o que não leva madeira. Entre os dois gostei mais do Grand Ardeche, um vinho com mais corpo e complexidade.
O Chablis 2009 é um vinho já mais sério, com um aroma muito floral e acidez bem vincada. Grande mineralidade, conjugada com boa fruta e muita frescura e vivacidade.
Com o Mersault entramos já na categoria dos grandes vinhos. No nariz sente-se mel, notas florais e fruta madura. Vinho extremamente mineral, floral, com notas de amêndoas verdes, corpo de boa estrutura, com grande comprimento.
Depois disso entramos já na categoria de 1erCru. São 2 grandes vinhos, qualquer um deles entra no top dos brancos que já provei.
O Puligny-Montrachet mostra no nariz fruta muito fina e notas tostadas. Enche a boca, grande corpo, com boa concentração, e uma acidez e frescura notáveis. As notas de fruta são acompanhadas por uma ligeira baunilha.
O Chassagne-Montrachet pareceu-me ainda melhor, com aromas de frutas exoticas, tosta e amendoa. Corpo gordo, mas muito fresco, herbáceo, amêndoas verdes, muito mineral. Um fim de boca interminável. Em suma, um grande vinho, que deve envelhecer bem por pelo menos 10 anos.
Passando aos tintos, começou-se pelo Aloxe-Corton. É um vinho com uma côr muito bonita, tijolo claro, quase rosé. Um nariz sedutor, de frutos vermelhos, com o morango a sobressair. É um vinho sobretudo em elegância.
O Corton Grand Cru é já de outro nível, um vinho fantástico, com um corpo e garra que surpreende num vinho desta cor, para quem não está habituado a Pinot Noir.

Para finalizar, veio a tal surpresa. Servido com a garrafa tapada, arrancou sorrisos da cara de todos os presentes, mesmo antes de sabermos o que estávamos a provar, tal a qualidade dos aromas que nessa altura saíam dos copos.
Tratava-se de um Corton-Charlemagne Grand Cru 2007, nada menos do que um dos grandes vinhos brancos do mundo. Este vinho tem um nariz fabuloso, com notas de fruta, erva cortada, amêndoas, brioches, tostado, enfim, de uma complexidade enorme. Na boca, uma concentração fora do vulgar, fruta tropical, muito mineral, também com frutos secos e pão torrado. Um final interminável. Vinho para durar 15 a 20 anos.

Em conclusão, um final em beleza para uma prova de grande nível.

Carlos Amaro

domingo, 7 de março de 2010

Prova de Vintages Fonseca

No último dia da Essência do Vinho rumamos de novo ao Palácio da Bolsa para mais uma prova, desta vez de portos Vintage da Fonseca.
A prova decorreu no Salão Árabe, e foi conduzida por David Guimaraens, enólogo da casa Fonseca.
Os vinhos provados foram os Fonseca 1985, 1994, 2000, 2007, e os Fonseca Guimaraens 1987, 1995, 2001.
A diferença entre as duas marcas de vinho tem a ver com a declaração de ano Vintage. Quando a Fonseca considera o ano como tendo qualidade suficiente para merecer uma declaração de Vintage clássico, é declarado um Vintage Fonseca. Nos anos em que a qualidade não chega a esse patamar, ao contrário da maioria das marcas de vinho do porto, que optam por lançar vinhos "single-quinta" nos anos em que não declaram vintages clássicos, a Fonseca lança um blend das suas quintas, em tudo idêntico a um ano clássico, só que o vinho é lançado como Guimaraens.
Para ter uma ideia do patamar de qualidade imposto pela Fonseca para declarar os seus vintages clássicos, nunca houve uma década em que fossem declarados mais do que 3 colheitas como vintage Fonseca.
Avançando para as provas.
Fonseca 1985: Apesar de já ter 25 anos, o vinho parece muito mais jovem. Pela côr não está diferente do 94 ou 95, com uma bonita côr ruby. Tem um nariz fantástico, de grande complexidade, ainda com muita fruta madura, especiarias, ameixa e algumas notas de chocolate. A boca é quase perfeita, frutos vermelhos, notas de bosque, figos secos, chocolate negro. Um vintage fabuloso, que promete continuar ainda a melhorar. Está para durar mais umas décadas.
Guimaraens 1987: Mais evoluído do que o 85, mais pronto para beber já, tem já a complexidade de vintages velhos. Menos fruta já, mais floral, muitas especiarias, como num bazar oriental, mais algum chocolate, tudo com muita elegância.
Fonseca 1994: Este vinho recebeu nada menos do que 100 pontos da Wine Spectator. Neste momento está ainda algo fechado, mas o vinho está muito prometedor. Apesar de ter passado a exuberância da juventude e de precisar de mais anos em garrafa este vinho tem uma complexidade fora do comum. Muita elegância, apesar da fase fechada. Frutos do bosque, floral, ameixas, e um final enorme, que simplesmente não acaba. Este vinho deverá começar a ser bebido lá para 2020. Está nitidamente feito para durar.
Guimaraens 1995: Mais fácil de beber já do que o 94. Tem muita fruta, mas não me pareceu tão fresco como os restantes. Mais quente, aparentemente mais doce, com figos maduros e muito chocolate negro.
Fonseca 2000: Um vinho fantástico. Ainda na fase da juventude, encorpado, fruta e especiarias em força, mas muito em elegância, taninos muito finos. Está um grande vinho, muito bom agora.
Guimaraens 2001: Talvez o único Guimaraens dos pares provados com maior estrutura e corpo do que o irmão Fonseca do ano anterior. É um vinho com uma força bruta, estrutura fabulosa, muita fruta, um nariz totalmente sedutor, impossível de parar de cheirar. Na boca sucedem-se em catadupa as sensações. Fiquei seduzido por este vinho. E a um preço de "saldo" comparado com os irmãos mais velhos.
Fonseca 2007: Mais um vinho que me seduziu por completo. É o vintage mais novo, neste momento apresenta-se como o "ruby perfeito". Tem a fruta, o floral, os taninos, o chocolate, tudo em grande, mas ao contrário de outros vintages novos, tudo muito afinado, nada difícil de beber já. Praticamente impossível resistir-lhe agora, vai dar grande satisfação a quem o conseguir.

Para beber agora escolheria os 87, 2001 e 2007.
Com mais potencial o 85 e 94.

Carlos Amaro


Acrescento ainda que os vinhos foram provados aos pares, comparando vintages Fonseca e Guimaraens de cada década, em que por regra os Guimaraens se apresentavam mais evoluídos e prontos para beber, e os Fonseca mais robustos ainda com muito para durar.
A excepção foi o Guimaraens 2001 que mostrou mais estrutura que o Fonseca 2000.
Foi referido pelo enólogo que o Guimaraens 1976, não incluido nesta prova, é um vintage monstro.

Frederico Santos

sábado, 6 de março de 2010

Prova de Champagne Milésime

Esta prova realizou-se na Essência do Vinho 2010, no palácio da Bolsa.
Era sábado à tarde e a confusão era muita. A prova atrasou quase uma hora.
Foi apresentada pelo Master Sommelier João Pires, um apaixonado por Champagne, que teve a ajuda do crítico de vinhos e gastronomia Fernando Melo.

A região de Champagne, que dá o nome ao vinho espumante mais famoso do mundo, é oficialmente demarcada desde 1927, mas produz e exporta vinhos desde a idade média, existindo ainda no activo casas de champagne fundadas no século XVIII (Ruinart, Taittinger,...).
As 3 castas mais usadas são Pinot Noir, Chardonnay, e Pinot Meunier.
O champagne milésime, é de uma só colheita, e tem o ano escrito na garrafa. É o melhor champanhe tal como o vintage para o vinho do porto, que só se engarrafa em anos excepcionais. Vinhos com personalidade que evoluem na garrafa durante muitos anos.

Começámos com o Pommery Brut 2000, um belo vinho, com nariz complexo, elegante na boca com bolha fina. Já tem uns anos mas a boa acidez dá-lhe muita vida.
Seguiu-se o Pommery Cuvée Louise 1995, mais velhinho, tinha um nariz incrível, com aromas de frutos secos, brioche, tostados. Na boca estava muito bom, não no estilo vigoroso, mais requintado.
Passámos ao Taittinger Comtes de Champagne Blanc de Blancs 1999, um vinho feito só com Chardonnay, muito intenso, com grande equilibrio e persistência. Magnífico.
Seguiu-se Veuve Clicquot Vintage Brut 2002, um vinho muito elegante, ligeiramente mais adocicado que os restantes. Um vinho sofisticado.
Terminámos com o Louis Roederer Cristal 2002, um vinho excelente, de grande vivacidade, tem a particularidade de ter a garrafa transparente com a base chata, dizem que era exigência dos czares com medo de serem envenenados, para poderem ver bem o seu interior. Não estará no seu momento óptimo, e deve ser consumido daqui a mais uns anos.
2002 foi um ano de referência para o champagne milésime.

O vinho que mais me impressionou foi o Taittinger Blanc de Blancs 1999, que se apresentou muito intenso. Um prazer para os sentidos. Pena é custar 150 euros a garrafa.

Frederico Santos

quinta-feira, 4 de março de 2010

Prova de Moscatel de Setúbal

Foi no dia da abertura da Essência do Vinho 2010, que nos deslocámos ao Palácio da Bolsa, para a primeira prova Premium do evento: Moscatel de Setúbal.

Foi uma prova comentada apresentada pelo enólogo Domingos Soares Franco, da casa José Maria da Fonseca. A prova foi dedicada aos vinhos generosos desta emblemática casa, representante maior da região de Setúbal, que é demarcada desde 1908.

Começámos pelo Alambre 20 Anos. Este vinho é um blend de colheitas em que a mais nova tem 20 anos e a mais antiga 40 anos.
Côr ambar alaranjada, nariz intenso e complexo com aromas de frutos secos, tangerina...
Na boca é muito elegante com muito bom equilibrio entre açucar e acidez.
Uma maravilha.

Seguiram-se umas novidades que resultaram de experiências da equipa de enologia. A estes vinhos dão-lhes a marca: Domingos Soares Franco Colecção Privada, que passaremos a designar por DSF CP.
Estes dois vinhos fortificados são feitos com outros tipos de aguardente, coisa que ao vinho do porto não é permitido fazer.
O vinho DSF CP Armagnac 1999, de côr menos carregada que o primeiro, no nariz tinha figos secos e alcaçuz. Mais alcoolico na boca, mas muito bom.
O vinho DSF CP Cognac 1999, de côr igual ao anterior, sentia-se muito o alcool. O Cognac soprepunha-se aos aromas do moscatel. Não resultou tão bem como o Armagnac.

Passámos ao Moscatel Roxo, uma casta exclusiva da região de Setúbal, possivelmente originária da ilha da Madeira. É uma uva bastanta rara que chegou a correr riscos de extinção.
Provou-se primeiro uma experiencia de Domingos Soares Franco, uma fortificação de parte do vinho que constituiu o DSF Moscatel Roxo Rosé 2008.
Este Moscatel Roxo 2008, notou-se ainda muito novo, de côr turva, sem estabilização. Este vinho tinha um nariz muito intenso e frutado, num cocktail de frutas bastante prometedor, mas na boca não correspondia em nada ao nariz. Parecia ainda não estar bem fermentado, dando uma prova bastante estranha.
O vinho seguinte foi o DSF CP Roxo 1999, côr ambar, ligeiramente mais suave que a do Alambre, e bastante mais forte que a dos restantes 99. Nariz intenso, frutos secos, madeira, passas. Na boca tem muito boa acidez em harmonia com o doce, final persistente.

Seguiram-se dois licorosos da casta Bastardo. Este vinho já não se produz desde 1983, pois as únicas vinhas que existiam na margem esquerda do Tejo, entre a Caparica e o Lavradio, foram destruídas para construção. Salvaram-se umas varas que foram replantadas pela JMF em 2007, mas ainda vão demorar a dar-nos vinhos dignos da categoria do Bastardinho de Azeitão.
Provámos primeiro o Bastardinho 2009. Este vinho resulta de experiencias já destas novas vinhas, e não há intenção de o comercializar. Além da produção ser muito pequena, as vinhas ainda são muito novas e ainda se está em fase de experiências. Foi um vinho de extremos, de côr aloirada de tawny, aromas de caramelo, demasiado intenso e desequilibrado no nariz, foi comentado que parecia um macaco numa jaula, na boca era cremoso. Ainda não está pronto, mas promete muito.
Bastardinho de Azeitão 30 anos, de côr equivalente à do Alambre 20 Anos, nariz intenso e muito complexo, na boca é sedoso, muito ácido e doce em perfeito equilibrio. Maravilhoso.
Este vinho apesar de ser comercializado como um 30 anos, tem no lote vinhos entre 30 e 80 anos, o que dá uma média de idades bem superior.

Terminámos com o Trilogia, um blend feito com as três melhores colheitas do século XX, das que ainda existem em quantidade suficiente*: 1900, 1934 e 1965.
Côr topázio (mais carregada de todas), de complexidade infindável no nariz delicado, na boca é muito rico e elegante. Final interminável. Excelente.

*Foram mencionadas e destacadas as colheitas de 1947 e 1955, mas apenas já existem 50 litros de cada.

Frederico Santos e Carlos Amaro

segunda-feira, 1 de março de 2010

Quinta das Bágeiras, Garrafeira Branco 2007

Viva,

Uma das compras que fiz na nossa prova memorável na Quinta das Bágeiras foi a deste Garrafeira Branco 2007. E em boa hora, digo-o após degustação este fim de semana, a acompanhar uma açorda de camarão.

É um branco cheio de personalidade (na linha dos vinhos do Mário Sérgio...) e com uma prova de boca verdadeiramente magnifica. É daqueles brancos que se mastigam sem serem pesados, um paradigma de elegância com corpo.

Em resumo fica a nota de prova:
  • No nariz é um pouco estranho no inicio, não por ser mau mas por ser pouco convencional. Nada tem que ver com aqueles brancos da moda que são um festival de fruta tropical ou citrina (que eu também aprecio em determinadas circunstâncias). O aroma dominante eu classifico de compota de limão (!!!???!!!) e o termo de referência foi precisamente uma compota de limão que lá tenho em casa :-)
  • Na boca é fabuloso: gordo, cheio de corpo, parece que se molda à nossa boca, nada enjoativo (por vezes os brancos com muito corpo são-no), com acidez perfeita. O final é longo e complexo, porventura o mais longo branco que já bebi (estou a arriscar a dizer isto), com notas de especiarias (que não sei classificar) a compor o ramalhete. Falta algum adjectivo?
Este vinho parece-me que ainda vai evoluir bem por alguns anos e é daqueles brancos que eu bebo sem acompanhamento, puro prazer, mas que acompanha na perfeição pratos de peixe mais elaborados e condimentados (assado no forno, bacalhau com natas, feijoada de búzios...) ou mesmo pratos de carne desde que não se vá para um sarrabulho ou coisa que o valha.

Nota de rodapé: depois de provar este branco percebo muito melhor o que o Mário Sérgio dizia quando referiu que um determinado vinho que anda ai nos píncaros (e que eu aprecio muito diga-se) tem demasiado açúcar residual...uma questão de estilos...

Boas provas,

MRC

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bairrada - Quinta das Bageiras


Foi na Quinta das Bageiras que fizemos esta prova de vinhos tintos da Bairrada, que já estava prometida há muito tempo.
Éramos quinze participantes, e fomos muito bem recebidos pelo sr. Mário Sérgio que nos concedeu uma visita à adega enquanto falava sem parar, explicando tudo ao pormenor, desde as técnicas para fazer aguardente com baixo teor de metanol, aos métodos usados nos seus espumantes brutos naturais, tudo de excelente qualidade comprovada por nós. Foi um prazer aprender tanta coisa de quem sabe. O sr. Bernardo também foi impecável, guardou as nossas garrafas que mais tarde foi servindo irmamente por todos, incluindo os anfitriões.
Após a visita à adega fomos para uma mesa junto do alambique, onde nos esperavam umas entradas caseiras para acompanhar a nossa prova.

A média das pontuações atribuídas foi:

  • 17,3 - Quinta das Bageiras Garrafeira 2004 (Baga)
  • 16,8 - Quinta das Bageiras Garrafeira 2005 (80% Baga, 20% Touriga Nacional)
  • 16,7 - Quinta da Dôna 2004 (Baga)
  • 15,3 - Kompassus Reserva 2005 (Merlot, Touriga Nacional)
  • 14,0 - Luis Pato Vinha Barrosa 2005 (Baga)
  • 13,8 - Campolargo Calda Bordaleza 2006 (70% Merlot, 25% Petit Verdot, 5% Cabernet)
  • 10,9 - Angelus Reserva 1987 (Baga)

Começámos pelo Calda Bordaleza, um vinho que já foi considerado um dos melhores do ano no guia anual de vinhos de JPM. Muito elegante.
Seguiu-se o Kompassus, um vinho mais encorpado, mas também com muita finesse.
Passámos em seguida para os Bairradas mais típicos, com o Luis Pato Vinha Barrosa, altura em que começou a ser servido um arroz de cabidela de leitão que assentou mesmo bem com este vinho, que é uma excelente expressão da casta Baga.
Veio depois o Quinta da Dôna 2004, que foi um dos vinhos que se apresentou mais equilibrado e bem conseguido. Uma delícia.
Apareceu ainda o Bageiras Garrafeira 2005 em versão magnum, que estava excelente.
E depois o Bageiras Garrafeira 2004, um vinho estreme de Baga, que pelos vistos foi o que mais agradou.
Entretanto já se tinha comido a cabidela e já estava o leitão assado à Bairrada na mesa.
Ainda o acompanhei com um espumante tinto bruto, que me soube muito bem, e provei ainda o espumante Super Reserva Branco 2006, que tem um nariz impressionante.
A sobremesa foi um magnífico pão de ló à moda de Ovar, cremoso por cima, enquanto provávamos o Angelus 1987 que estava fraquito, mas bebível, e deu para apreciar aquela côr acastanhada dos vinhos velhos.
Também ainda bebi um abafado, e provei um bocadinho de aguardente que era mesmo muito boa.

Os vinhos eram todos muito bons, à excepção do reserva 1987, que já estava um pouco passado.
Mas eu gostei mesmo foi daquela cabidela, que maravilha!
A comida estava óptima, e a ordem pela qual os vinhos foram sendo servidos (ao critério do sr. Mário Sérgio) encaixou na perfeição.

Foi sem dúvida uma das melhores provas que fizemos, só faltou o Bageiras Garrafeira Branco 2007 que merecia uma prova atenta pelos prémios que tem recebido.
Certamente haverá uma nova oportunidade, pois ficámos todos muito satisfeitos com esta visita à Quinta das Bageiras, e com vontade de repetir. Quem sabe uma prova de brancos e espumantes...

À saída ainda passámos pela loja onde o pessoal se abasteceu dos vinhos que mais gostou.
A viagem de regresso é que foi um pouco difícil, mas correu tudo bem.

Frederico Santos

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Lavradores de Feitoria


Foi na loja Wine'o'Clock, que o produtor colectivo Lavradores de Feitoria veio a Aveiro apresentar alguns dos seus melhores vinhos.

Três Bagos Viosinho 2007
Um belíssimo branco monocasta, de uma uva característica do Douro, de nariz intenso e complexo, com aromas herbáceos. Muito elegante na boca. Um vinho com estágio em madeira, feito para durar alguns anos.
Está muito bem conseguido, e fez-me lembrar a casta francesa Viognier.
Nota: 17
Preço: 10.50

Três Bagos Sauvignon Blanc 2008
Este branco dá para enganar qualquer provador, dizendo que é da Nova Zelândia.
Nariz exuberante e bem demarcado, com aroma de fruta exótica.
Muito fresco, teve pouca madeira.
Ideal para um final de tarde.
Nota: 16,5
Preço: 10.50

Meruge 2005
Um tinto muito moderno, aveludado, feito à base de Aragonês (90%). Teve pouca extracção e um estágio prolongado, ficando com uma côr translúcida no género pinot-noir.
Aroma complexo, onde detectei notas de chocolate.
Um vinho fácil de gostar.
Nota: 17
Preço: 26.50

Quinta da Costa 2005
Um vinho mais tradicional do Douro, leva Touriga Nacional, entre outras.
De côr ruby intensa, nariz também intenso mas delicado, na boca é redondo com taninos presentes e bem polidos, encorpado.
Bebe-se já muito bem com comida mais gorda, mas deve melhorar com uns anos em garrafa.
Nota: 17
Preço: 23.50

Grande Escolha 2005
Este vinho é feito a partir de vinhas velhas, com mais de 60 anos, de baixo rendimento.
Tudo é muito seleccionado na sua elaboração, são as melhores uvas cujas vinhas podem variar de ano para ano, destas são escolhidos os lotes que se apresentem mais equilibrados, estagia 16 meses em barricas novas de carvalho francês, e fica ainda engarrafado durante um ano antes de sair para o mercado.
Um vinho de grande afinação, ainda um pouco fechado no nariz, muito rico com tudo em harmonia. Pura filigrana.
Gostaria de o voltar a provar daqui a uns anos.
Nota: 18
Preço: 40.00

Os vinhos apresentados eram todos de grande qualidade, muito equilibrados e bem conseguidos. Não sendo vinhos para o dia a dia, têm uma relacão qualidade/preço média.
A Lavradores de Feitoria, fundada em 2000 por proprietários de algumas das melhores quintas e terroirs do Douro, tem vindo a afirmar-se pela consistência de qualidade de ano para ano, introduzindo ao mesmo tempo novidades muito interessantes no mercado.
O que mais me surpreendeu pela positiva foi o branco Viosinho 2007, que já com pelo menos um ano em garrafa, está com um nariz magnífico, sem perder frescura.


Frederico Santos