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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pai Abel Branco 2009

Pai Abel 2009
Castas: Bical e Maria Gomes
Produtor: Quinta das Bágeiras
Álcool: 14,5%

Sou fã dos vinhos da Quinta das Bágeiras há bastante tempo, desde os colheitas aos fantásticos garrafeiras.
São vinhos sérios, sóbrios, feitos para acompanhar comida, e normalmente com excelente potencial de envelhecimento.
A partir de 2009, surgiu a referência Pai Abel, numa homenagem de Mário Sérgio ao seu pai.
O primeiro a ser lançado foi o branco, com uma produção mínima (1380 garrafas).
Vinho com uvas seleccionadas de um lote de vinhas com aproximadamente vinte anos, fermentado em barricas usadas de 225L de carvalho francês, importadas da Borgonha.

Este é um vinho que nos faz esquecer notas de provas, apetecendo apenas dizer que o vinho está fabuloso.
Grande estrutura, foco na mineralidade e acidez. Final longuíssimo, será um vinho para guardar ainda por mais alguns anos, mas com 5 anos de idade dá já um grande prazer neste momento.
Vinhos brancos destes são a prova que a Bairrada tem um potencial imenso para fazer grandes vinhos, que saibam envelhecer, não só nos tintos, mas também nos brancos.

Carlos Amaro

terça-feira, 30 de julho de 2013

Caves São João Lote Especial 2010

Castas: Baga, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon
Álcool: 14%

Novo lançamento das Caves São João, uma das casas mais tradicionais e antigas de vinho da Bairrada.
Depois de um período mais apagado nos finais da década de 90 e inicio dos anos 2000, as Caves São João têm mostrado nos ultimos anos uma excelente vitalidade, e têm vindo a trilhar o seu caminho de recuperação do prestigio que teve com marcas clássicas como o Frei João ou o Dão Porta dos Cavaleiros.
Este vinho é mais uma prova desta vitalidade, um lançamento novo, de um vinho de estilo mais moderno e que me parece ter pernas para andar.

Este Lote Especial é um vinho que junta castas internacionais e Touriga Nacional à casta mais tradicional da Bairrada, a Baga.
Bonita cor ruby, com rebordos violeta.
No nariz, começa por mostrar-se fechado, mas depois de algum tempo no copo, surgem aromas de frutos do bosque, amoras, especiarias, ameixa, tosta de barrica e algum chocolate negro. Belo nariz, com boa complexidade.
Na boca tem boa estrutura e volume, mostra fruta madura, alguma tosta, taninos firmes mas polidos, com final longo e fresco.
É um Bairrada moderno, onde a estrutura e garra da Baga está bem domesticada, em conjunto com as outras castas.
Um vinho que está muito bom agora, mas que aposto que pode ainda melhorar com mais um ou dois anos em garrafa.
Muito boa aposta, com um preço óptimo para a qualidade apresentada.
Nota: 16,5
Preço: 7,5€

Carlos Amaro

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bairrada - Quinta das Bageiras


Foi na Quinta das Bageiras que fizemos esta prova de vinhos tintos da Bairrada, que já estava prometida há muito tempo.
Éramos quinze participantes, e fomos muito bem recebidos pelo sr. Mário Sérgio que nos concedeu uma visita à adega enquanto falava sem parar, explicando tudo ao pormenor, desde as técnicas para fazer aguardente com baixo teor de metanol, aos métodos usados nos seus espumantes brutos naturais, tudo de excelente qualidade comprovada por nós. Foi um prazer aprender tanta coisa de quem sabe. O sr. Bernardo também foi impecável, guardou as nossas garrafas que mais tarde foi servindo irmamente por todos, incluindo os anfitriões.
Após a visita à adega fomos para uma mesa junto do alambique, onde nos esperavam umas entradas caseiras para acompanhar a nossa prova.

A média das pontuações atribuídas foi:

  • 17,3 - Quinta das Bageiras Garrafeira 2004 (Baga)
  • 16,8 - Quinta das Bageiras Garrafeira 2005 (80% Baga, 20% Touriga Nacional)
  • 16,7 - Quinta da Dôna 2004 (Baga)
  • 15,3 - Kompassus Reserva 2005 (Merlot, Touriga Nacional)
  • 14,0 - Luis Pato Vinha Barrosa 2005 (Baga)
  • 13,8 - Campolargo Calda Bordaleza 2006 (70% Merlot, 25% Petit Verdot, 5% Cabernet)
  • 10,9 - Angelus Reserva 1987 (Baga)

Começámos pelo Calda Bordaleza, um vinho que já foi considerado um dos melhores do ano no guia anual de vinhos de JPM. Muito elegante.
Seguiu-se o Kompassus, um vinho mais encorpado, mas também com muita finesse.
Passámos em seguida para os Bairradas mais típicos, com o Luis Pato Vinha Barrosa, altura em que começou a ser servido um arroz de cabidela de leitão que assentou mesmo bem com este vinho, que é uma excelente expressão da casta Baga.
Veio depois o Quinta da Dôna 2004, que foi um dos vinhos que se apresentou mais equilibrado e bem conseguido. Uma delícia.
Apareceu ainda o Bageiras Garrafeira 2005 em versão magnum, que estava excelente.
E depois o Bageiras Garrafeira 2004, um vinho estreme de Baga, que pelos vistos foi o que mais agradou.
Entretanto já se tinha comido a cabidela e já estava o leitão assado à Bairrada na mesa.
Ainda o acompanhei com um espumante tinto bruto, que me soube muito bem, e provei ainda o espumante Super Reserva Branco 2006, que tem um nariz impressionante.
A sobremesa foi um magnífico pão de ló à moda de Ovar, cremoso por cima, enquanto provávamos o Angelus 1987 que estava fraquito, mas bebível, e deu para apreciar aquela côr acastanhada dos vinhos velhos.
Também ainda bebi um abafado, e provei um bocadinho de aguardente que era mesmo muito boa.

Os vinhos eram todos muito bons, à excepção do reserva 1987, que já estava um pouco passado.
Mas eu gostei mesmo foi daquela cabidela, que maravilha!
A comida estava óptima, e a ordem pela qual os vinhos foram sendo servidos (ao critério do sr. Mário Sérgio) encaixou na perfeição.

Foi sem dúvida uma das melhores provas que fizemos, só faltou o Bageiras Garrafeira Branco 2007 que merecia uma prova atenta pelos prémios que tem recebido.
Certamente haverá uma nova oportunidade, pois ficámos todos muito satisfeitos com esta visita à Quinta das Bageiras, e com vontade de repetir. Quem sabe uma prova de brancos e espumantes...

À saída ainda passámos pela loja onde o pessoal se abasteceu dos vinhos que mais gostou.
A viagem de regresso é que foi um pouco difícil, mas correu tudo bem.

Frederico Santos

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Vinhos brancos e espumantes da Bairrada


Foi numa noite chuvosa, que fomos para o Marialva Park Hotel em Cantanhede, participar no primeiro Bairrada Gourmet. Eu, a Telma e o Mário Rui.
O tema era vinhos brancos e espumantes da Bairrada.

Começou com umas entradas muito originais, em recipientes estilo laboratório de quimica, das quais destaco um risotto negro delicioso servido num cone transparente. Os shots de moelas tambem me agradaram bastante. Tudo bem regado com alguns espumantes da Bairrada, não sei porquê a chuva faz-me sempre sede...
Depois de uma animação teatral fomos para a mesa, onde tinhamos uma longa lista de vinhos à disposição em modo self-service.

Aliança
- Aliança Galeria Branco 2007
- Qta da Rigodeira Branco 2007
- Aliança Reserva Bairrada Bruto 2006

Campolargo
- Entre II Santos 2007
- Campolargo Bruto 2005

Solar de São Domingos
- São Domingos Bairrada 2006
- Lopo de Freitas Bruto 2005

Caves Primavera
- Arinto Bairrada 2007
- Primavera Bairrada Arinto Bruto 2005

Luis Pato
- Vinhas Velhas 2007
- Maria Gomes 2007
- Vinha Formal 2000

Quinta do Encontro
- Bical 2007
- Encontro 1 2006
- Quinta do Encontro Bruto 2005

Quinta do Ortigão:
- Sauvignon Blanc Bical 2007
- Arinto Bical 2007
- Ortigão Branco Bruto 2006

Os espumantes que me agradaram mais foram:
  • - Aliança Reserva Bairrada Bruto 2006
  • - Campolargo Bruto 2005
  • - Primavera Bairrada Arinto Bruto 2005
Quanto aos brancos, os preferidos foram:
  • Caves Primavera Arinto Bairrada 2007 - bom equilibrio entre a fruta e a acidez.
  • Luis Pato Vinhas Velhas 2007 - muito elegante.
  • Luis Pato Maria Gomes 2007 - muito leve, com aromas complexos.
  • Luis Pato Vinha Formal 2000 - mais pesado, untuoso, muito bom na boca.
  • Qta. Ortigão Sauvignon Blanc Bical 2007 - bom nariz, muito fresco e agradável.
A ementa foi extensa, com entradas, prato de peixe, magret de pato, corta-sabores, e duas sobremesas. A escolha do menu foi interessante e adequada para os vinhos, mas o resultado final na confecção dos pratos deixou algo a desejar.
Julgo que teria sido mais bem conseguido se fossem pratos baseados em cozinha regional, com um toque de chef.
Porque não um sarrabulho à moda da beira ou uma cabidela de miudos de leitão em vez do foie-gras, ou um robalo assado como fazem tão bem ali ao lado na praia da Tocha em vez do cherne com crosta de azeitona.
De qualquer modo é de louvar o esforço criativo em apresentar pratos e sabores diferentes.

Os copos não eram os mais apropriados para a degustação de vinhos, deveriam ter sido ligeiramente maiores, e ligeiramente afunilados em cima para concentrar melhor os aromas.

Foi uma noite divertida, os vinhos em geral eram muito bons e fiquei a conhecer melhor as duas principais castas brancas da Bairrada: Maria Gomes e Bical.
Gostei especialmente do nariz que a uva Maria Gomes proporciona aos vinhos.

Confirmei que os brancos da Bairrada têm potencial para ser grandes vinhos, embora um pouco ácidos para o meu gosto, essa acidez tambem lhes transmite uma grande frescura.

Os vinhos do Luis Pato em particular, conseguem equilibrar essa acidez de uma forma muito elegante sem perder a frescura, excepto o Vinha Formal que é um vinho distinto de todos os outros presentes, muito encorpado e mais pesado, como tal pode ser guardado mais tempo.
Julgo que este Vinha Formal de 2000 foi seleccionado intencionalmente para nos mostrar que a Bairrada é capaz de fazer destes vinhos brancos, com mais estrutura, de côr amarela mais carregada, capazes de envelhecer oito anos sem perder o vigor. Que bom que estava.

As experiências com Arinto e Sauvignon Blanc na Bairrada resultaram em vinhos leves muito agradáveis.

Parabens à organização da Enodestinos e da Rota da Bairrada.
Que continuem a divulgar o vinho da região, que é uma herança cultural de muito valor com uvas prórias de grande potencial.

Frederico Santos