segunda-feira, 5 de julho de 2010

Restaurante Pedro Lemos

Fui há uns dias atrás a um restaurante que abriu recentemente no Porto e que desde o seu início tem vindo a receber excelentes críticas.O restaurante chama-se Pedro Lemos, liderado pelo chefe do mesmo nome.
O chefe Pedro Lemos tem um currículo muito interessante, o que me aguçou ainda mais a curiosidade para experimentar o seu novo restaurante.
Trabalhou no Porto com Miguel Castro e Silva e Hélio Loureiro, tendo depois seguido para Lisboa onde ingressou na equipa de Aimé Barroyer no Pestana Palace.Esteve depois disso na Quinta da Romaneira, já como Chefe de Cozinha.

Passo de seguida a descrever o jantar.
O menu é muito curioso, com o nome dos pratos quase em pequenas histórias, o que dá um toque original.
Além de poder pedir à carta, existem 2 menus de degustação, o menu 1, composto por 5 partos e menu 2, com 7 pratos.Qualquer um dos 2 menus pode ser acompanhado por uma degustação de vinhos preparada para o Menu pelo escanção.
A minha selecção recaiu no Menu 1, incluindo a degustação de vinhos.
Como entrada foi apresentado um pão cozido no próprio restaurante a acompanhar um excelente azeite e umas boas alcaparras.
Nota muito positiva para o pão e para a qualidade do azeite.
Seguiram-se então os pratos do menu. O nome do prato é o que vem na ementa.

...bacalhau de boas recordações sobre gelatina das bochechas,
a posta desfiada num ouriço com seu aveludado
acompanhada das caras num caldo de poejos
Esta primeira entrada consistia num bolo de bacalhau em formato de ouriço do mar, aberto em cima, com uma espécie de bacalhau com natas dentro do ouriço.Este bolinho de bacalhau vinha sobre pedaços de caras de bochechas de bacalhau, e depois era tudo regado com um caldo de caras de bacalhau e poejo.Foi um prato de que gostei bastante, com um contraste muito interessante de diversas texturas de bacalhau, desde o crocante ao cremoso, e mesmo ao líquido.Muito bem conseguido no seu todo.
Este prato foi acompanhado de Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2008, um vinho que com a sua boa acidez e fruta lidou bem com os vários sabores de bacalhau propostos.

...do bísaro a bochecha em verde tinto guisada,
do seu nectar as filhoses com cominhos e canela,
do céu o leite creme com louro e limão, os rojões da região
Aqui trata-se de uma descontrução de um clássico do norte, os rojões de porco, e foi talvez o que mais gostei. O prato parece quase uma brincadeira, com uma mistura de sabores tão improvável como saborosa. Constituído pelas bochechas de bísaro, muito tenras, a desfiar-se, por uns mini rojões bem fritos e saborosos, leite creme com um toque de limão, e por último uma filhoz com sangue de porco, canela e cominhos.Os sabores fortes das carnes de porco, conjugados com a canela, e com o doce e açucar do leite-creme apresentam-se como uma criação feliz e divertida.
Acompanhou este prato o Morgado Sta Catherina Reserva 2007. Um muito bom vinho, com acidez muito bem conjungada pela madeira, e que conseguiu ligar muito bem com alguma untuosidade do prato.

... deu o diabo,na sertã corado com o fofo do seu alimento,
caneloni de choco e puré de aipo, um saboroso tormento
Este prato era constituído por um filete de peixe-diabo, coberto com uma pasta de sapateira (o seu principal alimento).Ao lado um bisque de Lagosta, e um caneloni de tinta de choco recheado de puré de aipo. Achei este prato muito interessante. Ao provar o caneloni com aipo, por si só o seu sabor pareceu-me demasiado intenso, pouco agradável.O peixe com o creme de sapateira interessante, mas a faltar qualquer coisa. Ao provar tudo em conjunto no entanto, parece que os sabores de equilibram e se tornam num novo, muito melhor. O ponto do peixe, perfeito.
Foi bebido aqui um Quinta do Cidrô Rosé 2008. Para os sabores fortes do peixe, marisco e aipo, não seria fácil encontrar um bom vinho, e fiquei surpreendido com o modo como este rosé encaixou bem no prato.

...o cabrito das terras altas, enrolado e lentamente assado
altar de cenoura em raz el anout,
couscous com hortelã aromatizado
Aqui brilhou a qualidade da carne. Assadura lenta, a deixar a carne tenríssima. A conjugar com o sabor característico do cabrito, uma espécie de folhado de cenoura que achei delicioso.
O vinho foi um Tapada de Coelheiros 2005, que se mostrou num óptimo momento. Os taninos já a começar a amaciar, boa fruta e um corpo capaz de ombrear com o cabrito. Muito bom.

citrinos, em torta com mousse de mascarpone,
pérolas de tapioca em infusão de toranja
A sobremesa foi outro dos pontos altos da noite. Citrinos em diversas apresentações, numa torta com mascarpone, um shot de pérolas de tapioca com toranja. Gomos de tangerina caramelizados e um pudim de laranja óptimo.
Acompanhou um excelente Quinta do Noval LBV 2003

Em resumo, um excelente jantar, num restaurante do qual fiquei definitivamente cliente.Neste momento, não tenho dúvidas em colocá-lo como um dos melhor locais para comer no Porto.

Rua do Padre Luis Cabral, 974
4150-459 Porto, Portugal
Tel: (351) 22-011-59-86
www.pedrolemos.net

Carlos Amaro

2 comentários:

Mário Rui disse...

Caríssimo, caro, médio, barato?

Carlos Amaro disse...

Para o nível do menu, preço sem exagero.
O menu I fica a 40€, com a degustação de vinhos por mais 20€.