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terça-feira, 23 de junho de 2015

Herdade do Esporão Verdelho 2014

Castas: Verdelho
Álcool: 13,5%
PVP: 8€

Há vinhos que por vezes surpreendem, mesmo sendo velhos conhecidos, como é este monocasta Verdelho da Herdade do Esporão.
Bebo regularmente as colheitas que vão saindo deste vinho, e agrada-me sempre a relação qualidade-preço que mantém, mas este 2014 está num patamar de qualidade que me surpreendeu e impressionou.
 
Na minha opinião este 2014 é um grande branco. Tem um nariz muito expressivo e sedutor, com notas citrinas, algum floral e uma boa dose mineral num todo muito equilibrado.
Muito fresco  e elegante na boca. Excelente acidez a acompanhar a vivacidade da fruta, torna-se quase viciante.
Está mesmo muito bem conseguido, e torna-se ainda mais impressionante sabendo que se produziram 60 mil litros do vinho. Por este preço é um vinho a comprar sem hesitações.

Como nota adicional, este vinho foi o vencedor do Concurso Vinhos de Portugal 2015, tendo sido considerado ao mesmo tempo o melhor vinho monocasta e o melhor vinho do concurso. 
Esta foi a primeira vez que estes títulos foram atribuídos a um vinho branco.

Carlos Amaro

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Marquês de Borba Branco 2014

Castas: Arinto, Antão Vaz, Viognier
Álcool: 12,5%
PVP: 4,99€

Nova colheita do Marquês de Borba branco, pronta para o Verão que se inicia.
Este vinho é um best seller de João Portugal Ramos, com uma relação qualidade preço de assinalar.
O 2014 está muito fresco, jovem, com notas citrinas a dominarem o nariz.
Bela acidez, bebe-se muito bem a acompanhar pratos leves de verão. Ponto positivo para o baixo grau alcoólico, que o torna ainda mais apetecível para o calor.
Um bom vinho, ainda muito jovem, equilibrado, fácil, sem grandes pretensões e a cumprir bem a sua função.

Carlos Amaro

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Marquês de Borba Tinto 2013

Castas: Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional
Álcool: 14%
PVP:  4,99€

O Marquês de Borba tinto deve ser dos vinhos mais conhecidos de Portugal, e há boas razões para isso.
É um vinho que nunca desilude, colheita após colheita tem mantido um nível de qualidade a bom preço que o torna um sucesso.
Este 2013 mantém o perfil de anos anteriores. Está ainda muito jovem, com aroma intenso a fruta madura, nomeadamente amoras e cassis.
Elegante, e equilibrado na boca, é um vinho muito bem feito, que dá prazer a beber.
Excelente para o dia a dia e para consumo imediato, mas que não desdenha ser guardado um ou dois anos para que possamos avaliar a sua evolução.

Carlos Amaro

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Marquês de Borba Branco 2013

Marquês de Borba Branco 2013
Castas: Arinto, Antão Vaz e Viognier
Teor Alcoólico: 12,5%

Colheita de 2013 do bem conhecido Marquês de Borba branco.

Citrino no nariz, com algum tropical, direto, e agradável.
Boa acidez na boa, notas cítricas alguma estrutura. Um perfil mais leve do que a colheita anterior, que era um vinho um pouco mais gordo.
É um vinho que faz boa figura quer em refeições leves, quer apenas como aperitivo, para beber sem preocupações. Nota positiva para os apenas 12,5% de álcool.

O preço mantém-se na gama dos 5€
Carlos Amaro

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Explicit 2010

Região: Regional Alentejo
Castas: Syrah (96%) e Alicante Bouschet (4%)
Produtor: Sociedade Agrícola Jorge Rosa Santos e Filhos
Álcool: 15.5%
Enólogos: Frederico, Jorge e Vasco Santos

Não é possível começar a falar deste vinho sem falar logo no rótulo. Bonito, apelativo, de bom gosto, está muito bem conseguido. Certamente não passa despercebido numa garrafeira.
Além disso, gosto do modo como o vinho é apresentado e descrito nesse rótulo. A imagem também conta e esta leva pontos extra.

Passando ao vinho, os 15,5º assustam à partida, levando a crer que seria um vinho pesadão e unidirecional, com o álcool muito presente, mas isso não acontece.
Cor carmim muito intensa, centro quase negro.
Aromas a fruta preta intensa, notas florais, balsâmico, chocolate negro e  especiarias como o gengibre.
Na boca, muito encorpado e intenso, de novo os frutos pretos maduros, quase em compota, bastante acidez, especiarias, algum chocolate e no final alcaçuz a dar uma nota diferente e interessante.
Muito interessante este vinho, taninos bem firmes, muita estrutura. Um vinho com personalidade, fora da moda dos vinhos fáceis e redondos. Potencial de guarda.
Com a estrutura que tem, é um vinho que precisa de comida por perto, idealmente um prato forte para contrabalançar a potência do vinho.
Gostei muito. Precisamos de mais vinhos assim fora da caixa.

Nota:17
Preço: 12€
Carlos Amaro

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Novos Vinhos João Portugal Ramos

No passado dia 6/12, os 3 nos copos juntaram-se em prova/jantar para conhecer e provar os novos vinhos do produtor João Portugal Ramos, João Portugal Ramos Estremus 2011 e Duorum o.Leucura Cota 200 e Duorum o.Leucura Cota 400, sendo estes vinhos a nova aposta do produtor para o melhor que produz no Alentejo e Douro.
Começando pelos vinhos do Douro, o nome O. Leucura é o nome abreviado do pássaro Oenanthe Leucura, comummente denominado de “chasco-preto”, que tem como habitat o vale do Douro e que existe nas vinhas de Castelo Melhor.
São vinhos de produção muito limitada, de pouco mais de 200 garrafas cada, saídos da Quinta de Castelo Melhor, tendo sido experimentado algo de novo e original: dois vinhos da mesma vinha, mas de diferentes altitudes, o que torna a prova muito interessante, para poder perceber como dois vinhos saídos da mesma vinha, mas de cotas diferentes de altitude, podem ter características diferentes.

Ambos os vinhos são feitos de Vinhas Velhas com predominância de Touriga Nacional e Touriga Franca, e após fermentação em inox, tiveram estágio em barricas de 225 e 300 litros de carvalho francês (70% de barricas de carvalho novo e 30% de carvalho de segundo e terceiro ano) durante um período de cerca de 24 meses, de acordo com cada lote e casta.

Notas de prova de cada vinho
Duorum O.Leucura Cota 200 2008
Cor vermelha escura. Nariz intenso de frutos pretos maduros, toques algum floral e notas de tosta da barrica. Na boca é extremamente elegante, mas com grande estrutura, com a fruta madura equilibrada por acidez e notas minerais, com muito boa persistência de boca.
Deve ser aberto com alguma antecedência para mostrar todo o seu potencial.

Duorum O.Leucura Cota 400 2008
Cor vermelho profundo e escuro. Aroma mais fino e elegante, com frutos pretos e notas de violeta. É mais especiado que o Cota 200, com um toque de esteva, resinoso e um lado mais vegetal.
Na boca é fresco, elegante, boa estrutura, notando-se a fruta mais fresca e impressões minerais. Final muito longo, e acidez mais vincada que o irmão. Um vinho com corpo semelhante, mas onde se nota uma maior frescura e acidez.

Em resumo, são dois grandes vinhos com características semelhantes mas onde a diferença da altitude é notória, com o cota 200 a ser mais maduro e compotado, de grande concentração, e o Cota 400 com um perfil mais fresco, vegetal e aromático.


No caso do Estremus, é também um vinho de edição muito limitada, tendo saído de uma parcela selecionada de apenas 1,5 hectares de uma vinha plantada em 2001 às portas de Estremoz., com solo calcário com pedra mármore à superfície.
Constituído pelas castas Trincadeira e Alicante Bouschet, numa proporção de 50% cada, o objetivo é ser o porta-estandarte dos vinhos alentejanos de JP Ramos, devendo ser produzido apenas em anos extremamente favoráveis.

Notas de prova
João Portugal Ramos Estremus 2011
Antes de mais devo dizer que achei o vinho fantástico, não tenho grandes dúvidas em dizer que foi o vinho alentejano que mais me impressionou no último ano.

Um vinho que tem tudo no sítio, nariz intenso, profundo, com fruta preta (amora, framboesa), notas de barrica, iodado, especiarias, algum fumado, tudo muito sedutor. Na boca tem excelente volume e frescura, com uma acidez muito bem equilibrada com a fruta, belíssima estrutura, muito mineral, e ainda com a complexidade extra dos tostados da barrica e especiarias.
Fiquei muitíssimo impressionado por este vinho, para mim entra direto para o top dos grandes vinhos portugueses.

Carlos Amaro

Nota: Vinhos gentilmente cedidos pelo produtor


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Vila Santa Reserva Branco 2012

Castas: Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc
Álcool: 13,5%

Nova colheita do Vila Santa branco, o vinho mantém o mesmo lote de 2011, com a curiosidade de ser composto por 3 castas que não são típicas do Alentejo.
Parte do vinho fermenta em barricas novas de carvalho francês, sendo o restante fermentado em cubas de aço inox.

Cor amarelo pálido, com toques esverdeados.
Muito fresco, perfumado e intenso no nariz, com aromas citrinos, fruta tropical e muito mineral.
Na boca, continua o perfil frutado, citrino, com boa acidez e mineralidade, estruturado e complexo. Final longo, fresco e elegante.
Tem acidez e estrutura suficientes para ser capaz de evoluir bem em garrafa.
Nesta gama de preço, é dos meus brancos favoritos do Alentejo.

Nota: 16,5
Preço: 9,90

Carlos Amaro

sábado, 18 de maio de 2013

Marquês de Borba Branco 2012


Produtor: João Portugal Ramos
Castas: Arinto, Antão Vaz, Verdelho, Viognier
Graduação: 12,5º


Nova edição do Marquês de Borba Branco, um dos vinhos mais populares de João Portugal Ramos.
Cor citrina clara. Nariz fresco e mineral, com notas de citrinos e algum vegetal.
Na boca algum tropical e mais citrinos, acidez média, é um vinho fresco.

Um branco descomplicado, sem madeira, ideal para o verão com a sua frescura.

Nota:15
Preço: 4,99€

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Carlos Amaro

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vila Santa Trincadeira 2011



Produtor: João Portugal Ramos
Casta: 100% Trincadeira
Estágio: Seis meses em meias pipas novas de carvalho francês
Álcool: 14%


Nova edição de um vinho que é na minha opinião, consistentemente ano após ano, um dos melhores monocastas Trincadeira que conheço.
Muito bem no nariz. Aroma intenso, bastante especiado, com notas de folha de tabaco, fruta preta bem madura, bastante vegetal, frutos secos, trufas. Sedutor e complexo.
Na boca é firme e volumoso, com fruta madura e compotada, taninos suaves, algum picante, especiarias, notas tostadas, folha de tabaco, boa acidez.

Está muito bem este 2011. Para mim dos melhores Trincadeiras Vila Santa até à data.
Bela relação qualidade-preço.

Nota: 17
Preço: 9€

Carlos Amaro

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vila Santa Reserva Branco 2011


Produtor: João Portugal Ramos
Região: Alentejo
Castas: Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc


Nova edição do Vila Santa Reserva branco, equipado com a nova roupagem dos vinhos do produtor.
Começa por chamar a atenção devido às castas utilizadas, num conjunto não comum no Alentejo a criar uma curiosidade extra na prova: é feito com Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc (parte estagia em madeira).
Nariz não demasiado exuberante, com citrinos e notas tropicais, fresco, notas de madeira muito bem integradas, sem se sobrepor ao resto.
Na boca é elegante, com as mesmas notas cítricas e de algum fruto tropical, apontamentos vegetais e notas de madeira em segundo plano. Mineral e fresco, tem um final longo.
Está um vinho muito interessante, com o preço adequado para a qualidade apresentada.
Preço:10€
Nota: 17

Carlos Amaro

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Loios tinto 2011


Nova edição do Loios tinto, vinho de entrada de gama do produtor João Portugal Ramos.
Já há algumas colheitas que não provava este vinho, pelo que estava curioso em saber como andava.
Aroma a frutos vermelhos bem maduros, notas vegetais e frescas.
Na boca, é fresco e bastante vegetal, com fruta integrada no conjunto. Taninos bem presentes, fica um travo final das notas vegetais e da acidez.
É um vinho bem diferente da maioria dos entrada de gama do Alentejo. Menos redondo, sem aquele estilo mais direto e fácil de gostar, tem um estilo mais verde e vegetal com taninos a aparecerem mais.
Pode não ser de gostos mais imediatos, mas por mim gostei do estilo, e já agora do preço.

Preço: 2.99
Nota: 15

Carlos Amaro

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Marquês de Borba Branco 2011


Castas: Arinto, Antão Vaz, Verdelho, Viognier
Teor Alcoólico: 12,5%
Produtor: J. Portugal Ramos

Depois de provado o tinto, segue agora a nova colheita do Marquês de Borba branco.
Vem com a mesma imagem renovada do irmão tinto e dos Loios já provado no blog.
Bonita cor citrina, agradável à vista. No nariz, notas citrinas e algum mineral.
Na boca, tem alguma estrutura, novamente fruta e uma acidez vincada que o torna um bom vinho para o verão. Persistência média.
Para o meu gosto pessoal está talvez um furo abaixo da versão tinta, mas não deixa de ser um belo vinho a um preço convidativo.

Nota: 15
Preço: 5€

Nota: vinho gentilmente cedido pelo produtor.

Carlos Amaro

domingo, 15 de julho de 2012

Marquês de Borba 2011 Tinto


Castas: Alicante Bouschet, Aragonez, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon
Teor Alcoólico: 14%
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos, SA

Nova colheita deste vinho, que é talvez o mais conhecido do produtor João Portugal Ramos.
O lançamento desta colheita de 2011 coincide com o lançamento de nova imagem para todos os vinhos da empresa.
Cor rubi muito concentrada,com bonitas nuances violeta.
Nariz intenso a frutos silvestres, com destaque para as amoras e notas compotadas. Toque de especiarias e madeira bem integrada.
Na boca tem uma boa estrutura, frutado, suave e fresco. Taninos suaves e um final longo.
Em suma, é um vinho muito agradável e  fácil de beber, continua com a boa relação qualidade-preço dos anos anteriores, sendo uma daquelas marcas que ao longo dos anos se mantém como uma das melhores apostas para esta gama média dos 5€.

Nota: 16
Preço: 5,50€

Nota: vinho gentilmente cedido pelo produtor.

Carlos Amaro

sexta-feira, 23 de março de 2012

Alentejo nas Bageiras


Foi na Quinta das Bageiras, em Fogueira, que aproveitámos para fazer uma prova de tintos do Alentejo, para acompanhar um coelho com amêndoas preparado pelo sr. Simões.

Começámos com um patê de ovas acompanhadas por um espumante rosé, bruto natural como não podia deixar de ser nas Bageiras. Muito bom.

O coelho frito com amêndoas e alho estava de chorar por mais, e ligou muito bem com os tintos alentejanos, embora tivesse pujança para ligar com outros vinhos encorpados, de tão apuradinho que estava.


Antes da prova de tintos, provámos ainda o Garrafeira Branco 2010 das Bageiras, que está um grande vinho, ao nível das edições anteriores.

Foram 5 tintos alentejanos provados por 15 convivas.
Eram todos vinhos de gama média/alta, cujo preço rondava os 20 euros por garrafa.

Feita a média matemática das pontuações obtivemos a seguinte classificação:

  • 17,0 - Dona Maria Reserva 2006
  • 16,6 - Quinta do Mouro 2006
  • 15,9 - Mouchão 2006
  • 15,6 - Solar dos Lobos GE 2008
  • 14,4 - Tapada de Coelheiros 2008

O Dona Maria Reserva foi o mais consensual, mas os vinhos eram todos bastante bons, encorpados e com nariz intenso, proporcionaram uma bela prova.

No final, ainda provámos o Tinto Garrafeira 2008 das Bageiras, recém engarrafado, que não entrou muito bem na sequência alentejana, sendo um perfil de vinho muito diferente, e a precisar ainda de algum repouso na garrafa.

Ainda tivemos direito a um folar caseiro com queijo, acompanhado pelo abafado das Bageiras, que está cada vez melhor.

Assim se passou uma bela noite vínica nas Bageiras, com a promessa de uns robalos para breve, quando o sr. Simões os conseguir arranjar.









3 nos copos

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Herdade das Servas Touriga Nacional 2006


Cor violeta carregada, como que a indicar que temos aqui um vinho bem concentrado.
Muito bem no nariz, pujante, com frutos silvestres maduros, notas de baunilha, uma componente vegetal bem presente, também algum floral e especiarias.
Na boca é concentrado, vigoroso, grande estrutura, parece ainda jovem, apesar de alguns anos de vida. Taninos ainda presentes, mas já começam a amaciar.
Bela acidez, frutos negros compotados, chocolate negro, noz moscada, notas vegetais bem marcadas, e algum abaunilhado a compor.
Final longo e persistente, belo conjunto. Um muito bom exemplar de Touriga Nacional de terras alentejanas.
Preço: 15€
Nota: 17

Carlos Amaro

sábado, 28 de janeiro de 2012

Visita à Adega Cooperativa de Borba


Depois de dois meses e muitas trocas de mensagens lá conseguimos organizar uma visita à adega cooperativa de Borba através do grupo Portuguese Wine Bloggers no facebook. Esta visita foi impulsionada pelo blogger Carlos Janeiro que com grande empenho e paciência lá conseguiu juntar 8 wine bloggers, dos quais tive o prazer de fazer parte.

Fomos num sábado, e chegámos a Borba já depois das 11 da manhã, onde nos esperavam a relações públicas Márcia Farinha e o enólogo Óscar Gato, que nos receberam numa sala de provas onde já estavam uns rótulos de cortiça antigos a respirar em decanter.


Fundada em 1955, a Adega de Borba reúne atualmente 300 viticultores que cultivam cerca de 2200 hectares de vinha, com 70% castas tintas e 30% castas brancas, sendo as melhores provenientes do sul de Borba onde o solo é xistoso.
Produz entre 12 a 15 milhões de garrafas de vinho por ano, e 40 mil litros de aguardente vínica.
Com 57 anos de existência, tem vindo a modernizar-se constantemente, mantendo sempre um nível elevado de qualidade, o que não é tarefa fácil dada a quantidade e variedade de uvas que ali entram ano após ano.
A adega é grande, provavelmente a maior que já vi, e no centro da vila não tem por onde crescer mais. Pude apreciar algumas casas cuja traseira dava para as cubas em inox, de tal modo está incrustada na vila. É tentador morar ali.
Está em fase final de construção a nova adega, que deverá ser inaugurada em breve, num terreno com 14 hectares por trás da estação, que visitámos depois do almoço.

Mas comecemos pelo principio da visita.
Entrando no amplo pátio da adega surgem os balões brancos de 250 mil litros à esquerda, e à direita uma adega aberta para o pátio muito bem equipada com enormes cubas inox, passadiços, talhões de várias toneladas, enfim, tudo em grande. Ao fundo um laboratório onde é feito um primeiro controlo às uvas que entram, para identificar não só as piores, mas também as melhores.
É necessária muita organização para processar tanta uva na época das vindimas, tendo um calendário apertado para cada casta, sujeito a alterações de ano para ano consoante o amadurecimento de cada uma.
Dentro da adega propriamente dita, encontra-se um segundo laboratório "de campanha" onde é feita nova triagem, e se encaminham as uvas para os vários lotes consoante a variedade e a qualidade.
Existe também uma sala fresca onde repousam muitas pipas de madeira nova com os melhores vinhos, 75% carvalho francês, 15% carvalho americano, 10% carvalho português, e uma pequena percentagem de castanho português, uma madeira mais porosa.


Em seguida passámos às caves do edificio principal, onde nos deparámos com mais cubas, toneis de madeira muito antigos e pipas de madeira mais usada, onde envelhecia a aguardente.


Nesta área existe a enoteca da casa, com uma coleção invejável de milhares de vinhos desde há 50 anos atrás.


Numa sala à parte está a garrafeira de rótulos de cortiça antigos a rodear uns toneis novos de onde sairão provavelmente os novos rótulos de cortiça grande reserva, uma aposta recente da Adega de Borba, que procura obter assim um vinho de qualidade superior em edições mais limitadas.


Passámos pelo laboratório principal, equipado com a mais moderna tecnologia, incluindo um analisador potente, único na Peninsula Ibérica.
Visitámos a secção de engarrafamento, uma sala isolada com grandes janelas de vidro, com três máquinas capazes de engarrafar umas impressionantes 18 mil garrafas por hora.
Passámos ainda pelo enorme armazém onde estavam paletes e caixas de vinho a perder de vista, e muitas mais pipas de carvalho semi-novo.
A adega parecia não ter fim.


Voltámos à sala de provas onde nos foram apresentados alguns vinhos da gama Senses de monocastas.

Rosé 2011, feito essencialmente de Aragonês.
De côr muito pálida e salmonada, tem um bom nariz, floral e silvestre, na boca é um vinho leve e fresco.

Alvarinho 2010
Côr citrina, nariz intenso e complexo, algo exuberante com aromas herbáceos e de fruta tropical. Muita frescura na boca e final muito longo.

Verdelho 2010
Côr citrina, nariz abaunilhado com fruta tropical, boca fresca mas não tanto como o Alvarinho, final moderado.

Sirah 2010
Côr granada, nariz intenso, frutado, alicorado.
Boca com boa estrutura, alguns taninos a mais.
Final longo.

Touriga Nacional 2009
Côr granada, nariz frutado, com alguns tostados.
Boca com estrutura e um bom final, algo adstringente.

Seguiu-se uma prova vertical de Rótulo de Cortiça, um vinho icónico da adega de Borba, do qual provámos 5 edições, uma de cada década:


2008
Côr ruby, nariz complexo, ervas aromáticas.
Boca elegante, final prolongado.

1994
Côr ambar, nariz intenso, couro, especiarias.
Boca elegante, com um ligeiro vinagrinho no final longo.

1982
Levou menos Aragonês.
Côr ambar, nariz muito parecido com o de 94.
Boca elegante com final médio.

1977
Côr acastanhada, nariz muito rico, especiarias.
Boca muito elegante, com final mediano.

1964
Côr acastanhada, bazar de especiarias.
Boca elegante, final longo com ligeiro picante.

É impressionante como o perfil destes vinhos se mantém constante ao longo de várias décadas. Numa prova cega não os conseguiria distinguir.
A sua acidez mantém estes vinhos vivos, com uma elegância fora do vulgar. Fizeram-me lembrar alguns Pinot Noir franceses.

Provámos ainda uma amostra de casco do 2009 Gold do tonel 6, que será engarrafado em breve como Rótulo de Cortiça Grande Reserva 2009.


De côr granada opaca, nariz muito rico, aromas herbáceos, azeitonas.
Boca com muita estrutura, mas elegante, opulento, com um final muito persistente.
Promete ser um grande vinho.

Depois da prova seguiu-se o almoço, e que almoço.
Preparado numa sala da adega pela equipa do restaurante "A Cadeia Quinhentista" de Estremoz, foi acompanhado pela gama de vinhos Montes Claros.


As entradas foram servidas em pratos individuais com nove divisões, contendo linguiça, farinheira e morcela de porco preto no carvão, queijo de ovelha em azeite, coelho em vinagrete balsâmico com pimentos assados, cogumelos estufados com ervas, ameijoas com coentros frescos, mexilhões gratinados, e favas com toucinho fumado e salteado.
Uma belíssima amostra dos sabores do Alentejo, acompanhada pelo branco Montes Claros Reserva 2010.
Este vinho está muito bem conseguido, com a casta Roupeiro a transmitir um nariz muito intenso e rico, e com um conjunto de grande equilíbrio.

Seguiu-se o cação temperado com alho e pimentão da horta, frito em banha de porco preto, com ameijoas e migas de batata.
Muito bem acompanhado pelo tinto Montes Claros Reserva 2009.
Curiosa esta forma de cozinhar o cação com o tempero típico da carne de alguidar alentejana, resultou muito bem com este tinto elegante.

Depois veio a perdiz suada em azeite de Borba, com trufas brancas, espargos bravos, castanhas, uvas e romã.
Acompanhada pelo tinto Montes Claros Garrafeira 2007, foi uma perdição, tive de repetir.
Este vinho mais encorpado que o reserva, está muito afinado, e ligou muito bem com o sabor forte da perdiz.

Para sobremesa foram dois doces conventuais, mas nesta fase já não fui capaz de decorar os nomes e já não estava a tomar notas. Fizeram justiça à boa fama da doçaria tradicional alentejana, muito rica por sinal, e não me atrevo a arriscar os nomes de tão deliciosas iguarias.
Acompanhámos com o licoroso da Adega de Borba, que era muito bom, ao nível de um bom vinho da Madeira.

Depois deste magnífico banquete que terminou por volta das cinco da tarde, fomos visitar as novas instalações que estão mesmo em fase final de acabamentos, já com o equipamento particamente todo instalado.
Por trás da antiga estação de comboios, surge a nova adega imponente, construida com a mais recente tecnologia aliada a soluções ambientais que permitem melhor eficiência energética, nomeadamente a cobertura verde (green roof) que proporciona um bom isolamento térmico, e claro, o mármore que é extraído localmente na pedreira de Borba.
Ao entrar deparamo-nos com um gigantesco armazém com capacidade para várias dezenas de milhões de litros em paletes.


Tem uma capacidade de fermentação de vários milhões de litros distrinuidos por cubas de 60 mil litros cada. Uma autêntica catedral, onde em vez de colunas estão as enormes cubas com mais de 10 metros de altura, a perder de vista para onde quer que olhemos.


As uvas entram por cima e seguem por duas linhas mestras até ao seu destino.
Tudo planeado ao pormenor para se conseguirem separar os lotes o melhor possível.


No meio da imensidão de cubas via-se uma pequena área reservada para a vinificação de vinhos de topo, cujo equipamento ainda não estava instalado.
Subimos ao telhado onde pudemos pisar a fofa cobertura verde assente em placas de espuma, que devido ao clima soalheiro do Alentejo se tornou avermelhada, o que não fica nada mal.


Passámos ainda pela loja onde pudemos comprar alguns dos vinhos provados.
Os preços dos vinhos da AC Borba são sempre acessíveis a todas as bolsas, e julgo ser esse equilíbrio entre qualidade e preço que tornam esta casa um exemplo de sucesso a seguir, mostrando que se pode produzir em quantidade e em qualidade, unindo o esforço de vários viticultores que por si só teriam muita dificuldade em sobreviver neste país.
É de facto uma inspiração ver um projeto com mais de 50 anos a crescer desta forma, quando a maioria das adegas cooperativas nacionais andam pelas ruas da amargura, algumas delas a fecharem portas.
Também gostei de ver o investimento na produção de vinhos de qualidade mais elevada em quantidades mais reduzidas, como é o caso do Rótulo de Cortiça Grande Reserva (o primeiro de 2007 desapareceu logo), assim quem estiver disposto a pagar por esses vinhos também os poderá encontrar aqui, e a preços não muito ofensivos.

Há um outro aspeto que é de realçar: o vinho de Borba encontra-se em todo o lado.
E para quem é apreciador de vinho, por muito manhosa que seja a carta de vinhos do restaurante onde se vai comer (coisa que infelizmente não é rara em Portugal), tem lá pelo menos um Borba a servir de tábua de salvação, que é sempre uma aposta garantida.

Agradecimentos especiais ao enólogo e relações públicas da adega que nos acompanharam todo o dia, à equipa do restaurante "A Cadeia Quinhentitista" que nos proporcionou um almoço brilhante onde a ligação com os vinhos servidos foi perfeita, ao blogger Carlos Janeiro, e ao compadre João Pedro Carvalho que também participou ativamente na organização e ainda me há-de levar a provar o vinho da talha.

Deu gosto ver como se produz o vinho em Borba.

Frederico Santos

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Altas Quintas Crescendo 2007

Vinho da zona de Portalegre, de vinhas situadas a cerca de 600 metros de altitude na Serra de São Mamede. Feito maioritariamente de uvas da casta Aragonez, com pequena percentagem de Trincadeira, Alfrocheiro e Alicante Bouschet.
Notas para a boa apresentação da garrafa e rótulo bem desenhado, proporcionando uma boa imagem.

Nariz vivo e fresco, com destaque para a fruta madura, especiarias e algumas notas vegetais, está bastante apelativo.
Na boca, confirma o perfil fresco e com bom equilibrio, novamente fruta madura, um toque de geleia, especiarias, mais notas de cacau no final, com a madeira a aparecer também, mas bastante subitl e bem integrada.
É um belo vinho, bastante guloso e fácil de gostar. Com um preço de cerca de 8,5€ é uma boa aposta nos vinhos desta gama média.
Nota: 16

Carlos Amaro

terça-feira, 12 de julho de 2011

Monte das Servas Colheita Seleccionada Branco 2009

Um vinho que eu já tinha tido oportunidade de provar numa visita à Herdade das Servas, e a que volto agora a provar em casa.
Bonita cor cítrica, a cair para o aloirado. Aromas a frutos tropicais bem maduros, com notas curiosas de mel, mas sem perder frescura.
Bela complexidade na boca, boa acidez, encorpado, novamente as notas meladas acompanhadas da fruta. Bom volume num final longo e fresco.
Gostei muito deste vinho, tornou-se presença assídua lá em casa, até pelo seu excelente preço.
Nota: 16,5
Preço: 7,5

Carlos Amaro

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Visita à Herdade das Servas



Foi no dia 20 de Janeiro de 2011 que nos deslocámos à Herdade das Servas, perto de Estremoz, para uma apresentação vertical dos seus monovarietais de Touriga Nacional, desde 2003 a 2008 (excepto 2007), o convite incluia transporte do Porto, e pratos assinados pelo chef Augusto Gemelli especialmente para cada vinho. Irrecusável.

Esta casa, apesar de ter a tradição de várias gerações ligadas ao vinho, apenas a partir de 1999 se lançou no mercado com esta marca. Desde então os vinhos Herdade das Servas têm-se afirmado de forma sustentada no mercado pela sua qualidade consistente de ano para ano, cobrindo já uma vasta gama, mas ainda à procura do seu vinho de topo, que nos confessaram que ainda não encontraram apesar de até já ter marca definida.
Esta atitude de insatisfação perante a qualidade dos seus vinhos, procurando sempre fazer melhor, explica o sucesso deste grande projecto que gere já cerca de 200 ha de vinha.

A adega, situada na Herdade das Servas está equipada com a mais moderna tecnologia, dando origem a tintos, brancos e rosés, sob as marcas Herdade das Servas, Monte das Servas e Vinha das Servas. Têm plantadas uma grande variedade de castas, variedade essa aumentada com numa nova vinha de 2007.
São quinze as castas plantadas actualmente: nove tintas (Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão, Petit Verdot, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira e Vinhão) e seis brancas (Alvarinho, Antão Vaz, Arinto, Rabo de Ovelha, Roupeiro e Semillon).
Após uma longa viagem, mais rápida que o esperado, fomos os primeiros a chegar por volta das 11 da manhã e fomos muito bem recebidos por Luis Mira, a quem mais tarde se juntaram o irmão Carlos Mira e o enólogo Tiago Garcia.
Esperámos um pouco que chegasse o pessoal de Lisboa, enquanto aproveitávamos a paisagem relaxante do Alentejo, por entre talhas e oliveiras centenárias.



Após a chegada de todos, serviram umas tapas alentejanas, de bom chouriço e queijo, acompanhadas com o vinho Monte das Servas Branco Colheita Seleccionada 2009.
Agradou muito este branco, com nariz intenso e frutado. Na boca estava muito bem equilibrado, intenso e elegante, com um final persistente.
É feito com 70% de Roupeiro de vinhas com 55 anos, e mais 3 castas, 10% de cada. Julgamos que estas castas adicionais vão variando de ano para ano, tendo ficado a impressão de que são muito abertos a experiências com outras uvas, apesar de darem prioridade às castas nacionais típicas da região. Logo à entrada têm um canteiro com um cordão rotulado de cada casta, onde ficámos surpreendidos por encontrar a uva Alvarinho tão a sul.

Seguiu-se uma visita à adega, onde se via muito equipamento em inox, desde os lagares, as cubas, o tapete rolante para separação das uvas, os passadiços, enfim, uma adega muito bem equipada. Fomos à cave, onde repousam as pipas de boa madeira. Passámos ainda pela secção de engarrafamento que estava a funcionar em pleno, com 3 ou 4 pessoas de volta da máquina a controlar manualmente todo o processo apesar da máquina ser bastante automática.

Após esta visita às instalações, seguiu-se o almoço, que teve uma apresentação prévia de Augusto Gemelli, que com a sua presença imponente explicou à audiência atenta os pratos que ia apresentar para cada vinho.

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TN 2003
Carpaccio de espadarte marinado sobre creme de grão de bico ao cominho, tomatinhos no forno e azeite de rucola

Frederico Santos - 17
  • côr carregada e opaca, dificil dizer se é granada ou ruby
  • nariz frutado qb, algo vegetal, tabaco
  • boca redonda e cheia, elegante
  • final longo
  • não esperar muito no copo
Carlos Amaro -17
Aroma floral, à Touriga Nacional, com grande intensidade. Fruta e especiarias, chocolate preto , e um toque vegetal dão ao nariz bastante complexidade.
Boca elegante, frutos vermelhos, especiarias, floral e novamente notas verdes. Final longo e um pouco apimentado. Penalizado apenas por algum excesso de álcool no final de boca.
Acompanhou de modo excelente e surpreendente o carpaccio de espadarte, com o creme de grão a fazer o contraponto necessário ao vinho.

TN 2004
Polvo Caramelizado e fumado em cama de "pappa" de tomate e hortelã, perfume de trufa branca

Frederico Santos - 17,5
  • côr opaca, equivalente ao primeiro
  • nariz floral, menos complexo
  • muito bom na boca, com menos alcool, bom final
  • após uns minutos o nariz melhorou
Carlos Amaro - 17,5
Mais fechado ao inicio do que o 2003, mas depois abre-se num belíssimo floral. Fruta e especiarias aparecem de seguida, mais um fundo vegetal.
Boca excelente, com fruta madura, equilibrado, excelente acidez a dar o equilíbrio certo. Muito fresco. Final de extrema elegância e muito longo.
Para mim o melhor vinho em prova.

TN 2005
Ravioli de massa de espinafres recheados com farinheira de presunto e azeitona, espelho de "pesto" de manjericão e queijo Pecorino jovem

Frederico Santos - 16,5
  • côr opaca com tons de violeta
  • nariz muito frutado
  • boca redonda e correcta
  • final prolongado
Carlos Amaro - 16
Aroma muito fresco, focado nas componentes vegetais. Frutos vermelhos e chocolate de leite.
Boca mais quente, frutos do bosque, especiarias. Bom comprimento de boca. De todos os vinhos foi o que menos me pareceu Touriga Nacional. Taninos mais duros, mas bem integrados.

TN 2006
Lombinho de Porco corado na salva com "risotto" de barriga fumada, batata nova e alecrim

Frederico Santos - 17,5
  • côr roxa opaca
  • nariz complexo, aromas herbáceos
  • boca redonda e muito equilibrada
  • deixa boa recordação
Carlos Amaro - 16,5
Muito vegetal, mais contido no nariz. Floral, especiarias.
Taninos bem presentes, boa acidez, chocolate, frutos vermelhos, muito vegetal na boca, noz moscada.
Ainda algo fechado, mas prometedor

Mário Rui Costa - 16,5
Finalmente degustei a garrafa que os meus amigos me trouxeram da HS. Apenas como complemento das vossas notas, realçava que o nariz não sendo muito aberto é no entanto muito bem definido dando grande agrado, se dermos a atenção devida à prova olfactiva. Na boca concordo em pleno com a nota do Carlos, principalmente nas notas vegetais conjugadas com algum fruto vermelho (menos presente que o vegetal), tudo temperado com notas de noz moscada, que predomina no fim de boca e acaba por ficar como o paladar dominante deste vinho. Eu aprecio, mas quem não gostar de noz moscada não acredito que goste deste vinho :-)

TN 2008
Frederico Santos - 16,5
  • côr violeta carregada
  • nariz frutado, vegetal
  • boca equilibrada, ligeiro tanino
  • precisa de mais tempo em garrafa
Carlos Amaro - 17
Este vinho ainda não está no mercado, mas gostei muito, está muito prometedor.
Cor lindíssima violeta. Aroma muito fechado inicialmente, mas nota-se algum floral, frutas e especiarias.
Frutos do bosque na boca, vegetal, especiarias, aromas de bosque.
Taninos ainda por polir, mas promete muito.

Para sobremesa, comeu-se um Bolinho de maçã e caril com molho de caramelo e chocolate branco, que foi acompanhado por um simpático Licoroso Herdade das Servas.
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Muito bons vinhos, intensos e elegantes, carnudos, não hesitei em pontuá-los com cerca de 17 na escala de 1 a 20. Só não dando mais por não ser grande apreciador de touriga nacional na versão monocasta, cujos vinhos tendem ser um pouco frutados demais para o meu gosto. Mas estes apresentaram-se muito equilibrados e bem conseguidos, e com muita juventude contrariando a crença de que os vinhos alentejanos não têm potencial de envelhecimento. Incrível a côr do de 2003, já a caminho dos 8 anos parece a côr de um vinho bastante mais jovem.
Fiquei com vontade de provar os reservas, que para além da touriga, levam também alicante e outras. Será uma boa desculpa para lá voltar.
Frederico Santos
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Em conclusão, um excelente dia de provas, com belos vinhos a acompanhar um grande almoço.
Provou-se aqui que a Touriga Nacional também consegue ter excelente qualidade no Alentejo. Vinhos potentes, carnudos, muito gulosos. Preços bastante sensatos.
O 2003 e 2004 surpreenderam-me especialmente, pela qualidade que apresentam agora.
O 2008, ainda muito novo, mostra grande potencial.
Fiquei com vontade de voltar a esta Herdade das Servas, e provar mais alguns dos seus vinhos.
Carlos Amaro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Athayde Grande Escolha 2007


Viva,

Quero dar relevo a um tinto alentejano que provei no início deste ano, de um produtor que desconhecia (coisa fácil nos dias que correm), Monte da Raposinha, e de um enólogo também para mim desconhecido, Carlos Magalhães.
O vinho vem de Portalegre, no norte do Alentejo, uma zona tipicamente mais fresca e temperada do que o restante Alentejo, sendo este um aspecto que deixa marcas evidentes no perfil do vinho.

Não é de facto um Alentejo tinto típico, é um vinho com muito boa acidez, elegante, com bom equilíbrio (embora um dos "provadores" tenha teimado na madeira nova em excesso, coisa que não me pareceu de todo) e acima de tudo com um perfil aromático e prova de boca mais novo mundo do que Alentejo.

Como nota resumida de prova:
  • Feito com as castas Touriga Nacional (não dei por ela, deve ser em quantidades pequenas), Syrah, Alicante Bouschet e Aragonês
  • Frutos vermelhos casados com alguma menta e baunilha num aroma muito sedutor e expressivo, sendo este um dos pontos bem agradáveis neste vinho
  • Na boca domina a fruta (excepto para o cromo obcecado com a madeira) e no final o cacau, neste aspecto um pouco colado de mais ao gosto universal :-)
Este vinho é menino para os seus 20€, merece uma prova e como remate final direi que é um bom vinho, que enriquece e complementa a oferta da região.

Boas provas,

MRC