quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2011 em revista: Vinhos em destaque


Viva,

2011 foi para mim um ano atípico, porventura o ano da última década em que estive menos ativo neste meu hobby que é a degustação de vinhos. Em consequência foi também o ano em que menos notas de prova publiquei, em que menos partilhei. Quem me conhece bem sabe o quão atípico isto é, estou a ficar velho :-)

Em consequência não quero publicar uma lista dos "Melhores de 2011" como o amigo Carlos publicou e como o amigo Fred irá fazer (acho...). Vou limitar-me a identificar a meia dúzia de "espécimes" que mais me impressionaram este ano, sem nenhuma ordem em particular. 

Primeiro "espécime": Quinta das Bageiras Garrafeira 2009. Começa a ser um lugar-comum falar maravilhas deste branco carregado de personalidade bairradina, portador de uma mineralidade invulgar e de uma secura maravilhosa. É um branco único, porventura existem melhores para alguns, eu não o troco por nada...

Segundo “espécime": Quinta da Pellada Primus 2009.Um branco do Dão e de Álvaro de Castro que apenas conheci este ano. É para mim o melhor branco Português (polémico), Ex équo com o Bageiras Garrafeira. Deste realço uma frescura infindável, parece que brota diretamente da rocha. Magnifico.

Terceiro “espécime":  Niepoort Robustus 2007. Outro lugar-comum, sempre que me pedem um tinto de categoria penso logo neste. É uma combinação explosiva de corpo e elegância, mastiga-se mas não enjoa. Este vinho faz-me ver Santos e outro tipo de aparições...

Quarto "espécime":  Roquette e Cazes 2008. Uma estreia absoluta para mim, degustado este mês, impressionou-me grandemente, sendo um tinto muito meu estilo, com nariz de fruta madura exuberante e algum cacau e muito fino e elegante na boca. Fiz prova quase em simultâneo do Vinhas Velhas da Quinta do Crasto 2009 e nesta fase embrionária parece-me que está mais bem conseguido.

Quinto "espécime":  Porto Taylor's Vintage 2009. Escrevi recentemente sobre este vinho dizendo "... combinação de potência e elegância invulgar, notas muito bonitas de folha silvestre bem verde e casada com fruta vermelha e azul muito madura. " e dizendo também que no meu entender supera 2007 e acho que isto diz tudo. Num ano polémico para o lançamento de Vintages digo, se forem todos desta estirpe bem que podem lançar todos os anos, para as urtigas aquela coisa de dois ou três lançamentos por década.

Sexto "espécime": Louis Roederer Cristal 2002. O amigo Mário Sérgio teve a amabilidade de nos dar a "cheirar" esta preciosidade numa das muitas provas que organizamos nas Bageiras. Conhecendo a sua história e valor monetário espero não estar sob efeito de sugestão quando digo que é um dos grandes champagne deste mundo. De início até fiquei surpreendido com a sua aparente simplicidade mas com o evoluir de prova foi uma verdadeira orgia de aromas e sabores em constante mutação. Citando um tipo que conheço bem "É um vinho que impressiona fortemente os sentidos e que convida à meditação".

Ficam como boas sugestões de compra (Cristal à parte :-) ), na minha humilde opinião... 
Desejos de um 2012 bem regado... Pessoalmente espero estar mais presente neste nosso meio de convívio...

Mário Rui da Costa

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Melhores Vinhos de 2011


Com o ano praticamente no fim, segue a lista do que foi para mim o melhor que bebi no ano de 2011.
Tentei cingir-me a apenas 10 vinhos de cada categoria, mas a tarefa revelou-se demasiado dificil, e alarguei ligeiramente para 12.
Apenas nos espumantes/champagnes a lista foi reduzida, uma vez que não variei muito na minha prova desse tipo de vinho.

Tintos
Quinta da Gaivosa 2005
Sidonio de Sousa Garrafeira 2005
Robustus 2007
El Pecado 2008
Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Quinta da Romaneira 2007
Altas Quintas Reserva-do 2005
Quinta do Vale Meão 2008
Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2004
Clape Cornas 2007
Domaine Armand Rousseau Chambertin Grand Cru 2008
Quinta do Noval 2008

Brancos
Quinta das Bageiras Garrafeira 2009
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009
Primus 2009
Vinha Formal 2008
Bussaco 2001
Soalheiro Primeiras Vinhas 2010
Castello D'alba Vinhas Velhas Códega do Larinho 2009
Quinta do Pinto 2008
Domaine Roulot Meursault “Meix Chavaux” 2008
Chanson Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2004
Vértice 2009
Redoma Reserva 2009

Generosos
Taylors Vintage 2009
Quinta do Noval Nacional 1994
Quinta do Vesuvio 1994
Graham's 30 anos
Graham's Vintage 1970 Private Cellar
Quinta do Noval Colheita 1937
Quinta do Noval Colheita 1964
Andresen Colheita 1910
Ferreira Duque De Bragança 20 Anos
Andresen Colheita 1991
Blandy's Bual 1920
Blandys Malvasia 1992

No que diz respeito a esta lista de vinhos generosos, há um outro vinho que não adicionei mas que quero referir: o Taylor's Scion é dos melhores vinhos que já provei (não só este ano, mas desde sempre). Mas pelo facto da sua disponibilidade ser tão diminuta achei que não fazia sentido incluir o vinho. De qualquer modo é justo fazer essa referência.

Champanhes/Espumantes
Louis Roederer Cristal 2002
Vértice Millesime 2005
Deutz Rosé Millesime 2004
Moutard - Grand Cuvee Brut
Gosset - Excellence Brut
Champagne R. & L. Legras Saint Vincent 1996

Fred e Mário Rui, fico a aguardar as vossas listas...

Carlos Amaro

domingo, 18 de dezembro de 2011

Meandro 2009

Depois da prova recente do 2008, de que gostei muito, provei agora o Meandro 2009.
O lote mantém-se muito semelhante, tendo este ano 35% Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, 25% de Tinta Roriz, 5% de TintaBarroca e 5% de Sousão).
Nota-se uma consistência na qualidade do vinho, continuando na linha do ano anterior.
Cor rubi escura, com bonitos bordos violetas.
Muito expressivo no nariz, com aromas intensos a frutos vermelhos e notas florais. Algumas notas verdes e especiarias surgem a seguir.
Na boca, segue também bastante na linha dos frutos silvestres, com bela acidez e frescura a equilibrar o conjunto.
Muito encorpado, nota-se ainda notas tostadas da madeira, tudo bem integrado.
Nesta fase está talvez mais unidimensional do que o 2008, muito exuberante, com a fruta e o floral a sobreporem-se um pouco ao resto.
Acredito que com mais algum tempo de garrafa ficará ao mesmo nível.
Nota: 16,5
Carlos Amaro

domingo, 6 de novembro de 2011

Porto Vintage 2009, casas do grupo Fladgate

Viva,

No passado dia 21 de Outubro participei numa prova de Porto Vintage 2009 das casas do grupo Fladgate, gentilmente organizada pela garrafeira Latina Adega, em Aveiro, já agora uma garrafeira que vale a pena visitar tão aprumada é a sua selecção de vinho e tão equilibrada é a sua politica de preços, digamos assim :-)

Indo directo ao assunto, provei Taylor's, Fonseca, Croft e "extra concurso" provei também os vintages Romariz e Quinta do Crasto. Em prova estava também (acho eu, sem ter certeza...) o Taylor's Vargellas 2009 mas não o provei.

Foi uma prova contra relógio (menos de 30 minutos) dados compromissos familiares inadiáveis. Contudo foi tempo suficiente para fazer a vénia a Taylor's e Fonseca, com toda a certeza ao nível dos vintage 2007.

Atrevo-me a dizer que o Taylor's 2009 supera o 2007 com uma combinação de potência e elegância invulgar, notas muito bonitas de folha silvestre bem verde e casada com fruta vermelha e azul muito madura. Apresenta também uma frescura incrível, dá vontade de beber e beber e beber. Com a enorme estrutura e corpo apresentado, com toda a certeza envelhecerá bem e por décadas, assim espero...
Pontuação: 19/20;

O Fonseca apareceu muito em linha com a sua matriz aromática típica, cheirando este vinho em cega apostava as minhas hipotecas como acertava à primeira.Aqui dominam notas de cacau e fruta cristalizada, num nariz muito complexo. Na boca apresenta também enorme corpo e estrutura sendo no entanto menos seco do que o Taylor's e do meu ponto de vista um pouco menos impressionante.
Pontuação: 18/20;

Como cheguei atrasado e não segui a sequência lógica de prova, provei o Croft após os dois anteriores. E esse pode ter sido um problema, porque não fiquei nada impressionado. Parecia sempre pouco e acima de tudo é um vintage feito para deslumbre aromático enquanto novo, com fruta e folhas silvestres muito frescas e  muito evidentes, exuberantes diria. Contudo na prova de boca o vinho cai um pouco e por comparação com os monstros anteriores fica bastante aquém em complexidade. Não me parece um vintage para envelhecer décadas, se assim for ficarei muito surpreendido e acho que descobriram a pólvora, fazendo um vintage para dois tipos de mercado: o dos curiosos e dos pacientes :-)
Pontuação: 16,5/20;

Romariz e Crasto não tiveram uma prova atenta da minha parte, mas o meu primeiro prognóstico é o seguinte: não são vintages, mas são muito bons portos. É preciso ter alguma calma com isto de lançar vintages por dá cá esta palha. Acalme-se a soberba...

Boas provas,

Mário Rui da Costa

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Meandro 2008

A Quinta do Vale Meão é uma das quintas míticas do Douro. Última quinta comprada por D. Antónia Adelaide Ferreira, mantem-se até hoje na posse dos seus descendentes.
As uvas desta quinta durante vários anos eram vendidas à empresa AA Ferreira S.A., tendo servido durante vários anos de base ao Barca Velha. Isto até 1998, ano em que o Barca Velha passa a ser feito na Quinta da Leda, ficando a partir daí as melhores uvas desta quinta para os vinhos Vale Meão.
Este Meandro é a segunda marca da quinta, a seguir ao fantástico Quinta do Vale Meão.

Em 2008 este vinho foi feito das castas 35% Touriga Franca, 25% Touriga Nacional, 25% Tinta Roriz, 5% Sousão, 5% Tinta Amarela e 5% Tinto Cão.
Muito bonita cor rubi bem escura. Tem um nariz fantástico de grande expressividade, frutos vermelhos maduros (amora, groselha), bastante floral, notas a especiarias, algum chocolate.
Muito guloso e sedutor na boca, elegante. Mostra-se a fruta madura, algum abaunilhado da madeira, notas vegetais a pimento, muito mineral, num todo muito fresco e equilibrado. Final longo.
Apesar de muito bom agora, tem estrutura para envelhecer bem por mais uns anos.

Longe dos cerca de 60€ do seu irmão mais velho, este é um vinho que por 10€ tem uma relação preço qualidade muito boa.
Um vinho impossível de não gostar, do qual vale a pena comprar algumas garrafas para ir vendo a sua evolução.

Nota: 17

Carlos Amaro

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2007

Sempre gostei dos vinhos da Quinta do Vallado.
Desde o vinho de entrada, ao Reserva, a qualidade é quase sempre garantida, e normalmente a preços bem sensatos.
Têm além disso um dos varietais Touriga Nacional de que mais gosto.
É esse mesmo o vinho que provei agora. O Touriga Nacional da colheita de 2007.

Aroma de muita concentração, frutos vermelhos bem maduros em destaque, aromas a violeta e notas de barrica. Algum floral, mas sem dominar, tudo muito elegante.
Na boca é muito equilibrado, com frutos vermelhos e os abaunilhados da barrica muito bem integrados e na medida certa, notas achocolatadas. Extremamente fresco, com taninos finos e final bem longo.
Um conjunto envolvente e complexo. Muito apetecível.
Belíssimo vinho, ainda por cima com um preço que não escandaliza ninguém, abaixo da fasquia dos 20€.

Nota: 17,5

Carlos Amaro

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Garrafeira Tio Pepe, 25º aniversário, 4º dia de provas

Nas comemorações do seu 25º aniversário, a garrafeira Tio Pepe ofereceu 5 dias de provas vínicas de alto nível, sendo cada dia dedicado a uma região, com alguns dos produtores mais significativos a disponibilizarem os seus vinhos topo de gama.
Não podendo comparecer todos os dias, optámos pelo 4º dia dedicado ao vinho do porto e madeira, e lá fomos numa quinta à tarde.

Estavam em prova vinhos veneráveis, alguns do século XIX, muitos do século XX, e ainda alguns vintages novos de 2009. Eram todos vinhos do porto com exceção de dois madeiras da Blandy's.

Numa prova deste calibre é muito difícil classificar os vinhos, no entanto ficam algumas notas para a posteridade.

Começámos pelos mais velhos, os colheitas, e acabámos nos vintages novos.

Niepoort colheita 1957
Com mais de 50 anos, tem um nariz muito rico e equilibrado, na boca é suave e tem um final muito prolongado. Tudo em harmonia.
Um grande colheita.

Niepoort colheita 1863
Apresentou-se com consistência ligeiramente caldosa, com um nariz de grande complexidade, muito equilibrado na boca, e com um final interminável.
Apareceu de surpresa, no formato meia garrafa com o ano pintado, como concorrente de Dirk Niepoort ao Scion de David Guimaraens.

Warre's colheita 1882
De côr acastanhada, apresentou um nariz intenso, mas achei-o ligeiramente desequilibrado no conjunto.

Taylor's Scion (1855)
De côr aloirada com tons de ruby, uma côr surpreendente para a idade que tem.
O nariz apesar de excelente é ligeiramente mais fechado que o Niepoort 1863, mas na boca este pareceu-me ser mais intenso.
É um vinho que tem causado sensação no último ano, por terem sido descobertas por acaso duas pipas com 150 anos guardadas por várias gerações da mesma família.
Ao descobrirem que o vinho estava em perfeitas condições apesar da sua idade pré-filoxérica, decidiram engarrafar e vender a preços proibitivos dada a sua raridade. Uma garrafa de 50cl custa cerca de 2500 euros.
Compreende-se assim que o vinho tenha sido servido a conta-gotas, só meio centilitro em cada copo.


Madeira
Blandy's Bual 1908
Blandy's Bual 1920
Dois vinhos com cerca de cem anos ainda em grande forma, com a sua acidez típica a dar-lhes vida.
Para além de um nariz riquíssimo, estes vinhos têm um final de boca que nunca mais acaba.

Noval colheita 1937
Um vinho sublime.
Constato que 1937 foi um grande ano e ainda existem alguns colheitas de várias casas de vinho do porto à espera de ser engarrafados.
Este é um exemplo de perfeição, com uma intensidade surpreendente na boca.

Noval colheita 1964
Também em grande nível, ainda com muita frescura apesar dos seus 47 anos.
Foi comentado pela enóloga que os colheitas da Noval só são engarrafados a pedido, mantendo-se na madeira que é onde devem envelhecer.
Isso explica a fantástica frescura destes colheitas.

Graham’s vintage 1970
Um vintage de 40 anos.
Com aromas refinados, a boca sedosa sem perder firmeza, a sua elegância e o final muito longo, tornam este vinho exemplar na sua categoria.

Vesúvio vintage 1994
É possivelmente o melhor Vesúvio, e todos os Vesúvios são bons.
Agora com cerca de 15 aninhos, continua com um nariz exuberante, uma boca muito viva e carnuda, e um grande final.

Noval Nacional vintage 1994
Este vinho não é acessível ao comum dos mortais.
Primeiro por ser um vintage Noval Nacional, de uma vinha que foi replantada sem recurso a enxertos, na época da filoxera. Segundo por ser o de 1994, ano que foi pontuado com a nota máxima pela conceituada revista Wine Spectator.
É reconhecido como um dos melhores vintages do último século, a par do 1963 e do 1931. O seu preço ronda os mil euros por garrafa.
Com 15 anos de idade, apresentou o melhor nariz dos vintages em prova, intenso e com uma complexidade infindável. Imagino o que será daqui a mais uma(s) década(s)...
Na boca está impecável, muito correcto e saboroso, com final muito longo.

Adelaide vintage 2009
Este foi o vintage de 2009 que mais me impressionou até agora.
Tem um nariz intenso e muito rico, mineral, frutos silvestres, chocolate, tabaco.
Na boca mastiga-se de bom que é, e tem um belo final.

Taylor's vintage 2009
Não é todos os anos que a Taylor's declara um vintage clássico, só o fazendo 3 ou 4 vezes por década. Quando o faz é sinónimo de qualidade garantida.
Este é um vinho portentoso, com um perfil austero que promete longevidade.
A côr é quase preta, de nariz intenso sem ser exuberante, notas de fruta madura, ameixas, cerejas, amoras, muito mineral.
Na boca mostra os taninos bem polidos, é muito encorpado, e tem um final enorme.

Todos os vinhos eram excelentes e deram que pensar durante pelo menos um mês, até me conseguir recompor da experiência e escrever aqui algumas linhas, que nem de longe fazem justiça a estes vinhos que atravessam séculos.
Os preferidos foram o Niepoort 1863 e o Taylor's Scion, não consegui decidir de qual gosto mais.

Muito grato à garrafeira Tio Pepe por ter proporcionado esta oportunidade de provar vinhos tão inacessíveis.

Bem hajam.

Frederico Santos

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Porto Cálem - Colheita 1989


Como apreciador de vinho do porto, gosto de ter sempre uma garrafa de tawny para consumo corrente. O tawny é um tipo de vinho que por ser envelhecido em madeira é mais resistente, e mantém as suas caracteristicas durante cerca de um mês depois da garrafa aberta.
Como ontem acabei com uma num jantar de amigos, hoje num super ao escolher um porto acabei por ganhar coragem para comprar este, que apesar de ser um pouco mais caro que o normal, fica bem em conta quando comparado com outros portos de 20 anos. Há que aproveitar enquanto ainda me posso dar a estes pequenos luxos, que depois das medidas anunciadas hoje pelo nosso primeiro ministro vou ter de cortar nestas coisas.

Este colheita de 1989 foi engarrafado este ano, ainda está fresquinho acabado de sair do seu repouso de 20 anos em cascos de carvalho.
De côr ambar suave, tem um belo nariz, muito rico e equilibrado. Apesar de estar a recuperar duma constipação consigo sentir o aroma de frutos secos, algum caramelo, tabaco.
Na boca é sedoso mas firme, muito elegante, com um final muito prolongado.
Mas que belo porto.
Acho que vou beber mais um cálice para acabar com a constipação, e com as mágoas.

Nota: 17,5
Preço: ~25€

Frederico Santos

sábado, 24 de setembro de 2011

Bétula 2010

Viva,

Uma vez mais o produtor na pessoa da Catarina Montenegro facultou amostras de prova para este vinho. O nosso agradecimento e parabéns pela dinâmica e visão.

Falando do vinho, a colheita de 2010 segue a mesma linha de produção da colheita 2009, mesmo enólogo (Francisco Montenegro), tem como base as mesmas castas (50% Viognier, 50% Sauvignon Blanc), estágio do lote de Viognier em carvalho françês e vinificação em inox do Sauvignon Blanc.

Esta aposta na continuidade manifesta-se na prova, sendo que no nariz são evidentes as notas de pêssego e laranja cristalizada, na boca continuam bem presentes as notas verdes do Sauvignon. A acidez continua óptima tornando o vinho muito fresco, com grande presença de aroma e paladar mas nada enjoativo. O Final é médio/longo.

Face à colheita 2009, de que gostei muito, não se comprometeu a qualidade e o agrado geral permanece.
Contudo notei algumas pequenas diferenças face à colheita anterior. No nariz notei no fundo algumas ervas verdes que não consegui decifrar (a minha mulher disse salsa, mas não me pareceu...) e por vezes alguma manga. Gostei das ervas, dispensava a manga, mas isso são gostos.

Continua a ser uma muito boa aposta a um preço equilibrado. E uma vez mais, não tenho problema nenhum com o uso de castas internacionais em solos lusitanos se o resultado for tão interessante como o apresentado por esta proposta.

Pontuação: 16,5/20.

Boas Provas,

Mário Rui Costa
PS: Fred e Carlos, façam a vossa prova...

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Bétula 2010
Côr amarelo citrino suave.
Nariz intenso e complexo, sem ser exuberante, notas de tabaco.
Na boca entra suave e vai crescendo, com boa acidez a surgir no final, prolongando-o.

Relativamente ao 2009, este 2010 está mais ao meu gosto. Mais elegante e suave sem perder a frescura que se manifesta no final de boca.
Os seus simpáticos 12,5º de alcool tornam este vinho um dos meus brancos preferidos atualmente.

Nota: 17

Frederico Santos
Setembro 2011
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Bétula 2010
Chegou agora a minha vez de provar este vinho.
Nariz fresco, não muito exuberante, notas cítricas, algum melão, e presença forte de relva cortada, tão característica do Sauvignon Blanc.
Tal como no nariz, na boca é a frescura e mineralidade que mais uma vez sobressaem. A fruta está lá, elegante, e bem embrulhada numa excelente acidez, com um final de boca bem longo e agradável.
Nota muito positiva ainda para a graduação do vinho, com uns sensatos 12,5º. Será que a moda dos vinhos pesados e alcoólicos está finalmente a passar?
Uma excelente aposta nesta gama de preço.
Nota: 16,5

Carlos Amaro


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quinta de Tourais


A quinta de Tourais situa-se no Douro, perto da Régua na margem sul. A quinta está na família há 3 gerações, e até final do milénio passado as uvas eram todas vendidas a uma casa de vinho do Porto. Tendo assumido a enologia da quinta a partir de então, Fernando Coelho tem apostado em vinhos de mesa de qualidade média/alta.

Antes de entrar na prova dos vinhos, há que realçar a apresentação das garrafas, cujo rótulo é impresso no vidro com tinta, ou seja, sem papel. Tem um design artistico muito fora do vulgar, que resulta bem com o contraste do vidro escuro das garrafas.

Passemos então aos vinhos.

Tourónio 2009
40% Touriga Nacional, 40% Tinta Roriz, 15% Sousão, 5% Tinto Cão
É o entrada de gama, tem uma côr muito escura, nariz complexo, com aromas de couro, algum tostado e chocolate. A boca é volumosa com algum tanino. É um vinho denso, com um final persistente.
Um duro do Douro bem feito, com um nariz intrigante.
preço: ~10€
nota: 16,5

Miura 2007
Côr escura, nariz complexo, algo balsâmico.
Na boca é elegante mas intenso, com um bom final.
Um vinho mais aveludado que o anterior, mantendo o perfil rústico aliado a elegância.
preço: ~15€
nota: 17

Furia 2008
Vinhas velhas (60 anos), com predominancia das castas Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Touriga nacional.
Côr muito escura.
Nariz complexo mas pouco intenso, algo fechado, foi crescendo no copo.
Na boca é redondo, encorpado e pujante, tudo bem equilibrado.
Muito bom final com ligeiro toque picante.
preço: ~20€
nota: 17,5

Miura 2008
Vinha de 30 anos, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Sousão, Tinta Amarela e outras.
Côr escura.
Nariz balsâmico, amoras.
Um pouco mais adstringente que o 2007, muito corpo, tem o final mais longo de todos os vinhos em prova. Promete durar muitos anos em garrafa.
preço: ~15€
nota: 17

Todos os vinhos agradaram muito, com alguma rusticidade que lhes dá caracter, bem equilibrada com madeira qb.
São vinhos gastronómicos, que devem acompanhar bem uma carne assada, ou outros pratos fortes.
As garrafas fazem sensação em qualquer mesa pela originalidade do rótulo.

www.quintadetourais.com

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quinta de San Joanne Escolha 2004

Vinho das castas Avesso, Alvarinho e Chardonnay, já com 7 anos de vida, idade que não é muito comum quando se fala de consumir vinhos brancos portugueses.
Os 12,5% são um ponto extra positivo quando se olha à moda actual de vinhos alcoólicos.

A cor denota já alguma evolução, com um amarelo dourado.
Aroma com notas de oxidação, mel, compota de fruta, marmelo, alguma baunilha.
Boca untuosa, gordo, mas com uma muito boa acidez que mantém o vinho vinho e com garra. A compota e as notas de mel surgem também, num conjunto que me agradou muito.
Não sendo daqueles vinhos directos e fáceis, é um estilo de branco diferente e muito interessante. Aguentou muito bem a idade que já tem.

Nota: 16

Carlos Amaro

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Altas Quintas Crescendo 2007

Vinho da zona de Portalegre, de vinhas situadas a cerca de 600 metros de altitude na Serra de São Mamede. Feito maioritariamente de uvas da casta Aragonez, com pequena percentagem de Trincadeira, Alfrocheiro e Alicante Bouschet.
Notas para a boa apresentação da garrafa e rótulo bem desenhado, proporcionando uma boa imagem.

Nariz vivo e fresco, com destaque para a fruta madura, especiarias e algumas notas vegetais, está bastante apelativo.
Na boca, confirma o perfil fresco e com bom equilibrio, novamente fruta madura, um toque de geleia, especiarias, mais notas de cacau no final, com a madeira a aparecer também, mas bastante subitl e bem integrada.
É um belo vinho, bastante guloso e fácil de gostar. Com um preço de cerca de 8,5€ é uma boa aposta nos vinhos desta gama média.
Nota: 16

Carlos Amaro

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Casa Girelli Primitivo Puglia 2001

É bastante raro beber vinhos italianos, sendo dos grandes países produtores, aquele que menor conheço.
Este vinho vem da zona de Puglia, que fica no sudeste de Itália.
A gama Virtuoso deste produtor é a sua gama de topo, de vinhos "raros" como eles lhes chamam, vindo de vinhas velhas, com produções pequenas (50 hl/ha).
A casta Primitivo é melhor conhecida como a casta Zinfandel, muito popular nos estados unidos.

É um vinho muito curioso, diferente de tudo o que já provei, provavelmente pelo comportamento da casta naquela zona de Itália.

Apesar dos seus 10 anos de vida, é um vinho de cor muito carregada, quase opaco.
No nariz é sedutor, impressões fortes de fruta, com notas de cerejas, bagas silvestres e ameixas pretas. De seguida surgem as especiarias, licor de fruta, compotas, algum cacau, numa combinação de aromas interessante que lembra uma loja de produtos finos.
Na boca é a compota e a cereja que surgem em primeiro plano mas com uma frescura que lhe dá um bom equilibrio e que impede que se torne enjoativo.
Em suma, gostei bastante do vinho. Deu-me vontade de conhecer mais sobres os vinhos italianos.
Nota: 16,5
Preço: ~18€

terça-feira, 12 de julho de 2011

Monte das Servas Colheita Seleccionada Branco 2009

Um vinho que eu já tinha tido oportunidade de provar numa visita à Herdade das Servas, e a que volto agora a provar em casa.
Bonita cor cítrica, a cair para o aloirado. Aromas a frutos tropicais bem maduros, com notas curiosas de mel, mas sem perder frescura.
Bela complexidade na boca, boa acidez, encorpado, novamente as notas meladas acompanhadas da fruta. Bom volume num final longo e fresco.
Gostei muito deste vinho, tornou-se presença assídua lá em casa, até pelo seu excelente preço.
Nota: 16,5
Preço: 7,5

Carlos Amaro

Castello D'alba Vinhas Velhas Códega do Larinho

Um vinho do produtor VDS, que a meu ver tem algumas das melhores relações qualidade preço do Douro, principalmente a nível de brancos, com o seu Castello D'Alba Reserva a ser um dos meus vinhos do dia a dia.

Neste caso o vinho é feito com uvas de Códega do Larinho provenientes de vinhas velhas plantadas a 550m de altitude no Douro Superior e fermentado em madeira.
Aroma complexo, com apontamentos de madeira, um belo carácter mineral, bem equilibrados com a fruta dos citrinos e algumas notas de frutos exóticos, e casca de laranja.
Bom equilíbrio na boca, com grande volume, aliado a uma bela frescura e acidez que lhe dá vivacidade.
Belo vinho, a um bastante bom preço.
Nota: 16.5
Preço: 10.50€

Carlos Amaro

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Brancos do Dão na Quinta das Bageiras


Foi no dia 17 de Junho, sexta-feira, que fomos jantar à Quinta das Bágeiras, com o pretexto de fazer uma prova de brancos do Dão.
O jantar esteve a cargo do sr. Simões, com uma entrada de ovas acompanhadas pelo espumante bruto natural colheita de 2009 das Bageiras que está bem bom, seguida de uma belíssima caldeirada, provavelmente a melhor que já comi.
Os vinhos seleccionados para esta prova foram todos de 2009, e todos à base da uva Encruzado, sendo alguns monocasta e alguns com outras uvas.

Começámos pelo Quinta dos Carvalhais - Encruzado 2009, que mantém o nível de qualidade relativamente ao 2007, sendo um vinho bem equilibrado, embora com alguma madeira a mais no nariz para o meu gosto.
Castas: 100% Encruzado
estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho francês
13,5º
~13€

Seguiu-se o Paço dos Cunhas de Santar - Vinha do Contador 2009, que apresentou um nariz mais intenso e complexo, talvez por levar outras castas no lote.
Muito elegante na boca, deixou uma boa recordação.
Castas: Malvasia, Cerceal, Encruzado
estágio de 8 meses em barricas de carvalho francês
14º
~20€

Quinta das Marias - Encruzado 2009, na versão com e sem barrica, provámos as duas e achei os vinhos muito parecidos, no fundo é o mesmo vinho com estilos diferentes, sendo o que levou barricas novas de carvalho francês um pouco mais elegante e complexo, e o outro mais arrebitado e com mais fruta. Dependerá do gosto e da ocasião a escolha de um deles, são ambos muito bons.
A versão sem barrica já tinha sido provada aqui.
Castas: 100% Encruzado
14º
~11€

Quinta dos Roques - Encruzado 2009, continua em grande forma relativamente ao 2008 que já nos tinha impressionado numa outra prova.
É um vinho muito mineral, com a madeira bem integrada de forma imperceptível, de grande equilíbrio, com um final longo e agradável.
Castas: 100% Encruzado
estágio de 7 meses em barricas de carvalho francês
13,5º
~11€

Entretanto a nossa prova foi invadida pelo vinho da casa Bageiras Garrafeira 2009 branco, que ainda não tínhamos provado, e também não destoou muito, sendo um vinho encorpado e muito aromático, acabou por ser um dos vinhos mais apreciados pelos presentes, mas arrumou com a nossa prova, no bom sentido.
Mais um grande garrafeira branco das Bageiras.
Castas: Maria Gomes, Bical
14,5º
~12€

Quinta da Pellada - Primus 2009, uma prova do Dão não podia deixar de ter um vinho de Álvaro de Castro.
Este vinho é feito com predominância de Encruzado e outras castas da vinha velha da Pellada. No nariz apresenta uma complexidade fora do vulgar, na boca é macio e fresco em simultâneo, intenso e elegante, com final de grande persistência. Um vinho de luxo, do melhor que o Dão tem para nos dar.
Castas: Encruzado e outras
13º
~30€

Finalizámos a prova com Julia Kemper 2009, foi talvez o vinho que apresentou o nariz mais exuberante, com muita fruta, flores, e mineral. Na boca é um vinho cordato e bem equilbrado.
Castas: Encruzado e Mavasia Fina, em quantidades iguais
13,5º
~10€

Segue a média das notas atribuidas por 14 provadores.

  • 17,0 Quinta das Bageiras Garrafeira branco 2009
  • 17,0 Quinta da Pellada - Primus 2009
  • 16,8 Quinta dos Roques - Encruzado 2009
  • 16,1 Quinta dos Carvalhais - Encruzado 2009
  • 15,8 Paço dos Cunhas de Santar - Vinha do Contador 2009
  • 15,6 Julia Kemper 2009
  • 15,0 Quinta das Marias - Encruzado 2009
Todos os vinhos selecionados para esta prova são vinhos que têm sido premiados e aclamados pela crítica, e pudemos confirmar que temos muito bons vinhos brancos no Dão.
No geral são vinhos muito aromáticos, com notas florais e minerais, encorpados, têm estrutura para envelhecer bem em garrafa, e são vinhos gastronómicos que precisam de um bom prato para brilharem.
A caldeirada do sr. Simões acompanhou de forma maravilhosa estes vinhos, e depois ainda veio uma açorda feita com a água da caldeirada, que estava simplesmente divinal.

No meio disto ainda se provou o vinho branco Bageiras Colheita 1994, que com os seus 17 anos ainda está para durar, com uma frescura incrível, a fazer lembrar um bom vinho verde.

No final ainda provámos o abafado das Bageiras, que está cada vez melhor, enquanto comíamos um pão de ló à sobremesa.

Após uma passagem pela loja, lá fomos embora um pouco entornados, mas sem incidentes.

3 nos copos, da esquerda para a direita: Frederico Santos, Carlos Amaro, Mário Rui Costa

sábado, 11 de junho de 2011

Contagem decrescente para a prova "Brancos do Dão"...

É já na próxima sexta-feira, dia 17 de Junho. Uma vez mais no "nosso" espaço predilecto, a Quinta das Bageiras onde o Mário Sérgio e o grandioso chef Senhor Simões nos vão receber com um robalo no forno.

Para ir criando água na boca, aqui fica a lista de vinhos em prova:

  • Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2009;
  • Quinta dos Carvalhais Encruzado 2009;
  • Quinta dos Roques Encruzado 2009;
  • Quinta das Marias Encruzado 2009;
  • Júlia Kemper 2009;
  • Quinta da Pellada Primus 2009;
São todos de 2009, três varietais de Encruzado, um de lote com Malvasia, Cerceal e Encruzado (Vinha do Contador), um com Malvasia e Encruzado (Julia Kemper) e um outro com predominância de Encruzado num lote com muitas outras castas oriundas de vinhas velhas (Primus). Ah, e todos com carvalho francês a entrar no processo...

Falando dos produtores, cruzamos propostas de produtores tradicionais com outras de produtores recentes e no meu entender algo "fora da caixa" como é o caso da Julia Kemper.

Venha a prova abrir para todos o maravilhoso mundo dos brancos do Dão, tendo eu a certeza que o robalo do Senhor Simões estará pelo menos à altura dos vinhos em prova.

Boas provas,

Mário Rui da Costa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quinta dos Termos - Beira Interior

Foi na sexta, dia de Portugal, que nos deslocámos à Quinta dos Termos, perto de Belmonte.
Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.
A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho compensam no resultado final.
Tem muita variedade de uvas, com vinhas bem delimitadas, podendo-se perceber na paisagem nuances de tons de verde entre parcelas distintas.
Os solos são graníticos e ricos em sílica.


Visitámos a adega, bem equipada com grandes cubas inox com os lotes identificados, onde podíamos encontrar Touriga Nacional, Tinto Cão, Rufete, Tinta Roriz, Baga, e até Vinhão, uma uva inesperada da região do Vinho Verde, entre muitas outras.


Na cave de estágio são usadas pipas de carvalho francês Allier, com um tempo de vida de cerca de 4 anos.
Ainda passámos pela secção de engarrafamento, e seguimos para a sala de provas, onde tínhamos a gama de mais de 20 vinhos comercializados pela casa à disposição, e nos esperava uma mesa com queijo, presunto, e chouriço e morçela assados. Seguiu-se a prova comentada pelo sr. João Carvalho, proprietário da quinta.


Reserva do Patrão Branco 2010
A casta mais utilizada é o Verdelho.
Côr pálida. Nariz intenso com aromas de fruta , ervas, mineral. Na boca é elegante, encorpado, de final muito longo com ligeiro picante.
Nota: 16,5

Fonte Cal Branco 2010
Nariz menos exuberante, com notas mais herbáceas e menos frutadas. Bem equilibrado na boca, mais encorpado que o anterior, com um bom final.
Um vinho mais gastronómico.
Nota: 16,5

Rosé 2009
Baga
De côr algo carregada para um rosé a fugir para o grená, tem um bom nariz, e a boca está no ponto, nem demasiado suave nem demasiado pesado, bom equilíbrio. Final curto.
Um bom rosé.
Nota: 16

Quinta dos Termos Tinto DOC 2009
De côr ruby opaca, nariz intenso, com notas de frutos silvestres, boca bem equilibrada com ligeiro tanino, final prolongado. Muito bom tinto para o dia a dia.
Nota: 16,5

Vinhas Velhas 2006
Reserva, tem 50% Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, e Sirah de vinhas novas.
Côr ruby, nariz muito complexo, frutos silvestres, tostados, couro.
Boca muito equilibrada, com um grande final.
Nota: 17

Garrafeira 2004
50% Trincadeira
Côr muito intensa para um vinho com 7 anos, nariz mais intenso e complexo que o anterior.
Boca muito rica e concentrada, com um final enorme.
Nota: 17,5

Tinto Cão 2008
Côr muito escura, nariz suave com notas de tabaco, na boca é intenso mas polido, com um final adstringente. Um bom vinho para guardar.
Nota: 16

Reserva do Patrão 2008
100% Sirah
Côr opaca, de nariz complexo, frutado e mineral. Boca muito correcta, final longo com ligeiro picante.
Nota: 17

O Pecado de Virgílio Loureiro 2007
Chama-se pecado por ter sido feito com uma casta estrangeira: Sangiovese.
Um vinho com o mesmo perfil do anterior, mas mais elegante, mais magro na boca, com um final interminável.
Nota: 17,5

Tinta Roriz 2006
Nariz suave, boca macia com final moderado.
Muito elegante.
Nota: 16

Em suma, os vinhos provados eram todos de grande qualidade, sobressaindo para o meu gosto, o Garrafeira 2004 que ainda está para durar, e o Pecado 2007 por ser um vinho diferente e muito bem conseguido.
É de realçar a hospitalidade beirã com que nos receberam, acabámos por demorar mais do que o previsto por nos tratarem tão bem.
Bem hajam.

Frederico Santos

sábado, 7 de maio de 2011

Another Big Day @ Quinta de Napoles - Baga Friends




Foi no passado dia 30 de Abril, logo pela manhã que chegamos à Quinta de Nápoles para mais um evento fantástico organizado pela Niepoort.

Desta vez o evento tinha como nome Baga Friends, acabando por juntar aos produtores bairradinos também alguns produtores estrangeiros representados na Niepoort Projectos, bem como os Douro Boys.


Referindo os produtores que lá estavam, dos Baga Friends estavam representados Filipa Pato, Luis Pato, Quinta das Bageiras, Kompassus, Quinta da Vacariça, Sidónio de Sousa e ainda os Vinhos do Bussaco.

Do Douro, havia para além da Niepoort, Quinta do Vallado, Quinta do Vale Meão, Quinta do Crasto e Vale D. Maria.

De estrangeiros representando os Projectos, estavam alguns dos grandes nomes da Borgonha como Rousseau, Roulot, Pillot, os Champagnes Legras, os grandes brancos de Fritz Haag e Schloss Gobelsburg e o carismáticos espanhóis Telmo Rodriguez e Raul Perez.






À chegada, seguimos logo para a sala de recepção, um belo edifício onde se distribuíram os dísticos com o nome dos convidados e um copo de prova a cada.

Por baixo desse edifício, acede-se a uma mini "cave" climatizada muito interessante, feita pela Cave do Vinho.



Depois da recepção e já munidos de copo, fomos então para as provas, que tiveram lugar na adega, onde estavam montados os stands dos produtores, junto a pipas e pipas de vinho.





Dos vinhos provados alguns destaques:



Nos Baga Friends:

- Sidonio de Sousa Garrafeira 2005: um grande garrafeira, com uma elegância enorme a provar que um bom baga não tem de ser bruto quando jovem

- Vinha Barrosa 2001: um vinho que está cada vez melhor com o passar dos anos

- Vinha Formal 2005: grande branco, ainda com mais uns bons anos pela frente

- Bussaco: primeira prova destes vinhos, comprovaram o estatuto que têm, com Os brancos a mostrarem-se belíssimos.



Estes vinhos do Bussaco apenas se podem provar nos hoteis Alexandre de Almeida, e são realmente muito bons.

Os brancos (provados o 2001, 2003 e 2007) têm uma elegância fora do comum.

O 2001 impressionou-me especialmente, com um aroma fantástico de pessego, mel frutos secos, tudo muito complexo, tendo igualmente uma prova de boca excelente, com uma acidez a balancear bem o mel, frutos secos e notas de madeira.

Nos tintos (provados o 2001 L, 2001 VV, 2004 e 2006) mais uma vez o 2001 foi o meu favorito, neste caso o vv.



Nos Douros:

- Vale Dona MAria 2009 e CV 2009: dois vinhos de 2009 em amostra de casco a indicarem que este ano será realmente fantástico

- Niepoort Robustus 2007: afirma-se como o meu favorito do mundo Niepoort

- Crasto Touriga Nacional2009

- Vallado Touriga Nacional 2009



Nos Estrangeiros:

- Schloss Gobelsburg Riesling Heiligenstein 2004: grande vinho, com aromas a mel, fumados, e uma acidez incrível

- Clape Cornas 2007 na banca dos Projectos

- Armand Rousseau: vinhos Pinot Noir da Borgonha de grande nível, todos eles, com o Chambertin Grand Cru de tirar o fôlego. Grande, grande vinho, talvez o melhor de todo o dia.

- Domaine Roulot: Mersault "Les Tillets" e Mersault "Meix Chavaux" - brancos fabulosos, com grande mineralidade

- Champagne Legras: Presidence 2002 e Evanescence 2002

- Raul Perez: Ultreia 2008 e El Pecado, grandes vinhos, opulentos, cheios de garra e enorme frescura



Depois de todas estas provas, passamos para a parte superior à adega para o almoço, também ele de grande nível.

Logo no topo das escadas surgiram umas ostras, que fizeram boa companhia o Tiara 2009.

Na zona do almoço, várias mesas com vinhos Niepoort e não só que acompanharam bem a comida preparada pelo Chef Rui Paula do DOC.



Começou-se por uma açorda de robalo que estava optima, tendo-se seguido uma coxa de pato confitada sobre espargos e puré, com molhos de trufas. A coxa de pato estava simplesmente divinal, com a carne no ponto optimo, um optimo puré e o toque das trufas e ajudar ao brilho do conjunto.

Nos vinhos bebidos nesta fase destaque para um Redoma 1996 em Magnum e para o Quinta do Vallado Reserva 2004. Ambos fantásticos.



Para a sobremesa, seguimos para o ar livre, onde para além de uma mesa com uma série de doces (incluindo uns macarrons viciantes), a sobremesa era

um cilindro de maçã crocante com canela e gelado.

Nos vinhos para a sobremesa, destque para um Moscatel 1977 da Nieport, directo de uma demijon. Excelente.







Foi um grande evento, com a marca de simpatia e qualidade Niepoort.

Organização impecável, produtores simpáticos e prestáveis, grandes vinhos, comida e catering de grande nível, tudo aliado a um ambiente geral excelente.

Em resumo, um dia magnífico, com provas de grande nível.



Um grande obrigado à Niepoort por organizar eventos destes e principalmente por nos receber tão bem.



Carlos Amaro

sábado, 23 de abril de 2011

Quinta dos Frades Grande Reserva Tinto 2008

Ontem tive o prazer de degustar um fantástico vinho do Douro, uma vez mais da autoria de Anselmo Mendes e João Silva e Sousa. Tal como o nome indica, o vinho resulta da vinificação de vinhas velhas da Quinta dos Frades, a mesma quinta que deu origem a outros dois vinhos que conheço bem e que aprecio bastante para a gama a que se destinam, o "Vinha dos Deuses" e o "Lua Nova em Vinhas Velhas", ambos feitos com as vinhas velhas da quinta. Sobre este este ultimo já escrevi neste blog, é um dos meus vinhos de eleição para o dia a dia e a um preço bem cordato.

A prova deste vinho aconteceu em circunstâncias particulares, a acompanhar um prato de bacalhau de um menu de degustação do restaurante Pedro Lemos (uma experiência gastronómica de elevadíssimo nível, já agora...), onde este vinho acompanhou em perfeição o prato, sendo um complemento perfeito para a harmonia de aromas e sabores do mesmo. Competentíssimo trabalho de escanção, não só por esta combinação...

Focando no vinho, garanto-vos sem qualquer presunção que se não o soubesse com antecipação seria capaz de se o identificar como sendo da dupla Anselmo Mendes e João Silva e Sousa. Exibe uma matriz, um perfil aromático e uma estrutura que começam a ser uma marca de identidade.

Grande volume e estrutura, taninos bem presentes mas redondos quanto baste, enorme intensidade mas elegante e com uma frescura fantástica, o que para um vinho com os atributos descritos não é fácil de conseguir.Final longo e persistente.

No nariz exibe notas de fruta preta bem madura muito bem combinada com notas de terra molhada e algum couro conferindo complexidade.

Um grande vinho, de uma quinta que começa a dar que falar e que aconselho vivamente.
Classificação: 18,5/20.

Boas provas...

Mário Rui Costa

sábado, 9 de abril de 2011

Visita às caves Messias e Graham's

Foi no dia 9 de Abril que fomos a Gaia numa visita organizada às caves. Messias de manhã, e Graham's à tarde.

Messias
Na Messias, visitámos vários edifícios, onde o espaço não abundava, atulhados de pipas, balseiros, garrafas. Tinham lá umas pipas interessantes de colheitas antigos, o Lança 1950 chamou-me a atenção. Estão a recomeçar a investir no vinho vintage, com o 2005, 2007, e provavelmente 2009. As uvas usadas nestes vinhos vêm de 3 quintas principais: do Cachão, do Rei, e do Rodo, sendo as quintas do Cachão e do Rei coladas.
Fizemos a prova numa sala alta com vista para o Porto.

Messias Vintage 2007
côr opaca ruby escura
nariz silvestre, cogumelos, chocolate
boca intensa, bem equilibrada
moderadamente longo

Messias Vintage 2003
côr opaca ruby
nariz com fruta madura, ervas
boca ligeiramente mais taninosa, mais magro
final mais longo

Messias Vintage 1984
côr ambar
nariz complexo, frutos secos, especiado
boca sedosa, algo acoólica
final longo, com ligeiro picante

Passámos em seguida para os tawnies com indicação de idade e colheitas.

Messias Tawny 10 Anos
côr ambar alaranjada
nariz tímido mas complexo
boca equilibrada, algo doce
final longo, picante

Messias Tawny 30 anos
côr mais clara, aloirada
nariz mais complexo, mas suave
boca elegante e sedosa
final muito longo

Messias Colheita 2000
côr ambar avermelhada
nariz complexo, mais fresco e exuberante, fruta madura
boca suave e rica
com longo final
bastante evoluído para a idade

Messias Colheita 1991
côr alaranjada
nariz muito intenso
boca muito equilibrada
final muito longo

Messias Colheita 1985
côr ambar, reflexos amarelados
nariz mais intenso, nozes
boca com alguma acidez a sobressair, melado
final bem longo

Messias Colheita 1977
côr aloirada, a fugir para o castanho, reflexos verde claro
nariz complexo e elegante, caramelo
boca muito elegante, com vinagrinho
final interminável, pica atrás da garganta

Messias Colheita 1963
côr ambar acastanhada, com reflexos esverdeados
nariz mais químico, cola branca
boca muito sedosa, grande acidez
grande final, dura e dura...

Provámos assim 9 vinhos, 3 vintages e 6 tawnies, dos quais destacaria os colheitas de 1977, 1963, e 1991, e também o vintage 2007. Muito bons vinhos. O colheita 1977 excelente.

Almoçámos bem no restaurante Porto Ibérico, perto da Graham's, onde curiosamente todos bebemos água (éramos 12), pois já sabíamos que a tarde prometia e não queríamos estragar o palato.

Graham's
Seguiu-se a visita às caves Graham's, do grupo Symington, acompanhados pelo simpático Raul, que com o seu entusiasmo nos ia contando histórias da casa, que tem 7 milhões de litros de vinho do porto armazenados naquelas caves, o maior stock do mundo.
Este grupo dispõe actualmente de 25 propriedades no Douro, correspondendo a 1300 ha de vinha, que são utilizadas para as marcas Graham's, Dow's, Warre's, Quinta do Vesúvio e Cockburn's.
Passeámos pela impressionante garrafeira de vintage da Graham's, onde repousam muitos milhares de garrafas, desde 2007 até 18...
A prova foi realizada ao balcão, com o barman Raul a ir servindo com orgulho as garrafas que tinham sido abertas previamente, tendo-nos sido disponibilizado um copo para cada uma. O balcão tem uma faixa de luz branca que por baixo dos copos dá para ver bem as diferenças de côr. Tratamento de luxo.

Começámos logo pelo Graham's 30 anos
côr aloirada, caramelizada
nariz complexo, suave, frutos secos
boca muito bem equilibrada
final muito longo

Graham's 40 anos
côr equivalente
nariz mais complexo, mas menos exuberante, mais elegante
boca mais melada
final menos longo

Warre's Colheita 1937
(utilizado no Optima 20 anos, não se encontra à venda)
côr mais acastanhada
nariz intenso, madeira, especiarias, iodo
na boca mostra uma acidez incrível
final interminável

Graham's Colheita 1961
(amostra engarrafada há duas semanas, edição limitada)
côr aloirada acastanhada
nariz modesto, elegante
boca correcta
final longo

Passámos em seguida para os vintages, os melhores vinhos da casa segundo o nosso anfitrião.

Graham's 1963
côr ambar, ainda com tons de vermelho
nariz complexo, fruta passada
boca muito sedosa, ainda com o alcool presente
final mais longo de todos, nunca mais acaba

Graham's 1970
côr ambar
nariz complexo, fruta madura, passa
na boca sobrepõe-se o alcool
final muito longo

Graham's 1980
côr ruby clara
cheira a vindima, a adega, a fruta ainda fresca, marmelo
boca equilibrada, ainda fresca
final moderado

Vesúvio 1994
côr ruby
nariz exuberante, muita fruta
boca mais vínica, muito rico e equilibrado
final enorme, entranha-se nas gengivas

Graham's 2003
côr retinta opaca
nariz frutado, achocolatado
taninos bem polidos
bom comprimento

Vesúvio 2008
côr roxa opaca
nariz bomba de fruta
muito concentrado na boca
bom final

De destacar, por esta ordem: Warre's colheita 1937, Graham's Vintage 1963, Vesúvio 1994, Graham's 30 anos.

Calhou neste dia provar dois vinhos do ano mítico de 1963, talvez o melhor ano de porto do século passado, vinhos estes que se começam a aproximar dos 50 anos de idade. São mesmo muito bons, sobretudo pelo seu final de boca interminável. Mas para mim a estrela do dia foi o Warre's colheita 1937, um vinho enorme em todos os aspectos.


Grato ao Portuguese WineBloggers pela organização, e às caves Messias e Graham's que nos receberam tão bem, dando-nos a provar alguns dos seus mais preciosos nectares.

Bem hajam.
Frederico Santos

domingo, 13 de março de 2011

CHANSON PÈRE & FILS - BORGONHA O TERROIR DOS MELHORES BRANCOS DO MUNDO

Mais uma prova inserida na Essência de Vinho, neste caso uma prova de brancos da Borgonha, da casa Chanson Père & Fils.
Não conhecia nada dos vinhos desta casa, adquirida em 1999 pela Bollinger, mas o que posso dizer é que esta prova foi um excelente final para a Essência.
Grandes vinhos que me deixaram com vontade de conhecer ainda mais sobre a Borgonha e sobre este produtor em particular.

Os vinhos da Borgonha dividem-se em 4 classificações, que são as seguintes, ordenadas em crescendo na qualidade:
- Regional: Vinhos que podem levar uvas de toda a região da Borgonha.
- Village (ou Comunal): vinhos feitos com uvas de uma localidade especifica, e que podem ter uvas de várias vinhas diferentes, ou só de uma vinha sem classificação
- Premier Cru: vinhos produzidos de uma vinha especifica, que tenha a classificação de 1er Cru
- Grand Cru: produzidos de vinhas com a classificação Grand Cru, é a qualidade mais alta e representa apenas 2% do vinho produzido

Nos vinhos da Chanson, 25% da produção é garantida por vinhas próprias, sendo o resto adquirido a pequenos produtores do rendilhado que é a vinha na Borgonha.
É um produtor de média dimensão, com uma produção de 900000 garrafas/ano distribuidas por cerca de 130 referências.
Os vinhos foram provados em 4 flights, cada um com um par de vinhos de uma mesma zona.
Todos os vinhos eram 100% Chardonnay, como é tradicional na Borgonha.

1º flight:
Chablis 2008
Grande acidez no ataque de boca, alguma fruta e muita mineralidade. Vinho pouco marcado pela madeira, é muito fresco. Belo final.

Chablis Montmains Premier Cru 2008
Notas herbáceas no nariz e aromas a citrinos. Na boca é ainda mais mineral que o vinho anterior. Maior complexidade e final longo. Muito bom vinho.

2º flight:
Mersault 2007
Aroma mais gordo, com a madeira a fazer-se notar mais, fruta, especiarias. Gordo também na boca, amanteigado, mas mesmo assim continua com uma frescura dada pela bela acidez e mineralidade.
Muito volume na boca, é muito persistente.

Mersault Perrieres premier cru 2007
Nariz fantástico, mineral, fruta madura. Ainda um pouco fechado pela sua juventude, mas nota-se já o grande vinho que é.
Grande elegância, acompanhada por uma mineralidade e frescura fantásticas. Final muito longo.

3º flight:
Puligny Montrachet Les Champs Gain Premier Cru 2004
Aqui entramos em vinhos já com idades em que começam a mostrar o melhor da Borgonha.
Aroma muitíssimo sedutor, fruta cristalizada, especiarias, tostados da madeira.
Enorme volume de boca, é encorpado, amanteigado, e o incrível é que não perde nunca a frescura. Grande final.
Adorei este vinho.

Puligny Montrachet Hameau de Blagny 2004
Esta vinho dita apenas 30 metros da vinha anterior, e no entanto as diferenças são notórias, o que mostra a particularidade da Borgonha.
Comparado com o anterior é mais mineral, com notas de espargos, alcaparras. Menos gordo, madeira a mostrar-se menos. Belíssima frescura e um comprimento de boca enorme.

4º flight:
Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2007
Nariz muito fechado, pela sua juventude. Bastante vegetal, acidez muito viva.
Na boca tem bom volume, notas de citrinos e bela acidez. É muito elegante e termina longo.
Precisa de alguns anos para mostrar todo o potencial.

Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2004
Vinho enorme.
Aromas a brioche,quase como um champanhe velho, fruta cozida, mas também muito mineral.
Grande estrutura, untuoso. Um corpo de veludo apoiado numa frescura e mineralidade fantásticas. Termina muito longo, talvez o mais longo em prova.
Para mim foi o vinho favorito.

Como informação adicional. os preços dos vinhos provados situavam-se entre os 15€ e 25€ para os Chablis, depois sobe para os 30€ no Mersault, e todos os outros Premier Cru andam à volta dos 46€ (excepção do Perrieres que custa perto de 60€).
São preços que não sendo propriamente baratos, pela qualidade apresentada penso que vale bem a pena um esforço para ter alguns deste vinhos na garrafeira.

Carlos Amaro

sábado, 12 de março de 2011

ANDRESEN - Prova Vertical de Colheitas Inesquecíveis

1997, 1995, 1992, 1991, 1982, 1980, 1975, 1970, 1968, 1963, 1937, 1919, 1900...

Este post foi dos mais dificeis de escrever até hoje. Comecei e recomecei uma série de vezes e nunca me parecia bem.
A dificuldade criou-se porque numa prova desta qualidade torna-se dificil descrever tudo o que foi provado e sentido. Foi algo realmente inesquecível.

A prova foi efectuada no dia 5/03 durante a Essência do Vinho, na sala dos retratos. Deste blog estivemos presentes eu e o Frederico.

Fui para esta prova com expectativas muito elevadas e com a noção de que dificilmente voltaria a ter oportunidade de provar muitos destes vinhos, já que vários sendo autênticas raridades, ficam fora de alcance da maioria das bolsas.
E o que posso dizer é que as expectativas foram mais do que superadas. Na realidade foi um turbilhão de experiências gustativas que fica na memória e torna-se difícil de descrever.

Passando aos vinhos, segue a descrição possível.
De notar apenas que todos os vinhos foram engarrafados para o evento, com excepção do 1937, que foi engarrafado em 1980.
São assim vinhos que têm todos estes anos passados em barrica.

1997
É um colheita ainda muito novo, não tendo ainda muitas das características típicas de um tawny com idade. Aroma com alguns frutos secos, apresentando ainda notas de compota, alguma fruta fresca e notas balsâmicas.
Está muito vigoroso e fresco. Na minha opinião mostra qualidades que permitirão vir a ser um grande colheita.
Carlos:17

1995
Menos exuberante do que o anterior, é um vinho com grande elegância e frescura.
Aromas a frutos secos, casca de laranja e algum floral. Notas iodadas. Final longo.
Carlos: 16.5

1992
Aqui já começam a surgir as características mais típicas dos colheitas. Notas iodadas, frutos secos, nozes, bela acidez, a dar-lhe frescura.
Algum caramelo na boca, com notas balsâmicas a ajudarem à complexidade. Muito bom.
Carlos:17

1991
A complexidade aromática continua a subir. Os frutos secos estão lá, mais notas balsâmicas, casca de laranja.
Muito glicenerado, excelente acidez, é um vinho extremamente elegante, com grande volume de boca. Grande final.
Muito bom vinho. O que gostei mais dos da década de 90.
Carlos: 17.5

1982
Mais um vinho de grande elegância, notas dominantes de frutos secos, notas de mel e especiarias. Muito boa acidez.
Vinho muito apelativo e fresco, final longo.
Carlos:17

1980
Daqui para frente os tons de cor começam a ficar mais acastanhados.
Aroma muito vivo, notas de caramelo e especiarias, frutos secos. Muito sedutor.
Grande boca, untuoso, quase mastigável. Enorme estrutura. Muito fresco e com um longo final.
Carlos: 18

1975
Adorei este vinho. O mais elegante de todos em prova (talvez tirando o 37).
Muito boa acidez, delicado, floral, laranja cristalizada e frutos secos.
Final longo, e elegantíssimo.
Carlos: 18

1970
A partir daqui é que as coisas começam mesmo a ficar especiais. Vinho fantástico. Já mais escuro na cor.
Bastante exuberante e apelativo no nariz, com notas de caramelo e frutos cristalizados.
Boca fantástica, muito potente, grande estrutura e muito guloso. Grande persistência.
Carlos:19

1968
Neste vinho impressiona a potência e complexidade.
Muitas especiarias, aroma a tabaco. Na boca é mais gordo, muita potência e intensidade, mas com uma acidez e frescura que suporta muito bem toda essa intensidade.
Vinho excelente
Carlos: 18.5

1963
Vinho fabuloso! Concilia potência e equilíbrio de forma fantástica.
Se não soubesse que estava a provar um 63 daría-lhe menos uns 20 anos.
No nariz é uma explosão aromática. Frutos secos, especiarias, caramelo.
Boca muito complexa, untuoso e muito fresco. Final interminável. Talvez o segundo vinho que mais gostei na prova
Carlos: 19.5

1937
Um vinho muito diferente dos restante, visto ter já 30 anos em garrafa.
Estes anos em garrafa deram-lhe uma elegância sem par nos outros colheitas.
Vinho muito fresco, notas a laranja cristalizada, caramelo, com uma boca muito delicada, grande frescura e acidez. Final muito longo.
Um estilo de que fiquei fã, mostra que um bom colheita pode evoluir, e bem em garrafa.
Vinho fantástico.
Carlos: 19

1910
Já muito tinha lido sobre este vinho, quando do seu engarrafamento para comemorar o centenário da república, e o que posso dizer é que foi talvez o melhor vinho que já provei até hoje.
Tem uma cor já castanho escuro, brilhante.
Ao chegar o copo ao nariz mostra uma complexidade aromática invulgar. Impossível de descrever tudo o que passa pelo nariz. A cada minuto que passa surgem novos aromas e novas camadas de complexidade. Resinas, fruta cristalizada, especiarias, balsâmicos... impossível descrever tudo.
Muito gordo na boca, com uma frescura impressionante e depois parece que não termina. É um vinho sempre em crescendo.
Absolutamente incrível.
Carlos: 20

1900
Aqui já não queria saber de muito. 1900! O que dizer de um vinho de 1900!?
Aroma incrível, a melaço, resinas, especiarias, caramelo. Fica no entanto batido pelo 1910 em termos de frescura e elegância.
Muito gordo na boca, mas com uma excelente acidez, que indica poder ainda viver por bastante mais tempo. Muito guloso e final muito longo.
É uma vinho em grande forma para a idade, tenso sido apenas prejudicado por ter sido provado após o 1910. Sem o vinho anterior teria com certeza brilhado a maior altura.
Carlos: 19.5

Em resumo, uma prova inequecível, com colheitas para todos os gostos.
Na minha opinião, o grande vinho da prova foi o 1910, com uma complexidade, potencia, elegância e equilíbrio difíceis de igualar. Um vinho perfeito.
Logo a seguir viria o 1963. Olhando a potência, o ganhador seria certamente ele. É um grande vinho, e será talvez capaz de envelhecer com a majestade do 1910, ou até superá-lo.
Infelizmente já não se encontra à venda.
Não menos interessante é o 1900. Provar um vinho com mais de 100 anos é uma experiência única.

Resta-me deixar um agradecimento à Andresen, por ter tornado possível uma prova deste nível, com vinhos que são muitos deles verdadeiras raridades.

Carlos Amaro

sexta-feira, 4 de março de 2011

Espumantes tintos - Lampreia nas Bágeiras

Foi no dia 4 de Março que nos deslocámos à Quinta das Bágeiras, para um jantar de lampreia cozinhada pelo sr. Simões.
Aproveitámos para fazer uma pequena prova de espumantes tintos, coisa que raramente temos oportunidade de beber.
A lampreia estava óptima, talvez a melhor que já comi, sendo o arroz de cabidela feito à parte, juntavam-se as postas de lampreia já cozinhadas no prato, para não ficarem empapadas na cozedura do arroz. Para sobremesa ainda tivemos direito a um gelado caseiro delicioso, acompanhado pelo abafado da casa que está cada vez melhor.
Quanto aos cinco espumantes tintos que acompanharam muito bem o arroz de lampreia, confesso que tive muita dificuldade em pontuá-los por falta de referências, mas o principal era mesmo a lampreia e o convívio, sendo a prova vínica apenas uma desculpa para ficarmos a conhecer melhor alguns espumantes tintos.

A média de pontuações atribuída pelos 10 votantes foi:
  • 15,25 - Terras do Demo 2008
  • 14,7 - Quinta das Bágeiras 2006
  • 14,68 - Quinta da Mata Fidalga 2008
  • 14,56 - Murganheira 2006
  • 13,31 - Sidónio de Sousa 1999
No geral, agradou mais o Terras do Demo, um espumante feito de Touriga Franca, e agradou menos o Sidónio de Sousa, feito de Baga.
Pessoalmente, gostei mais do Sidónio e do Bágeiras que eram mais brutos, sabiam mais a vinho. O Murganheira e o QMF eram mais elegantes, e o Terras do Demo era mais intenso mas demasiado frutado para o meu gosto.

Foi um belíssimo jantar, muito bem disposto, e sempre ficámos a conhecer mais uns vinhos.
Ficou prometido para breve um robalo assado, que vai servir de desculpa para uma prova de brancos do Dão. Também se falou num coelho com amêndoas, que não perderá pela demora. Quando fôr o sr. Simões a cozinhar podem sempre contar comigo.

Frederico Santos

quinta-feira, 3 de março de 2011

Vertical de Chryseia

Foi na abertura da Essência do Vinho 2011, no dia 3 de Março, que participei nesta prova vertical de Chryseia, realizada no salão árabe do Palácio da Bolsa, com a apresentação de Charles Symington e Bruno Prats.
O nome Chryseia vem do grego antigo, onde significa douro ou dourado. É portanto um vinho tinto do Douro, feito com uvas seleccionadas das muitas propriedades da família Symington, ligada ao vinho do porto há muitas gerações. É este leque de boas vinhas aliado à enologia de Bordéus da família Prats que o torna um vinho único e emblemático.
Tratam-se de vinhos muito completos e de grande afinação, que estagiam em pipas grandes (400L) de madeira nova (carvalho francês), e cujas castas principais são a Touriga Franca e a Touriga Nacional.
A determinada altura foi feita a comparação por Bruno Prats, entre o par Cabernet Sauvignon e Merlot de Bordéus, com o par Touriga Franca e Touriga Nacional do Douro.
A prova foi apresentada em inglês, e foram servidos os vinhos de 2001 a 2008 (excepto 2002).

Chryseia 2001
Côr ruby clara, nariz discreto e complexo, herbáceo, algo químico.
Boca suave e elegante, ainda muito fresca.
Este levou 31% de Tinta Roriz, casta esta que não voltou a ser usada no vinho nas suas edições posteriores.

Chryseia 2003
Côr ligeiramente mais carregada, mas ainda suave.
Nariz equivalente, mas ligeiramente mais frutado.
Boca mais elegante.
Final muito longo.
Levou 60% de Touriga Franca, uma uva difícil de amadurecer que só foi vindimada em Outubro.

Chryseia 2004
Côr equivalente ao anterior.
Nariz no mesmo registo, mas com ligeiro chocolate.
Na boca apresentou mais estrutura e potencial de envelhecimento.
Final muito persistente.

Chryseia 2005
Côr equivalente ao anterior.
Nariz mais especiado.
Boca ligeiramente mais frutada e redonda.
Menos taninos que o anterior, mas ainda presentes.
Final longo.
Foram introduzidas neste vinho pela primeira vez uvas da Quinta da Perdiz, cerca de 40%.

Chryseia 2006
Côr equivalente.
Nariz mais complexo que os anteriores, especiarias, chocolate.
Boca ligeiramente taninosa, mas suave, equivalente ao 2004.
Final muito longo.
As uvas usadas neste vinho vieram quase todas da Quinta do Vesúvio.

Chryseia 2007
Côr equivalente.
Nariz mais achocolatado, couro, cogumelos.
Boca mais redonda, com ligeiro picante no final muito longo.
Foi comentado pelo enólogo que as uvas neste ano ficaram perfeitamente amadurecidas, o que tornou este vinho muito rico.

Chryseia 2008
Côr ligeiramente mais carregada que o anterior.
Nariz menos espectacular mas mais elegante, especiado.
Boca voltando ao registo químico dos primeiros anos, de grande equilíbrio.
Final longuíssimo.

Todos os vinhos estavam num patamar de qualidade muito elevado, sendo apenas uma questão de gosto decidir se um é melhor que o outro. Daria a todos uma pontuação entre 18 e 18,5.
Também de salientar que os vinhos mais recentes me agradaram ligeiramente mais que os primeiros, o que me faz crer que o vinho está cada vez melhor de ano para ano.
Se tivesse de escolher um talvez fosse o 2006, que tinha qualquer coisa que o distinguia pela positiva, embora 2007 e 2008 também sejam vinhos que me entusiasmaram muito.

Frederico Santos

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Soalheiro Primeiras Vinhas 2008


Este produtor desde há alguns anos que é uma das minhas referências no que a vinhos brancos portugueses diz respeito.
Então desde que há uns anos para cá lançou esta nova marca Primeiras Vinhas, e também o Reserva, estes vinhos entraram directamente para o que melhor se faz por cá em termos de brancos.
Já tinha gostado muito da versão 2007, mas esta Soalheiro Primeiras Vinhas 2008 está ainda um degrau acima.

Nariz muitíssimo sedutor, muito mineral, fresco, com fruta tropical e citrinos mas sem exageros, grande elegância, e um toque vegetal de erva fresca a aumentar à complexidade.
Em termos de boca está excelente, toques citrinos, especiarias, a mineralidade a vir ao de cima, grande elegância, com uma acidez crocante. Final de grande frescura e complexidade.

É um vinho que de ano para ano tem vindo a melhorar, e que integra claramente a minha lista de brancos preferidos.

Nota: 18
Preço: 17€

Carlos Amaro

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Prova Vale de Pios

Esta prova foi proporcionada pelo produtor Vale de Pios, que teve a amabilidade de enviar para este blog uma garrafa de cada um dos vinhos que constituem actualmente a sua gama: Vale de Pios, Pios e Excomungado.
Os vinhos foram provados apenas por mim e pelo Frederico, uma vez que o nosso colega de blog Mário Rui teve uma impossibilidade de última hora que não permitiu que se juntasse a nós no dia que seleccionamos para a prova.
Passando aos vinhos, segue a nossa impressão da prova.

Excomungado 2008
Vinho de entrada de gama do produtor.
Preço: 5€

Carlos Amaro - 16
Vinho exuberante no nariz, com notas de frutos vermelhos e algum floral, com a característica da touriga nacional a sobrepor-se.
Muito equilibrado na boca, taninos suaves e sem arestas, frutado muito agradável.
É um vinho que não teve madeira, num estilo mais directo, mas que tem ainda assim
alguma complexidade e está muito bem feito. Belo vinho mais para o dia a dia e para beber desde já.

Frederico Santos - 16
Um vinho franco e despretensioso que me agradou muito.
Tem a vantagem de ter apenas 12,5º.
A título de curiosidade, o nome "Excomungado" deve-se ao facto de este vinho não ter estagiado em madeira.

Pios 2007
Vinho resultante de lote de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, e com
18 meses de barrica.
Preço: 11€

Carlos Amaro - 17
Aroma de maior complexidade, frutos do bosque, especiarias, alguma tosta da madeira onde estagiou, e um floral agradável a surgir um pouco depois.
Excelente na boca, bastante encorpado, com a fruta bem equilibrada com a madeira e algumas notas de especiarias apimentadas. Acidez e taninos no ponto certo, para um belíssimo conjunto de final longo e equilibrado. Bom para beber agora, mas certamente com alguns anos de evolução pela frente
Excelente opção para este nível de preço.

Frederico Santos - 16,5
Nariz mais complexo, com aromas de fruta mais madura, e um ligeiro toque químico.
Na boca é denso, encorpado, mas bem polido, com um longo final.
Um bom vinho com um estilo mais em potência do que em elegância.

Vale de Pios 2008
Topo de gama do produtor.
Preço: 20€

Carlos Amaro - 17/17,5
Muita concentração, aromas ainda um pouco fechados, com a barrica a fazer-se notar no inicio. Surge depois a fruta madura (framboesa, cerejas), algum vegetal, chocolate negro, muito fresco no final, num nariz de boa complexidade.
Muito encorpado na boca, vegetal, novamente a fruta madura em destaque. Taninos fimes mas de qualidade com um final longo e apimentado.
Está ainda muito novo e certamente irá melhorar com mais algum tempo em garrafa, mas está já a dar uma excelente prova. A nota extra conta com o potencial de evolução do vinho.

Frederico Santos - 17,5
De côr muito carregada e opaca, fruta muito concentrada no nariz intenso, ameixas, cerejas pretas. Boca muito redonda, pujante e elegante em simultâneo. Grande equilíbrio. Final muito longo. Um grande tinto do Douro.

Em resumo, foi uma prova bastante agradável, com vinhos de boa qualidade em toda a gama, de um produtor do Douro ainda com poucas colheitas no mercado, mas que entra claramente apostado na qualidade.

Carlos Amaro
Frederico Santos

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Visita às caves Croft


Fundada há mais de 300 anos (os primeiros indícios da sua actividade datam de 1678), a Croft é uma das mais antigas casas de vinho do porto, sendo as suas caves as mais antigas das que ainda se encontram em funcionamento.
Tendo sido adquirida recentemente pelo grupo Fladgate (Taylor's e Fonseca), situa-se em Gaia um pouco acima do cais, no local original da sua fundação. Chegámos lá por uma rua de pedra que nos fazia crer que ali o tempo tinha parado há uns séculos atrás.
Aguardámos a nossa visita na esplanada com vista para o Douro, enquanto nos serviram um porto branco. O vinho era bom, mas nada de especial.
Aproveitei a espera para provar também o tawny Croft 10 anos, cuja prova não estava incluída na visita, e este sim, já era um vinho mais ao meu gosto, com notas de baunilha e caramelo no nariz, na boca era elegante mas desaparecia rapidamente o sabor.
Começámos a visita às caves, que impressionam pela côr das madeiras muito escurecidas pelo tempo. O chão de gravilha e muitas centenas de pipas completam o belíssimo quadro, com os balseiros enormes em fundo. Foi rápida a visita, terminando com uma prova de Croft Reserva, um porto ruby que não entusiasmou muito.
Ainda tivemos oportunidade de degustar o Croft Pink, um porto rosé servido fresco, que apesar de não ser um vinho que me cative, bebe-se muito bem como aperitivo, ou como long-drink com gelo. A trufa de framboesa que o acompanhou ligava muito bem.
Terminámos com o Croft 20 anos, o tawny mais velho comercializado pela casa, que nos deliciou com um nariz mais intenso e complexo que o do irmão mais novo, e uma boca muito rica e sedosa, com um final persistente. Muito bom este 20 anos, e a um preço razoável. Acabámos por trazer uma garrafa deste, para além de uma de porto Pink que estava incluída na visita.
Na Croft comercializam também o LBV (Late Bottled Vintage), e dois Vintages: o Croft clássico, e o Quinta da Roêda.
Ainda lá têm Croft vintage 1977 e 1994, mas a preços proibitivos. O de 1985 já não se encontrava lá à venda. Existem outros anos disponíveis como 2000, 2003 e 2007, para o Croft Vintage, e 1995 para o Quinta da Roêda.
Foi uma tarde muito bem passada, com destaque para a simpatia do pessoal da casa que nos atendeu muito bem.
Um bom exemplo de enoturismo.

Frederico Santos

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Faz 4 anos, 3 meses e 12 dias que abrimos esta tasca, estamos todos de parabéns :-)

Hoje deu-me para isto, para comemorar o quarto aniversário e uns trocos do blog "3 nos copos". Para ser correcto devo lembrar que começou com outro nome "ptin vino veritas", uma espécie de trocadilho com a expressão "in vino veritas" devido ao facto de todos os autores do blog trabalharem na PT Inovação em Aveiro (PTIN).

O blog começou com muito humildes intenções, aproveitar o meio para divulgar por todos os resultados das provas que íamos fazendo. Provas estas que começaram com umas trocas de ideias sobre vinhos que eu, o Carlos e o Frederico ia-mos trazendo para a PT Inovação para uns lanches mais "apimentados".

O blog lá começou em 18 de Outubro de 2006 numa "prova magnifica" sobre vinhos do Dão, sendo que 4 dos 5 vinhos em prova eram do Álvaro de Castro.... grandes malucos :-) . E assim continuou de prova em prova, crescendo em sofisticação, diversidade, abrangência geográfica, número de convivas, envolvimento de produtores "muito boa onda" até chegarmos onde estamos... exactamente no sítio de onde partimos. Paradoxo? estagnação? nada disso...

Começamos (falo por mim e acho que o Carlos e o Fred concordarão) com a intenção fundamental de desfrutar na companhia dos amigos do imenso prazer que a degustação de bons vinhos nos dá, de usar os eventos como pretexto para convivermos (beber uns copos), de ganharmos a dimensão em número de convivas que nos permitisse a todos provar vinhos mais caros, que não teríamos a oportunidade/vontade de provar em outras circunstâncias. Em suma, de partilharmos e envolvermos os nossos amigos numa paixão comum, o vinho, o produto do homem que melhor traduz a comunhão em equilíbrio do homem com a terra, com o meio.

Passado este tempo, estamos todos (os 3 nos copos e restante convivas) mais cultos, sabidos, experientes e sensíveis às múltiplas manifestações sensoriais que o vinho exprime. E estamos também todos mais amigos.
Isto é a tradução directa da riqueza que esta actividade tem tido para mim. E estamos exactamente no sítio de onde partimos, pois claro, felizmente não alteramos em nada os nossos princípios e motivações. Graças a Baco :-).

Mário Rui Costa