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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Bacalhôa Moscatel de Setúbal Superior 2001

Os Moscateis de Setúbal são para mim uma perdição, quer na variante "normal" quer os mais raros Moscateis Roxos.
Não têm entre o consumidor comum a mesma fama do vinho do Porto, mas em termos de qualidade, os realmente bons estão ao nível dos melhores generosos que é possível encontrar.

Este Bacalhôa Superior 2001 passou 8 anos numa estufa com grandes amplitudes térmicas em barricas de carvalho previamente usadas no envelhecimento de whisky de malte, e o vinho resultante é muitíssimo bom.
Sedutor e viciente, com aroma a flôr de laranjeira, citrinos, passas, figos, frutos secos, um toque de ranço, num conjunto complexo.
Na boca, ainda melhora, com o toque de laranja que já vem do nariz, passas, nozes, damascos secos, tudo suportado por uma belíssima acidez a dar um bom equilibrio à riqueza da boca. Final muito longo.
O preço é muito aliciante para a qualidade, sendo possível comprar este vinho por 15€. É difícil encontrar melhor a este preço.
Se há vinhos que viciam, este é certamente um deles.
Perfeito com sobremesas à base de chocolate negro, ou então simplesmente como digestivo.

Carlos Amaro

quinta-feira, 4 de março de 2010

Prova de Moscatel de Setúbal

Foi no dia da abertura da Essência do Vinho 2010, que nos deslocámos ao Palácio da Bolsa, para a primeira prova Premium do evento: Moscatel de Setúbal.

Foi uma prova comentada apresentada pelo enólogo Domingos Soares Franco, da casa José Maria da Fonseca. A prova foi dedicada aos vinhos generosos desta emblemática casa, representante maior da região de Setúbal, que é demarcada desde 1908.

Começámos pelo Alambre 20 Anos. Este vinho é um blend de colheitas em que a mais nova tem 20 anos e a mais antiga 40 anos.
Côr ambar alaranjada, nariz intenso e complexo com aromas de frutos secos, tangerina...
Na boca é muito elegante com muito bom equilibrio entre açucar e acidez.
Uma maravilha.

Seguiram-se umas novidades que resultaram de experiências da equipa de enologia. A estes vinhos dão-lhes a marca: Domingos Soares Franco Colecção Privada, que passaremos a designar por DSF CP.
Estes dois vinhos fortificados são feitos com outros tipos de aguardente, coisa que ao vinho do porto não é permitido fazer.
O vinho DSF CP Armagnac 1999, de côr menos carregada que o primeiro, no nariz tinha figos secos e alcaçuz. Mais alcoolico na boca, mas muito bom.
O vinho DSF CP Cognac 1999, de côr igual ao anterior, sentia-se muito o alcool. O Cognac soprepunha-se aos aromas do moscatel. Não resultou tão bem como o Armagnac.

Passámos ao Moscatel Roxo, uma casta exclusiva da região de Setúbal, possivelmente originária da ilha da Madeira. É uma uva bastanta rara que chegou a correr riscos de extinção.
Provou-se primeiro uma experiencia de Domingos Soares Franco, uma fortificação de parte do vinho que constituiu o DSF Moscatel Roxo Rosé 2008.
Este Moscatel Roxo 2008, notou-se ainda muito novo, de côr turva, sem estabilização. Este vinho tinha um nariz muito intenso e frutado, num cocktail de frutas bastante prometedor, mas na boca não correspondia em nada ao nariz. Parecia ainda não estar bem fermentado, dando uma prova bastante estranha.
O vinho seguinte foi o DSF CP Roxo 1999, côr ambar, ligeiramente mais suave que a do Alambre, e bastante mais forte que a dos restantes 99. Nariz intenso, frutos secos, madeira, passas. Na boca tem muito boa acidez em harmonia com o doce, final persistente.

Seguiram-se dois licorosos da casta Bastardo. Este vinho já não se produz desde 1983, pois as únicas vinhas que existiam na margem esquerda do Tejo, entre a Caparica e o Lavradio, foram destruídas para construção. Salvaram-se umas varas que foram replantadas pela JMF em 2007, mas ainda vão demorar a dar-nos vinhos dignos da categoria do Bastardinho de Azeitão.
Provámos primeiro o Bastardinho 2009. Este vinho resulta de experiencias já destas novas vinhas, e não há intenção de o comercializar. Além da produção ser muito pequena, as vinhas ainda são muito novas e ainda se está em fase de experiências. Foi um vinho de extremos, de côr aloirada de tawny, aromas de caramelo, demasiado intenso e desequilibrado no nariz, foi comentado que parecia um macaco numa jaula, na boca era cremoso. Ainda não está pronto, mas promete muito.
Bastardinho de Azeitão 30 anos, de côr equivalente à do Alambre 20 Anos, nariz intenso e muito complexo, na boca é sedoso, muito ácido e doce em perfeito equilibrio. Maravilhoso.
Este vinho apesar de ser comercializado como um 30 anos, tem no lote vinhos entre 30 e 80 anos, o que dá uma média de idades bem superior.

Terminámos com o Trilogia, um blend feito com as três melhores colheitas do século XX, das que ainda existem em quantidade suficiente*: 1900, 1934 e 1965.
Côr topázio (mais carregada de todas), de complexidade infindável no nariz delicado, na boca é muito rico e elegante. Final interminável. Excelente.

*Foram mencionadas e destacadas as colheitas de 1947 e 1955, mas apenas já existem 50 litros de cada.

Frederico Santos e Carlos Amaro