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domingo, 13 de março de 2011

CHANSON PÈRE & FILS - BORGONHA O TERROIR DOS MELHORES BRANCOS DO MUNDO

Mais uma prova inserida na Essência de Vinho, neste caso uma prova de brancos da Borgonha, da casa Chanson Père & Fils.
Não conhecia nada dos vinhos desta casa, adquirida em 1999 pela Bollinger, mas o que posso dizer é que esta prova foi um excelente final para a Essência.
Grandes vinhos que me deixaram com vontade de conhecer ainda mais sobre a Borgonha e sobre este produtor em particular.

Os vinhos da Borgonha dividem-se em 4 classificações, que são as seguintes, ordenadas em crescendo na qualidade:
- Regional: Vinhos que podem levar uvas de toda a região da Borgonha.
- Village (ou Comunal): vinhos feitos com uvas de uma localidade especifica, e que podem ter uvas de várias vinhas diferentes, ou só de uma vinha sem classificação
- Premier Cru: vinhos produzidos de uma vinha especifica, que tenha a classificação de 1er Cru
- Grand Cru: produzidos de vinhas com a classificação Grand Cru, é a qualidade mais alta e representa apenas 2% do vinho produzido

Nos vinhos da Chanson, 25% da produção é garantida por vinhas próprias, sendo o resto adquirido a pequenos produtores do rendilhado que é a vinha na Borgonha.
É um produtor de média dimensão, com uma produção de 900000 garrafas/ano distribuidas por cerca de 130 referências.
Os vinhos foram provados em 4 flights, cada um com um par de vinhos de uma mesma zona.
Todos os vinhos eram 100% Chardonnay, como é tradicional na Borgonha.

1º flight:
Chablis 2008
Grande acidez no ataque de boca, alguma fruta e muita mineralidade. Vinho pouco marcado pela madeira, é muito fresco. Belo final.

Chablis Montmains Premier Cru 2008
Notas herbáceas no nariz e aromas a citrinos. Na boca é ainda mais mineral que o vinho anterior. Maior complexidade e final longo. Muito bom vinho.

2º flight:
Mersault 2007
Aroma mais gordo, com a madeira a fazer-se notar mais, fruta, especiarias. Gordo também na boca, amanteigado, mas mesmo assim continua com uma frescura dada pela bela acidez e mineralidade.
Muito volume na boca, é muito persistente.

Mersault Perrieres premier cru 2007
Nariz fantástico, mineral, fruta madura. Ainda um pouco fechado pela sua juventude, mas nota-se já o grande vinho que é.
Grande elegância, acompanhada por uma mineralidade e frescura fantásticas. Final muito longo.

3º flight:
Puligny Montrachet Les Champs Gain Premier Cru 2004
Aqui entramos em vinhos já com idades em que começam a mostrar o melhor da Borgonha.
Aroma muitíssimo sedutor, fruta cristalizada, especiarias, tostados da madeira.
Enorme volume de boca, é encorpado, amanteigado, e o incrível é que não perde nunca a frescura. Grande final.
Adorei este vinho.

Puligny Montrachet Hameau de Blagny 2004
Esta vinho dita apenas 30 metros da vinha anterior, e no entanto as diferenças são notórias, o que mostra a particularidade da Borgonha.
Comparado com o anterior é mais mineral, com notas de espargos, alcaparras. Menos gordo, madeira a mostrar-se menos. Belíssima frescura e um comprimento de boca enorme.

4º flight:
Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2007
Nariz muito fechado, pela sua juventude. Bastante vegetal, acidez muito viva.
Na boca tem bom volume, notas de citrinos e bela acidez. É muito elegante e termina longo.
Precisa de alguns anos para mostrar todo o potencial.

Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2004
Vinho enorme.
Aromas a brioche,quase como um champanhe velho, fruta cozida, mas também muito mineral.
Grande estrutura, untuoso. Um corpo de veludo apoiado numa frescura e mineralidade fantásticas. Termina muito longo, talvez o mais longo em prova.
Para mim foi o vinho favorito.

Como informação adicional. os preços dos vinhos provados situavam-se entre os 15€ e 25€ para os Chablis, depois sobe para os 30€ no Mersault, e todos os outros Premier Cru andam à volta dos 46€ (excepção do Perrieres que custa perto de 60€).
São preços que não sendo propriamente baratos, pela qualidade apresentada penso que vale bem a pena um esforço para ter alguns deste vinhos na garrafeira.

Carlos Amaro

sábado, 12 de março de 2011

ANDRESEN - Prova Vertical de Colheitas Inesquecíveis

1997, 1995, 1992, 1991, 1982, 1980, 1975, 1970, 1968, 1963, 1937, 1919, 1900...

Este post foi dos mais dificeis de escrever até hoje. Comecei e recomecei uma série de vezes e nunca me parecia bem.
A dificuldade criou-se porque numa prova desta qualidade torna-se dificil descrever tudo o que foi provado e sentido. Foi algo realmente inesquecível.

A prova foi efectuada no dia 5/03 durante a Essência do Vinho, na sala dos retratos. Deste blog estivemos presentes eu e o Frederico.

Fui para esta prova com expectativas muito elevadas e com a noção de que dificilmente voltaria a ter oportunidade de provar muitos destes vinhos, já que vários sendo autênticas raridades, ficam fora de alcance da maioria das bolsas.
E o que posso dizer é que as expectativas foram mais do que superadas. Na realidade foi um turbilhão de experiências gustativas que fica na memória e torna-se difícil de descrever.

Passando aos vinhos, segue a descrição possível.
De notar apenas que todos os vinhos foram engarrafados para o evento, com excepção do 1937, que foi engarrafado em 1980.
São assim vinhos que têm todos estes anos passados em barrica.

1997
É um colheita ainda muito novo, não tendo ainda muitas das características típicas de um tawny com idade. Aroma com alguns frutos secos, apresentando ainda notas de compota, alguma fruta fresca e notas balsâmicas.
Está muito vigoroso e fresco. Na minha opinião mostra qualidades que permitirão vir a ser um grande colheita.
Carlos:17

1995
Menos exuberante do que o anterior, é um vinho com grande elegância e frescura.
Aromas a frutos secos, casca de laranja e algum floral. Notas iodadas. Final longo.
Carlos: 16.5

1992
Aqui já começam a surgir as características mais típicas dos colheitas. Notas iodadas, frutos secos, nozes, bela acidez, a dar-lhe frescura.
Algum caramelo na boca, com notas balsâmicas a ajudarem à complexidade. Muito bom.
Carlos:17

1991
A complexidade aromática continua a subir. Os frutos secos estão lá, mais notas balsâmicas, casca de laranja.
Muito glicenerado, excelente acidez, é um vinho extremamente elegante, com grande volume de boca. Grande final.
Muito bom vinho. O que gostei mais dos da década de 90.
Carlos: 17.5

1982
Mais um vinho de grande elegância, notas dominantes de frutos secos, notas de mel e especiarias. Muito boa acidez.
Vinho muito apelativo e fresco, final longo.
Carlos:17

1980
Daqui para frente os tons de cor começam a ficar mais acastanhados.
Aroma muito vivo, notas de caramelo e especiarias, frutos secos. Muito sedutor.
Grande boca, untuoso, quase mastigável. Enorme estrutura. Muito fresco e com um longo final.
Carlos: 18

1975
Adorei este vinho. O mais elegante de todos em prova (talvez tirando o 37).
Muito boa acidez, delicado, floral, laranja cristalizada e frutos secos.
Final longo, e elegantíssimo.
Carlos: 18

1970
A partir daqui é que as coisas começam mesmo a ficar especiais. Vinho fantástico. Já mais escuro na cor.
Bastante exuberante e apelativo no nariz, com notas de caramelo e frutos cristalizados.
Boca fantástica, muito potente, grande estrutura e muito guloso. Grande persistência.
Carlos:19

1968
Neste vinho impressiona a potência e complexidade.
Muitas especiarias, aroma a tabaco. Na boca é mais gordo, muita potência e intensidade, mas com uma acidez e frescura que suporta muito bem toda essa intensidade.
Vinho excelente
Carlos: 18.5

1963
Vinho fabuloso! Concilia potência e equilíbrio de forma fantástica.
Se não soubesse que estava a provar um 63 daría-lhe menos uns 20 anos.
No nariz é uma explosão aromática. Frutos secos, especiarias, caramelo.
Boca muito complexa, untuoso e muito fresco. Final interminável. Talvez o segundo vinho que mais gostei na prova
Carlos: 19.5

1937
Um vinho muito diferente dos restante, visto ter já 30 anos em garrafa.
Estes anos em garrafa deram-lhe uma elegância sem par nos outros colheitas.
Vinho muito fresco, notas a laranja cristalizada, caramelo, com uma boca muito delicada, grande frescura e acidez. Final muito longo.
Um estilo de que fiquei fã, mostra que um bom colheita pode evoluir, e bem em garrafa.
Vinho fantástico.
Carlos: 19

1910
Já muito tinha lido sobre este vinho, quando do seu engarrafamento para comemorar o centenário da república, e o que posso dizer é que foi talvez o melhor vinho que já provei até hoje.
Tem uma cor já castanho escuro, brilhante.
Ao chegar o copo ao nariz mostra uma complexidade aromática invulgar. Impossível de descrever tudo o que passa pelo nariz. A cada minuto que passa surgem novos aromas e novas camadas de complexidade. Resinas, fruta cristalizada, especiarias, balsâmicos... impossível descrever tudo.
Muito gordo na boca, com uma frescura impressionante e depois parece que não termina. É um vinho sempre em crescendo.
Absolutamente incrível.
Carlos: 20

1900
Aqui já não queria saber de muito. 1900! O que dizer de um vinho de 1900!?
Aroma incrível, a melaço, resinas, especiarias, caramelo. Fica no entanto batido pelo 1910 em termos de frescura e elegância.
Muito gordo na boca, mas com uma excelente acidez, que indica poder ainda viver por bastante mais tempo. Muito guloso e final muito longo.
É uma vinho em grande forma para a idade, tenso sido apenas prejudicado por ter sido provado após o 1910. Sem o vinho anterior teria com certeza brilhado a maior altura.
Carlos: 19.5

Em resumo, uma prova inequecível, com colheitas para todos os gostos.
Na minha opinião, o grande vinho da prova foi o 1910, com uma complexidade, potencia, elegância e equilíbrio difíceis de igualar. Um vinho perfeito.
Logo a seguir viria o 1963. Olhando a potência, o ganhador seria certamente ele. É um grande vinho, e será talvez capaz de envelhecer com a majestade do 1910, ou até superá-lo.
Infelizmente já não se encontra à venda.
Não menos interessante é o 1900. Provar um vinho com mais de 100 anos é uma experiência única.

Resta-me deixar um agradecimento à Andresen, por ter tornado possível uma prova deste nível, com vinhos que são muitos deles verdadeiras raridades.

Carlos Amaro

quinta-feira, 3 de março de 2011

Vertical de Chryseia

Foi na abertura da Essência do Vinho 2011, no dia 3 de Março, que participei nesta prova vertical de Chryseia, realizada no salão árabe do Palácio da Bolsa, com a apresentação de Charles Symington e Bruno Prats.
O nome Chryseia vem do grego antigo, onde significa douro ou dourado. É portanto um vinho tinto do Douro, feito com uvas seleccionadas das muitas propriedades da família Symington, ligada ao vinho do porto há muitas gerações. É este leque de boas vinhas aliado à enologia de Bordéus da família Prats que o torna um vinho único e emblemático.
Tratam-se de vinhos muito completos e de grande afinação, que estagiam em pipas grandes (400L) de madeira nova (carvalho francês), e cujas castas principais são a Touriga Franca e a Touriga Nacional.
A determinada altura foi feita a comparação por Bruno Prats, entre o par Cabernet Sauvignon e Merlot de Bordéus, com o par Touriga Franca e Touriga Nacional do Douro.
A prova foi apresentada em inglês, e foram servidos os vinhos de 2001 a 2008 (excepto 2002).

Chryseia 2001
Côr ruby clara, nariz discreto e complexo, herbáceo, algo químico.
Boca suave e elegante, ainda muito fresca.
Este levou 31% de Tinta Roriz, casta esta que não voltou a ser usada no vinho nas suas edições posteriores.

Chryseia 2003
Côr ligeiramente mais carregada, mas ainda suave.
Nariz equivalente, mas ligeiramente mais frutado.
Boca mais elegante.
Final muito longo.
Levou 60% de Touriga Franca, uma uva difícil de amadurecer que só foi vindimada em Outubro.

Chryseia 2004
Côr equivalente ao anterior.
Nariz no mesmo registo, mas com ligeiro chocolate.
Na boca apresentou mais estrutura e potencial de envelhecimento.
Final muito persistente.

Chryseia 2005
Côr equivalente ao anterior.
Nariz mais especiado.
Boca ligeiramente mais frutada e redonda.
Menos taninos que o anterior, mas ainda presentes.
Final longo.
Foram introduzidas neste vinho pela primeira vez uvas da Quinta da Perdiz, cerca de 40%.

Chryseia 2006
Côr equivalente.
Nariz mais complexo que os anteriores, especiarias, chocolate.
Boca ligeiramente taninosa, mas suave, equivalente ao 2004.
Final muito longo.
As uvas usadas neste vinho vieram quase todas da Quinta do Vesúvio.

Chryseia 2007
Côr equivalente.
Nariz mais achocolatado, couro, cogumelos.
Boca mais redonda, com ligeiro picante no final muito longo.
Foi comentado pelo enólogo que as uvas neste ano ficaram perfeitamente amadurecidas, o que tornou este vinho muito rico.

Chryseia 2008
Côr ligeiramente mais carregada que o anterior.
Nariz menos espectacular mas mais elegante, especiado.
Boca voltando ao registo químico dos primeiros anos, de grande equilíbrio.
Final longuíssimo.

Todos os vinhos estavam num patamar de qualidade muito elevado, sendo apenas uma questão de gosto decidir se um é melhor que o outro. Daria a todos uma pontuação entre 18 e 18,5.
Também de salientar que os vinhos mais recentes me agradaram ligeiramente mais que os primeiros, o que me faz crer que o vinho está cada vez melhor de ano para ano.
Se tivesse de escolher um talvez fosse o 2006, que tinha qualquer coisa que o distinguia pela positiva, embora 2007 e 2008 também sejam vinhos que me entusiasmaram muito.

Frederico Santos

domingo, 7 de março de 2010

Prova de Vintages Fonseca

No último dia da Essência do Vinho rumamos de novo ao Palácio da Bolsa para mais uma prova, desta vez de portos Vintage da Fonseca.
A prova decorreu no Salão Árabe, e foi conduzida por David Guimaraens, enólogo da casa Fonseca.
Os vinhos provados foram os Fonseca 1985, 1994, 2000, 2007, e os Fonseca Guimaraens 1987, 1995, 2001.
A diferença entre as duas marcas de vinho tem a ver com a declaração de ano Vintage. Quando a Fonseca considera o ano como tendo qualidade suficiente para merecer uma declaração de Vintage clássico, é declarado um Vintage Fonseca. Nos anos em que a qualidade não chega a esse patamar, ao contrário da maioria das marcas de vinho do porto, que optam por lançar vinhos "single-quinta" nos anos em que não declaram vintages clássicos, a Fonseca lança um blend das suas quintas, em tudo idêntico a um ano clássico, só que o vinho é lançado como Guimaraens.
Para ter uma ideia do patamar de qualidade imposto pela Fonseca para declarar os seus vintages clássicos, nunca houve uma década em que fossem declarados mais do que 3 colheitas como vintage Fonseca.
Avançando para as provas.
Fonseca 1985: Apesar de já ter 25 anos, o vinho parece muito mais jovem. Pela côr não está diferente do 94 ou 95, com uma bonita côr ruby. Tem um nariz fantástico, de grande complexidade, ainda com muita fruta madura, especiarias, ameixa e algumas notas de chocolate. A boca é quase perfeita, frutos vermelhos, notas de bosque, figos secos, chocolate negro. Um vintage fabuloso, que promete continuar ainda a melhorar. Está para durar mais umas décadas.
Guimaraens 1987: Mais evoluído do que o 85, mais pronto para beber já, tem já a complexidade de vintages velhos. Menos fruta já, mais floral, muitas especiarias, como num bazar oriental, mais algum chocolate, tudo com muita elegância.
Fonseca 1994: Este vinho recebeu nada menos do que 100 pontos da Wine Spectator. Neste momento está ainda algo fechado, mas o vinho está muito prometedor. Apesar de ter passado a exuberância da juventude e de precisar de mais anos em garrafa este vinho tem uma complexidade fora do comum. Muita elegância, apesar da fase fechada. Frutos do bosque, floral, ameixas, e um final enorme, que simplesmente não acaba. Este vinho deverá começar a ser bebido lá para 2020. Está nitidamente feito para durar.
Guimaraens 1995: Mais fácil de beber já do que o 94. Tem muita fruta, mas não me pareceu tão fresco como os restantes. Mais quente, aparentemente mais doce, com figos maduros e muito chocolate negro.
Fonseca 2000: Um vinho fantástico. Ainda na fase da juventude, encorpado, fruta e especiarias em força, mas muito em elegância, taninos muito finos. Está um grande vinho, muito bom agora.
Guimaraens 2001: Talvez o único Guimaraens dos pares provados com maior estrutura e corpo do que o irmão Fonseca do ano anterior. É um vinho com uma força bruta, estrutura fabulosa, muita fruta, um nariz totalmente sedutor, impossível de parar de cheirar. Na boca sucedem-se em catadupa as sensações. Fiquei seduzido por este vinho. E a um preço de "saldo" comparado com os irmãos mais velhos.
Fonseca 2007: Mais um vinho que me seduziu por completo. É o vintage mais novo, neste momento apresenta-se como o "ruby perfeito". Tem a fruta, o floral, os taninos, o chocolate, tudo em grande, mas ao contrário de outros vintages novos, tudo muito afinado, nada difícil de beber já. Praticamente impossível resistir-lhe agora, vai dar grande satisfação a quem o conseguir.

Para beber agora escolheria os 87, 2001 e 2007.
Com mais potencial o 85 e 94.

Carlos Amaro


Acrescento ainda que os vinhos foram provados aos pares, comparando vintages Fonseca e Guimaraens de cada década, em que por regra os Guimaraens se apresentavam mais evoluídos e prontos para beber, e os Fonseca mais robustos ainda com muito para durar.
A excepção foi o Guimaraens 2001 que mostrou mais estrutura que o Fonseca 2000.
Foi referido pelo enólogo que o Guimaraens 1976, não incluido nesta prova, é um vintage monstro.

Frederico Santos

sábado, 6 de março de 2010

Prova de Champagne Milésime

Esta prova realizou-se na Essência do Vinho 2010, no palácio da Bolsa.
Era sábado à tarde e a confusão era muita. A prova atrasou quase uma hora.
Foi apresentada pelo Master Sommelier João Pires, um apaixonado por Champagne, que teve a ajuda do crítico de vinhos e gastronomia Fernando Melo.

A região de Champagne, que dá o nome ao vinho espumante mais famoso do mundo, é oficialmente demarcada desde 1927, mas produz e exporta vinhos desde a idade média, existindo ainda no activo casas de champagne fundadas no século XVIII (Ruinart, Taittinger,...).
As 3 castas mais usadas são Pinot Noir, Chardonnay, e Pinot Meunier.
O champagne milésime, é de uma só colheita, e tem o ano escrito na garrafa. É o melhor champanhe tal como o vintage para o vinho do porto, que só se engarrafa em anos excepcionais. Vinhos com personalidade que evoluem na garrafa durante muitos anos.

Começámos com o Pommery Brut 2000, um belo vinho, com nariz complexo, elegante na boca com bolha fina. Já tem uns anos mas a boa acidez dá-lhe muita vida.
Seguiu-se o Pommery Cuvée Louise 1995, mais velhinho, tinha um nariz incrível, com aromas de frutos secos, brioche, tostados. Na boca estava muito bom, não no estilo vigoroso, mais requintado.
Passámos ao Taittinger Comtes de Champagne Blanc de Blancs 1999, um vinho feito só com Chardonnay, muito intenso, com grande equilibrio e persistência. Magnífico.
Seguiu-se Veuve Clicquot Vintage Brut 2002, um vinho muito elegante, ligeiramente mais adocicado que os restantes. Um vinho sofisticado.
Terminámos com o Louis Roederer Cristal 2002, um vinho excelente, de grande vivacidade, tem a particularidade de ter a garrafa transparente com a base chata, dizem que era exigência dos czares com medo de serem envenenados, para poderem ver bem o seu interior. Não estará no seu momento óptimo, e deve ser consumido daqui a mais uns anos.
2002 foi um ano de referência para o champagne milésime.

O vinho que mais me impressionou foi o Taittinger Blanc de Blancs 1999, que se apresentou muito intenso. Um prazer para os sentidos. Pena é custar 150 euros a garrafa.

Frederico Santos

quinta-feira, 4 de março de 2010

Prova de Moscatel de Setúbal

Foi no dia da abertura da Essência do Vinho 2010, que nos deslocámos ao Palácio da Bolsa, para a primeira prova Premium do evento: Moscatel de Setúbal.

Foi uma prova comentada apresentada pelo enólogo Domingos Soares Franco, da casa José Maria da Fonseca. A prova foi dedicada aos vinhos generosos desta emblemática casa, representante maior da região de Setúbal, que é demarcada desde 1908.

Começámos pelo Alambre 20 Anos. Este vinho é um blend de colheitas em que a mais nova tem 20 anos e a mais antiga 40 anos.
Côr ambar alaranjada, nariz intenso e complexo com aromas de frutos secos, tangerina...
Na boca é muito elegante com muito bom equilibrio entre açucar e acidez.
Uma maravilha.

Seguiram-se umas novidades que resultaram de experiências da equipa de enologia. A estes vinhos dão-lhes a marca: Domingos Soares Franco Colecção Privada, que passaremos a designar por DSF CP.
Estes dois vinhos fortificados são feitos com outros tipos de aguardente, coisa que ao vinho do porto não é permitido fazer.
O vinho DSF CP Armagnac 1999, de côr menos carregada que o primeiro, no nariz tinha figos secos e alcaçuz. Mais alcoolico na boca, mas muito bom.
O vinho DSF CP Cognac 1999, de côr igual ao anterior, sentia-se muito o alcool. O Cognac soprepunha-se aos aromas do moscatel. Não resultou tão bem como o Armagnac.

Passámos ao Moscatel Roxo, uma casta exclusiva da região de Setúbal, possivelmente originária da ilha da Madeira. É uma uva bastanta rara que chegou a correr riscos de extinção.
Provou-se primeiro uma experiencia de Domingos Soares Franco, uma fortificação de parte do vinho que constituiu o DSF Moscatel Roxo Rosé 2008.
Este Moscatel Roxo 2008, notou-se ainda muito novo, de côr turva, sem estabilização. Este vinho tinha um nariz muito intenso e frutado, num cocktail de frutas bastante prometedor, mas na boca não correspondia em nada ao nariz. Parecia ainda não estar bem fermentado, dando uma prova bastante estranha.
O vinho seguinte foi o DSF CP Roxo 1999, côr ambar, ligeiramente mais suave que a do Alambre, e bastante mais forte que a dos restantes 99. Nariz intenso, frutos secos, madeira, passas. Na boca tem muito boa acidez em harmonia com o doce, final persistente.

Seguiram-se dois licorosos da casta Bastardo. Este vinho já não se produz desde 1983, pois as únicas vinhas que existiam na margem esquerda do Tejo, entre a Caparica e o Lavradio, foram destruídas para construção. Salvaram-se umas varas que foram replantadas pela JMF em 2007, mas ainda vão demorar a dar-nos vinhos dignos da categoria do Bastardinho de Azeitão.
Provámos primeiro o Bastardinho 2009. Este vinho resulta de experiencias já destas novas vinhas, e não há intenção de o comercializar. Além da produção ser muito pequena, as vinhas ainda são muito novas e ainda se está em fase de experiências. Foi um vinho de extremos, de côr aloirada de tawny, aromas de caramelo, demasiado intenso e desequilibrado no nariz, foi comentado que parecia um macaco numa jaula, na boca era cremoso. Ainda não está pronto, mas promete muito.
Bastardinho de Azeitão 30 anos, de côr equivalente à do Alambre 20 Anos, nariz intenso e muito complexo, na boca é sedoso, muito ácido e doce em perfeito equilibrio. Maravilhoso.
Este vinho apesar de ser comercializado como um 30 anos, tem no lote vinhos entre 30 e 80 anos, o que dá uma média de idades bem superior.

Terminámos com o Trilogia, um blend feito com as três melhores colheitas do século XX, das que ainda existem em quantidade suficiente*: 1900, 1934 e 1965.
Côr topázio (mais carregada de todas), de complexidade infindável no nariz delicado, na boca é muito rico e elegante. Final interminável. Excelente.

*Foram mencionadas e destacadas as colheitas de 1947 e 1955, mas apenas já existem 50 litros de cada.

Frederico Santos e Carlos Amaro