Mostrar mensagens com a etiqueta porto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta porto. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de novembro de 2011

Porto Vintage 2009, casas do grupo Fladgate

Viva,

No passado dia 21 de Outubro participei numa prova de Porto Vintage 2009 das casas do grupo Fladgate, gentilmente organizada pela garrafeira Latina Adega, em Aveiro, já agora uma garrafeira que vale a pena visitar tão aprumada é a sua selecção de vinho e tão equilibrada é a sua politica de preços, digamos assim :-)

Indo directo ao assunto, provei Taylor's, Fonseca, Croft e "extra concurso" provei também os vintages Romariz e Quinta do Crasto. Em prova estava também (acho eu, sem ter certeza...) o Taylor's Vargellas 2009 mas não o provei.

Foi uma prova contra relógio (menos de 30 minutos) dados compromissos familiares inadiáveis. Contudo foi tempo suficiente para fazer a vénia a Taylor's e Fonseca, com toda a certeza ao nível dos vintage 2007.

Atrevo-me a dizer que o Taylor's 2009 supera o 2007 com uma combinação de potência e elegância invulgar, notas muito bonitas de folha silvestre bem verde e casada com fruta vermelha e azul muito madura. Apresenta também uma frescura incrível, dá vontade de beber e beber e beber. Com a enorme estrutura e corpo apresentado, com toda a certeza envelhecerá bem e por décadas, assim espero...
Pontuação: 19/20;

O Fonseca apareceu muito em linha com a sua matriz aromática típica, cheirando este vinho em cega apostava as minhas hipotecas como acertava à primeira.Aqui dominam notas de cacau e fruta cristalizada, num nariz muito complexo. Na boca apresenta também enorme corpo e estrutura sendo no entanto menos seco do que o Taylor's e do meu ponto de vista um pouco menos impressionante.
Pontuação: 18/20;

Como cheguei atrasado e não segui a sequência lógica de prova, provei o Croft após os dois anteriores. E esse pode ter sido um problema, porque não fiquei nada impressionado. Parecia sempre pouco e acima de tudo é um vintage feito para deslumbre aromático enquanto novo, com fruta e folhas silvestres muito frescas e  muito evidentes, exuberantes diria. Contudo na prova de boca o vinho cai um pouco e por comparação com os monstros anteriores fica bastante aquém em complexidade. Não me parece um vintage para envelhecer décadas, se assim for ficarei muito surpreendido e acho que descobriram a pólvora, fazendo um vintage para dois tipos de mercado: o dos curiosos e dos pacientes :-)
Pontuação: 16,5/20;

Romariz e Crasto não tiveram uma prova atenta da minha parte, mas o meu primeiro prognóstico é o seguinte: não são vintages, mas são muito bons portos. É preciso ter alguma calma com isto de lançar vintages por dá cá esta palha. Acalme-se a soberba...

Boas provas,

Mário Rui da Costa

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Garrafeira Tio Pepe, 25º aniversário, 4º dia de provas

Nas comemorações do seu 25º aniversário, a garrafeira Tio Pepe ofereceu 5 dias de provas vínicas de alto nível, sendo cada dia dedicado a uma região, com alguns dos produtores mais significativos a disponibilizarem os seus vinhos topo de gama.
Não podendo comparecer todos os dias, optámos pelo 4º dia dedicado ao vinho do porto e madeira, e lá fomos numa quinta à tarde.

Estavam em prova vinhos veneráveis, alguns do século XIX, muitos do século XX, e ainda alguns vintages novos de 2009. Eram todos vinhos do porto com exceção de dois madeiras da Blandy's.

Numa prova deste calibre é muito difícil classificar os vinhos, no entanto ficam algumas notas para a posteridade.

Começámos pelos mais velhos, os colheitas, e acabámos nos vintages novos.

Niepoort colheita 1957
Com mais de 50 anos, tem um nariz muito rico e equilibrado, na boca é suave e tem um final muito prolongado. Tudo em harmonia.
Um grande colheita.

Niepoort colheita 1863
Apresentou-se com consistência ligeiramente caldosa, com um nariz de grande complexidade, muito equilibrado na boca, e com um final interminável.
Apareceu de surpresa, no formato meia garrafa com o ano pintado, como concorrente de Dirk Niepoort ao Scion de David Guimaraens.

Warre's colheita 1882
De côr acastanhada, apresentou um nariz intenso, mas achei-o ligeiramente desequilibrado no conjunto.

Taylor's Scion (1855)
De côr aloirada com tons de ruby, uma côr surpreendente para a idade que tem.
O nariz apesar de excelente é ligeiramente mais fechado que o Niepoort 1863, mas na boca este pareceu-me ser mais intenso.
É um vinho que tem causado sensação no último ano, por terem sido descobertas por acaso duas pipas com 150 anos guardadas por várias gerações da mesma família.
Ao descobrirem que o vinho estava em perfeitas condições apesar da sua idade pré-filoxérica, decidiram engarrafar e vender a preços proibitivos dada a sua raridade. Uma garrafa de 50cl custa cerca de 2500 euros.
Compreende-se assim que o vinho tenha sido servido a conta-gotas, só meio centilitro em cada copo.


Madeira
Blandy's Bual 1908
Blandy's Bual 1920
Dois vinhos com cerca de cem anos ainda em grande forma, com a sua acidez típica a dar-lhes vida.
Para além de um nariz riquíssimo, estes vinhos têm um final de boca que nunca mais acaba.

Noval colheita 1937
Um vinho sublime.
Constato que 1937 foi um grande ano e ainda existem alguns colheitas de várias casas de vinho do porto à espera de ser engarrafados.
Este é um exemplo de perfeição, com uma intensidade surpreendente na boca.

Noval colheita 1964
Também em grande nível, ainda com muita frescura apesar dos seus 47 anos.
Foi comentado pela enóloga que os colheitas da Noval só são engarrafados a pedido, mantendo-se na madeira que é onde devem envelhecer.
Isso explica a fantástica frescura destes colheitas.

Graham’s vintage 1970
Um vintage de 40 anos.
Com aromas refinados, a boca sedosa sem perder firmeza, a sua elegância e o final muito longo, tornam este vinho exemplar na sua categoria.

Vesúvio vintage 1994
É possivelmente o melhor Vesúvio, e todos os Vesúvios são bons.
Agora com cerca de 15 aninhos, continua com um nariz exuberante, uma boca muito viva e carnuda, e um grande final.

Noval Nacional vintage 1994
Este vinho não é acessível ao comum dos mortais.
Primeiro por ser um vintage Noval Nacional, de uma vinha que foi replantada sem recurso a enxertos, na época da filoxera. Segundo por ser o de 1994, ano que foi pontuado com a nota máxima pela conceituada revista Wine Spectator.
É reconhecido como um dos melhores vintages do último século, a par do 1963 e do 1931. O seu preço ronda os mil euros por garrafa.
Com 15 anos de idade, apresentou o melhor nariz dos vintages em prova, intenso e com uma complexidade infindável. Imagino o que será daqui a mais uma(s) década(s)...
Na boca está impecável, muito correcto e saboroso, com final muito longo.

Adelaide vintage 2009
Este foi o vintage de 2009 que mais me impressionou até agora.
Tem um nariz intenso e muito rico, mineral, frutos silvestres, chocolate, tabaco.
Na boca mastiga-se de bom que é, e tem um belo final.

Taylor's vintage 2009
Não é todos os anos que a Taylor's declara um vintage clássico, só o fazendo 3 ou 4 vezes por década. Quando o faz é sinónimo de qualidade garantida.
Este é um vinho portentoso, com um perfil austero que promete longevidade.
A côr é quase preta, de nariz intenso sem ser exuberante, notas de fruta madura, ameixas, cerejas, amoras, muito mineral.
Na boca mostra os taninos bem polidos, é muito encorpado, e tem um final enorme.

Todos os vinhos eram excelentes e deram que pensar durante pelo menos um mês, até me conseguir recompor da experiência e escrever aqui algumas linhas, que nem de longe fazem justiça a estes vinhos que atravessam séculos.
Os preferidos foram o Niepoort 1863 e o Taylor's Scion, não consegui decidir de qual gosto mais.

Muito grato à garrafeira Tio Pepe por ter proporcionado esta oportunidade de provar vinhos tão inacessíveis.

Bem hajam.

Frederico Santos

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Porto Cálem - Colheita 1989


Como apreciador de vinho do porto, gosto de ter sempre uma garrafa de tawny para consumo corrente. O tawny é um tipo de vinho que por ser envelhecido em madeira é mais resistente, e mantém as suas caracteristicas durante cerca de um mês depois da garrafa aberta.
Como ontem acabei com uma num jantar de amigos, hoje num super ao escolher um porto acabei por ganhar coragem para comprar este, que apesar de ser um pouco mais caro que o normal, fica bem em conta quando comparado com outros portos de 20 anos. Há que aproveitar enquanto ainda me posso dar a estes pequenos luxos, que depois das medidas anunciadas hoje pelo nosso primeiro ministro vou ter de cortar nestas coisas.

Este colheita de 1989 foi engarrafado este ano, ainda está fresquinho acabado de sair do seu repouso de 20 anos em cascos de carvalho.
De côr ambar suave, tem um belo nariz, muito rico e equilibrado. Apesar de estar a recuperar duma constipação consigo sentir o aroma de frutos secos, algum caramelo, tabaco.
Na boca é sedoso mas firme, muito elegante, com um final muito prolongado.
Mas que belo porto.
Acho que vou beber mais um cálice para acabar com a constipação, e com as mágoas.

Nota: 17,5
Preço: ~25€

Frederico Santos

sábado, 9 de abril de 2011

Visita às caves Messias e Graham's

Foi no dia 9 de Abril que fomos a Gaia numa visita organizada às caves. Messias de manhã, e Graham's à tarde.

Messias
Na Messias, visitámos vários edifícios, onde o espaço não abundava, atulhados de pipas, balseiros, garrafas. Tinham lá umas pipas interessantes de colheitas antigos, o Lança 1950 chamou-me a atenção. Estão a recomeçar a investir no vinho vintage, com o 2005, 2007, e provavelmente 2009. As uvas usadas nestes vinhos vêm de 3 quintas principais: do Cachão, do Rei, e do Rodo, sendo as quintas do Cachão e do Rei coladas.
Fizemos a prova numa sala alta com vista para o Porto.

Messias Vintage 2007
côr opaca ruby escura
nariz silvestre, cogumelos, chocolate
boca intensa, bem equilibrada
moderadamente longo

Messias Vintage 2003
côr opaca ruby
nariz com fruta madura, ervas
boca ligeiramente mais taninosa, mais magro
final mais longo

Messias Vintage 1984
côr ambar
nariz complexo, frutos secos, especiado
boca sedosa, algo acoólica
final longo, com ligeiro picante

Passámos em seguida para os tawnies com indicação de idade e colheitas.

Messias Tawny 10 Anos
côr ambar alaranjada
nariz tímido mas complexo
boca equilibrada, algo doce
final longo, picante

Messias Tawny 30 anos
côr mais clara, aloirada
nariz mais complexo, mas suave
boca elegante e sedosa
final muito longo

Messias Colheita 2000
côr ambar avermelhada
nariz complexo, mais fresco e exuberante, fruta madura
boca suave e rica
com longo final
bastante evoluído para a idade

Messias Colheita 1991
côr alaranjada
nariz muito intenso
boca muito equilibrada
final muito longo

Messias Colheita 1985
côr ambar, reflexos amarelados
nariz mais intenso, nozes
boca com alguma acidez a sobressair, melado
final bem longo

Messias Colheita 1977
côr aloirada, a fugir para o castanho, reflexos verde claro
nariz complexo e elegante, caramelo
boca muito elegante, com vinagrinho
final interminável, pica atrás da garganta

Messias Colheita 1963
côr ambar acastanhada, com reflexos esverdeados
nariz mais químico, cola branca
boca muito sedosa, grande acidez
grande final, dura e dura...

Provámos assim 9 vinhos, 3 vintages e 6 tawnies, dos quais destacaria os colheitas de 1977, 1963, e 1991, e também o vintage 2007. Muito bons vinhos. O colheita 1977 excelente.

Almoçámos bem no restaurante Porto Ibérico, perto da Graham's, onde curiosamente todos bebemos água (éramos 12), pois já sabíamos que a tarde prometia e não queríamos estragar o palato.

Graham's
Seguiu-se a visita às caves Graham's, do grupo Symington, acompanhados pelo simpático Raul, que com o seu entusiasmo nos ia contando histórias da casa, que tem 7 milhões de litros de vinho do porto armazenados naquelas caves, o maior stock do mundo.
Este grupo dispõe actualmente de 25 propriedades no Douro, correspondendo a 1300 ha de vinha, que são utilizadas para as marcas Graham's, Dow's, Warre's, Quinta do Vesúvio e Cockburn's.
Passeámos pela impressionante garrafeira de vintage da Graham's, onde repousam muitos milhares de garrafas, desde 2007 até 18...
A prova foi realizada ao balcão, com o barman Raul a ir servindo com orgulho as garrafas que tinham sido abertas previamente, tendo-nos sido disponibilizado um copo para cada uma. O balcão tem uma faixa de luz branca que por baixo dos copos dá para ver bem as diferenças de côr. Tratamento de luxo.

Começámos logo pelo Graham's 30 anos
côr aloirada, caramelizada
nariz complexo, suave, frutos secos
boca muito bem equilibrada
final muito longo

Graham's 40 anos
côr equivalente
nariz mais complexo, mas menos exuberante, mais elegante
boca mais melada
final menos longo

Warre's Colheita 1937
(utilizado no Optima 20 anos, não se encontra à venda)
côr mais acastanhada
nariz intenso, madeira, especiarias, iodo
na boca mostra uma acidez incrível
final interminável

Graham's Colheita 1961
(amostra engarrafada há duas semanas, edição limitada)
côr aloirada acastanhada
nariz modesto, elegante
boca correcta
final longo

Passámos em seguida para os vintages, os melhores vinhos da casa segundo o nosso anfitrião.

Graham's 1963
côr ambar, ainda com tons de vermelho
nariz complexo, fruta passada
boca muito sedosa, ainda com o alcool presente
final mais longo de todos, nunca mais acaba

Graham's 1970
côr ambar
nariz complexo, fruta madura, passa
na boca sobrepõe-se o alcool
final muito longo

Graham's 1980
côr ruby clara
cheira a vindima, a adega, a fruta ainda fresca, marmelo
boca equilibrada, ainda fresca
final moderado

Vesúvio 1994
côr ruby
nariz exuberante, muita fruta
boca mais vínica, muito rico e equilibrado
final enorme, entranha-se nas gengivas

Graham's 2003
côr retinta opaca
nariz frutado, achocolatado
taninos bem polidos
bom comprimento

Vesúvio 2008
côr roxa opaca
nariz bomba de fruta
muito concentrado na boca
bom final

De destacar, por esta ordem: Warre's colheita 1937, Graham's Vintage 1963, Vesúvio 1994, Graham's 30 anos.

Calhou neste dia provar dois vinhos do ano mítico de 1963, talvez o melhor ano de porto do século passado, vinhos estes que se começam a aproximar dos 50 anos de idade. São mesmo muito bons, sobretudo pelo seu final de boca interminável. Mas para mim a estrela do dia foi o Warre's colheita 1937, um vinho enorme em todos os aspectos.


Grato ao Portuguese WineBloggers pela organização, e às caves Messias e Graham's que nos receberam tão bem, dando-nos a provar alguns dos seus mais preciosos nectares.

Bem hajam.
Frederico Santos

sábado, 12 de março de 2011

ANDRESEN - Prova Vertical de Colheitas Inesquecíveis

1997, 1995, 1992, 1991, 1982, 1980, 1975, 1970, 1968, 1963, 1937, 1919, 1900...

Este post foi dos mais dificeis de escrever até hoje. Comecei e recomecei uma série de vezes e nunca me parecia bem.
A dificuldade criou-se porque numa prova desta qualidade torna-se dificil descrever tudo o que foi provado e sentido. Foi algo realmente inesquecível.

A prova foi efectuada no dia 5/03 durante a Essência do Vinho, na sala dos retratos. Deste blog estivemos presentes eu e o Frederico.

Fui para esta prova com expectativas muito elevadas e com a noção de que dificilmente voltaria a ter oportunidade de provar muitos destes vinhos, já que vários sendo autênticas raridades, ficam fora de alcance da maioria das bolsas.
E o que posso dizer é que as expectativas foram mais do que superadas. Na realidade foi um turbilhão de experiências gustativas que fica na memória e torna-se difícil de descrever.

Passando aos vinhos, segue a descrição possível.
De notar apenas que todos os vinhos foram engarrafados para o evento, com excepção do 1937, que foi engarrafado em 1980.
São assim vinhos que têm todos estes anos passados em barrica.

1997
É um colheita ainda muito novo, não tendo ainda muitas das características típicas de um tawny com idade. Aroma com alguns frutos secos, apresentando ainda notas de compota, alguma fruta fresca e notas balsâmicas.
Está muito vigoroso e fresco. Na minha opinião mostra qualidades que permitirão vir a ser um grande colheita.
Carlos:17

1995
Menos exuberante do que o anterior, é um vinho com grande elegância e frescura.
Aromas a frutos secos, casca de laranja e algum floral. Notas iodadas. Final longo.
Carlos: 16.5

1992
Aqui já começam a surgir as características mais típicas dos colheitas. Notas iodadas, frutos secos, nozes, bela acidez, a dar-lhe frescura.
Algum caramelo na boca, com notas balsâmicas a ajudarem à complexidade. Muito bom.
Carlos:17

1991
A complexidade aromática continua a subir. Os frutos secos estão lá, mais notas balsâmicas, casca de laranja.
Muito glicenerado, excelente acidez, é um vinho extremamente elegante, com grande volume de boca. Grande final.
Muito bom vinho. O que gostei mais dos da década de 90.
Carlos: 17.5

1982
Mais um vinho de grande elegância, notas dominantes de frutos secos, notas de mel e especiarias. Muito boa acidez.
Vinho muito apelativo e fresco, final longo.
Carlos:17

1980
Daqui para frente os tons de cor começam a ficar mais acastanhados.
Aroma muito vivo, notas de caramelo e especiarias, frutos secos. Muito sedutor.
Grande boca, untuoso, quase mastigável. Enorme estrutura. Muito fresco e com um longo final.
Carlos: 18

1975
Adorei este vinho. O mais elegante de todos em prova (talvez tirando o 37).
Muito boa acidez, delicado, floral, laranja cristalizada e frutos secos.
Final longo, e elegantíssimo.
Carlos: 18

1970
A partir daqui é que as coisas começam mesmo a ficar especiais. Vinho fantástico. Já mais escuro na cor.
Bastante exuberante e apelativo no nariz, com notas de caramelo e frutos cristalizados.
Boca fantástica, muito potente, grande estrutura e muito guloso. Grande persistência.
Carlos:19

1968
Neste vinho impressiona a potência e complexidade.
Muitas especiarias, aroma a tabaco. Na boca é mais gordo, muita potência e intensidade, mas com uma acidez e frescura que suporta muito bem toda essa intensidade.
Vinho excelente
Carlos: 18.5

1963
Vinho fabuloso! Concilia potência e equilíbrio de forma fantástica.
Se não soubesse que estava a provar um 63 daría-lhe menos uns 20 anos.
No nariz é uma explosão aromática. Frutos secos, especiarias, caramelo.
Boca muito complexa, untuoso e muito fresco. Final interminável. Talvez o segundo vinho que mais gostei na prova
Carlos: 19.5

1937
Um vinho muito diferente dos restante, visto ter já 30 anos em garrafa.
Estes anos em garrafa deram-lhe uma elegância sem par nos outros colheitas.
Vinho muito fresco, notas a laranja cristalizada, caramelo, com uma boca muito delicada, grande frescura e acidez. Final muito longo.
Um estilo de que fiquei fã, mostra que um bom colheita pode evoluir, e bem em garrafa.
Vinho fantástico.
Carlos: 19

1910
Já muito tinha lido sobre este vinho, quando do seu engarrafamento para comemorar o centenário da república, e o que posso dizer é que foi talvez o melhor vinho que já provei até hoje.
Tem uma cor já castanho escuro, brilhante.
Ao chegar o copo ao nariz mostra uma complexidade aromática invulgar. Impossível de descrever tudo o que passa pelo nariz. A cada minuto que passa surgem novos aromas e novas camadas de complexidade. Resinas, fruta cristalizada, especiarias, balsâmicos... impossível descrever tudo.
Muito gordo na boca, com uma frescura impressionante e depois parece que não termina. É um vinho sempre em crescendo.
Absolutamente incrível.
Carlos: 20

1900
Aqui já não queria saber de muito. 1900! O que dizer de um vinho de 1900!?
Aroma incrível, a melaço, resinas, especiarias, caramelo. Fica no entanto batido pelo 1910 em termos de frescura e elegância.
Muito gordo na boca, mas com uma excelente acidez, que indica poder ainda viver por bastante mais tempo. Muito guloso e final muito longo.
É uma vinho em grande forma para a idade, tenso sido apenas prejudicado por ter sido provado após o 1910. Sem o vinho anterior teria com certeza brilhado a maior altura.
Carlos: 19.5

Em resumo, uma prova inequecível, com colheitas para todos os gostos.
Na minha opinião, o grande vinho da prova foi o 1910, com uma complexidade, potencia, elegância e equilíbrio difíceis de igualar. Um vinho perfeito.
Logo a seguir viria o 1963. Olhando a potência, o ganhador seria certamente ele. É um grande vinho, e será talvez capaz de envelhecer com a majestade do 1910, ou até superá-lo.
Infelizmente já não se encontra à venda.
Não menos interessante é o 1900. Provar um vinho com mais de 100 anos é uma experiência única.

Resta-me deixar um agradecimento à Andresen, por ter tornado possível uma prova deste nível, com vinhos que são muitos deles verdadeiras raridades.

Carlos Amaro

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Visita às caves Croft


Fundada há mais de 300 anos (os primeiros indícios da sua actividade datam de 1678), a Croft é uma das mais antigas casas de vinho do porto, sendo as suas caves as mais antigas das que ainda se encontram em funcionamento.
Tendo sido adquirida recentemente pelo grupo Fladgate (Taylor's e Fonseca), situa-se em Gaia um pouco acima do cais, no local original da sua fundação. Chegámos lá por uma rua de pedra que nos fazia crer que ali o tempo tinha parado há uns séculos atrás.
Aguardámos a nossa visita na esplanada com vista para o Douro, enquanto nos serviram um porto branco. O vinho era bom, mas nada de especial.
Aproveitei a espera para provar também o tawny Croft 10 anos, cuja prova não estava incluída na visita, e este sim, já era um vinho mais ao meu gosto, com notas de baunilha e caramelo no nariz, na boca era elegante mas desaparecia rapidamente o sabor.
Começámos a visita às caves, que impressionam pela côr das madeiras muito escurecidas pelo tempo. O chão de gravilha e muitas centenas de pipas completam o belíssimo quadro, com os balseiros enormes em fundo. Foi rápida a visita, terminando com uma prova de Croft Reserva, um porto ruby que não entusiasmou muito.
Ainda tivemos oportunidade de degustar o Croft Pink, um porto rosé servido fresco, que apesar de não ser um vinho que me cative, bebe-se muito bem como aperitivo, ou como long-drink com gelo. A trufa de framboesa que o acompanhou ligava muito bem.
Terminámos com o Croft 20 anos, o tawny mais velho comercializado pela casa, que nos deliciou com um nariz mais intenso e complexo que o do irmão mais novo, e uma boca muito rica e sedosa, com um final persistente. Muito bom este 20 anos, e a um preço razoável. Acabámos por trazer uma garrafa deste, para além de uma de porto Pink que estava incluída na visita.
Na Croft comercializam também o LBV (Late Bottled Vintage), e dois Vintages: o Croft clássico, e o Quinta da Roêda.
Ainda lá têm Croft vintage 1977 e 1994, mas a preços proibitivos. O de 1985 já não se encontrava lá à venda. Existem outros anos disponíveis como 2000, 2003 e 2007, para o Croft Vintage, e 1995 para o Quinta da Roêda.
Foi uma tarde muito bem passada, com destaque para a simpatia do pessoal da casa que nos atendeu muito bem.
Um bom exemplo de enoturismo.

Frederico Santos

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prova de porto Vintage



Prova realizada na sala castanha do Mercado Negro em Aveiro, depois de jantar.
Foi dedicada ao vinho do porto vintage, e tentámos seleccionar bons exemplares de vários anos, e de vários estilos.

- Graham's 1970
- Dow's 1980
- Graham's 1985
- Vesúvio 1994
- Fonseca Guimaraens 2001
- Noval Silval 2005
- Niepoort 2007

Acompanhámos com:
- queijo da serra e tostas
- ovos moles
- amores da curia
- chocolates Michel Cluizel

Os três vinhos mais antigos foram decantados antes de jantar, e os restantes também foram abertos nessa altura.

Começámos a prova pelo mais velho, o Graham's 1970, que apresentou uma côr alaranjada, nariz complexo e suave. Na boca era delicado, sedoso, ainda com alguma intensidade, e final longo. Um bom vintage de 40 anos, em estado óptimo de maturação. Este não se deve guardar muito mais.

Passámos ao Dow's 1980, uma força da natureza este vinho com 30 anos. Ainda de côr ruby, de nariz intenso e rico de aromas. Apesar da idade ainda preserva muitas notas de fruta, uma bela mistura de especiarias e uma base aromática de licor de Cassis que achamos fabulosa. A boca é cheia de sensações de potência equilibradas pela elegância da sua idade. Um aspecto que demonstra a complexidade de boca deste vinho é o facto de ser muito difícil de "descodificar", cada prova de boca transmitia sensações novas e difíceis de referenciar. Um dos provadores (Mário Rui) lembrou-se da ameixa de Elvas como referência, pode ter sido delírio... Foi o vinho que tinha mais depósito ao ser decantado. Muito bom de se beber agora, mas ainda está para durar.

Seguiu-se o Graham's 1985, um vintage clássico com 25 anos, com côr ruby mais suave, um nariz complexo onde já se sentem aromas mais maduros de passas, especiarias. Na boca é intenso e tem um final muito prolongado. Um muito bom vinho.

Continuámos com o Quinta do Vesúvio 1994, um vinho de 15 anos, de côr muito escura. O nariz é exuberante, numa mistura de fruta madura, chocolate negro e especiarias, muito sedutora. Na boca é redondo e mais vinoso, com uma grande complexidade e potência. Um vinho intenso e sedutor, que está aí para durar muito anos, vai ter de certeza um futuro auspicioso.

Mudámos de milénio com o Fonseca Guimaraens 2001, de côr ruby escura, de nariz intenso, boca pujante onde os taninos marcam presença. Apesar de não ser uma declaração clássica, este vinho está para durar décadas.

Seguiu-se o Noval Silval 2005, um vinho aveludado, de nariz complexo, com aromas silvestres e muito mineral, intenso na boca, deixando uma boa recordação. Talvez o vinho com estilo mais seco na boca de todos os provados, agradou muito.

Terminámos com o Niepoort 2007, um vinho novo, no nariz tem algumas notas de chocolate e aromas de fruta fresca. Na boca é muito intenso, ainda com as garras de fora. A guardar.

Segue a média das pontuações dadas, onde se destacaram o Dow's 1980 e o Vesúvio 1994:


  • 18,5 - Dow's 1980
  • 18,4 - Vesúvio 1994
  • 17,8 - Noval Silval 2005
  • 17,8 - Graham's 1970
  • 17,4 - Graham's 1985
  • 16,9 - Niepoort 2007
  • 16,9 - Fonseca Guimaraens 2001

Frederico Santos
Carlos Amaro
Mário Rui Costa

domingo, 7 de março de 2010

Prova de Vintages Fonseca

No último dia da Essência do Vinho rumamos de novo ao Palácio da Bolsa para mais uma prova, desta vez de portos Vintage da Fonseca.
A prova decorreu no Salão Árabe, e foi conduzida por David Guimaraens, enólogo da casa Fonseca.
Os vinhos provados foram os Fonseca 1985, 1994, 2000, 2007, e os Fonseca Guimaraens 1987, 1995, 2001.
A diferença entre as duas marcas de vinho tem a ver com a declaração de ano Vintage. Quando a Fonseca considera o ano como tendo qualidade suficiente para merecer uma declaração de Vintage clássico, é declarado um Vintage Fonseca. Nos anos em que a qualidade não chega a esse patamar, ao contrário da maioria das marcas de vinho do porto, que optam por lançar vinhos "single-quinta" nos anos em que não declaram vintages clássicos, a Fonseca lança um blend das suas quintas, em tudo idêntico a um ano clássico, só que o vinho é lançado como Guimaraens.
Para ter uma ideia do patamar de qualidade imposto pela Fonseca para declarar os seus vintages clássicos, nunca houve uma década em que fossem declarados mais do que 3 colheitas como vintage Fonseca.
Avançando para as provas.
Fonseca 1985: Apesar de já ter 25 anos, o vinho parece muito mais jovem. Pela côr não está diferente do 94 ou 95, com uma bonita côr ruby. Tem um nariz fantástico, de grande complexidade, ainda com muita fruta madura, especiarias, ameixa e algumas notas de chocolate. A boca é quase perfeita, frutos vermelhos, notas de bosque, figos secos, chocolate negro. Um vintage fabuloso, que promete continuar ainda a melhorar. Está para durar mais umas décadas.
Guimaraens 1987: Mais evoluído do que o 85, mais pronto para beber já, tem já a complexidade de vintages velhos. Menos fruta já, mais floral, muitas especiarias, como num bazar oriental, mais algum chocolate, tudo com muita elegância.
Fonseca 1994: Este vinho recebeu nada menos do que 100 pontos da Wine Spectator. Neste momento está ainda algo fechado, mas o vinho está muito prometedor. Apesar de ter passado a exuberância da juventude e de precisar de mais anos em garrafa este vinho tem uma complexidade fora do comum. Muita elegância, apesar da fase fechada. Frutos do bosque, floral, ameixas, e um final enorme, que simplesmente não acaba. Este vinho deverá começar a ser bebido lá para 2020. Está nitidamente feito para durar.
Guimaraens 1995: Mais fácil de beber já do que o 94. Tem muita fruta, mas não me pareceu tão fresco como os restantes. Mais quente, aparentemente mais doce, com figos maduros e muito chocolate negro.
Fonseca 2000: Um vinho fantástico. Ainda na fase da juventude, encorpado, fruta e especiarias em força, mas muito em elegância, taninos muito finos. Está um grande vinho, muito bom agora.
Guimaraens 2001: Talvez o único Guimaraens dos pares provados com maior estrutura e corpo do que o irmão Fonseca do ano anterior. É um vinho com uma força bruta, estrutura fabulosa, muita fruta, um nariz totalmente sedutor, impossível de parar de cheirar. Na boca sucedem-se em catadupa as sensações. Fiquei seduzido por este vinho. E a um preço de "saldo" comparado com os irmãos mais velhos.
Fonseca 2007: Mais um vinho que me seduziu por completo. É o vintage mais novo, neste momento apresenta-se como o "ruby perfeito". Tem a fruta, o floral, os taninos, o chocolate, tudo em grande, mas ao contrário de outros vintages novos, tudo muito afinado, nada difícil de beber já. Praticamente impossível resistir-lhe agora, vai dar grande satisfação a quem o conseguir.

Para beber agora escolheria os 87, 2001 e 2007.
Com mais potencial o 85 e 94.

Carlos Amaro


Acrescento ainda que os vinhos foram provados aos pares, comparando vintages Fonseca e Guimaraens de cada década, em que por regra os Guimaraens se apresentavam mais evoluídos e prontos para beber, e os Fonseca mais robustos ainda com muito para durar.
A excepção foi o Guimaraens 2001 que mostrou mais estrutura que o Fonseca 2000.
Foi referido pelo enólogo que o Guimaraens 1976, não incluido nesta prova, é um vintage monstro.

Frederico Santos

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Grande prova de Porto Vintage 2007


Foi no Palácio da Bolsa, no Porto, que foi realizada a declaração oficial de vintage 2007, pela Confraria do Vinho do Porto.
Depois da cerimónia, foi aberta ao público uma grande prova no Pátio das Nações, onde estiveram mais de 30 produtores com os seus vintages 2007.
A entrada para o público custava cinco euros, com direito a um copo oficial de vinho do Porto, e um livro de notas com duas páginas para cada produtor e com o nome dos respectivos vinhos apresentados.
Não consegui provar todos, mas foi uma oportunidade de apreciar diferentes estilos de vintage, pois havia vinho para todos os gostos.
Seguem algumas apreciações, numa escala de 0 a 20.

Adriano Ramos Pinto:
  • 17,0 - Porto Vintage, com um belo nariz, muita estrutura a indicar que será um vinho para aguentar muitas décadas na cave.
  • 16,5 - Qta . de Ervamoira Porto Vintage - nariz mais suave, e boca mais redonda.

Para a Quinta do Noval, foram declarados três vintages 2007, todos excelentes. Em 2007 não foi declarado vintage para a vinha Nacional.
  • 17,5 - Quinta da Romaneira, é talvez o que está mais apetecível como novo, mais suave.
  • 18,0 - Noval Silval, tem um nariz muito intenso e complexo, este cheirava-me a castanhas, entre outras coisas. Na boca é muito redondo, mas com estrutura.
  • 18,5 - O Noval é mais austero, mais fechado, mais denso.
Quinta Nova de Nossa Sra. do Carmo, gostei muito do nariz, na boca tambem está muito bom, mas ainda pode afinar mais um pouco: 16,5.

Quevedo Porto Vintage, um nariz muito intenso, com aromas herbáceos, na boca é muito redondo. Foi a melhor surpresa da prova, e a um preço um pouco mais acessivel que a maioria: 17,0.

Quinta de Vale Meão Porto Vintage, talvez ao estilo da Noval, mas não ao mesmo nivel: 16,0.

Niepoort Porto Vintage, muito equilibrio, nariz complexo com notas de chocolate, de fruta madura, especiarias. Na boca é potente de forma bem controlada: 17,5.

Taylor's, nariz frutado sem excesso, potente na boca com bons taninos muito bem equilibrados: 17,5.

Quinta do Portal, é bom, mas há melhor: 16,5.

Sogevinus:
  • 17,0 - Kopke, num estilo mais austero, sem ser exuberante mas com tudo no sitio.
  • 16,0 - Burmester, é bom mas não me entusiasmou por aí além.
  • 15,5 - Barros.
  • 15,0 - Cálem.

Ferreira Porto Vintage, bom nariz, achei-o demasiado alcoólico na boca para o meu gosto: 16,0.

Dow's Porto Vintage, austero, com um belo nariz, e uma boca muito correcta, é um vinho ao meu gosto: 17,0.

Vesúvio Porto Vintage, muito frutado, mas sem exageros, na boca é um néctar: 18,0.
Já não havia o Capela do Vesúvio quando lá cheguei.

Vista Alegre Porto Vintage, também me agradou bastante: 16,5.

Quinta do Tedo, está muito bom, e promete ser um vinho para guardar por várias décadas, pois para além de um nariz complexo ainda algo fechado, tem boa estrutura: 17,0.
Savedra: 16,5.

Os vintages de 2007 estão tão bons que acabei por beber um pouco mais do que devia, e no dia seguinte acordei um bocado enjoado de tanto porto. Mas nada que não se curasse com um bom almoço.
Fica um agradecimento especial para o meu amigo Rui, que insistiu em vir a conduzir para Aveiro no fim da noite, apesar de ainda estar a recuperar de um braço partido. É bom ter amigos assim.

Frederico Santos

sábado, 7 de março de 2009

Vintages clássicos da Taylor's




Foi durante o evento "Essência do Vinho" organizado anualmente no palácio da bolsa no Porto que realizámos esta prova.
Tratava-se de uma prova comentada de vintages clássicos da casa Taylor's, apresentada pelo enólogo David Guimaraens, onde foram provados 8 vintages Taylor's entre 1977 e 2003, faltando apenas o de 1983.
Esta prova decorreu na sala do tribunal do palácio da bolsa, onde foram realizadas as Entronizações da Confraria do Vinho do Porto até 1995, antes de transitarem para o Pátio das Nações, onde ao mesmo tempo que decorria a nossa prova estavam as bancas dos produtores num verdadeiro reboliço, pois era sábado à tarde.

Os vinhos apresentados foram:

  • 1977 - côr ligeiramente atijolada, no nariz sobressaem passas, chocolate, especiarias, embora contenha muito mais aromas na sua complexidade. Na boca é sedoso, com um final interminável. Muito elegante. Um vintage com 32 anos no seu estado maduro.

  • 1980 - côr ruby pálida, com algumas notas de passas e massapão, muita fruta, menos complexo que o de 1977. Na boca sentem-se bons taninos, "spicy", tem um final muito longo.

  • 1985 - côr ruby menos pálida, nariz suave mas complexo, na boca muita estrutura e muito equilibrio. Bom para guardar pelo menos uma década.

  • 1992 - côr ruby, nariz muito complexo, já perdeu a fruta jovem, na boca é forte mas muito equilibrado nos taninos. Gostei muito deste. Notou-se uma diferença relativamente ao estilo dos 3 vinhos anteriores.

  • 1994 - côr mais aloirada que o 92, muita complexidade: frutos silvestres, couro, chocolate. Na boca é muito redondo, sente-se a intensidade da fruta. No final fica alguma adstringência.

  • 1997 - côr mais ruby que o anterior, aromas de ameixa madura, azeitonas, chocolate, especiarias. Muito bom na boca, com alguns taninos bem equilibrados. Um vintage de concentração.

  • 2000 - mais ruby que o anterior, muito complexo e intenso no nariz, muita fruta, couro. Na boca sentem-se os taninos que não deixam uma boa recordação no final, que é muito longo.

  • 2003 - côr retinta, nariz muito concentrado, complexo mas equilibrado. Na boca é extraordinário, potente e redondo ao mesmo tempo.
Os que mais me impressionaram, foram o 1977 e o 1980 pela complexidade e elegancia, o 1992 pelo potencial, e o 2003 pelo equilibrio.
Eram todos vinhos excelentes, pelo que não vou pontuá-los. É curioso como todos os anos são diferentes, com caracteristicas muito distintas. Vinhos com personalidade.

No final, ainda fomos dar uma volta rápida por alguns stands, onde ainda provei:
- Niepoort colheita 1987 (excelente)
- Dalva colheita 1975 (nariz óptimo, mas na boca tem um travo que não me agradou)
- Noval vintage Silval 2005 (divinal)
Dos quais destaco o vintage da Quinta do Noval, que me seduziu por completo.

Frederico Santos

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Jantar Vintage

O objectivo do jantar era abrir uma garrafa de porto Niepoort Vintage de 1982.
O jantar foi em casa do Fred, com 8 participantes, e o menu foi:

- Foie-Gras grelhado, com confit de cebola e chutney de manga
- Lombinhos de veado assados com batata gratinada e molho de frutos silvestres
- Chocolate preto e ovos moles

Os vinhos servidos foram:

- Matua Valley Botrytis Riesling 2007 (NZ)
- Casal Figueira 9,5
- Jota 2005
- Batuta 2001
- Robustus 2004
- Porto Niepoort Vintage 1982
- Porto Pintas Vintage 2005
- Porto Niepoort Vintage 2005
- Porto Niepoort 10 Years Old White


O Jota 2005, apesar de ser um vinho 4 vezes mais barato que os outros tintos, não se desenquadrou, e mostrou-se um vinho muito agradável e equilibrado.

O Batuta 2001 estava muito bom, a acusar a idade com uma ligeira côr atijolada, um nariz suave mas complexo, muito redondo na boca e a deixar uma boa recordação no final. Tinha muito depósito, acho que foi aberto em boa altura.

O Robustus 2004 é um vinho dificil de não gostar, irrepreensivel no equilibrio, com fruta qb no nariz, na boca é fresco e sente-se o sabor das boas uvas com que foi feito, amaciado pela madeira mas sem se sentir qualquer sabor "amadeirado", tal é o equilibrio conseguido. Um vinho excelente.

O vintage de 1982, depois de ser decantado algumas horas antes, estava divinal, a côr aloirada escura, o nariz intenso e delicado onde sobressaiam as passas de uva, muito elegante, na boca parecia seda.

Abrimos o vintage Pintas 2005, que estava muito bom, mas com um perfil completamente distinto, neste vintage novo o nariz era mais intenso e mais bruto, a atirar-nos com notas de frutos silvestres e ameixas maduras, muito frutado, na boca mostrou-se algo desiquilibrado para o meu gosto, demasiada fruta torna-o um pouco enjoativo.

Abrimos um vintage Niepoort 2005, que continua a ser dos melhores vintages novos que tenho provado, muito intenso no nariz, com mais complexidade, tambem muito frutado mas sem enjoar. Potencia controlada. Este vintage promete.

Entretanto ainda houve quem provasse um colheita Kopke 1978 que andava aberto lá em casa, para felicidade do Ivo era do ano em que ele nasceu, este com mais madeira no nariz, num estilo diferente, mas comparável com o vintage de 1982, pela sua elegancia e fineza.

Abrimos ainda um porto branco de 10 anos, engarrafado em 2008, uma novidade da Niepoort, cujo nariz era delicioso, com notas de passas que me fizeram lembrar o moscatel, mas na boca é seco, o que o torna um excelente aperitivo.

Cumprimos assim o nosso objectivo pedagógico que era provarmos um vintage com mais de 20 anos.
Fiquei a saber que os vintages velhos ganham aromas de passas de uva, enquanto os colheitas velhos (os unicos vinhos que posso comparar com este vintage) ganham aromas de madeira velha e frutos secos.

Dois estilos diferentes de porto envelhecido, ambos muito elegantes e finos, de tal modo que não me consigo decidir de qual gosto mais.

Tenho de continuar a provar...

Frederico Santos

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Os melhores do ano de JPM

Jantar "Os melhores do ano" no Degusto.
Tendo como tema os vinhos do ano seleccionados por João Paulo Martins, no seu guia de vinhos para 2009, foi organizado este jantar pela loja "vinhoecoisas".
Trata-se de uma lista de cerca de 20 vinhos topo de gama, que não quisemos perder a oportunidade de os provar lado a lado.
Fomos eu, a Telma Mota e o Carlos Amaro.

Começou com o espumante Murganheira Vintage 2004, acompanhado de uns canapés, dos quais destaco umas tarteletes de figo com presunto.

Seguiram-se 2 brancos:

  • Redoma Reserva 2007 (Douro)
  • Guarda Rios 2007 (Ribatejo)
Para o jantar foram colocados à disposição 12 tintos, cada pessoa tinha 2 copos, e podia ir-se servindo dos vinhos que quisesse.
Lá consegui prová-los todos, por esta ordem:

  • Quinta do Noval 2005 (Douro)
  • Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2006 (Douro)
  • Aneto Grande Reserva 2006 (Douro)
  • Robustus 2004 (Douro)
  • Abandonado 2005 (Douro)
  • Quinta da Viçosa 2005 (Alentejo)
  • Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2005 (Ribatejo)
  • S de Soberanas 2005 (Terras do Sado)
  • Quinta da Pellada TN Reserva 2006 (Dão)
  • Quinta dos Carvalhais Único 2005 (Dão)
  • Quinta das Marias Garrafeira 2005 (Dão)
  • Calda Bordaleza 2006 (Bairrada)
Da selecção dos melhores vinhos do ano do Guia 2009, faltaram 4 vinhos nesta prova:

  • Barca Velha 2000 (Douro)
  • Pintas 2006 (Douro)
  • Qta. do Ribeirinho Pé-Franco (Luis Pato - Bairrada)
  • Mouchão Tonel 3-4 (Alentejo)
Fiquei com a sensação de que estes 4 produtores não os quiseram pôr lado a lado com vinhos deste calibre, para não perderem o estatuto de topo já conquistado, o que é de lamentar.

Os vinhos eram todos excepcionais, o que torna muito dificil a sua classificação.
Eram todos vinhos de grande afinação, com muita complexidade, e dizer que um era melhor que o outro dependia apenas do gosto pessoal de cada um.
Os 4 que mais me agradaram foram:
- Quinta do Noval, lento a abrir, mas vai crescendo no copo até se tornar um festival de aromas e sabores.
- Adandonado, um vinho distinto, com notas quimicas no aroma.
- Robustus, uma perfeição de vinho, muito equilibrio, menos madeira e mais uva.
- Quinta do Monte d'Oiro, muita elegancia, amoras, couro...
Se tivesse que escolher um, talvez fosse o "Abandonado" de Domingos Alves de Sousa, que de alguma forma se distinguia dos outros pela positiva.

O jantar foi magnifico, segue a ementa:

  • Torta de grelos recheada com morcela e maçã
  • Peito de pato com frutos silvestres e batata gratinada
  • Risoto de cogumelos porcini com bochechas de porco preto estufadas
  • Cem folhas de Queijo da Serra DOP com marmelada de marmelos
  • Tarte de Nutela com gelado de banana caramelizada
Mas o melhor ainda estava para vir, os portos.
Como a maioria dos vinhos deste guia são de 2006 que não foi ano de vintage nos portos, nesta selecção dos melhores do ano foram incluidos portos tawnies velhos e ainda um LBV de 2004 e um Moscatel de 20 anos:

  • 1955 Burmester Colheita
  • 1957 Kopke Colheita
  • 30 anos Burmester tawny
  • 40 anos Poças tawny
  • Ferreirinha LBV 2004
  • 20 anos Moscatel de Setúbal de JMF
O moscatel já não o provei, mas os portos eram divinais.
Os nossos preferidos foram, os 2 colheitas de 1955 e 1957 e o Poças de 40 anos. Que nectares!
A tarte de nutela com estes portos velhos foi uma ligação muito bem conseguida.

É de louvar o trabalho de toda a gente que concretizou este evento de forma tão feliz, desde o jornalista que escreve o guia, aos produtores, e às pessoas da loja e do restaurante.
Estão todos de parabens, e espero que repitam a proeza para o ano.

Bem hajam.
Frederico Santos