domingo, 7 de março de 2010

Prova de Vintages Fonseca

No último dia da Essência do Vinho rumamos de novo ao Palácio da Bolsa para mais uma prova, desta vez de portos Vintage da Fonseca.
A prova decorreu no Salão Árabe, e foi conduzida por David Guimaraens, enólogo da casa Fonseca.
Os vinhos provados foram os Fonseca 1985, 1994, 2000, 2007, e os Fonseca Guimaraens 1987, 1995, 2001.
A diferença entre as duas marcas de vinho tem a ver com a declaração de ano Vintage. Quando a Fonseca considera o ano como tendo qualidade suficiente para merecer uma declaração de Vintage clássico, é declarado um Vintage Fonseca. Nos anos em que a qualidade não chega a esse patamar, ao contrário da maioria das marcas de vinho do porto, que optam por lançar vinhos "single-quinta" nos anos em que não declaram vintages clássicos, a Fonseca lança um blend das suas quintas, em tudo idêntico a um ano clássico, só que o vinho é lançado como Guimaraens.
Para ter uma ideia do patamar de qualidade imposto pela Fonseca para declarar os seus vintages clássicos, nunca houve uma década em que fossem declarados mais do que 3 colheitas como vintage Fonseca.
Avançando para as provas.
Fonseca 1985: Apesar de já ter 25 anos, o vinho parece muito mais jovem. Pela côr não está diferente do 94 ou 95, com uma bonita côr ruby. Tem um nariz fantástico, de grande complexidade, ainda com muita fruta madura, especiarias, ameixa e algumas notas de chocolate. A boca é quase perfeita, frutos vermelhos, notas de bosque, figos secos, chocolate negro. Um vintage fabuloso, que promete continuar ainda a melhorar. Está para durar mais umas décadas.
Guimaraens 1987: Mais evoluído do que o 85, mais pronto para beber já, tem já a complexidade de vintages velhos. Menos fruta já, mais floral, muitas especiarias, como num bazar oriental, mais algum chocolate, tudo com muita elegância.
Fonseca 1994: Este vinho recebeu nada menos do que 100 pontos da Wine Spectator. Neste momento está ainda algo fechado, mas o vinho está muito prometedor. Apesar de ter passado a exuberância da juventude e de precisar de mais anos em garrafa este vinho tem uma complexidade fora do comum. Muita elegância, apesar da fase fechada. Frutos do bosque, floral, ameixas, e um final enorme, que simplesmente não acaba. Este vinho deverá começar a ser bebido lá para 2020. Está nitidamente feito para durar.
Guimaraens 1995: Mais fácil de beber já do que o 94. Tem muita fruta, mas não me pareceu tão fresco como os restantes. Mais quente, aparentemente mais doce, com figos maduros e muito chocolate negro.
Fonseca 2000: Um vinho fantástico. Ainda na fase da juventude, encorpado, fruta e especiarias em força, mas muito em elegância, taninos muito finos. Está um grande vinho, muito bom agora.
Guimaraens 2001: Talvez o único Guimaraens dos pares provados com maior estrutura e corpo do que o irmão Fonseca do ano anterior. É um vinho com uma força bruta, estrutura fabulosa, muita fruta, um nariz totalmente sedutor, impossível de parar de cheirar. Na boca sucedem-se em catadupa as sensações. Fiquei seduzido por este vinho. E a um preço de "saldo" comparado com os irmãos mais velhos.
Fonseca 2007: Mais um vinho que me seduziu por completo. É o vintage mais novo, neste momento apresenta-se como o "ruby perfeito". Tem a fruta, o floral, os taninos, o chocolate, tudo em grande, mas ao contrário de outros vintages novos, tudo muito afinado, nada difícil de beber já. Praticamente impossível resistir-lhe agora, vai dar grande satisfação a quem o conseguir.

Para beber agora escolheria os 87, 2001 e 2007.
Com mais potencial o 85 e 94.

Carlos Amaro


Acrescento ainda que os vinhos foram provados aos pares, comparando vintages Fonseca e Guimaraens de cada década, em que por regra os Guimaraens se apresentavam mais evoluídos e prontos para beber, e os Fonseca mais robustos ainda com muito para durar.
A excepção foi o Guimaraens 2001 que mostrou mais estrutura que o Fonseca 2000.
Foi referido pelo enólogo que o Guimaraens 1976, não incluido nesta prova, é um vintage monstro.

Frederico Santos

3 comentários:

Frederico Santos disse...

Gostei da expressão "rumamos de novo ao Palácio da Bolsa". É que foi mesmo uma peregrinação esta Essência do Vinho 2010.

Mário Rui disse...

AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH...QUE INVEJA...

Chief disse...

Tb n pude comparecer!!! E tanto me custou... Adorava ter estado nesta prova em especial!