terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quinta das Marias Reserva Cuvée TT 2008

Produtor: Peter Viktor Eckert - Quinta das Marias
Vinho da região do Dão, produzido a partir do duo Tinta Roriz e Touriga Nacional.
Produção limitada a 6000 garrafas, esta garrafa tinha o número 5421.


Vinho de cor bem intensa, quase opaco, com bonito violeta no rebordo.
Nariz sedutor, aromas a fruta preta, toque floral (violeta), algumas notas abaunilhadas e de especiarias, e ainda algum chocolate negro a compor um belo conjunto.
Na boca, tem uma boa estrutura, bastante encorpado. Segue a prova do nariz, com a fruta bem acompanhada por alguma tosta da madeira, especiarias (notas a pimenta), tudo amparado numa frescura muito presente.
Muito bom vinho, bem equilibrado entre estrutura e elegância.
Nota: 17
Preço: 15-17€

Carlos Amaro

domingo, 1 de janeiro de 2012

Top de 2011

Segue uma lista de 15 vinhos que mais prazer me proporcionaram no ano de 2011.
São 4 brancos, 5 tintos, e 6 portos. Todos nacionais.

brancos:
Quinta das Bageiras garrafeira 2009 (Bairrada)
Bussaco 2001 (Bairrada)
Monte das Servas Colheita Seleccionada Branco 2009 (Alentejo)
Castello D'alba Vinhas Velhas Códega do Larinho 2009 (Douro)

tintos:
Charme 2009 (Douro)
Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2004 (Lisboa)
Chryseia 2006 (Douro)
Quinta dos Termos - Garrafeira 2004 (Beira Interior)
Lua Nova em Vinhas Velhas 2009 (Douro)

portos:
Niepoort colheita 1863
Taylor's Scion (1855)
Noval Nacional vintage 1994
Warre's Colheita 1937
Messias colheita 1977
Adelaide vintage 2009

Tanto os dois últimos brancos, como os dois últimos tintos, são vinhos bastante acessiveis, com um preço entre os 5 e os 10 euros.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2011 em revista: Vinhos em destaque


Viva,

2011 foi para mim um ano atípico, porventura o ano da última década em que estive menos ativo neste meu hobby que é a degustação de vinhos. Em consequência foi também o ano em que menos notas de prova publiquei, em que menos partilhei. Quem me conhece bem sabe o quão atípico isto é, estou a ficar velho :-)

Em consequência não quero publicar uma lista dos "Melhores de 2011" como o amigo Carlos publicou e como o amigo Fred irá fazer (acho...). Vou limitar-me a identificar a meia dúzia de "espécimes" que mais me impressionaram este ano, sem nenhuma ordem em particular. 

Primeiro "espécime": Quinta das Bageiras Garrafeira 2009. Começa a ser um lugar-comum falar maravilhas deste branco carregado de personalidade bairradina, portador de uma mineralidade invulgar e de uma secura maravilhosa. É um branco único, porventura existem melhores para alguns, eu não o troco por nada...

Segundo “espécime": Quinta da Pellada Primus 2009.Um branco do Dão e de Álvaro de Castro que apenas conheci este ano. É para mim o melhor branco Português (polémico), Ex équo com o Bageiras Garrafeira. Deste realço uma frescura infindável, parece que brota diretamente da rocha. Magnifico.

Terceiro “espécime":  Niepoort Robustus 2007. Outro lugar-comum, sempre que me pedem um tinto de categoria penso logo neste. É uma combinação explosiva de corpo e elegância, mastiga-se mas não enjoa. Este vinho faz-me ver Santos e outro tipo de aparições...

Quarto "espécime":  Roquette e Cazes 2008. Uma estreia absoluta para mim, degustado este mês, impressionou-me grandemente, sendo um tinto muito meu estilo, com nariz de fruta madura exuberante e algum cacau e muito fino e elegante na boca. Fiz prova quase em simultâneo do Vinhas Velhas da Quinta do Crasto 2009 e nesta fase embrionária parece-me que está mais bem conseguido.

Quinto "espécime":  Porto Taylor's Vintage 2009. Escrevi recentemente sobre este vinho dizendo "... combinação de potência e elegância invulgar, notas muito bonitas de folha silvestre bem verde e casada com fruta vermelha e azul muito madura. " e dizendo também que no meu entender supera 2007 e acho que isto diz tudo. Num ano polémico para o lançamento de Vintages digo, se forem todos desta estirpe bem que podem lançar todos os anos, para as urtigas aquela coisa de dois ou três lançamentos por década.

Sexto "espécime": Louis Roederer Cristal 2002. O amigo Mário Sérgio teve a amabilidade de nos dar a "cheirar" esta preciosidade numa das muitas provas que organizamos nas Bageiras. Conhecendo a sua história e valor monetário espero não estar sob efeito de sugestão quando digo que é um dos grandes champagne deste mundo. De início até fiquei surpreendido com a sua aparente simplicidade mas com o evoluir de prova foi uma verdadeira orgia de aromas e sabores em constante mutação. Citando um tipo que conheço bem "É um vinho que impressiona fortemente os sentidos e que convida à meditação".

Ficam como boas sugestões de compra (Cristal à parte :-) ), na minha humilde opinião... 
Desejos de um 2012 bem regado... Pessoalmente espero estar mais presente neste nosso meio de convívio...

Mário Rui da Costa

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Melhores Vinhos de 2011


Com o ano praticamente no fim, segue a lista do que foi para mim o melhor que bebi no ano de 2011.
Tentei cingir-me a apenas 10 vinhos de cada categoria, mas a tarefa revelou-se demasiado dificil, e alarguei ligeiramente para 12.
Apenas nos espumantes/champagnes a lista foi reduzida, uma vez que não variei muito na minha prova desse tipo de vinho.

Tintos
Quinta da Gaivosa 2005
Sidonio de Sousa Garrafeira 2005
Robustus 2007
El Pecado 2008
Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Quinta da Romaneira 2007
Altas Quintas Reserva-do 2005
Quinta do Vale Meão 2008
Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2004
Clape Cornas 2007
Domaine Armand Rousseau Chambertin Grand Cru 2008
Quinta do Noval 2008

Brancos
Quinta das Bageiras Garrafeira 2009
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009
Primus 2009
Vinha Formal 2008
Bussaco 2001
Soalheiro Primeiras Vinhas 2010
Castello D'alba Vinhas Velhas Códega do Larinho 2009
Quinta do Pinto 2008
Domaine Roulot Meursault “Meix Chavaux” 2008
Chanson Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2004
Vértice 2009
Redoma Reserva 2009

Generosos
Taylors Vintage 2009
Quinta do Noval Nacional 1994
Quinta do Vesuvio 1994
Graham's 30 anos
Graham's Vintage 1970 Private Cellar
Quinta do Noval Colheita 1937
Quinta do Noval Colheita 1964
Andresen Colheita 1910
Ferreira Duque De Bragança 20 Anos
Andresen Colheita 1991
Blandy's Bual 1920
Blandys Malvasia 1992

No que diz respeito a esta lista de vinhos generosos, há um outro vinho que não adicionei mas que quero referir: o Taylor's Scion é dos melhores vinhos que já provei (não só este ano, mas desde sempre). Mas pelo facto da sua disponibilidade ser tão diminuta achei que não fazia sentido incluir o vinho. De qualquer modo é justo fazer essa referência.

Champanhes/Espumantes
Louis Roederer Cristal 2002
Vértice Millesime 2005
Deutz Rosé Millesime 2004
Moutard - Grand Cuvee Brut
Gosset - Excellence Brut
Champagne R. & L. Legras Saint Vincent 1996

Fred e Mário Rui, fico a aguardar as vossas listas...

Carlos Amaro

domingo, 18 de dezembro de 2011

Meandro 2009

Depois da prova recente do 2008, de que gostei muito, provei agora o Meandro 2009.
O lote mantém-se muito semelhante, tendo este ano 35% Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, 25% de Tinta Roriz, 5% de TintaBarroca e 5% de Sousão).
Nota-se uma consistência na qualidade do vinho, continuando na linha do ano anterior.
Cor rubi escura, com bonitos bordos violetas.
Muito expressivo no nariz, com aromas intensos a frutos vermelhos e notas florais. Algumas notas verdes e especiarias surgem a seguir.
Na boca, segue também bastante na linha dos frutos silvestres, com bela acidez e frescura a equilibrar o conjunto.
Muito encorpado, nota-se ainda notas tostadas da madeira, tudo bem integrado.
Nesta fase está talvez mais unidimensional do que o 2008, muito exuberante, com a fruta e o floral a sobreporem-se um pouco ao resto.
Acredito que com mais algum tempo de garrafa ficará ao mesmo nível.
Nota: 16,5
Carlos Amaro

domingo, 6 de novembro de 2011

Porto Vintage 2009, casas do grupo Fladgate

Viva,

No passado dia 21 de Outubro participei numa prova de Porto Vintage 2009 das casas do grupo Fladgate, gentilmente organizada pela garrafeira Latina Adega, em Aveiro, já agora uma garrafeira que vale a pena visitar tão aprumada é a sua selecção de vinho e tão equilibrada é a sua politica de preços, digamos assim :-)

Indo directo ao assunto, provei Taylor's, Fonseca, Croft e "extra concurso" provei também os vintages Romariz e Quinta do Crasto. Em prova estava também (acho eu, sem ter certeza...) o Taylor's Vargellas 2009 mas não o provei.

Foi uma prova contra relógio (menos de 30 minutos) dados compromissos familiares inadiáveis. Contudo foi tempo suficiente para fazer a vénia a Taylor's e Fonseca, com toda a certeza ao nível dos vintage 2007.

Atrevo-me a dizer que o Taylor's 2009 supera o 2007 com uma combinação de potência e elegância invulgar, notas muito bonitas de folha silvestre bem verde e casada com fruta vermelha e azul muito madura. Apresenta também uma frescura incrível, dá vontade de beber e beber e beber. Com a enorme estrutura e corpo apresentado, com toda a certeza envelhecerá bem e por décadas, assim espero...
Pontuação: 19/20;

O Fonseca apareceu muito em linha com a sua matriz aromática típica, cheirando este vinho em cega apostava as minhas hipotecas como acertava à primeira.Aqui dominam notas de cacau e fruta cristalizada, num nariz muito complexo. Na boca apresenta também enorme corpo e estrutura sendo no entanto menos seco do que o Taylor's e do meu ponto de vista um pouco menos impressionante.
Pontuação: 18/20;

Como cheguei atrasado e não segui a sequência lógica de prova, provei o Croft após os dois anteriores. E esse pode ter sido um problema, porque não fiquei nada impressionado. Parecia sempre pouco e acima de tudo é um vintage feito para deslumbre aromático enquanto novo, com fruta e folhas silvestres muito frescas e  muito evidentes, exuberantes diria. Contudo na prova de boca o vinho cai um pouco e por comparação com os monstros anteriores fica bastante aquém em complexidade. Não me parece um vintage para envelhecer décadas, se assim for ficarei muito surpreendido e acho que descobriram a pólvora, fazendo um vintage para dois tipos de mercado: o dos curiosos e dos pacientes :-)
Pontuação: 16,5/20;

Romariz e Crasto não tiveram uma prova atenta da minha parte, mas o meu primeiro prognóstico é o seguinte: não são vintages, mas são muito bons portos. É preciso ter alguma calma com isto de lançar vintages por dá cá esta palha. Acalme-se a soberba...

Boas provas,

Mário Rui da Costa

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Meandro 2008

A Quinta do Vale Meão é uma das quintas míticas do Douro. Última quinta comprada por D. Antónia Adelaide Ferreira, mantem-se até hoje na posse dos seus descendentes.
As uvas desta quinta durante vários anos eram vendidas à empresa AA Ferreira S.A., tendo servido durante vários anos de base ao Barca Velha. Isto até 1998, ano em que o Barca Velha passa a ser feito na Quinta da Leda, ficando a partir daí as melhores uvas desta quinta para os vinhos Vale Meão.
Este Meandro é a segunda marca da quinta, a seguir ao fantástico Quinta do Vale Meão.

Em 2008 este vinho foi feito das castas 35% Touriga Franca, 25% Touriga Nacional, 25% Tinta Roriz, 5% Sousão, 5% Tinta Amarela e 5% Tinto Cão.
Muito bonita cor rubi bem escura. Tem um nariz fantástico de grande expressividade, frutos vermelhos maduros (amora, groselha), bastante floral, notas a especiarias, algum chocolate.
Muito guloso e sedutor na boca, elegante. Mostra-se a fruta madura, algum abaunilhado da madeira, notas vegetais a pimento, muito mineral, num todo muito fresco e equilibrado. Final longo.
Apesar de muito bom agora, tem estrutura para envelhecer bem por mais uns anos.

Longe dos cerca de 60€ do seu irmão mais velho, este é um vinho que por 10€ tem uma relação preço qualidade muito boa.
Um vinho impossível de não gostar, do qual vale a pena comprar algumas garrafas para ir vendo a sua evolução.

Nota: 17

Carlos Amaro