quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pequeno Pintor 2006


A marca Monte do Pintor, desde que surgiu no mercado, tem sido sempre um porto seguro para vinhos correctos, muito bem feitos, e a preços sensatos.
Para além do Monte do Pintor, nas versões normal e reserva, tem ainda o topo de gama Escultor, e este Pequeno Pintor, que eu não tinha provado ainda.
A versão do ano 2006 é feita a partir de trincadeira e aragonêz que estagiaram 6 meses em barricas de carvalho Allier e 8 em garrafa.
É muito fresco e vivo no aroma, com a fruta vermelha e ameixas bem integradas com notas de barrica.
Na boca é um vinho muito guloso, equilibrado, com taninos afinados e bela fruta.
Está no momento óptimo para consumo. Fiquei fã deste vinho, e certamente que vou comprar mais.
Preço: 7€
Nota: 16,5

Carlos Amaro

Terra a Terra Reserva 2007


Este vinho é produzido por Celso Pereira, produtor dos Vértice e Quanta Terra, de que sou fã.
É uma marca de gama de entrada, e mostrou-se um tinto cheio de fruta, taninos com garra mas bem polidos, de fácil agrado.
Além da fruta madura, algum chocolate, tosta e toque balsâmicos no nariz.
Bom volume de boca, acidez correcta,e mais uma vez os frutos vermelhos. é um tinto guloso, muito bem feito, daqueles impossíveis de não gostar.
E a um preço bem apetecível.
Um vinho que entra directo para a minha lista do dia a dia.
Preço: 8€
Nota: 16

Carlos Amaro

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Restaurante Pedro Lemos

Fui há uns dias atrás a um restaurante que abriu recentemente no Porto e que desde o seu início tem vindo a receber excelentes críticas.O restaurante chama-se Pedro Lemos, liderado pelo chefe do mesmo nome.
O chefe Pedro Lemos tem um currículo muito interessante, o que me aguçou ainda mais a curiosidade para experimentar o seu novo restaurante.
Trabalhou no Porto com Miguel Castro e Silva e Hélio Loureiro, tendo depois seguido para Lisboa onde ingressou na equipa de Aimé Barroyer no Pestana Palace.Esteve depois disso na Quinta da Romaneira, já como Chefe de Cozinha.

Passo de seguida a descrever o jantar.
O menu é muito curioso, com o nome dos pratos quase em pequenas histórias, o que dá um toque original.
Além de poder pedir à carta, existem 2 menus de degustação, o menu 1, composto por 5 partos e menu 2, com 7 pratos.Qualquer um dos 2 menus pode ser acompanhado por uma degustação de vinhos preparada para o Menu pelo escanção.
A minha selecção recaiu no Menu 1, incluindo a degustação de vinhos.
Como entrada foi apresentado um pão cozido no próprio restaurante a acompanhar um excelente azeite e umas boas alcaparras.
Nota muito positiva para o pão e para a qualidade do azeite.
Seguiram-se então os pratos do menu. O nome do prato é o que vem na ementa.

...bacalhau de boas recordações sobre gelatina das bochechas,
a posta desfiada num ouriço com seu aveludado
acompanhada das caras num caldo de poejos
Esta primeira entrada consistia num bolo de bacalhau em formato de ouriço do mar, aberto em cima, com uma espécie de bacalhau com natas dentro do ouriço.Este bolinho de bacalhau vinha sobre pedaços de caras de bochechas de bacalhau, e depois era tudo regado com um caldo de caras de bacalhau e poejo.Foi um prato de que gostei bastante, com um contraste muito interessante de diversas texturas de bacalhau, desde o crocante ao cremoso, e mesmo ao líquido.Muito bem conseguido no seu todo.
Este prato foi acompanhado de Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2008, um vinho que com a sua boa acidez e fruta lidou bem com os vários sabores de bacalhau propostos.

...do bísaro a bochecha em verde tinto guisada,
do seu nectar as filhoses com cominhos e canela,
do céu o leite creme com louro e limão, os rojões da região
Aqui trata-se de uma descontrução de um clássico do norte, os rojões de porco, e foi talvez o que mais gostei. O prato parece quase uma brincadeira, com uma mistura de sabores tão improvável como saborosa. Constituído pelas bochechas de bísaro, muito tenras, a desfiar-se, por uns mini rojões bem fritos e saborosos, leite creme com um toque de limão, e por último uma filhoz com sangue de porco, canela e cominhos.Os sabores fortes das carnes de porco, conjugados com a canela, e com o doce e açucar do leite-creme apresentam-se como uma criação feliz e divertida.
Acompanhou este prato o Morgado Sta Catherina Reserva 2007. Um muito bom vinho, com acidez muito bem conjungada pela madeira, e que conseguiu ligar muito bem com alguma untuosidade do prato.

... deu o diabo,na sertã corado com o fofo do seu alimento,
caneloni de choco e puré de aipo, um saboroso tormento
Este prato era constituído por um filete de peixe-diabo, coberto com uma pasta de sapateira (o seu principal alimento).Ao lado um bisque de Lagosta, e um caneloni de tinta de choco recheado de puré de aipo. Achei este prato muito interessante. Ao provar o caneloni com aipo, por si só o seu sabor pareceu-me demasiado intenso, pouco agradável.O peixe com o creme de sapateira interessante, mas a faltar qualquer coisa. Ao provar tudo em conjunto no entanto, parece que os sabores de equilibram e se tornam num novo, muito melhor. O ponto do peixe, perfeito.
Foi bebido aqui um Quinta do Cidrô Rosé 2008. Para os sabores fortes do peixe, marisco e aipo, não seria fácil encontrar um bom vinho, e fiquei surpreendido com o modo como este rosé encaixou bem no prato.

...o cabrito das terras altas, enrolado e lentamente assado
altar de cenoura em raz el anout,
couscous com hortelã aromatizado
Aqui brilhou a qualidade da carne. Assadura lenta, a deixar a carne tenríssima. A conjugar com o sabor característico do cabrito, uma espécie de folhado de cenoura que achei delicioso.
O vinho foi um Tapada de Coelheiros 2005, que se mostrou num óptimo momento. Os taninos já a começar a amaciar, boa fruta e um corpo capaz de ombrear com o cabrito. Muito bom.

citrinos, em torta com mousse de mascarpone,
pérolas de tapioca em infusão de toranja
A sobremesa foi outro dos pontos altos da noite. Citrinos em diversas apresentações, numa torta com mascarpone, um shot de pérolas de tapioca com toranja. Gomos de tangerina caramelizados e um pudim de laranja óptimo.
Acompanhou um excelente Quinta do Noval LBV 2003

Em resumo, um excelente jantar, num restaurante do qual fiquei definitivamente cliente.Neste momento, não tenho dúvidas em colocá-lo como um dos melhor locais para comer no Porto.

Rua do Padre Luis Cabral, 974
4150-459 Porto, Portugal
Tel: (351) 22-011-59-86
www.pedrolemos.net

Carlos Amaro

Villa Maria Cellar Selection Sauvignon Blanc 2007


Este fim de semana bebi um vinho de uma das várias marcas da Nova Zelândia que se podem encontrar hoje em Portugal: Villa Maria
Os Sauvignon Blancs neo-zelandeses são vinhos de que normalmente gosto bastante. Tipicamente muito exuberantes, com fruta tropical e citrinos, quase sempre associada a uma excelente acidez.
Este exemplar mostra isso mesmo, mas tem ao mesmo tempo uma complexidade e elegância de que gostei. A gama Cellar Selection é a segunda da marca, a seguir ao Private Bin (gama de entrada) e abaixo do Reserve e do Single Vineyard.
Mostrou-se um vinho de nariz intenso, com notas de fruta tropical, maracujá, toranja, lima e ananás. Tem ainda notas herbáceas e algum floral. Na boca, é muito fresco e mineral, muito bem equilibrado com fruta madura e citrinos, mostrando complexidade aliada à concentração. Um vinho de que gostei muito e que vai muito bem com marisco. Para mim no ponto óptimo de consumo.
Preço: 15€
Nota: 16.5
Carlos Amaro

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Luis Pato Vinha Barrosa 2001


Já há algum tempo que andava para abrir o último exemplar que tinha deste vinho, após uns 3 anos desde a garrafa anterior.
Este fim de semana, ao fazer arrumações à garrafeira, não resisti e foi mesmo desta que o voltei a beber.
É sempre um prazer beber um vinho já com alguma idade (apesar de com 9 anos não ser ainda propriamente velho). Os vinhos que envelhecem bem ganham uma complexidade impossível de igualar por vinhos novos.
Abrir o vinho com 2 horas de antecedência foi importante para o bom desempenho, para limpar alguns aromas a garrafa.
O vinho tinha ainda uma cor granada bem carregada.
Nariz com boa intensidade, complexo, com muita coisa por dizer, com aromas balsâmicos, madeira, algum fumado. Após maior evolução no copo, surge a fruta preta, cerejas, ameixas, alguns toques abaunilhados, num conjunto muitíssimo bom, de grande prazer.
Na boca mostra-se em grande forma, pujante, um grande vinho. Fruta lado a lado com tosta de barrica, com acidez correcta, os taninos secos já amaciados, boa frescura, com um final levemente fumado de grande categoria e equilíbrio.
Pareceu-me que ainda tinha uns bons anos de vida pela frente.
Em suma, brilhou a grande altura num almoço, acompanhando uns lombos de porco preto e ratatouille.

Carlos Amaro

Vale D'Algares Selection Branco 2008


Bebi recentemente este vinho, uma novidade do produtor Vale D'Algares, que se coloca num patamar entre o Guarda Rios, entrada de gama do qual gosto bastante e o Vale D'Algares (Viognier), o patamar mais elevado da casa.
Para estreia, gostei muito deste Selection branco 2008, está um vinho muito bom, com um preço muito moderado para a qualidade.
É um vinho com um lote improvável, Alvarinho e Viognier, duas castas de outras zonas, mas que aqui funcionam muito bem juntas.
Tem uma bonita cor amarelo citrino, nariz com muita fruta madura, citrinos, acompanhado por alguma tosta, um toque floral e muito mineral.
Boca com belo perfil, é um vinho muito fresco, muito bem integrado com a barrica onde estagiou, sentem-se os citrinos e fruta madura (pêssego, manga), algum mineral, em harmonia com o leve tostado que confere um bom equilíbrio ao vinho.
Em suma um belo vinho, com excelente harmonia fruta/barrica e bela acidez.
Preço; 9€

Carlos Amaro

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Brancos monocasta

Foi no dia 14 de Maio, que nos juntámos em casa do Enes, para uma prova de vinhos brancos monovarietais, onde o Rui Correia nos presenteou com um belo arroz de tamboril. Éramos 11 provadores, para 10 vinhos.
Começámos pelo argentino Crios Torrontes 2009, que agradou a todos com a sua exuberância de aromas de frutos tropicais e de flores, sendo um vinho muito novo sem madeira, é muito fresco e agradável.
Passámos ao Alvarinho, com o Soalheiro Primeiras Vinhas 2008, que revelou grande complexidade com aromas herbáceos e alguns tostados, aliada a uma acidez bem equilibrada. A boca muito longa e mineral, com alguma fruta no ponto certo. Muito bom.
Seguiu-se um Arinto de Bucelas, o Morgado de Santa Catherina 2007 apresentou-se muito elegante, um vinho fino.
Saltámos para o Chardonnay com um 1er Cru da Borgonha, o Louis Latour "Chenevottes" 2007. Um vinho que se distinguiu não só pela sua complexidade aromática com aromas de baunilha amanteigados, fruta tropical e amendoas, mas também pela riqueza equilibrada na boca, e sobretudo pela sua persistência, com amendoas verdes, notas herbáceas e muito mineral deixando um ligeiro picante no final longuíssimo. Uma maravilha.
Para representar o Sauvignon-Blanc, fomos para o Neo-zelandês Villa Maria Reserve 2007 (já provado aqui). Tinha aromas adocicados, ervas, algo apetrolado. Na boca era doce e ácido em simultâneo, e com comprimento assinalável. Algum desequilíbrio fez com que este vinho não fosse apreciado por muitos dos provadores, não é para todos os gostos. Foi o vinho com maior disparidade de notas.
Seguimos para o Quinta dos Roques Encruzado 2008, que apresentou um nariz excelente, com fumados, ervas aromáticas, algo metálico. Na boca é redondo, mostrando ao mesmo tempo boa estrutura e bom comprimento. Uma revelação.
Continuámos com a uva Bical da Bairrada, representada pelo Luis Pato Vinha Formal 2008. Com um nariz muito bom, onde sobressairam aromas abaunilhados de barrica, toques florais e algum mineral. Na boca tem fruta madura, mas muito mineral e fresco, corpo cheio, com bastante complexidade e elegância. Um vinhão.
Avançámos para a casta Viognier, com o Madrigal 2008. Um vinho da Estremadura que é um luxo, com aromas de ervas de campo, alecrim, na boca tem um equilíbrio fenomenal.
Para representar a uva Antão Vaz tivemos o Dollium Escolha 2006, um alentejano com nariz muito complexo e intenso, na boca também muito bem conseguido o equilíbrio, mas talvez a começar a faltar-lhe alguma estrutura (este já tinha 4 anos).
Finalizámos com a uva Rabigato do Douro, representada pelo Dona Berta "Vinhas Velhas" 2007, que não impressionou muito, talvez por ser já no final de uma grande prova. Este vinho já se apresentou melhor em provas anteriores. Segue a média das pontuações atribuídas:

  • 17,2 Louis Latour Chenevottes 2007
  • 16,1 Quinta dos Roques Encruzado 2008
  • 15,9 Soalheiro Primeiras Vinhas 2008
  • 15,7 Luis Pato Vinha Formal 2008
  • 15,7 Dollium Escolha 2006
  • 15,3 Madrigal 2008
  • 15,3 Morgado Santa Catherina 2007
  • 14,8 Crios Torrontes 2009
  • 13,4 Villa Maria Reserve SB 2007
  • 13,4 Bona Berta Rabigato 2007

Ficámos assim a conhecer um pouco melhor algumas das principais uvas brancas que se usam por cá, bem como alguns exemplares de uvas brancas populares no estrangeiro.

Frederico Santos
Carlos Amaro
Mário Rui