sexta-feira, 17 de junho de 2011

Brancos do Dão na Quinta das Bageiras


Foi no dia 17 de Junho, sexta-feira, que fomos jantar à Quinta das Bágeiras, com o pretexto de fazer uma prova de brancos do Dão.
O jantar esteve a cargo do sr. Simões, com uma entrada de ovas acompanhadas pelo espumante bruto natural colheita de 2009 das Bageiras que está bem bom, seguida de uma belíssima caldeirada, provavelmente a melhor que já comi.
Os vinhos seleccionados para esta prova foram todos de 2009, e todos à base da uva Encruzado, sendo alguns monocasta e alguns com outras uvas.

Começámos pelo Quinta dos Carvalhais - Encruzado 2009, que mantém o nível de qualidade relativamente ao 2007, sendo um vinho bem equilibrado, embora com alguma madeira a mais no nariz para o meu gosto.
Castas: 100% Encruzado
estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho francês
13,5º
~13€

Seguiu-se o Paço dos Cunhas de Santar - Vinha do Contador 2009, que apresentou um nariz mais intenso e complexo, talvez por levar outras castas no lote.
Muito elegante na boca, deixou uma boa recordação.
Castas: Malvasia, Cerceal, Encruzado
estágio de 8 meses em barricas de carvalho francês
14º
~20€

Quinta das Marias - Encruzado 2009, na versão com e sem barrica, provámos as duas e achei os vinhos muito parecidos, no fundo é o mesmo vinho com estilos diferentes, sendo o que levou barricas novas de carvalho francês um pouco mais elegante e complexo, e o outro mais arrebitado e com mais fruta. Dependerá do gosto e da ocasião a escolha de um deles, são ambos muito bons.
A versão sem barrica já tinha sido provada aqui.
Castas: 100% Encruzado
14º
~11€

Quinta dos Roques - Encruzado 2009, continua em grande forma relativamente ao 2008 que já nos tinha impressionado numa outra prova.
É um vinho muito mineral, com a madeira bem integrada de forma imperceptível, de grande equilíbrio, com um final longo e agradável.
Castas: 100% Encruzado
estágio de 7 meses em barricas de carvalho francês
13,5º
~11€

Entretanto a nossa prova foi invadida pelo vinho da casa Bageiras Garrafeira 2009 branco, que ainda não tínhamos provado, e também não destoou muito, sendo um vinho encorpado e muito aromático, acabou por ser um dos vinhos mais apreciados pelos presentes, mas arrumou com a nossa prova, no bom sentido.
Mais um grande garrafeira branco das Bageiras.
Castas: Maria Gomes, Bical
14,5º
~12€

Quinta da Pellada - Primus 2009, uma prova do Dão não podia deixar de ter um vinho de Álvaro de Castro.
Este vinho é feito com predominância de Encruzado e outras castas da vinha velha da Pellada. No nariz apresenta uma complexidade fora do vulgar, na boca é macio e fresco em simultâneo, intenso e elegante, com final de grande persistência. Um vinho de luxo, do melhor que o Dão tem para nos dar.
Castas: Encruzado e outras
13º
~30€

Finalizámos a prova com Julia Kemper 2009, foi talvez o vinho que apresentou o nariz mais exuberante, com muita fruta, flores, e mineral. Na boca é um vinho cordato e bem equilbrado.
Castas: Encruzado e Mavasia Fina, em quantidades iguais
13,5º
~10€

Segue a média das notas atribuidas por 14 provadores.

  • 17,0 Quinta das Bageiras Garrafeira branco 2009
  • 17,0 Quinta da Pellada - Primus 2009
  • 16,8 Quinta dos Roques - Encruzado 2009
  • 16,1 Quinta dos Carvalhais - Encruzado 2009
  • 15,8 Paço dos Cunhas de Santar - Vinha do Contador 2009
  • 15,6 Julia Kemper 2009
  • 15,0 Quinta das Marias - Encruzado 2009
Todos os vinhos selecionados para esta prova são vinhos que têm sido premiados e aclamados pela crítica, e pudemos confirmar que temos muito bons vinhos brancos no Dão.
No geral são vinhos muito aromáticos, com notas florais e minerais, encorpados, têm estrutura para envelhecer bem em garrafa, e são vinhos gastronómicos que precisam de um bom prato para brilharem.
A caldeirada do sr. Simões acompanhou de forma maravilhosa estes vinhos, e depois ainda veio uma açorda feita com a água da caldeirada, que estava simplesmente divinal.

No meio disto ainda se provou o vinho branco Bageiras Colheita 1994, que com os seus 17 anos ainda está para durar, com uma frescura incrível, a fazer lembrar um bom vinho verde.

No final ainda provámos o abafado das Bageiras, que está cada vez melhor, enquanto comíamos um pão de ló à sobremesa.

Após uma passagem pela loja, lá fomos embora um pouco entornados, mas sem incidentes.

3 nos copos, da esquerda para a direita: Frederico Santos, Carlos Amaro, Mário Rui Costa

sábado, 11 de junho de 2011

Contagem decrescente para a prova "Brancos do Dão"...

É já na próxima sexta-feira, dia 17 de Junho. Uma vez mais no "nosso" espaço predilecto, a Quinta das Bageiras onde o Mário Sérgio e o grandioso chef Senhor Simões nos vão receber com um robalo no forno.

Para ir criando água na boca, aqui fica a lista de vinhos em prova:

  • Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2009;
  • Quinta dos Carvalhais Encruzado 2009;
  • Quinta dos Roques Encruzado 2009;
  • Quinta das Marias Encruzado 2009;
  • Júlia Kemper 2009;
  • Quinta da Pellada Primus 2009;
São todos de 2009, três varietais de Encruzado, um de lote com Malvasia, Cerceal e Encruzado (Vinha do Contador), um com Malvasia e Encruzado (Julia Kemper) e um outro com predominância de Encruzado num lote com muitas outras castas oriundas de vinhas velhas (Primus). Ah, e todos com carvalho francês a entrar no processo...

Falando dos produtores, cruzamos propostas de produtores tradicionais com outras de produtores recentes e no meu entender algo "fora da caixa" como é o caso da Julia Kemper.

Venha a prova abrir para todos o maravilhoso mundo dos brancos do Dão, tendo eu a certeza que o robalo do Senhor Simões estará pelo menos à altura dos vinhos em prova.

Boas provas,

Mário Rui da Costa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quinta dos Termos - Beira Interior

Foi na sexta, dia de Portugal, que nos deslocámos à Quinta dos Termos, perto de Belmonte.
Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.
A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho compensam no resultado final.
Tem muita variedade de uvas, com vinhas bem delimitadas, podendo-se perceber na paisagem nuances de tons de verde entre parcelas distintas.
Os solos são graníticos e ricos em sílica.


Visitámos a adega, bem equipada com grandes cubas inox com os lotes identificados, onde podíamos encontrar Touriga Nacional, Tinto Cão, Rufete, Tinta Roriz, Baga, e até Vinhão, uma uva inesperada da região do Vinho Verde, entre muitas outras.


Na cave de estágio são usadas pipas de carvalho francês Allier, com um tempo de vida de cerca de 4 anos.
Ainda passámos pela secção de engarrafamento, e seguimos para a sala de provas, onde tínhamos a gama de mais de 20 vinhos comercializados pela casa à disposição, e nos esperava uma mesa com queijo, presunto, e chouriço e morçela assados. Seguiu-se a prova comentada pelo sr. João Carvalho, proprietário da quinta.


Reserva do Patrão Branco 2010
A casta mais utilizada é o Verdelho.
Côr pálida. Nariz intenso com aromas de fruta , ervas, mineral. Na boca é elegante, encorpado, de final muito longo com ligeiro picante.
Nota: 16,5

Fonte Cal Branco 2010
Nariz menos exuberante, com notas mais herbáceas e menos frutadas. Bem equilibrado na boca, mais encorpado que o anterior, com um bom final.
Um vinho mais gastronómico.
Nota: 16,5

Rosé 2009
Baga
De côr algo carregada para um rosé a fugir para o grená, tem um bom nariz, e a boca está no ponto, nem demasiado suave nem demasiado pesado, bom equilíbrio. Final curto.
Um bom rosé.
Nota: 16

Quinta dos Termos Tinto DOC 2009
De côr ruby opaca, nariz intenso, com notas de frutos silvestres, boca bem equilibrada com ligeiro tanino, final prolongado. Muito bom tinto para o dia a dia.
Nota: 16,5

Vinhas Velhas 2006
Reserva, tem 50% Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, e Sirah de vinhas novas.
Côr ruby, nariz muito complexo, frutos silvestres, tostados, couro.
Boca muito equilibrada, com um grande final.
Nota: 17

Garrafeira 2004
50% Trincadeira
Côr muito intensa para um vinho com 7 anos, nariz mais intenso e complexo que o anterior.
Boca muito rica e concentrada, com um final enorme.
Nota: 17,5

Tinto Cão 2008
Côr muito escura, nariz suave com notas de tabaco, na boca é intenso mas polido, com um final adstringente. Um bom vinho para guardar.
Nota: 16

Reserva do Patrão 2008
100% Sirah
Côr opaca, de nariz complexo, frutado e mineral. Boca muito correcta, final longo com ligeiro picante.
Nota: 17

O Pecado de Virgílio Loureiro 2007
Chama-se pecado por ter sido feito com uma casta estrangeira: Sangiovese.
Um vinho com o mesmo perfil do anterior, mas mais elegante, mais magro na boca, com um final interminável.
Nota: 17,5

Tinta Roriz 2006
Nariz suave, boca macia com final moderado.
Muito elegante.
Nota: 16

Em suma, os vinhos provados eram todos de grande qualidade, sobressaindo para o meu gosto, o Garrafeira 2004 que ainda está para durar, e o Pecado 2007 por ser um vinho diferente e muito bem conseguido.
É de realçar a hospitalidade beirã com que nos receberam, acabámos por demorar mais do que o previsto por nos tratarem tão bem.
Bem hajam.

Frederico Santos

sábado, 7 de maio de 2011

Another Big Day @ Quinta de Napoles - Baga Friends




Foi no passado dia 30 de Abril, logo pela manhã que chegamos à Quinta de Nápoles para mais um evento fantástico organizado pela Niepoort.

Desta vez o evento tinha como nome Baga Friends, acabando por juntar aos produtores bairradinos também alguns produtores estrangeiros representados na Niepoort Projectos, bem como os Douro Boys.


Referindo os produtores que lá estavam, dos Baga Friends estavam representados Filipa Pato, Luis Pato, Quinta das Bageiras, Kompassus, Quinta da Vacariça, Sidónio de Sousa e ainda os Vinhos do Bussaco.

Do Douro, havia para além da Niepoort, Quinta do Vallado, Quinta do Vale Meão, Quinta do Crasto e Vale D. Maria.

De estrangeiros representando os Projectos, estavam alguns dos grandes nomes da Borgonha como Rousseau, Roulot, Pillot, os Champagnes Legras, os grandes brancos de Fritz Haag e Schloss Gobelsburg e o carismáticos espanhóis Telmo Rodriguez e Raul Perez.






À chegada, seguimos logo para a sala de recepção, um belo edifício onde se distribuíram os dísticos com o nome dos convidados e um copo de prova a cada.

Por baixo desse edifício, acede-se a uma mini "cave" climatizada muito interessante, feita pela Cave do Vinho.



Depois da recepção e já munidos de copo, fomos então para as provas, que tiveram lugar na adega, onde estavam montados os stands dos produtores, junto a pipas e pipas de vinho.





Dos vinhos provados alguns destaques:



Nos Baga Friends:

- Sidonio de Sousa Garrafeira 2005: um grande garrafeira, com uma elegância enorme a provar que um bom baga não tem de ser bruto quando jovem

- Vinha Barrosa 2001: um vinho que está cada vez melhor com o passar dos anos

- Vinha Formal 2005: grande branco, ainda com mais uns bons anos pela frente

- Bussaco: primeira prova destes vinhos, comprovaram o estatuto que têm, com Os brancos a mostrarem-se belíssimos.



Estes vinhos do Bussaco apenas se podem provar nos hoteis Alexandre de Almeida, e são realmente muito bons.

Os brancos (provados o 2001, 2003 e 2007) têm uma elegância fora do comum.

O 2001 impressionou-me especialmente, com um aroma fantástico de pessego, mel frutos secos, tudo muito complexo, tendo igualmente uma prova de boca excelente, com uma acidez a balancear bem o mel, frutos secos e notas de madeira.

Nos tintos (provados o 2001 L, 2001 VV, 2004 e 2006) mais uma vez o 2001 foi o meu favorito, neste caso o vv.



Nos Douros:

- Vale Dona MAria 2009 e CV 2009: dois vinhos de 2009 em amostra de casco a indicarem que este ano será realmente fantástico

- Niepoort Robustus 2007: afirma-se como o meu favorito do mundo Niepoort

- Crasto Touriga Nacional2009

- Vallado Touriga Nacional 2009



Nos Estrangeiros:

- Schloss Gobelsburg Riesling Heiligenstein 2004: grande vinho, com aromas a mel, fumados, e uma acidez incrível

- Clape Cornas 2007 na banca dos Projectos

- Armand Rousseau: vinhos Pinot Noir da Borgonha de grande nível, todos eles, com o Chambertin Grand Cru de tirar o fôlego. Grande, grande vinho, talvez o melhor de todo o dia.

- Domaine Roulot: Mersault "Les Tillets" e Mersault "Meix Chavaux" - brancos fabulosos, com grande mineralidade

- Champagne Legras: Presidence 2002 e Evanescence 2002

- Raul Perez: Ultreia 2008 e El Pecado, grandes vinhos, opulentos, cheios de garra e enorme frescura



Depois de todas estas provas, passamos para a parte superior à adega para o almoço, também ele de grande nível.

Logo no topo das escadas surgiram umas ostras, que fizeram boa companhia o Tiara 2009.

Na zona do almoço, várias mesas com vinhos Niepoort e não só que acompanharam bem a comida preparada pelo Chef Rui Paula do DOC.



Começou-se por uma açorda de robalo que estava optima, tendo-se seguido uma coxa de pato confitada sobre espargos e puré, com molhos de trufas. A coxa de pato estava simplesmente divinal, com a carne no ponto optimo, um optimo puré e o toque das trufas e ajudar ao brilho do conjunto.

Nos vinhos bebidos nesta fase destaque para um Redoma 1996 em Magnum e para o Quinta do Vallado Reserva 2004. Ambos fantásticos.



Para a sobremesa, seguimos para o ar livre, onde para além de uma mesa com uma série de doces (incluindo uns macarrons viciantes), a sobremesa era

um cilindro de maçã crocante com canela e gelado.

Nos vinhos para a sobremesa, destque para um Moscatel 1977 da Nieport, directo de uma demijon. Excelente.







Foi um grande evento, com a marca de simpatia e qualidade Niepoort.

Organização impecável, produtores simpáticos e prestáveis, grandes vinhos, comida e catering de grande nível, tudo aliado a um ambiente geral excelente.

Em resumo, um dia magnífico, com provas de grande nível.



Um grande obrigado à Niepoort por organizar eventos destes e principalmente por nos receber tão bem.



Carlos Amaro

sábado, 23 de abril de 2011

Quinta dos Frades Grande Reserva Tinto 2008

Ontem tive o prazer de degustar um fantástico vinho do Douro, uma vez mais da autoria de Anselmo Mendes e João Silva e Sousa. Tal como o nome indica, o vinho resulta da vinificação de vinhas velhas da Quinta dos Frades, a mesma quinta que deu origem a outros dois vinhos que conheço bem e que aprecio bastante para a gama a que se destinam, o "Vinha dos Deuses" e o "Lua Nova em Vinhas Velhas", ambos feitos com as vinhas velhas da quinta. Sobre este este ultimo já escrevi neste blog, é um dos meus vinhos de eleição para o dia a dia e a um preço bem cordato.

A prova deste vinho aconteceu em circunstâncias particulares, a acompanhar um prato de bacalhau de um menu de degustação do restaurante Pedro Lemos (uma experiência gastronómica de elevadíssimo nível, já agora...), onde este vinho acompanhou em perfeição o prato, sendo um complemento perfeito para a harmonia de aromas e sabores do mesmo. Competentíssimo trabalho de escanção, não só por esta combinação...

Focando no vinho, garanto-vos sem qualquer presunção que se não o soubesse com antecipação seria capaz de se o identificar como sendo da dupla Anselmo Mendes e João Silva e Sousa. Exibe uma matriz, um perfil aromático e uma estrutura que começam a ser uma marca de identidade.

Grande volume e estrutura, taninos bem presentes mas redondos quanto baste, enorme intensidade mas elegante e com uma frescura fantástica, o que para um vinho com os atributos descritos não é fácil de conseguir.Final longo e persistente.

No nariz exibe notas de fruta preta bem madura muito bem combinada com notas de terra molhada e algum couro conferindo complexidade.

Um grande vinho, de uma quinta que começa a dar que falar e que aconselho vivamente.
Classificação: 18,5/20.

Boas provas...

Mário Rui Costa

sábado, 9 de abril de 2011

Visita às caves Messias e Graham's

Foi no dia 9 de Abril que fomos a Gaia numa visita organizada às caves. Messias de manhã, e Graham's à tarde.

Messias
Na Messias, visitámos vários edifícios, onde o espaço não abundava, atulhados de pipas, balseiros, garrafas. Tinham lá umas pipas interessantes de colheitas antigos, o Lança 1950 chamou-me a atenção. Estão a recomeçar a investir no vinho vintage, com o 2005, 2007, e provavelmente 2009. As uvas usadas nestes vinhos vêm de 3 quintas principais: do Cachão, do Rei, e do Rodo, sendo as quintas do Cachão e do Rei coladas.
Fizemos a prova numa sala alta com vista para o Porto.

Messias Vintage 2007
côr opaca ruby escura
nariz silvestre, cogumelos, chocolate
boca intensa, bem equilibrada
moderadamente longo

Messias Vintage 2003
côr opaca ruby
nariz com fruta madura, ervas
boca ligeiramente mais taninosa, mais magro
final mais longo

Messias Vintage 1984
côr ambar
nariz complexo, frutos secos, especiado
boca sedosa, algo acoólica
final longo, com ligeiro picante

Passámos em seguida para os tawnies com indicação de idade e colheitas.

Messias Tawny 10 Anos
côr ambar alaranjada
nariz tímido mas complexo
boca equilibrada, algo doce
final longo, picante

Messias Tawny 30 anos
côr mais clara, aloirada
nariz mais complexo, mas suave
boca elegante e sedosa
final muito longo

Messias Colheita 2000
côr ambar avermelhada
nariz complexo, mais fresco e exuberante, fruta madura
boca suave e rica
com longo final
bastante evoluído para a idade

Messias Colheita 1991
côr alaranjada
nariz muito intenso
boca muito equilibrada
final muito longo

Messias Colheita 1985
côr ambar, reflexos amarelados
nariz mais intenso, nozes
boca com alguma acidez a sobressair, melado
final bem longo

Messias Colheita 1977
côr aloirada, a fugir para o castanho, reflexos verde claro
nariz complexo e elegante, caramelo
boca muito elegante, com vinagrinho
final interminável, pica atrás da garganta

Messias Colheita 1963
côr ambar acastanhada, com reflexos esverdeados
nariz mais químico, cola branca
boca muito sedosa, grande acidez
grande final, dura e dura...

Provámos assim 9 vinhos, 3 vintages e 6 tawnies, dos quais destacaria os colheitas de 1977, 1963, e 1991, e também o vintage 2007. Muito bons vinhos. O colheita 1977 excelente.

Almoçámos bem no restaurante Porto Ibérico, perto da Graham's, onde curiosamente todos bebemos água (éramos 12), pois já sabíamos que a tarde prometia e não queríamos estragar o palato.

Graham's
Seguiu-se a visita às caves Graham's, do grupo Symington, acompanhados pelo simpático Raul, que com o seu entusiasmo nos ia contando histórias da casa, que tem 7 milhões de litros de vinho do porto armazenados naquelas caves, o maior stock do mundo.
Este grupo dispõe actualmente de 25 propriedades no Douro, correspondendo a 1300 ha de vinha, que são utilizadas para as marcas Graham's, Dow's, Warre's, Quinta do Vesúvio e Cockburn's.
Passeámos pela impressionante garrafeira de vintage da Graham's, onde repousam muitos milhares de garrafas, desde 2007 até 18...
A prova foi realizada ao balcão, com o barman Raul a ir servindo com orgulho as garrafas que tinham sido abertas previamente, tendo-nos sido disponibilizado um copo para cada uma. O balcão tem uma faixa de luz branca que por baixo dos copos dá para ver bem as diferenças de côr. Tratamento de luxo.

Começámos logo pelo Graham's 30 anos
côr aloirada, caramelizada
nariz complexo, suave, frutos secos
boca muito bem equilibrada
final muito longo

Graham's 40 anos
côr equivalente
nariz mais complexo, mas menos exuberante, mais elegante
boca mais melada
final menos longo

Warre's Colheita 1937
(utilizado no Optima 20 anos, não se encontra à venda)
côr mais acastanhada
nariz intenso, madeira, especiarias, iodo
na boca mostra uma acidez incrível
final interminável

Graham's Colheita 1961
(amostra engarrafada há duas semanas, edição limitada)
côr aloirada acastanhada
nariz modesto, elegante
boca correcta
final longo

Passámos em seguida para os vintages, os melhores vinhos da casa segundo o nosso anfitrião.

Graham's 1963
côr ambar, ainda com tons de vermelho
nariz complexo, fruta passada
boca muito sedosa, ainda com o alcool presente
final mais longo de todos, nunca mais acaba

Graham's 1970
côr ambar
nariz complexo, fruta madura, passa
na boca sobrepõe-se o alcool
final muito longo

Graham's 1980
côr ruby clara
cheira a vindima, a adega, a fruta ainda fresca, marmelo
boca equilibrada, ainda fresca
final moderado

Vesúvio 1994
côr ruby
nariz exuberante, muita fruta
boca mais vínica, muito rico e equilibrado
final enorme, entranha-se nas gengivas

Graham's 2003
côr retinta opaca
nariz frutado, achocolatado
taninos bem polidos
bom comprimento

Vesúvio 2008
côr roxa opaca
nariz bomba de fruta
muito concentrado na boca
bom final

De destacar, por esta ordem: Warre's colheita 1937, Graham's Vintage 1963, Vesúvio 1994, Graham's 30 anos.

Calhou neste dia provar dois vinhos do ano mítico de 1963, talvez o melhor ano de porto do século passado, vinhos estes que se começam a aproximar dos 50 anos de idade. São mesmo muito bons, sobretudo pelo seu final de boca interminável. Mas para mim a estrela do dia foi o Warre's colheita 1937, um vinho enorme em todos os aspectos.


Grato ao Portuguese WineBloggers pela organização, e às caves Messias e Graham's que nos receberam tão bem, dando-nos a provar alguns dos seus mais preciosos nectares.

Bem hajam.
Frederico Santos

domingo, 13 de março de 2011

CHANSON PÈRE & FILS - BORGONHA O TERROIR DOS MELHORES BRANCOS DO MUNDO

Mais uma prova inserida na Essência de Vinho, neste caso uma prova de brancos da Borgonha, da casa Chanson Père & Fils.
Não conhecia nada dos vinhos desta casa, adquirida em 1999 pela Bollinger, mas o que posso dizer é que esta prova foi um excelente final para a Essência.
Grandes vinhos que me deixaram com vontade de conhecer ainda mais sobre a Borgonha e sobre este produtor em particular.

Os vinhos da Borgonha dividem-se em 4 classificações, que são as seguintes, ordenadas em crescendo na qualidade:
- Regional: Vinhos que podem levar uvas de toda a região da Borgonha.
- Village (ou Comunal): vinhos feitos com uvas de uma localidade especifica, e que podem ter uvas de várias vinhas diferentes, ou só de uma vinha sem classificação
- Premier Cru: vinhos produzidos de uma vinha especifica, que tenha a classificação de 1er Cru
- Grand Cru: produzidos de vinhas com a classificação Grand Cru, é a qualidade mais alta e representa apenas 2% do vinho produzido

Nos vinhos da Chanson, 25% da produção é garantida por vinhas próprias, sendo o resto adquirido a pequenos produtores do rendilhado que é a vinha na Borgonha.
É um produtor de média dimensão, com uma produção de 900000 garrafas/ano distribuidas por cerca de 130 referências.
Os vinhos foram provados em 4 flights, cada um com um par de vinhos de uma mesma zona.
Todos os vinhos eram 100% Chardonnay, como é tradicional na Borgonha.

1º flight:
Chablis 2008
Grande acidez no ataque de boca, alguma fruta e muita mineralidade. Vinho pouco marcado pela madeira, é muito fresco. Belo final.

Chablis Montmains Premier Cru 2008
Notas herbáceas no nariz e aromas a citrinos. Na boca é ainda mais mineral que o vinho anterior. Maior complexidade e final longo. Muito bom vinho.

2º flight:
Mersault 2007
Aroma mais gordo, com a madeira a fazer-se notar mais, fruta, especiarias. Gordo também na boca, amanteigado, mas mesmo assim continua com uma frescura dada pela bela acidez e mineralidade.
Muito volume na boca, é muito persistente.

Mersault Perrieres premier cru 2007
Nariz fantástico, mineral, fruta madura. Ainda um pouco fechado pela sua juventude, mas nota-se já o grande vinho que é.
Grande elegância, acompanhada por uma mineralidade e frescura fantásticas. Final muito longo.

3º flight:
Puligny Montrachet Les Champs Gain Premier Cru 2004
Aqui entramos em vinhos já com idades em que começam a mostrar o melhor da Borgonha.
Aroma muitíssimo sedutor, fruta cristalizada, especiarias, tostados da madeira.
Enorme volume de boca, é encorpado, amanteigado, e o incrível é que não perde nunca a frescura. Grande final.
Adorei este vinho.

Puligny Montrachet Hameau de Blagny 2004
Esta vinho dita apenas 30 metros da vinha anterior, e no entanto as diferenças são notórias, o que mostra a particularidade da Borgonha.
Comparado com o anterior é mais mineral, com notas de espargos, alcaparras. Menos gordo, madeira a mostrar-se menos. Belíssima frescura e um comprimento de boca enorme.

4º flight:
Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2007
Nariz muito fechado, pela sua juventude. Bastante vegetal, acidez muito viva.
Na boca tem bom volume, notas de citrinos e bela acidez. É muito elegante e termina longo.
Precisa de alguns anos para mostrar todo o potencial.

Chassagne Montrachet Clos de St Jean Premier Cru 2004
Vinho enorme.
Aromas a brioche,quase como um champanhe velho, fruta cozida, mas também muito mineral.
Grande estrutura, untuoso. Um corpo de veludo apoiado numa frescura e mineralidade fantásticas. Termina muito longo, talvez o mais longo em prova.
Para mim foi o vinho favorito.

Como informação adicional. os preços dos vinhos provados situavam-se entre os 15€ e 25€ para os Chablis, depois sobe para os 30€ no Mersault, e todos os outros Premier Cru andam à volta dos 46€ (excepção do Perrieres que custa perto de 60€).
São preços que não sendo propriamente baratos, pela qualidade apresentada penso que vale bem a pena um esforço para ter alguns deste vinhos na garrafeira.

Carlos Amaro