quinta-feira, 18 de junho de 2009

Incursão no mundo do Alvarinho - Muros de Melgaço


Viva,

Embora ande no "mundo da degustação de vinhos" à mais de 10 anos (estou velho :-( ), tenho passado muito ao lado da região demarcada dos vinhos verdes. Muito recentemente, por algum acaso cósmico, resolvi inverter esta tendência e comecei um projecto muito pessoal que consiste numa incursão pelo mundo dos alvarinhos, tendo como objectivo varrer um numero significativo de alvarinhos até ao final de este ano. À medida que for degustando vou publicando no blog, fica a promessa.
Comecei pelos alvarinhos influenciado pela opinião de muita gente que os considera os melhores brancos de Portugal e um dos nossos produtos agrícolas com maior identidade nacional. No entanto depois dos alvarinhos, prentendo atacar os outros...

Para a primeira etapa deste projecto escolhi o Muros de Melgaço 2007 do Anselmo Mendes.

A primeira impressão foi extremamente positiva dada a imensa qualidade e prazer que este vinho me deu. Foi amor à primeira vista. Eventualmente esta impressão tão positiva ocorreu porque não trazia nenhuma ideia pré-formada ou referência anterior, mas não tenho dúvidas de que é um grande, grande vinho e um dos melhore brancos que já bebi, Português ou não.

Como nota de crítica interessa referir que no aroma é um belo perfume, combinando notas citrinas com florais, deixando transparecer alguma madeira e notando-se desde logo uma grande frescura. Na boca apresenta uma grande complexidade, muito corpo, gordo, muitíssimo fresco e com um final muito interessante e longo onde surge algum fumado.

Fiquei adepto, vai passar a morar na minha garrafeira, e recomendo vivamente. Foi um começo em grande neste "projecto" :-)
Fica o desafio: após a prova de Pinot (que parece estar enguiçada...) vamos fazer uma de alvarinhos (Portugal vs Espanha)?

Mário Rui

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2007

Os Sauvignon Blanc da Nova Zelândia têm vindo a afirmar-se de ano para ano, e agora há um número grande de marcas de qualidade, mas para mim o Cloudy Bay é a referência de todos eles, desde que o provei pela primeira vez há alguns anos atrás.
Esta colheita de 2007 vem confirmar isso mesmo. Provado no início deste mês, este vinho é talvez o melhor branco que já provei do Novo Mundo.
Um nariz fabuloso, muito fragrante e mineral, com uma mistura de notas de frutos a explodir, com pêssego, maracujá, manga e citrinos a saltar do copo. A adicionar a isto tem ainda notas de relva cortada, pimenta e algum fundo de pastelaria fina.Na boca consegue ser ainda mais fresco. O que mais sobressai são notas herbáceas, relva cortada de fresco, bastantes frutos, com citrinos (toranja), maracujá e bagas a sobressair.
Com uma acidez cortante mas equibrada com a doçura da fruta, o que dá um toque mais seco do que a maioria dos irmãos neo-zelandeses.
Estava óptimo agora, mas tinha de certeza uns anos pela frente, tal o corpo e acidez apresentados.
No fundo, um grande vinho. Só tenho pena de ter sido a última garrafa lá de casa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Nossa 2007

Ontem provei um novo branco das Beiras que foi das melhores surpresas que tive ultimamente.
Um vinho de grande categoria, que me pareceu verdadeiramente extraordinário se tivermos em conta que é a sua primeira colheita.
O vinho é o Nossa 2007, do produtor "Vinhos Doidos", nem mais nem menos do que a parceria de Filipa Pato com o seu marido William Wouters.É um vinho muitíssimo bem feito e elegante, com uma grande volume e corpo, uma mineralidade incrível, como poucos brancos portugueses.
Tem um final imenso, com acidez no ponto certo. Parece-me que será um branco capaz de se aguentar uns anos em grande forma, mas ao qual é difícil resistir desde já.
Talvez o branco que mais me surpreendeu este ano. Na minha opinião entrou no grupo dos grandes brancos portugueses.

Características
Castas: Encruzado e Bical
Região: Beiras
Enologia: Filipa Pato
Vol: 13%.
Preço: 19€

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Cono Sur Chardonnay Reserve 2005


Depois de repetidas provas deste vinho que o têm tornado um dos meus brancos favoritos para o dia a dia, venho publicar aqui uma nota de prova.

Castas: Chardonnay
Origem: Casablanca Valley, Chile
Enologia: Adolfo Hurtado
Vol: 13,5%.
Preço: 9€

Côr amarelo citrino.Aroma bastante intenso, com notas de baunilha e ligeira tosta. Bastante fruta para um branco de já 4 anos, com limão, lima, e algum fruto tropical. Algumas notas de mel.
Boca com bom corpo e excelente acidez. A tosta continua a mostrar-se bem como a fruta citrina e tropical já presentes no nariz.Final longo e com um toque de mel, junto com a acidez. Tudo muito bem feito e no lugar.
Para mim um muito bom branco chileno, frutado, com a madeira muito bem integrada e nada pesada. Gostei muito deste vinho, com um belo preço.
Podia servir de modelo a muitos chardonnays portugueses pesadões e com excesso de madeira que por aí andam. Ainda mais surpreendente por ser já de 2005.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Villa Maria Reserve


Na loja Wine o'Clock de Aveiro, foram apresentados dois topos de gama do produtor neo-zelandês Villa Maria, pelo director da Revista de Vinhos, Luis Lopes:

- Sauvignon Blanc Reserve 2007
- Pinot Noir Reserve 2005

O branco, cheirava inequivocamente a lichias. Na boca era seco, muito fresco, o que não é normal para os sauvignons neo-zelandeses que no geral são mais docinhos. Um branco que se pode guardar devido à boa acidez, e com enorme potencia aromática.
Foi ainda comentado que acompanha especialmente bem marisco cozinhado (sem ser simplesmente cozido).

O tinto, com a côr ligeiramente esbatida do pinot-noir, cheirava muito bem a fruta fresca, morangos, groselhas, especiarias, muito complexo.
Na boca era demasiado suave para o meu gosto, magro, mas tinha um final longo que deixava um picantezinho na boca. Bebe-se muito bem.
Não é o meu estilo de vinho, mas foi comentado que é o estilo preferido dos grandes apreciadores de vinho. Pelo menos, o jornalista Luis Lopes, o dono da loja, e o produtor Carlos Campolargo pareciam os 3 deliciados.
Um vinho que acompanha bem carnes pouco gordas (aves, caça, ...).

Estes dois vinhos têm a particularidade de serem de vinhas únicas (e velhas) da região de Marlborough, o que para um produtor com a dimensão da Villa Maria, com vinhas por toda a Nova Zelândia, que tradicionalmente faz vinhos de vários lotes, é uma grande distinção.

Dois grandes vinhos do Novo Mundo, de estilo reserva como o nome indica, com um perfil mais europeu, mais elegante e austero, mas com outra fruta a sustentar o conjunto.
Estas garrafas custam vinte e poucos euros cada uma, não são baratas, mas é um preço acessivel para acompanhar uma refeição mais especial.
Em Portugal não se fazem Sauvignons nem Pinots com esta qualidade.

Frederico Santos

terça-feira, 24 de março de 2009

Grande Compra - Borges Reserva Tinto 2005


Viva,

Ontem tive a oportunidade de provar um tinto do Douro de grande categoria a um preço verdadeiramente formidável (13,99€ no Jumbo). Trata-se do Borges Reserva 2005. É um dos Douros mais afinados que bebi nos últimos anos, pleno de elegância (não é só a Nieeport que faz vinhos elegantes :-) ), mas ao mesmo tempo com um corpo imenso e um final longo onde a complexidade do vinho se manifesta em novas formas. Tudo isto a um preço longe da bitola + de 50€ que se tem instalado em vinhos de topo no Douro (uma vergonha digo eu...)

Para complemento de descrição, diga-se que no aroma destacam-se os frutos pretos e algum chocolate em plena harmonia. A cor é carregada e muito bonita.

Nota: eu não resisti e comprei umas quantas...

Abraços,

Mário Rui da Costa

sexta-feira, 13 de março de 2009

Apresentação de vinhos Quinta da Falorca


Foi na Loja do Chá em Aveiro, que o produtor Pedro Figueiredo da Quinta da Falorca veio apresentar a sua gama de vinhos.
Trata-se de um produtor da região de Silgueiros, região esta que tem conseguido manter uma reputação de qualidade ao longo de várias décadas, a qual não é alheia à influencia desta familia, que já esteve à frente da Adega Cooperativa de Silgueiros e da UDACA.
A casta predominante é a Touriga Nacional, que ocupa 60% das vinhas do produtor, sendo o restante plantado com outras castas tipicas do Dão.

Os vinhos apresentados foram:
- "E" (de e-mail), o vinho de combate da casa, com um preço a rondar os 5 euros.
- "C" de Colheita Seleccionada 2005, um vinho mais trabalhado.
- T-Nac 2005, o grande sucesso de vendas da casa, feito apenas com Touriga Nacional, e sem estágio significativo em madeira.
- "R" de Reserva 2003
- Touriga Nacional 2003, no estilo reserva, com estágio muito prolongado em madeira (18 meses)
- "G" de Garrafeira 2003

Gostei muito do "E", para vinho do dia a dia está muito bom, sente-se bem a touriga mas está muito equilibrado. Deixou-me uma boa recordação.
O Colheita Seleccionada, já com estágio em madeira, está mais elegante, muito suave, para o meu gosto falta-lhe alguma personalidade, mas é um bom vinho por cerca de 10 euros.
T-Nac é um vinho com muita fruta, muito concentrado, mas bem equilibrado. Para quem gosta de tintos frutados, este é muito bom e vale bem os 12 euros que custa.
o Reserva 2003 é um vinho muito afinado, com aromas intensos e complexos, muito suave na boca, mais encorpado que o Colheita Seleccionada, e com um final muito agradável e longo.
No Touriga Nacional, com estágio em madeira, sobressai a fruta da touriga, mas é mais complexo e elegante que o T-Nac. Mais frutado que o Reserva.
O Garrafeira 2003 é um grande vinho, côr opaca, aromas muito complexos e intensos, muito concentrado na boca e ao mesmo tempo muito redondo. Fez-me lembrar o estilo do Pape do Álvaro de Castro. Um vinho que pode ser guardado por mais de uma década, mas que já está pronto a beber.

Todos os vinhos demonstravam uma grande afinação, todos têm boa acidez que os torna vinhos de grande longevidade, feitos com o saber de décadas de experiência acumulada, só saem para o mercado ao fim de alguns anos, e apenas quando o produtor acha que devem sair, pois foi comentado que prefere não colocar um vinho menos bom no mercado e assumir perdas imediatas nesse ano, do que comprometer o futuro da casa.

Os preços variavam entre os 5 euros e os 35, sendo os 3 ultimos vinhos bem demarcados em termos de qualidade, com preços a partir dos 18 euros.
Todos eles são boas relações qualidade preço.

Fiquei com vontade de provar o Rosé, que é feito com Touriga Nacional, e a avaliar pela qualidade dos vinhos apresentados, deve ser muito bom.

Segue um link para um blog que contem notas de prova de um evento equivalente em Lisboa:
http://osvinhos.blogspot.com/2007/10/prova-de-vinhos-quinta-da-falorca-na.html


Frederico Santos