sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2007

Sempre gostei dos vinhos da Quinta do Vallado.
Desde o vinho de entrada, ao Reserva, a qualidade é quase sempre garantida, e normalmente a preços bem sensatos.
Têm além disso um dos varietais Touriga Nacional de que mais gosto.
É esse mesmo o vinho que provei agora. O Touriga Nacional da colheita de 2007.

Aroma de muita concentração, frutos vermelhos bem maduros em destaque, aromas a violeta e notas de barrica. Algum floral, mas sem dominar, tudo muito elegante.
Na boca é muito equilibrado, com frutos vermelhos e os abaunilhados da barrica muito bem integrados e na medida certa, notas achocolatadas. Extremamente fresco, com taninos finos e final bem longo.
Um conjunto envolvente e complexo. Muito apetecível.
Belíssimo vinho, ainda por cima com um preço que não escandaliza ninguém, abaixo da fasquia dos 20€.

Nota: 17,5

Carlos Amaro

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Garrafeira Tio Pepe, 25º aniversário, 4º dia de provas

Nas comemorações do seu 25º aniversário, a garrafeira Tio Pepe ofereceu 5 dias de provas vínicas de alto nível, sendo cada dia dedicado a uma região, com alguns dos produtores mais significativos a disponibilizarem os seus vinhos topo de gama.
Não podendo comparecer todos os dias, optámos pelo 4º dia dedicado ao vinho do porto e madeira, e lá fomos numa quinta à tarde.

Estavam em prova vinhos veneráveis, alguns do século XIX, muitos do século XX, e ainda alguns vintages novos de 2009. Eram todos vinhos do porto com exceção de dois madeiras da Blandy's.

Numa prova deste calibre é muito difícil classificar os vinhos, no entanto ficam algumas notas para a posteridade.

Começámos pelos mais velhos, os colheitas, e acabámos nos vintages novos.

Niepoort colheita 1957
Com mais de 50 anos, tem um nariz muito rico e equilibrado, na boca é suave e tem um final muito prolongado. Tudo em harmonia.
Um grande colheita.

Niepoort colheita 1863
Apresentou-se com consistência ligeiramente caldosa, com um nariz de grande complexidade, muito equilibrado na boca, e com um final interminável.
Apareceu de surpresa, no formato meia garrafa com o ano pintado, como concorrente de Dirk Niepoort ao Scion de David Guimaraens.

Warre's colheita 1882
De côr acastanhada, apresentou um nariz intenso, mas achei-o ligeiramente desequilibrado no conjunto.

Taylor's Scion (1855)
De côr aloirada com tons de ruby, uma côr surpreendente para a idade que tem.
O nariz apesar de excelente é ligeiramente mais fechado que o Niepoort 1863, mas na boca este pareceu-me ser mais intenso.
É um vinho que tem causado sensação no último ano, por terem sido descobertas por acaso duas pipas com 150 anos guardadas por várias gerações da mesma família.
Ao descobrirem que o vinho estava em perfeitas condições apesar da sua idade pré-filoxérica, decidiram engarrafar e vender a preços proibitivos dada a sua raridade. Uma garrafa de 50cl custa cerca de 2500 euros.
Compreende-se assim que o vinho tenha sido servido a conta-gotas, só meio centilitro em cada copo.


Madeira
Blandy's Bual 1908
Blandy's Bual 1920
Dois vinhos com cerca de cem anos ainda em grande forma, com a sua acidez típica a dar-lhes vida.
Para além de um nariz riquíssimo, estes vinhos têm um final de boca que nunca mais acaba.

Noval colheita 1937
Um vinho sublime.
Constato que 1937 foi um grande ano e ainda existem alguns colheitas de várias casas de vinho do porto à espera de ser engarrafados.
Este é um exemplo de perfeição, com uma intensidade surpreendente na boca.

Noval colheita 1964
Também em grande nível, ainda com muita frescura apesar dos seus 47 anos.
Foi comentado pela enóloga que os colheitas da Noval só são engarrafados a pedido, mantendo-se na madeira que é onde devem envelhecer.
Isso explica a fantástica frescura destes colheitas.

Graham’s vintage 1970
Um vintage de 40 anos.
Com aromas refinados, a boca sedosa sem perder firmeza, a sua elegância e o final muito longo, tornam este vinho exemplar na sua categoria.

Vesúvio vintage 1994
É possivelmente o melhor Vesúvio, e todos os Vesúvios são bons.
Agora com cerca de 15 aninhos, continua com um nariz exuberante, uma boca muito viva e carnuda, e um grande final.

Noval Nacional vintage 1994
Este vinho não é acessível ao comum dos mortais.
Primeiro por ser um vintage Noval Nacional, de uma vinha que foi replantada sem recurso a enxertos, na época da filoxera. Segundo por ser o de 1994, ano que foi pontuado com a nota máxima pela conceituada revista Wine Spectator.
É reconhecido como um dos melhores vintages do último século, a par do 1963 e do 1931. O seu preço ronda os mil euros por garrafa.
Com 15 anos de idade, apresentou o melhor nariz dos vintages em prova, intenso e com uma complexidade infindável. Imagino o que será daqui a mais uma(s) década(s)...
Na boca está impecável, muito correcto e saboroso, com final muito longo.

Adelaide vintage 2009
Este foi o vintage de 2009 que mais me impressionou até agora.
Tem um nariz intenso e muito rico, mineral, frutos silvestres, chocolate, tabaco.
Na boca mastiga-se de bom que é, e tem um belo final.

Taylor's vintage 2009
Não é todos os anos que a Taylor's declara um vintage clássico, só o fazendo 3 ou 4 vezes por década. Quando o faz é sinónimo de qualidade garantida.
Este é um vinho portentoso, com um perfil austero que promete longevidade.
A côr é quase preta, de nariz intenso sem ser exuberante, notas de fruta madura, ameixas, cerejas, amoras, muito mineral.
Na boca mostra os taninos bem polidos, é muito encorpado, e tem um final enorme.

Todos os vinhos eram excelentes e deram que pensar durante pelo menos um mês, até me conseguir recompor da experiência e escrever aqui algumas linhas, que nem de longe fazem justiça a estes vinhos que atravessam séculos.
Os preferidos foram o Niepoort 1863 e o Taylor's Scion, não consegui decidir de qual gosto mais.

Muito grato à garrafeira Tio Pepe por ter proporcionado esta oportunidade de provar vinhos tão inacessíveis.

Bem hajam.

Frederico Santos

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Porto Cálem - Colheita 1989


Como apreciador de vinho do porto, gosto de ter sempre uma garrafa de tawny para consumo corrente. O tawny é um tipo de vinho que por ser envelhecido em madeira é mais resistente, e mantém as suas caracteristicas durante cerca de um mês depois da garrafa aberta.
Como ontem acabei com uma num jantar de amigos, hoje num super ao escolher um porto acabei por ganhar coragem para comprar este, que apesar de ser um pouco mais caro que o normal, fica bem em conta quando comparado com outros portos de 20 anos. Há que aproveitar enquanto ainda me posso dar a estes pequenos luxos, que depois das medidas anunciadas hoje pelo nosso primeiro ministro vou ter de cortar nestas coisas.

Este colheita de 1989 foi engarrafado este ano, ainda está fresquinho acabado de sair do seu repouso de 20 anos em cascos de carvalho.
De côr ambar suave, tem um belo nariz, muito rico e equilibrado. Apesar de estar a recuperar duma constipação consigo sentir o aroma de frutos secos, algum caramelo, tabaco.
Na boca é sedoso mas firme, muito elegante, com um final muito prolongado.
Mas que belo porto.
Acho que vou beber mais um cálice para acabar com a constipação, e com as mágoas.

Nota: 17,5
Preço: ~25€

Frederico Santos

sábado, 24 de setembro de 2011

Bétula 2010

Viva,

Uma vez mais o produtor na pessoa da Catarina Montenegro facultou amostras de prova para este vinho. O nosso agradecimento e parabéns pela dinâmica e visão.

Falando do vinho, a colheita de 2010 segue a mesma linha de produção da colheita 2009, mesmo enólogo (Francisco Montenegro), tem como base as mesmas castas (50% Viognier, 50% Sauvignon Blanc), estágio do lote de Viognier em carvalho françês e vinificação em inox do Sauvignon Blanc.

Esta aposta na continuidade manifesta-se na prova, sendo que no nariz são evidentes as notas de pêssego e laranja cristalizada, na boca continuam bem presentes as notas verdes do Sauvignon. A acidez continua óptima tornando o vinho muito fresco, com grande presença de aroma e paladar mas nada enjoativo. O Final é médio/longo.

Face à colheita 2009, de que gostei muito, não se comprometeu a qualidade e o agrado geral permanece.
Contudo notei algumas pequenas diferenças face à colheita anterior. No nariz notei no fundo algumas ervas verdes que não consegui decifrar (a minha mulher disse salsa, mas não me pareceu...) e por vezes alguma manga. Gostei das ervas, dispensava a manga, mas isso são gostos.

Continua a ser uma muito boa aposta a um preço equilibrado. E uma vez mais, não tenho problema nenhum com o uso de castas internacionais em solos lusitanos se o resultado for tão interessante como o apresentado por esta proposta.

Pontuação: 16,5/20.

Boas Provas,

Mário Rui Costa
PS: Fred e Carlos, façam a vossa prova...

________________________

Bétula 2010
Côr amarelo citrino suave.
Nariz intenso e complexo, sem ser exuberante, notas de tabaco.
Na boca entra suave e vai crescendo, com boa acidez a surgir no final, prolongando-o.

Relativamente ao 2009, este 2010 está mais ao meu gosto. Mais elegante e suave sem perder a frescura que se manifesta no final de boca.
Os seus simpáticos 12,5º de alcool tornam este vinho um dos meus brancos preferidos atualmente.

Nota: 17

Frederico Santos
Setembro 2011
________________________
Bétula 2010
Chegou agora a minha vez de provar este vinho.
Nariz fresco, não muito exuberante, notas cítricas, algum melão, e presença forte de relva cortada, tão característica do Sauvignon Blanc.
Tal como no nariz, na boca é a frescura e mineralidade que mais uma vez sobressaem. A fruta está lá, elegante, e bem embrulhada numa excelente acidez, com um final de boca bem longo e agradável.
Nota muito positiva ainda para a graduação do vinho, com uns sensatos 12,5º. Será que a moda dos vinhos pesados e alcoólicos está finalmente a passar?
Uma excelente aposta nesta gama de preço.
Nota: 16,5

Carlos Amaro


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quinta de Tourais


A quinta de Tourais situa-se no Douro, perto da Régua na margem sul. A quinta está na família há 3 gerações, e até final do milénio passado as uvas eram todas vendidas a uma casa de vinho do Porto. Tendo assumido a enologia da quinta a partir de então, Fernando Coelho tem apostado em vinhos de mesa de qualidade média/alta.

Antes de entrar na prova dos vinhos, há que realçar a apresentação das garrafas, cujo rótulo é impresso no vidro com tinta, ou seja, sem papel. Tem um design artistico muito fora do vulgar, que resulta bem com o contraste do vidro escuro das garrafas.

Passemos então aos vinhos.

Tourónio 2009
40% Touriga Nacional, 40% Tinta Roriz, 15% Sousão, 5% Tinto Cão
É o entrada de gama, tem uma côr muito escura, nariz complexo, com aromas de couro, algum tostado e chocolate. A boca é volumosa com algum tanino. É um vinho denso, com um final persistente.
Um duro do Douro bem feito, com um nariz intrigante.
preço: ~10€
nota: 16,5

Miura 2007
Côr escura, nariz complexo, algo balsâmico.
Na boca é elegante mas intenso, com um bom final.
Um vinho mais aveludado que o anterior, mantendo o perfil rústico aliado a elegância.
preço: ~15€
nota: 17

Furia 2008
Vinhas velhas (60 anos), com predominancia das castas Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Touriga nacional.
Côr muito escura.
Nariz complexo mas pouco intenso, algo fechado, foi crescendo no copo.
Na boca é redondo, encorpado e pujante, tudo bem equilibrado.
Muito bom final com ligeiro toque picante.
preço: ~20€
nota: 17,5

Miura 2008
Vinha de 30 anos, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Sousão, Tinta Amarela e outras.
Côr escura.
Nariz balsâmico, amoras.
Um pouco mais adstringente que o 2007, muito corpo, tem o final mais longo de todos os vinhos em prova. Promete durar muitos anos em garrafa.
preço: ~15€
nota: 17

Todos os vinhos agradaram muito, com alguma rusticidade que lhes dá caracter, bem equilibrada com madeira qb.
São vinhos gastronómicos, que devem acompanhar bem uma carne assada, ou outros pratos fortes.
As garrafas fazem sensação em qualquer mesa pela originalidade do rótulo.

www.quintadetourais.com

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quinta de San Joanne Escolha 2004

Vinho das castas Avesso, Alvarinho e Chardonnay, já com 7 anos de vida, idade que não é muito comum quando se fala de consumir vinhos brancos portugueses.
Os 12,5% são um ponto extra positivo quando se olha à moda actual de vinhos alcoólicos.

A cor denota já alguma evolução, com um amarelo dourado.
Aroma com notas de oxidação, mel, compota de fruta, marmelo, alguma baunilha.
Boca untuosa, gordo, mas com uma muito boa acidez que mantém o vinho vinho e com garra. A compota e as notas de mel surgem também, num conjunto que me agradou muito.
Não sendo daqueles vinhos directos e fáceis, é um estilo de branco diferente e muito interessante. Aguentou muito bem a idade que já tem.

Nota: 16

Carlos Amaro

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Altas Quintas Crescendo 2007

Vinho da zona de Portalegre, de vinhas situadas a cerca de 600 metros de altitude na Serra de São Mamede. Feito maioritariamente de uvas da casta Aragonez, com pequena percentagem de Trincadeira, Alfrocheiro e Alicante Bouschet.
Notas para a boa apresentação da garrafa e rótulo bem desenhado, proporcionando uma boa imagem.

Nariz vivo e fresco, com destaque para a fruta madura, especiarias e algumas notas vegetais, está bastante apelativo.
Na boca, confirma o perfil fresco e com bom equilibrio, novamente fruta madura, um toque de geleia, especiarias, mais notas de cacau no final, com a madeira a aparecer também, mas bastante subitl e bem integrada.
É um belo vinho, bastante guloso e fácil de gostar. Com um preço de cerca de 8,5€ é uma boa aposta nos vinhos desta gama média.
Nota: 16

Carlos Amaro