segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Quinta dos Carvalhais Encruzado 2008

Quinta dos Carvalhais Encruzado 2008
Produtor: Sogrape Vinhos
Álcool: 14%

Se não estou enganado, o Quinta de Carvalhais foi o primeiro Encruzado que bebi, penso que da colheita de 2006 (a par de um outro Encruzado Quinta dos Roques).
Foram esses 2 vinhos que me fizeram despertar o interesse em brancos do Dão e desde então o Carvalhais Encruzado passou a ser um vinho obrigatório lá em casa.
Ao beber este vinho agora, já com 6 anos de idade (sim, um branco já alguma idade), o que me veio à cabeça é que na generalidade hoje se bebem os vinhos demasiado cedo, na maioria das vezes logo que saem para o mercado.
E aí os produtores têm boa parte da responsabilidade, colocando os vinhos no mercado muitas vezes pouquíssimo tempo após a colheita, sem esperar por estarem mais prontos a beber.
É verdade que os custos de armazenamento e estágio encarecem os vinhos, mas acho que começa a haver mercado para vinhos estagiados por algum tempo no produtor. E acho que deve partir dos produtores o dever de tentar educar melhor o consumidor.

Este 2008 provei-o várias vezes ao longo do tempo e está agora em grande forma, mais elegante e equilibrado do que em novo.
Nariz floral, com notas fumadas e vegetais.
Na boa está ainda cheio de vida, perfeito para acompanhar um bom peixe no forno. É encorpado, mineral, frutos brancos cozidos, notas de especiarias e com uma acidez que não o deixa ficar pesado.
Ao terminar a garrafa deixou-me a vontade de beber mais e de ter guardado mais garrafas para beber nesta altura, em vez de ter consumido mais novo.
Quando é assim acho que só pode ser bom sinal para a qualidade do vinho.

Carlos Amaro 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Covela Rosé 2013

Covela Rosé
Casta: Touriga Nacional
Álcool: 12,7 %/vol


A Quinta da Covela continua o seu renascimento com o lançar de novas colheitas, tendo adicionado algumas referências novas, como este Rosé 2013, feito 100% de Touriga Nacional.
Tem uma bonita cor salmão, pouco carregada.
No nariz é intenso, com predominância floral a violeta e alguma fruta e notas minerais bem presentes.
Na boca é seco, com as notas do aroma a passarem para um paladar cremoso e com excelente acidez. Final longo e muito elegante.
Um perfil de rosé que me agrada muito, bastante seco, a fugir a alguma moda por cá de rosés mais doces e frutados.
Para mim, entre os melhores em Portugal a nível de rosés.
Preço: 8€

Carlos Amaro

domingo, 6 de julho de 2014

Pala da Lebre Branco 2013

Castas: Gouveio, Rabigato, Malvasia Fina
Uvas da Quinta da Penalva, a 450 metros altitude.
Fermentação em cubas de inox
Data de engarrafamento: Março 7, 2014
Álcool: 13,12 %

Primeiro vinho deste produtor recente da região do Douro.
Chama de imediato a atenção para o rótulo, quanto a mim bastante sugestivo e bem conseguido. Acho que será certamente despertador de atenções.

Passando ao vinho tem uma bonita cor amarelo citrino, aspecto brilhante.
No nariz, fruta muito fresca, com notas cítricas, e uma boa componente mineral, a dar frescura ao conjunto.
Na boca, mantém o perfil fresco, seco, com boa acidez, fruta com foco nos citrinos e belo volume de boca. Final de boa intensidade e estrutura, que irá certamente bem com comida.
Neste momento está disponível contactando diretamente o produtor, a um preço de 5,85.
Uma boa estreia, a marcar pontos numa das gamas mais concorridas de preço.

Nota: 16

Carlos Amaro

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Tons de Duorum Branco 2013

Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos, SA
Álcool: 12% vol
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto e Moscatel
Preço: 3,99€

Mais uma colheita do Tons de Duorum branco, a entrada de gama da Duorum, o projeto de J. Portugal Ramos no douro.
Muito aromático, com notas de frutos citrinos e tropicais, notas doces e um toque de mineralidade e acidez muito equilibrado e agradável.
Na boca é muito fresco e equilibrado, essencialmente com notas frutadas bem complementadas pela acidez e mineralidade.
É um vinho que ano após ano se mantém consistentemente com uma das melhores rqp do mercado, sendo que neste ano de 2013 noto um pouco mais de acidez e menos doçura do que em anos anteriores, o que só vem melhorar o desempenho do vinho.

Nota: 16
Carlos Amaro

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Explicit 2010

Região: Regional Alentejo
Castas: Syrah (96%) e Alicante Bouschet (4%)
Produtor: Sociedade Agrícola Jorge Rosa Santos e Filhos
Álcool: 15.5%
Enólogos: Frederico, Jorge e Vasco Santos

Não é possível começar a falar deste vinho sem falar logo no rótulo. Bonito, apelativo, de bom gosto, está muito bem conseguido. Certamente não passa despercebido numa garrafeira.
Além disso, gosto do modo como o vinho é apresentado e descrito nesse rótulo. A imagem também conta e esta leva pontos extra.

Passando ao vinho, os 15,5º assustam à partida, levando a crer que seria um vinho pesadão e unidirecional, com o álcool muito presente, mas isso não acontece.
Cor carmim muito intensa, centro quase negro.
Aromas a fruta preta intensa, notas florais, balsâmico, chocolate negro e  especiarias como o gengibre.
Na boca, muito encorpado e intenso, de novo os frutos pretos maduros, quase em compota, bastante acidez, especiarias, algum chocolate e no final alcaçuz a dar uma nota diferente e interessante.
Muito interessante este vinho, taninos bem firmes, muita estrutura. Um vinho com personalidade, fora da moda dos vinhos fáceis e redondos. Potencial de guarda.
Com a estrutura que tem, é um vinho que precisa de comida por perto, idealmente um prato forte para contrabalançar a potência do vinho.
Gostei muito. Precisamos de mais vinhos assim fora da caixa.

Nota:17
Preço: 12€
Carlos Amaro

terça-feira, 15 de abril de 2014

Soalheiro Reserva 2008

A Quinta de Soalheiro é provavelmente a grande referência de vinhos Alvarinhos.
Os Alvarinhos, principalmente da zona de Melgaço e Monção, são vinhos que normalmente têm boa capacidade para envelhecer, sendo o Soalheiro clássico um expoente nessa vertente, o que ajuda a torná-lo num dos meus Alvarinhos preferidos, com uma história de grande consistência na qualidade.
A principal diferença entre o clássico e este reserva é a fermentação e estágio em barrica, o que torna este reserva um vinho mais complexo e refinado.

Contudo, tinha algumas dúvidas sobre se a conhecida capacidade de envelhecimento dos Alvarinhos clássicos não se perderia com a fermentação em madeira.
Este Reserva 2008 vem provar que quando o vinho é bom e a integração do vinho com a madeira é bem feita, o envelhecimento será de bom nível.
O vinho está ótimo neste momento, talvez melhor ainda do que quando novo.
Muito fresco, frutado, a integração com a madeira no ponto certo, baunilha muito suave, alguma untuosidade, mas o mineral a dominar. Final de boca muito longo.
Excelente!
Nota: 18

Carlos Amaro

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Quinta do Romeu Reserva Tinto 2010

Castas: Touriga Nacional (75%) e o restante Touriga Franca e o Sousão em proporções idênticas.
Uvas provenientes de agricultura biológica certificada.
Produtor: Quinta do Romeu

Até há bem pouco tempo, conhecia a Quinta do Romeu apenas pelo seu azeite, por sinal dos meus favoritos.
Quando soube que produziam também vinho, não demorou muito que me a decidisse a provar. Este reserva é o topo de gama do produtor.
No aroma nota-se perfeitamente a elevada percentagem de touriga nacional, com bergamota, violeta e frutos vermelhos, mais algumas especiarias e tostados. Muito fresco e atractivo.
Na boca é bastante elegante, com um perfil frutado, notas florais e especiarias. Bastante frescura ajuda a dar uma boa prova neste momento.
Gostei bastante do vinho. Apesar de estar numa gama de preços das mais difíceis do mercado, com variadíssimas propostas de qualidade, porta-se bem e não envergonha a reputação que tem no mundo dos azeites.
Preço: 10€

Carlos Amaro

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quintas & Vales Reserva Tinto 2009

Castas: Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional
Produtor:Quinta dos Avidagos - Local Handcrafted Wines

Este é um vinho de um produtor que eu desconhecia até há pouco tempo atrás, a Quinta dos Avidagos.
Este produtor faz parte da Local Handcrafted Wines, que junta 5 produtores numa nova empresa e distribuidora de vinhos, com o objectivo de unir forças e criar sinergias a nível comercial e de distribuição.
Uma bela ideia que pode ser um caminho de sucesso para mais produtores portugueses.
Da quinta dos Avidagos, sai esta nova marca Quintas & Vales, com uma imagem moderna e apelativa, tendo um bonito rótulo a chamar a atenção, neste caso apenas com o grande R (de Reserva) desenhado no rótulo, existindo ainda o t (tinto - colheita) e o G (Grande Reserva).

Quanto ao vinho, encaixa no que eu gosto e procuro em vinhos desta gama de preços. É um vinho moderno, bem feito, com personalidade e estrutura.
Nariz muito sedutor, com boa complexidade, sobressaindo os frutos silvestres maduros e notas balsâmicas.
Na boca tem um belo corpo, focado no fruto, mas bastante fresco e uma componente balsâmica a dar-lhe interessa adicional. Final longo.
Gostei muito e é um vinho a comprar sem hesitações.

Preço: aprox. 7,5€

Carlos Amaro

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tons de Duorum Tinto 2012

Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Produtor: Duorum Vinhos, SA

Saiu recentemente para o mercado a nova colheita de entrada de gama da Duorum, o Tons de Duorum Tinto 2012.
Esta colheita de 2012 mantém o mesmo estilo das anteriores, talvez um pouco mais afinado até do que a colheita do ano passado.
Aromas a frutos vermelhos maduros, com algum abaulhinado leve da madeira usada.
Na boca é bastante frutado, com taninos suaves e baunilha e uma acidez correta. Comprimento médio.
É um vinho descomplicado e leve mas que graças à frescura e alguma acidez se encaixa bastante bem com comida.
Na gama de vinhos para o dia a dia, continua a ser um dos vinhos que mais me agrada.
Preço: 4€

Carlos Amaro

Nota: Vinho gentilmente cedido pelo produtor

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Melhores 2013

Depois de alguns dias de análise aos vinhos bebidos este ano, segue abaixo a lista dos vinhos que mais me agradaram em 2013.
Além disso, incluo também uma lista com os vinhos que considero terem melhor relação qualidade preço, numa gama até aos 7€.

Tintos
João Portugal Ramos Estremus 2011
Quinta do Pôpa Vinhas Velhas 2008
Quinta do Noval Touriga Nacional 2009
Quinta dos Carvalhais Único 2005
Casa da Passarella o Enólogo 2009
Aneto Grande Reserva 2008
Poeira 2009
Dory Reserva 2010
Quinta do Vesúvio 2009
Quinta da Fonte do Ouro Touriga Nacional 2009

Brancos
Anselmo Mendes Parcela Única 2011
Soalheiro Primeiras Vinhas 2012
Quinta das Bageiras Pai Abel Chumbado 2011
Villa Oliveira Encruzado 2011
Qta Chocapalha Reserva 2011
Conceito 2011
Nossa 2011
Redoma 2011
Esporão Reserva 2012
Vinha Formal 2011

Portos
Burmester Colheita 1937
Quinta do Vesúvio Vintage 1994
Niepoort Vintage 2011
Warres Vintage 2011
Niepoort LBV 1984
Andresen Colheita 1980
Graham's Colheita 1982
Andresen White 20 anos

Melhores RQP Tintos
Tons de Duorum 2011
Qta da Fata Clássico 2008
Quinta da Bica Colheita 2010
Quinta da Ponte Pedrinha Touriga Nacional 2007
Rapariga da Quinta Colheita Selecionada 2011
Ribeiro Santo Reserva 2010

Melhores RQP Brancos
Qta Seara D'Ordens Reserva branco 2012
Casa da Passarella A Descoberta Branco 2012
Quinta da Ponte Pedrinha Branco 2011
Castelo D'Alba Reserva 2012
Adega Mãe Viosinho 2012
Pynga Selection 2010

Carlos Amaro

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Novos Vinhos João Portugal Ramos

No passado dia 6/12, os 3 nos copos juntaram-se em prova/jantar para conhecer e provar os novos vinhos do produtor João Portugal Ramos, João Portugal Ramos Estremus 2011 e Duorum o.Leucura Cota 200 e Duorum o.Leucura Cota 400, sendo estes vinhos a nova aposta do produtor para o melhor que produz no Alentejo e Douro.
Começando pelos vinhos do Douro, o nome O. Leucura é o nome abreviado do pássaro Oenanthe Leucura, comummente denominado de “chasco-preto”, que tem como habitat o vale do Douro e que existe nas vinhas de Castelo Melhor.
São vinhos de produção muito limitada, de pouco mais de 200 garrafas cada, saídos da Quinta de Castelo Melhor, tendo sido experimentado algo de novo e original: dois vinhos da mesma vinha, mas de diferentes altitudes, o que torna a prova muito interessante, para poder perceber como dois vinhos saídos da mesma vinha, mas de cotas diferentes de altitude, podem ter características diferentes.

Ambos os vinhos são feitos de Vinhas Velhas com predominância de Touriga Nacional e Touriga Franca, e após fermentação em inox, tiveram estágio em barricas de 225 e 300 litros de carvalho francês (70% de barricas de carvalho novo e 30% de carvalho de segundo e terceiro ano) durante um período de cerca de 24 meses, de acordo com cada lote e casta.

Notas de prova de cada vinho
Duorum O.Leucura Cota 200 2008
Cor vermelha escura. Nariz intenso de frutos pretos maduros, toques algum floral e notas de tosta da barrica. Na boca é extremamente elegante, mas com grande estrutura, com a fruta madura equilibrada por acidez e notas minerais, com muito boa persistência de boca.
Deve ser aberto com alguma antecedência para mostrar todo o seu potencial.

Duorum O.Leucura Cota 400 2008
Cor vermelho profundo e escuro. Aroma mais fino e elegante, com frutos pretos e notas de violeta. É mais especiado que o Cota 200, com um toque de esteva, resinoso e um lado mais vegetal.
Na boca é fresco, elegante, boa estrutura, notando-se a fruta mais fresca e impressões minerais. Final muito longo, e acidez mais vincada que o irmão. Um vinho com corpo semelhante, mas onde se nota uma maior frescura e acidez.

Em resumo, são dois grandes vinhos com características semelhantes mas onde a diferença da altitude é notória, com o cota 200 a ser mais maduro e compotado, de grande concentração, e o Cota 400 com um perfil mais fresco, vegetal e aromático.


No caso do Estremus, é também um vinho de edição muito limitada, tendo saído de uma parcela selecionada de apenas 1,5 hectares de uma vinha plantada em 2001 às portas de Estremoz., com solo calcário com pedra mármore à superfície.
Constituído pelas castas Trincadeira e Alicante Bouschet, numa proporção de 50% cada, o objetivo é ser o porta-estandarte dos vinhos alentejanos de JP Ramos, devendo ser produzido apenas em anos extremamente favoráveis.

Notas de prova
João Portugal Ramos Estremus 2011
Antes de mais devo dizer que achei o vinho fantástico, não tenho grandes dúvidas em dizer que foi o vinho alentejano que mais me impressionou no último ano.

Um vinho que tem tudo no sítio, nariz intenso, profundo, com fruta preta (amora, framboesa), notas de barrica, iodado, especiarias, algum fumado, tudo muito sedutor. Na boca tem excelente volume e frescura, com uma acidez muito bem equilibrada com a fruta, belíssima estrutura, muito mineral, e ainda com a complexidade extra dos tostados da barrica e especiarias.
Fiquei muitíssimo impressionado por este vinho, para mim entra direto para o top dos grandes vinhos portugueses.

Carlos Amaro

Nota: Vinhos gentilmente cedidos pelo produtor


sábado, 9 de novembro de 2013

Ramos Pinto - Prova especial de vintages - ECVS 2013

Foi no Encontro Com o Vinho e Sabores 2013, no Centro de Congressos de Lisboa, que tive oportunidade de participar nesta prova da casa Ramos Pinto, a que estava associado o lançamento do livro "Adriano Ramos Pinto - Vinhos e Arte", um trabalho de pesquisa na documentação histórica da casa, recuperando obras de arte publicitária, que foram compiladas nesta edição de grande qualidade fotográfica.
Ramos Pinto dispensa grandes apresentações, é uma casa portuguesa fundada em 1880, com história no Brasil desde o início do século passado. O fundador Adriano tinha formação de artes, o que influenciou muito a publicidade tão característica desta casa, bem como o seu espirito "avant-garde" inovador para a época.
Esta prova foi apresentada por João Nicolau de Almeida, atual administrador-delegado, que foi contando memórias da casa Ramos Pinto associadas ao ano de cada vinho apresentado.

Seguem algumas notas pessoais dos vinhos:

1912
Vinho associado aos tempos conturbados da implantação da república, e da expansão da casa para o Brasil.
- ligeiro depósito
- côr acastanhada
- nariz muito complexo, especiarias, frutos secos, mas discreto
- na boca é sedoso, mas ainda com garra, vinagrinho
- final enorme

1922
Gago Coutinho e Sacadura Cabral aterram no Brasil. Tendo levado uma garrafa de Ramos Pinto na viagem, gostaram tanto do vinho que a autografaram e devolveram às caves, estando hoje essa garrafa exposta no museu da casa.
- menos depósito, mas algum
- côr acastanhada
- nariz complexo e intenso, frutos secos, passas, iodo
- na boca é muito intenso, vinagrinho
- final muito prolongado

1927
Ano da morte de Adriano Ramos Pinto.
Foi comentado por um participante da prova, que este vintage foi lançado no ano da grande recessão (2 anos depois da vindima), e por isso muitas garrafas da exportação teriam sido devolvidas às caves, o que leva ao facto de ainda existirem hoje em dia apesar de se tratar de um vinho fora de série. Uma teoria interessante.
- apresenta depósito
- côr acastanhada
- nariz muito rico, aromas de farmácia, mentolados, iodo, especiarias
- na boca é sublime, sedoso a fazer cócegas na lingua
- final memorável, com ligeiro picante, nunca mais acaba
Para mim o melhor vinho nesta prova.

1934
- côr acastanhada, cerejeira
- frutos secos e algumas resinas no nariz
- na boca é acetinado, tudo no sitio
- final muito longo e agradável

1983
Execução do projeto de seleção de 5 castas recomendadas para o Douro, numa altura em que não se conheciam as uvas que haviam nas vinhas velhas nem havia meios científicos e humanos à disposição para as identificar a todas. Partiram de uma seleção de 12, e obtiveram 5: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Francesa, Tinto Cão. Selecionadas para plantação de 2500 ha de vinha.
Este vinho é um blend dessas 5 castas (onde a Tinto Cão é residual), que foram vinificadas em tonéis separados, com uvas provenientes da Quinta da Ervamoira.
É também a altura em que surge a Universidade em Vila Real, de onde sairam gerações de enólogos que mudaram completamente o panorama vínico nacional, apostando em vinhos de qualidade feitos com tecnologia avançada.
- côr ruby esbatida
- nariz complexo, refinado
- enche a boca, redondo
- final muito persistente

1995
A casa Ramos Pinto foi comprada pela casa de champanhe Roederer, mantendo a administração local, com respeito a todas as tradições de família, uma vez que a casa Roederer é também um negócio de família.
- côr ruby
- nariz complexo, frutos silvestres, especiarias
- volumoso na boca com final moderado
- muito concentrado, fruta de ano quente

2011
Ano de declaração geral de vintage. Novo rótulo nas garrafas com fundo branco.
- côr retinta
- nariz muito intenso, cerejas em calda
- na boca é muito redondo e volumoso
- final persistente, a deixar boa recordação


Todos os vinhos eram excelentes, tendo-se destacado o 1927 que está um vinho fenomenal, muito rico de aromas e com um final interminável.
Foi ainda referido que os vinhos provados até ao 1934 foram feitos com uvas provenientes da Quinta do Bom Retiro, e quintas vizinhas. Sendo que a partir do 1983 foram feitos com uvas provenientes da Quinta da Ervamoira.

Frederico Santos

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Vila Santa Reserva Branco 2012

Castas: Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc
Álcool: 13,5%

Nova colheita do Vila Santa branco, o vinho mantém o mesmo lote de 2011, com a curiosidade de ser composto por 3 castas que não são típicas do Alentejo.
Parte do vinho fermenta em barricas novas de carvalho francês, sendo o restante fermentado em cubas de aço inox.

Cor amarelo pálido, com toques esverdeados.
Muito fresco, perfumado e intenso no nariz, com aromas citrinos, fruta tropical e muito mineral.
Na boca, continua o perfil frutado, citrino, com boa acidez e mineralidade, estruturado e complexo. Final longo, fresco e elegante.
Tem acidez e estrutura suficientes para ser capaz de evoluir bem em garrafa.
Nesta gama de preço, é dos meus brancos favoritos do Alentejo.

Nota: 16,5
Preço: 9,90

Carlos Amaro

terça-feira, 30 de julho de 2013

Caves São João Lote Especial 2010

Castas: Baga, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon
Álcool: 14%

Novo lançamento das Caves São João, uma das casas mais tradicionais e antigas de vinho da Bairrada.
Depois de um período mais apagado nos finais da década de 90 e inicio dos anos 2000, as Caves São João têm mostrado nos ultimos anos uma excelente vitalidade, e têm vindo a trilhar o seu caminho de recuperação do prestigio que teve com marcas clássicas como o Frei João ou o Dão Porta dos Cavaleiros.
Este vinho é mais uma prova desta vitalidade, um lançamento novo, de um vinho de estilo mais moderno e que me parece ter pernas para andar.

Este Lote Especial é um vinho que junta castas internacionais e Touriga Nacional à casta mais tradicional da Bairrada, a Baga.
Bonita cor ruby, com rebordos violeta.
No nariz, começa por mostrar-se fechado, mas depois de algum tempo no copo, surgem aromas de frutos do bosque, amoras, especiarias, ameixa, tosta de barrica e algum chocolate negro. Belo nariz, com boa complexidade.
Na boca tem boa estrutura e volume, mostra fruta madura, alguma tosta, taninos firmes mas polidos, com final longo e fresco.
É um Bairrada moderno, onde a estrutura e garra da Baga está bem domesticada, em conjunto com as outras castas.
Um vinho que está muito bom agora, mas que aposto que pode ainda melhorar com mais um ou dois anos em garrafa.
Muito boa aposta, com um preço óptimo para a qualidade apresentada.
Nota: 16,5
Preço: 7,5€

Carlos Amaro

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tons de Duorum Branco 2012

Nova colheita do Tons de Duorum Branco, mantém no lote as mesmas castas da versão do ano anterior, sendo composto por Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto e Moscatel.

Cor amarelo palha, aspecto límpido. No nariz, é intenso e exuberante, sobressaindo notas florais, fruta tropical (maracujá, ananás), toque citrino e algum mineral.
Na boca é um vinho muito apetecível e guloso, com muita fruta fresca, citrinos, tropical, envolto numa bela acidez. Muito fresco e equilibrado.
Parece mais directo e exuberante do que colheitas anteriores, estando mais presente a componente tropical, mas sem nunca perder a acidez e frescura, conseguindo ser frutado sem ser enjoativo.
Em suma, um vinho belíssimo vinho para beber despreocupadamente neste verão, ajudado por um preço imbatível para a sua qualidade.

Nota 15,5
Carlos Amaro

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Soalheiro 2011

Soalheiro 2011
Castas: 100% Alvarinho
Álcool: 12,5%

O Soalheiro é daqueles vinhos que não falham. Primeira marca de Alvarinho em Melgaço, tem sido ano após ano um dos Alvarinhos mais consistentes em termos de qualidade, e sempre a preço bem sensato.
Apesar de nos anos mais recentes terem surgido novas marcas de Soalheiro, nomeadamente o Primeiras Vinhas e o Reserva, ambos fantásticos vinhos, o Soalheiro "normal" continua a ser dos vinhos brancos que mais me dá prazer beber.
Uma das características de que mais gosto neste vinho é a sua capacidade de envelhecer. Apesar da colheita de 2012 estar já no mercado há algum tempo (está muito recomendável também), hoje venho falar da colheita anterior, do 2011, que foi dos Soalheiros de que mais gostei nos últimos anos.
O ano e meio que já tem em garrafa só lhe fez bem.
Mantém um nariz muito rico, intenso e fresco, com notas citrinas, florais, muito mineral, fundo de fruta tropical.
Na boca, é muito elegante e equilibrado. Acidez viva, muito mineral, a fruta tropical já não está tão dominante como quando chegou ao mercado, notas cítricas e algum melado, bastante encorpado.
Apesar de manter ainda todas as notas exuberantes da juventude, penso que o tempo está a adicionar-lhe mais elegância.
Gosto ainda mais dele nesta fase do que quando saiu para o mercado. Está numa fase ótima de beber agora, mas é bom guardar ainda algumas garrafas para mais daqui a uns anos.
Nota:17,5
Preço: 8,90

Carlos Amaro

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quinta da Bica Colheita 2009

Quinta da Bica Colheita 2009
Região: Dão
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen
Álcool: 14%

Vinho feito do lote clássico de castas no Dão, começa por mostrar uma cor vermelha forte com reflexos violeta.
No nariz é complexo, com frutos vermelhos maduros, especiarias, notas chocolate, boa frescura.
Na boca é encorpado, com a fruta madura, especiarias, algum vegetal, e uma bela acidez. Muito elegante e fresco.
É um belíssimo vinho, com uma relação qualidade preço fantástica.
Nota: 16,5
Preço: 5,5€

Carlos Amaro

sábado, 18 de maio de 2013

Marquês de Borba Branco 2012


Produtor: João Portugal Ramos
Castas: Arinto, Antão Vaz, Verdelho, Viognier
Graduação: 12,5º


Nova edição do Marquês de Borba Branco, um dos vinhos mais populares de João Portugal Ramos.
Cor citrina clara. Nariz fresco e mineral, com notas de citrinos e algum vegetal.
Na boca algum tropical e mais citrinos, acidez média, é um vinho fresco.

Um branco descomplicado, sem madeira, ideal para o verão com a sua frescura.

Nota:15
Preço: 4,99€

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Carlos Amaro

terça-feira, 16 de abril de 2013

Duorum 2011


Duorum 2011
Produtor: Duorum Vinhos, S.A.
Castas: 40% Touriga Franca, 40% Touriga Nacional e 20% Tinta Roriz
Álcool: 13,5% vol
Estágio: 10 meses em barricas de 225 e 300 litros, de segundo e terceiro ano (carvalho francês e em pequena percentagem de carvalho americano)
Enólogo: José Maria Soares Franco


A marca Duorum é um projeto de João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco no Douro, mais propriamente na Quinta de Castelo Melhor.
Desde a sua entrada no mercado em 2007, os vinhos do projeto têm tido sucesso de crítica e de mercado.
Este 2011, acabou agora de ser lançado no mercado. Muito bom já agora, para beber mais em novo, mas penso que daqui a alguns meses estará ainda melhor.
Cor vermelha bem escura, com reflexos violeta.
No aroma, dominam os frutos pretos, como amoras e mirtilos, notas florais, e alguma madeira da barrica.
No boca é volumoso, muito fruta, mas sem enjoar devido a uma bela acidez e taninos suaves mas bem presentes. Final longo.
Tudo muito bem equilibrado, é um vinho impossível de não gostar. A comprar sem receios.
Nota: 17
Preço: 9€

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Carlos Amaro

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vila Santa Trincadeira 2011



Produtor: João Portugal Ramos
Casta: 100% Trincadeira
Estágio: Seis meses em meias pipas novas de carvalho francês
Álcool: 14%


Nova edição de um vinho que é na minha opinião, consistentemente ano após ano, um dos melhores monocastas Trincadeira que conheço.
Muito bem no nariz. Aroma intenso, bastante especiado, com notas de folha de tabaco, fruta preta bem madura, bastante vegetal, frutos secos, trufas. Sedutor e complexo.
Na boca é firme e volumoso, com fruta madura e compotada, taninos suaves, algum picante, especiarias, notas tostadas, folha de tabaco, boa acidez.

Está muito bem este 2011. Para mim dos melhores Trincadeiras Vila Santa até à data.
Bela relação qualidade-preço.

Nota: 17
Preço: 9€

Carlos Amaro