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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Herdade das Servas Touriga Nacional 2006


Cor violeta carregada, como que a indicar que temos aqui um vinho bem concentrado.
Muito bem no nariz, pujante, com frutos silvestres maduros, notas de baunilha, uma componente vegetal bem presente, também algum floral e especiarias.
Na boca é concentrado, vigoroso, grande estrutura, parece ainda jovem, apesar de alguns anos de vida. Taninos ainda presentes, mas já começam a amaciar.
Bela acidez, frutos negros compotados, chocolate negro, noz moscada, notas vegetais bem marcadas, e algum abaunilhado a compor.
Final longo e persistente, belo conjunto. Um muito bom exemplar de Touriga Nacional de terras alentejanas.
Preço: 15€
Nota: 17

Carlos Amaro

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Maquia 2009


Este vinho vem de um pequeno projeto de Álvaro Martinho, com enologia de Dirk Niepoort/Luís Seabra.
É um vinho proveniente de vinhas velhas, povoadas de inúmeras castas, sendo esta já a segunda edição do vinho, depois de uma muito boa primeira edição em 2008.

Aroma muito cativante, com bastante fruta (amoras, ameixas pretas), apontamentos de pimenta, notas de cacau, e alguns traços vegetais. Fresco e mineral, nota-se a complexidade das vinhas velhas.
No paladar, bom volume de boca, fruta presente e fresca, num estilo de elegância e delicadeza com taninos finos e acidez no ponto.
Belíssimo vinho, com uma grande relação qualidade preço.

Nota: 17
Preço: 9€

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Delas Frères Châteauneuf-du-Pape Haute Pierre 2006


Região: Rhone - Châteauneuf-du-Pape
Castas: Grenache (70%) e Syrah(30%)
Graduação: 15º

Tenho pouca experiencia com tintos franceses, e da região de Châteauneuf-du-Pape foram muito poucos os vinhos que provei com mais atenção, daí que tenha sido com entusiasmo que avaliei este vinho.

Cor de um profundo vermelho grenat, menos escuro do que eu esperava.
O nariz deixou-me confuso ao inicio, parecia-me um pouco estranho, com aromas picantes e notas de especiarias orientais fora do comum (cravinho, cardamomo), bem como o alcool a sentir-se um pouco a mais. Passados uns minutos evoluiu para muito melhor, o forte picante a manter-se, mas com fruta muito fresca, framboesa, ameixas, especiarias, licor, alcaçuz, baunilha e uma frescura que conseguiu esconder os 15 graus que se notavam inicialmente.
Na boca, muito rico e untuoso, com o alcool a ser bem compensado pela estrutura e corpo do vinho. Framboesas, amoras, especiarias bem definidas (canela, noz-moscada), com alcaçuz a sobressair num final longo e intenso (se bem que um pouco quente dos 15º, fator que melhorou com o tempo de abertura).
O vinho melhorou ao longo da prova, estava no ponto optimo após 2 horas de abertura da garrafa, e não perdeu nada provado de novo no dia seguinte, após uma noite aberto (guardado no frio).

Nota: 17
Preço: 32€

Carlos Amaro

sábado, 28 de janeiro de 2012

Visita à Adega Cooperativa de Borba


Depois de dois meses e muitas trocas de mensagens lá conseguimos organizar uma visita à adega cooperativa de Borba através do grupo Portuguese Wine Bloggers no facebook. Esta visita foi impulsionada pelo blogger Carlos Janeiro que com grande empenho e paciência lá conseguiu juntar 8 wine bloggers, dos quais tive o prazer de fazer parte.

Fomos num sábado, e chegámos a Borba já depois das 11 da manhã, onde nos esperavam a relações públicas Márcia Farinha e o enólogo Óscar Gato, que nos receberam numa sala de provas onde já estavam uns rótulos de cortiça antigos a respirar em decanter.


Fundada em 1955, a Adega de Borba reúne atualmente 300 viticultores que cultivam cerca de 2200 hectares de vinha, com 70% castas tintas e 30% castas brancas, sendo as melhores provenientes do sul de Borba onde o solo é xistoso.
Produz entre 12 a 15 milhões de garrafas de vinho por ano, e 40 mil litros de aguardente vínica.
Com 57 anos de existência, tem vindo a modernizar-se constantemente, mantendo sempre um nível elevado de qualidade, o que não é tarefa fácil dada a quantidade e variedade de uvas que ali entram ano após ano.
A adega é grande, provavelmente a maior que já vi, e no centro da vila não tem por onde crescer mais. Pude apreciar algumas casas cuja traseira dava para as cubas em inox, de tal modo está incrustada na vila. É tentador morar ali.
Está em fase final de construção a nova adega, que deverá ser inaugurada em breve, num terreno com 14 hectares por trás da estação, que visitámos depois do almoço.

Mas comecemos pelo principio da visita.
Entrando no amplo pátio da adega surgem os balões brancos de 250 mil litros à esquerda, e à direita uma adega aberta para o pátio muito bem equipada com enormes cubas inox, passadiços, talhões de várias toneladas, enfim, tudo em grande. Ao fundo um laboratório onde é feito um primeiro controlo às uvas que entram, para identificar não só as piores, mas também as melhores.
É necessária muita organização para processar tanta uva na época das vindimas, tendo um calendário apertado para cada casta, sujeito a alterações de ano para ano consoante o amadurecimento de cada uma.
Dentro da adega propriamente dita, encontra-se um segundo laboratório "de campanha" onde é feita nova triagem, e se encaminham as uvas para os vários lotes consoante a variedade e a qualidade.
Existe também uma sala fresca onde repousam muitas pipas de madeira nova com os melhores vinhos, 75% carvalho francês, 15% carvalho americano, 10% carvalho português, e uma pequena percentagem de castanho português, uma madeira mais porosa.


Em seguida passámos às caves do edificio principal, onde nos deparámos com mais cubas, toneis de madeira muito antigos e pipas de madeira mais usada, onde envelhecia a aguardente.


Nesta área existe a enoteca da casa, com uma coleção invejável de milhares de vinhos desde há 50 anos atrás.


Numa sala à parte está a garrafeira de rótulos de cortiça antigos a rodear uns toneis novos de onde sairão provavelmente os novos rótulos de cortiça grande reserva, uma aposta recente da Adega de Borba, que procura obter assim um vinho de qualidade superior em edições mais limitadas.


Passámos pelo laboratório principal, equipado com a mais moderna tecnologia, incluindo um analisador potente, único na Peninsula Ibérica.
Visitámos a secção de engarrafamento, uma sala isolada com grandes janelas de vidro, com três máquinas capazes de engarrafar umas impressionantes 18 mil garrafas por hora.
Passámos ainda pelo enorme armazém onde estavam paletes e caixas de vinho a perder de vista, e muitas mais pipas de carvalho semi-novo.
A adega parecia não ter fim.


Voltámos à sala de provas onde nos foram apresentados alguns vinhos da gama Senses de monocastas.

Rosé 2011, feito essencialmente de Aragonês.
De côr muito pálida e salmonada, tem um bom nariz, floral e silvestre, na boca é um vinho leve e fresco.

Alvarinho 2010
Côr citrina, nariz intenso e complexo, algo exuberante com aromas herbáceos e de fruta tropical. Muita frescura na boca e final muito longo.

Verdelho 2010
Côr citrina, nariz abaunilhado com fruta tropical, boca fresca mas não tanto como o Alvarinho, final moderado.

Sirah 2010
Côr granada, nariz intenso, frutado, alicorado.
Boca com boa estrutura, alguns taninos a mais.
Final longo.

Touriga Nacional 2009
Côr granada, nariz frutado, com alguns tostados.
Boca com estrutura e um bom final, algo adstringente.

Seguiu-se uma prova vertical de Rótulo de Cortiça, um vinho icónico da adega de Borba, do qual provámos 5 edições, uma de cada década:


2008
Côr ruby, nariz complexo, ervas aromáticas.
Boca elegante, final prolongado.

1994
Côr ambar, nariz intenso, couro, especiarias.
Boca elegante, com um ligeiro vinagrinho no final longo.

1982
Levou menos Aragonês.
Côr ambar, nariz muito parecido com o de 94.
Boca elegante com final médio.

1977
Côr acastanhada, nariz muito rico, especiarias.
Boca muito elegante, com final mediano.

1964
Côr acastanhada, bazar de especiarias.
Boca elegante, final longo com ligeiro picante.

É impressionante como o perfil destes vinhos se mantém constante ao longo de várias décadas. Numa prova cega não os conseguiria distinguir.
A sua acidez mantém estes vinhos vivos, com uma elegância fora do vulgar. Fizeram-me lembrar alguns Pinot Noir franceses.

Provámos ainda uma amostra de casco do 2009 Gold do tonel 6, que será engarrafado em breve como Rótulo de Cortiça Grande Reserva 2009.


De côr granada opaca, nariz muito rico, aromas herbáceos, azeitonas.
Boca com muita estrutura, mas elegante, opulento, com um final muito persistente.
Promete ser um grande vinho.

Depois da prova seguiu-se o almoço, e que almoço.
Preparado numa sala da adega pela equipa do restaurante "A Cadeia Quinhentista" de Estremoz, foi acompanhado pela gama de vinhos Montes Claros.


As entradas foram servidas em pratos individuais com nove divisões, contendo linguiça, farinheira e morcela de porco preto no carvão, queijo de ovelha em azeite, coelho em vinagrete balsâmico com pimentos assados, cogumelos estufados com ervas, ameijoas com coentros frescos, mexilhões gratinados, e favas com toucinho fumado e salteado.
Uma belíssima amostra dos sabores do Alentejo, acompanhada pelo branco Montes Claros Reserva 2010.
Este vinho está muito bem conseguido, com a casta Roupeiro a transmitir um nariz muito intenso e rico, e com um conjunto de grande equilíbrio.

Seguiu-se o cação temperado com alho e pimentão da horta, frito em banha de porco preto, com ameijoas e migas de batata.
Muito bem acompanhado pelo tinto Montes Claros Reserva 2009.
Curiosa esta forma de cozinhar o cação com o tempero típico da carne de alguidar alentejana, resultou muito bem com este tinto elegante.

Depois veio a perdiz suada em azeite de Borba, com trufas brancas, espargos bravos, castanhas, uvas e romã.
Acompanhada pelo tinto Montes Claros Garrafeira 2007, foi uma perdição, tive de repetir.
Este vinho mais encorpado que o reserva, está muito afinado, e ligou muito bem com o sabor forte da perdiz.

Para sobremesa foram dois doces conventuais, mas nesta fase já não fui capaz de decorar os nomes e já não estava a tomar notas. Fizeram justiça à boa fama da doçaria tradicional alentejana, muito rica por sinal, e não me atrevo a arriscar os nomes de tão deliciosas iguarias.
Acompanhámos com o licoroso da Adega de Borba, que era muito bom, ao nível de um bom vinho da Madeira.

Depois deste magnífico banquete que terminou por volta das cinco da tarde, fomos visitar as novas instalações que estão mesmo em fase final de acabamentos, já com o equipamento particamente todo instalado.
Por trás da antiga estação de comboios, surge a nova adega imponente, construida com a mais recente tecnologia aliada a soluções ambientais que permitem melhor eficiência energética, nomeadamente a cobertura verde (green roof) que proporciona um bom isolamento térmico, e claro, o mármore que é extraído localmente na pedreira de Borba.
Ao entrar deparamo-nos com um gigantesco armazém com capacidade para várias dezenas de milhões de litros em paletes.


Tem uma capacidade de fermentação de vários milhões de litros distrinuidos por cubas de 60 mil litros cada. Uma autêntica catedral, onde em vez de colunas estão as enormes cubas com mais de 10 metros de altura, a perder de vista para onde quer que olhemos.


As uvas entram por cima e seguem por duas linhas mestras até ao seu destino.
Tudo planeado ao pormenor para se conseguirem separar os lotes o melhor possível.


No meio da imensidão de cubas via-se uma pequena área reservada para a vinificação de vinhos de topo, cujo equipamento ainda não estava instalado.
Subimos ao telhado onde pudemos pisar a fofa cobertura verde assente em placas de espuma, que devido ao clima soalheiro do Alentejo se tornou avermelhada, o que não fica nada mal.


Passámos ainda pela loja onde pudemos comprar alguns dos vinhos provados.
Os preços dos vinhos da AC Borba são sempre acessíveis a todas as bolsas, e julgo ser esse equilíbrio entre qualidade e preço que tornam esta casa um exemplo de sucesso a seguir, mostrando que se pode produzir em quantidade e em qualidade, unindo o esforço de vários viticultores que por si só teriam muita dificuldade em sobreviver neste país.
É de facto uma inspiração ver um projeto com mais de 50 anos a crescer desta forma, quando a maioria das adegas cooperativas nacionais andam pelas ruas da amargura, algumas delas a fecharem portas.
Também gostei de ver o investimento na produção de vinhos de qualidade mais elevada em quantidades mais reduzidas, como é o caso do Rótulo de Cortiça Grande Reserva (o primeiro de 2007 desapareceu logo), assim quem estiver disposto a pagar por esses vinhos também os poderá encontrar aqui, e a preços não muito ofensivos.

Há um outro aspeto que é de realçar: o vinho de Borba encontra-se em todo o lado.
E para quem é apreciador de vinho, por muito manhosa que seja a carta de vinhos do restaurante onde se vai comer (coisa que infelizmente não é rara em Portugal), tem lá pelo menos um Borba a servir de tábua de salvação, que é sempre uma aposta garantida.

Agradecimentos especiais ao enólogo e relações públicas da adega que nos acompanharam todo o dia, à equipa do restaurante "A Cadeia Quinhentitista" que nos proporcionou um almoço brilhante onde a ligação com os vinhos servidos foi perfeita, ao blogger Carlos Janeiro, e ao compadre João Pedro Carvalho que também participou ativamente na organização e ainda me há-de levar a provar o vinho da talha.

Deu gosto ver como se produz o vinho em Borba.

Frederico Santos

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quinta das Marias Reserva Cuvée TT 2008

Produtor: Peter Viktor Eckert - Quinta das Marias
Vinho da região do Dão, produzido a partir do duo Tinta Roriz e Touriga Nacional.
Produção limitada a 6000 garrafas, esta garrafa tinha o número 5421.


Vinho de cor bem intensa, quase opaco, com bonito violeta no rebordo.
Nariz sedutor, aromas a fruta preta, toque floral (violeta), algumas notas abaunilhadas e de especiarias, e ainda algum chocolate negro a compor um belo conjunto.
Na boca, tem uma boa estrutura, bastante encorpado. Segue a prova do nariz, com a fruta bem acompanhada por alguma tosta da madeira, especiarias (notas a pimenta), tudo amparado numa frescura muito presente.
Muito bom vinho, bem equilibrado entre estrutura e elegância.
Nota: 17
Preço: 15-17€

Carlos Amaro

domingo, 18 de dezembro de 2011

Meandro 2009

Depois da prova recente do 2008, de que gostei muito, provei agora o Meandro 2009.
O lote mantém-se muito semelhante, tendo este ano 35% Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, 25% de Tinta Roriz, 5% de TintaBarroca e 5% de Sousão).
Nota-se uma consistência na qualidade do vinho, continuando na linha do ano anterior.
Cor rubi escura, com bonitos bordos violetas.
Muito expressivo no nariz, com aromas intensos a frutos vermelhos e notas florais. Algumas notas verdes e especiarias surgem a seguir.
Na boca, segue também bastante na linha dos frutos silvestres, com bela acidez e frescura a equilibrar o conjunto.
Muito encorpado, nota-se ainda notas tostadas da madeira, tudo bem integrado.
Nesta fase está talvez mais unidimensional do que o 2008, muito exuberante, com a fruta e o floral a sobreporem-se um pouco ao resto.
Acredito que com mais algum tempo de garrafa ficará ao mesmo nível.
Nota: 16,5
Carlos Amaro

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Meandro 2008

A Quinta do Vale Meão é uma das quintas míticas do Douro. Última quinta comprada por D. Antónia Adelaide Ferreira, mantem-se até hoje na posse dos seus descendentes.
As uvas desta quinta durante vários anos eram vendidas à empresa AA Ferreira S.A., tendo servido durante vários anos de base ao Barca Velha. Isto até 1998, ano em que o Barca Velha passa a ser feito na Quinta da Leda, ficando a partir daí as melhores uvas desta quinta para os vinhos Vale Meão.
Este Meandro é a segunda marca da quinta, a seguir ao fantástico Quinta do Vale Meão.

Em 2008 este vinho foi feito das castas 35% Touriga Franca, 25% Touriga Nacional, 25% Tinta Roriz, 5% Sousão, 5% Tinta Amarela e 5% Tinto Cão.
Muito bonita cor rubi bem escura. Tem um nariz fantástico de grande expressividade, frutos vermelhos maduros (amora, groselha), bastante floral, notas a especiarias, algum chocolate.
Muito guloso e sedutor na boca, elegante. Mostra-se a fruta madura, algum abaunilhado da madeira, notas vegetais a pimento, muito mineral, num todo muito fresco e equilibrado. Final longo.
Apesar de muito bom agora, tem estrutura para envelhecer bem por mais uns anos.

Longe dos cerca de 60€ do seu irmão mais velho, este é um vinho que por 10€ tem uma relação preço qualidade muito boa.
Um vinho impossível de não gostar, do qual vale a pena comprar algumas garrafas para ir vendo a sua evolução.

Nota: 17

Carlos Amaro

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2007

Sempre gostei dos vinhos da Quinta do Vallado.
Desde o vinho de entrada, ao Reserva, a qualidade é quase sempre garantida, e normalmente a preços bem sensatos.
Têm além disso um dos varietais Touriga Nacional de que mais gosto.
É esse mesmo o vinho que provei agora. O Touriga Nacional da colheita de 2007.

Aroma de muita concentração, frutos vermelhos bem maduros em destaque, aromas a violeta e notas de barrica. Algum floral, mas sem dominar, tudo muito elegante.
Na boca é muito equilibrado, com frutos vermelhos e os abaunilhados da barrica muito bem integrados e na medida certa, notas achocolatadas. Extremamente fresco, com taninos finos e final bem longo.
Um conjunto envolvente e complexo. Muito apetecível.
Belíssimo vinho, ainda por cima com um preço que não escandaliza ninguém, abaixo da fasquia dos 20€.

Nota: 17,5

Carlos Amaro

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quinta de Tourais


A quinta de Tourais situa-se no Douro, perto da Régua na margem sul. A quinta está na família há 3 gerações, e até final do milénio passado as uvas eram todas vendidas a uma casa de vinho do Porto. Tendo assumido a enologia da quinta a partir de então, Fernando Coelho tem apostado em vinhos de mesa de qualidade média/alta.

Antes de entrar na prova dos vinhos, há que realçar a apresentação das garrafas, cujo rótulo é impresso no vidro com tinta, ou seja, sem papel. Tem um design artistico muito fora do vulgar, que resulta bem com o contraste do vidro escuro das garrafas.

Passemos então aos vinhos.

Tourónio 2009
40% Touriga Nacional, 40% Tinta Roriz, 15% Sousão, 5% Tinto Cão
É o entrada de gama, tem uma côr muito escura, nariz complexo, com aromas de couro, algum tostado e chocolate. A boca é volumosa com algum tanino. É um vinho denso, com um final persistente.
Um duro do Douro bem feito, com um nariz intrigante.
preço: ~10€
nota: 16,5

Miura 2007
Côr escura, nariz complexo, algo balsâmico.
Na boca é elegante mas intenso, com um bom final.
Um vinho mais aveludado que o anterior, mantendo o perfil rústico aliado a elegância.
preço: ~15€
nota: 17

Furia 2008
Vinhas velhas (60 anos), com predominancia das castas Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Touriga nacional.
Côr muito escura.
Nariz complexo mas pouco intenso, algo fechado, foi crescendo no copo.
Na boca é redondo, encorpado e pujante, tudo bem equilibrado.
Muito bom final com ligeiro toque picante.
preço: ~20€
nota: 17,5

Miura 2008
Vinha de 30 anos, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Sousão, Tinta Amarela e outras.
Côr escura.
Nariz balsâmico, amoras.
Um pouco mais adstringente que o 2007, muito corpo, tem o final mais longo de todos os vinhos em prova. Promete durar muitos anos em garrafa.
preço: ~15€
nota: 17

Todos os vinhos agradaram muito, com alguma rusticidade que lhes dá caracter, bem equilibrada com madeira qb.
São vinhos gastronómicos, que devem acompanhar bem uma carne assada, ou outros pratos fortes.
As garrafas fazem sensação em qualquer mesa pela originalidade do rótulo.

www.quintadetourais.com

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Altas Quintas Crescendo 2007

Vinho da zona de Portalegre, de vinhas situadas a cerca de 600 metros de altitude na Serra de São Mamede. Feito maioritariamente de uvas da casta Aragonez, com pequena percentagem de Trincadeira, Alfrocheiro e Alicante Bouschet.
Notas para a boa apresentação da garrafa e rótulo bem desenhado, proporcionando uma boa imagem.

Nariz vivo e fresco, com destaque para a fruta madura, especiarias e algumas notas vegetais, está bastante apelativo.
Na boca, confirma o perfil fresco e com bom equilibrio, novamente fruta madura, um toque de geleia, especiarias, mais notas de cacau no final, com a madeira a aparecer também, mas bastante subitl e bem integrada.
É um belo vinho, bastante guloso e fácil de gostar. Com um preço de cerca de 8,5€ é uma boa aposta nos vinhos desta gama média.
Nota: 16

Carlos Amaro

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Casa Girelli Primitivo Puglia 2001

É bastante raro beber vinhos italianos, sendo dos grandes países produtores, aquele que menor conheço.
Este vinho vem da zona de Puglia, que fica no sudeste de Itália.
A gama Virtuoso deste produtor é a sua gama de topo, de vinhos "raros" como eles lhes chamam, vindo de vinhas velhas, com produções pequenas (50 hl/ha).
A casta Primitivo é melhor conhecida como a casta Zinfandel, muito popular nos estados unidos.

É um vinho muito curioso, diferente de tudo o que já provei, provavelmente pelo comportamento da casta naquela zona de Itália.

Apesar dos seus 10 anos de vida, é um vinho de cor muito carregada, quase opaco.
No nariz é sedutor, impressões fortes de fruta, com notas de cerejas, bagas silvestres e ameixas pretas. De seguida surgem as especiarias, licor de fruta, compotas, algum cacau, numa combinação de aromas interessante que lembra uma loja de produtos finos.
Na boca é a compota e a cereja que surgem em primeiro plano mas com uma frescura que lhe dá um bom equilibrio e que impede que se torne enjoativo.
Em suma, gostei bastante do vinho. Deu-me vontade de conhecer mais sobres os vinhos italianos.
Nota: 16,5
Preço: ~18€

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quinta dos Termos - Beira Interior

Foi na sexta, dia de Portugal, que nos deslocámos à Quinta dos Termos, perto de Belmonte.
Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.
A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho compensam no resultado final.
Tem muita variedade de uvas, com vinhas bem delimitadas, podendo-se perceber na paisagem nuances de tons de verde entre parcelas distintas.
Os solos são graníticos e ricos em sílica.


Visitámos a adega, bem equipada com grandes cubas inox com os lotes identificados, onde podíamos encontrar Touriga Nacional, Tinto Cão, Rufete, Tinta Roriz, Baga, e até Vinhão, uma uva inesperada da região do Vinho Verde, entre muitas outras.


Na cave de estágio são usadas pipas de carvalho francês Allier, com um tempo de vida de cerca de 4 anos.
Ainda passámos pela secção de engarrafamento, e seguimos para a sala de provas, onde tínhamos a gama de mais de 20 vinhos comercializados pela casa à disposição, e nos esperava uma mesa com queijo, presunto, e chouriço e morçela assados. Seguiu-se a prova comentada pelo sr. João Carvalho, proprietário da quinta.


Reserva do Patrão Branco 2010
A casta mais utilizada é o Verdelho.
Côr pálida. Nariz intenso com aromas de fruta , ervas, mineral. Na boca é elegante, encorpado, de final muito longo com ligeiro picante.
Nota: 16,5

Fonte Cal Branco 2010
Nariz menos exuberante, com notas mais herbáceas e menos frutadas. Bem equilibrado na boca, mais encorpado que o anterior, com um bom final.
Um vinho mais gastronómico.
Nota: 16,5

Rosé 2009
Baga
De côr algo carregada para um rosé a fugir para o grená, tem um bom nariz, e a boca está no ponto, nem demasiado suave nem demasiado pesado, bom equilíbrio. Final curto.
Um bom rosé.
Nota: 16

Quinta dos Termos Tinto DOC 2009
De côr ruby opaca, nariz intenso, com notas de frutos silvestres, boca bem equilibrada com ligeiro tanino, final prolongado. Muito bom tinto para o dia a dia.
Nota: 16,5

Vinhas Velhas 2006
Reserva, tem 50% Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, e Sirah de vinhas novas.
Côr ruby, nariz muito complexo, frutos silvestres, tostados, couro.
Boca muito equilibrada, com um grande final.
Nota: 17

Garrafeira 2004
50% Trincadeira
Côr muito intensa para um vinho com 7 anos, nariz mais intenso e complexo que o anterior.
Boca muito rica e concentrada, com um final enorme.
Nota: 17,5

Tinto Cão 2008
Côr muito escura, nariz suave com notas de tabaco, na boca é intenso mas polido, com um final adstringente. Um bom vinho para guardar.
Nota: 16

Reserva do Patrão 2008
100% Sirah
Côr opaca, de nariz complexo, frutado e mineral. Boca muito correcta, final longo com ligeiro picante.
Nota: 17

O Pecado de Virgílio Loureiro 2007
Chama-se pecado por ter sido feito com uma casta estrangeira: Sangiovese.
Um vinho com o mesmo perfil do anterior, mas mais elegante, mais magro na boca, com um final interminável.
Nota: 17,5

Tinta Roriz 2006
Nariz suave, boca macia com final moderado.
Muito elegante.
Nota: 16

Em suma, os vinhos provados eram todos de grande qualidade, sobressaindo para o meu gosto, o Garrafeira 2004 que ainda está para durar, e o Pecado 2007 por ser um vinho diferente e muito bem conseguido.
É de realçar a hospitalidade beirã com que nos receberam, acabámos por demorar mais do que o previsto por nos tratarem tão bem.
Bem hajam.

Frederico Santos

sábado, 23 de abril de 2011

Quinta dos Frades Grande Reserva Tinto 2008

Ontem tive o prazer de degustar um fantástico vinho do Douro, uma vez mais da autoria de Anselmo Mendes e João Silva e Sousa. Tal como o nome indica, o vinho resulta da vinificação de vinhas velhas da Quinta dos Frades, a mesma quinta que deu origem a outros dois vinhos que conheço bem e que aprecio bastante para a gama a que se destinam, o "Vinha dos Deuses" e o "Lua Nova em Vinhas Velhas", ambos feitos com as vinhas velhas da quinta. Sobre este este ultimo já escrevi neste blog, é um dos meus vinhos de eleição para o dia a dia e a um preço bem cordato.

A prova deste vinho aconteceu em circunstâncias particulares, a acompanhar um prato de bacalhau de um menu de degustação do restaurante Pedro Lemos (uma experiência gastronómica de elevadíssimo nível, já agora...), onde este vinho acompanhou em perfeição o prato, sendo um complemento perfeito para a harmonia de aromas e sabores do mesmo. Competentíssimo trabalho de escanção, não só por esta combinação...

Focando no vinho, garanto-vos sem qualquer presunção que se não o soubesse com antecipação seria capaz de se o identificar como sendo da dupla Anselmo Mendes e João Silva e Sousa. Exibe uma matriz, um perfil aromático e uma estrutura que começam a ser uma marca de identidade.

Grande volume e estrutura, taninos bem presentes mas redondos quanto baste, enorme intensidade mas elegante e com uma frescura fantástica, o que para um vinho com os atributos descritos não é fácil de conseguir.Final longo e persistente.

No nariz exibe notas de fruta preta bem madura muito bem combinada com notas de terra molhada e algum couro conferindo complexidade.

Um grande vinho, de uma quinta que começa a dar que falar e que aconselho vivamente.
Classificação: 18,5/20.

Boas provas...

Mário Rui Costa

sexta-feira, 4 de março de 2011

Espumantes tintos - Lampreia nas Bágeiras

Foi no dia 4 de Março que nos deslocámos à Quinta das Bágeiras, para um jantar de lampreia cozinhada pelo sr. Simões.
Aproveitámos para fazer uma pequena prova de espumantes tintos, coisa que raramente temos oportunidade de beber.
A lampreia estava óptima, talvez a melhor que já comi, sendo o arroz de cabidela feito à parte, juntavam-se as postas de lampreia já cozinhadas no prato, para não ficarem empapadas na cozedura do arroz. Para sobremesa ainda tivemos direito a um gelado caseiro delicioso, acompanhado pelo abafado da casa que está cada vez melhor.
Quanto aos cinco espumantes tintos que acompanharam muito bem o arroz de lampreia, confesso que tive muita dificuldade em pontuá-los por falta de referências, mas o principal era mesmo a lampreia e o convívio, sendo a prova vínica apenas uma desculpa para ficarmos a conhecer melhor alguns espumantes tintos.

A média de pontuações atribuída pelos 10 votantes foi:
  • 15,25 - Terras do Demo 2008
  • 14,7 - Quinta das Bágeiras 2006
  • 14,68 - Quinta da Mata Fidalga 2008
  • 14,56 - Murganheira 2006
  • 13,31 - Sidónio de Sousa 1999
No geral, agradou mais o Terras do Demo, um espumante feito de Touriga Franca, e agradou menos o Sidónio de Sousa, feito de Baga.
Pessoalmente, gostei mais do Sidónio e do Bágeiras que eram mais brutos, sabiam mais a vinho. O Murganheira e o QMF eram mais elegantes, e o Terras do Demo era mais intenso mas demasiado frutado para o meu gosto.

Foi um belíssimo jantar, muito bem disposto, e sempre ficámos a conhecer mais uns vinhos.
Ficou prometido para breve um robalo assado, que vai servir de desculpa para uma prova de brancos do Dão. Também se falou num coelho com amêndoas, que não perderá pela demora. Quando fôr o sr. Simões a cozinhar podem sempre contar comigo.

Frederico Santos

quinta-feira, 3 de março de 2011

Vertical de Chryseia

Foi na abertura da Essência do Vinho 2011, no dia 3 de Março, que participei nesta prova vertical de Chryseia, realizada no salão árabe do Palácio da Bolsa, com a apresentação de Charles Symington e Bruno Prats.
O nome Chryseia vem do grego antigo, onde significa douro ou dourado. É portanto um vinho tinto do Douro, feito com uvas seleccionadas das muitas propriedades da família Symington, ligada ao vinho do porto há muitas gerações. É este leque de boas vinhas aliado à enologia de Bordéus da família Prats que o torna um vinho único e emblemático.
Tratam-se de vinhos muito completos e de grande afinação, que estagiam em pipas grandes (400L) de madeira nova (carvalho francês), e cujas castas principais são a Touriga Franca e a Touriga Nacional.
A determinada altura foi feita a comparação por Bruno Prats, entre o par Cabernet Sauvignon e Merlot de Bordéus, com o par Touriga Franca e Touriga Nacional do Douro.
A prova foi apresentada em inglês, e foram servidos os vinhos de 2001 a 2008 (excepto 2002).

Chryseia 2001
Côr ruby clara, nariz discreto e complexo, herbáceo, algo químico.
Boca suave e elegante, ainda muito fresca.
Este levou 31% de Tinta Roriz, casta esta que não voltou a ser usada no vinho nas suas edições posteriores.

Chryseia 2003
Côr ligeiramente mais carregada, mas ainda suave.
Nariz equivalente, mas ligeiramente mais frutado.
Boca mais elegante.
Final muito longo.
Levou 60% de Touriga Franca, uma uva difícil de amadurecer que só foi vindimada em Outubro.

Chryseia 2004
Côr equivalente ao anterior.
Nariz no mesmo registo, mas com ligeiro chocolate.
Na boca apresentou mais estrutura e potencial de envelhecimento.
Final muito persistente.

Chryseia 2005
Côr equivalente ao anterior.
Nariz mais especiado.
Boca ligeiramente mais frutada e redonda.
Menos taninos que o anterior, mas ainda presentes.
Final longo.
Foram introduzidas neste vinho pela primeira vez uvas da Quinta da Perdiz, cerca de 40%.

Chryseia 2006
Côr equivalente.
Nariz mais complexo que os anteriores, especiarias, chocolate.
Boca ligeiramente taninosa, mas suave, equivalente ao 2004.
Final muito longo.
As uvas usadas neste vinho vieram quase todas da Quinta do Vesúvio.

Chryseia 2007
Côr equivalente.
Nariz mais achocolatado, couro, cogumelos.
Boca mais redonda, com ligeiro picante no final muito longo.
Foi comentado pelo enólogo que as uvas neste ano ficaram perfeitamente amadurecidas, o que tornou este vinho muito rico.

Chryseia 2008
Côr ligeiramente mais carregada que o anterior.
Nariz menos espectacular mas mais elegante, especiado.
Boca voltando ao registo químico dos primeiros anos, de grande equilíbrio.
Final longuíssimo.

Todos os vinhos estavam num patamar de qualidade muito elevado, sendo apenas uma questão de gosto decidir se um é melhor que o outro. Daria a todos uma pontuação entre 18 e 18,5.
Também de salientar que os vinhos mais recentes me agradaram ligeiramente mais que os primeiros, o que me faz crer que o vinho está cada vez melhor de ano para ano.
Se tivesse de escolher um talvez fosse o 2006, que tinha qualquer coisa que o distinguia pela positiva, embora 2007 e 2008 também sejam vinhos que me entusiasmaram muito.

Frederico Santos

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Visita à Herdade das Servas



Foi no dia 20 de Janeiro de 2011 que nos deslocámos à Herdade das Servas, perto de Estremoz, para uma apresentação vertical dos seus monovarietais de Touriga Nacional, desde 2003 a 2008 (excepto 2007), o convite incluia transporte do Porto, e pratos assinados pelo chef Augusto Gemelli especialmente para cada vinho. Irrecusável.

Esta casa, apesar de ter a tradição de várias gerações ligadas ao vinho, apenas a partir de 1999 se lançou no mercado com esta marca. Desde então os vinhos Herdade das Servas têm-se afirmado de forma sustentada no mercado pela sua qualidade consistente de ano para ano, cobrindo já uma vasta gama, mas ainda à procura do seu vinho de topo, que nos confessaram que ainda não encontraram apesar de até já ter marca definida.
Esta atitude de insatisfação perante a qualidade dos seus vinhos, procurando sempre fazer melhor, explica o sucesso deste grande projecto que gere já cerca de 200 ha de vinha.

A adega, situada na Herdade das Servas está equipada com a mais moderna tecnologia, dando origem a tintos, brancos e rosés, sob as marcas Herdade das Servas, Monte das Servas e Vinha das Servas. Têm plantadas uma grande variedade de castas, variedade essa aumentada com numa nova vinha de 2007.
São quinze as castas plantadas actualmente: nove tintas (Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão, Petit Verdot, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira e Vinhão) e seis brancas (Alvarinho, Antão Vaz, Arinto, Rabo de Ovelha, Roupeiro e Semillon).
Após uma longa viagem, mais rápida que o esperado, fomos os primeiros a chegar por volta das 11 da manhã e fomos muito bem recebidos por Luis Mira, a quem mais tarde se juntaram o irmão Carlos Mira e o enólogo Tiago Garcia.
Esperámos um pouco que chegasse o pessoal de Lisboa, enquanto aproveitávamos a paisagem relaxante do Alentejo, por entre talhas e oliveiras centenárias.



Após a chegada de todos, serviram umas tapas alentejanas, de bom chouriço e queijo, acompanhadas com o vinho Monte das Servas Branco Colheita Seleccionada 2009.
Agradou muito este branco, com nariz intenso e frutado. Na boca estava muito bem equilibrado, intenso e elegante, com um final persistente.
É feito com 70% de Roupeiro de vinhas com 55 anos, e mais 3 castas, 10% de cada. Julgamos que estas castas adicionais vão variando de ano para ano, tendo ficado a impressão de que são muito abertos a experiências com outras uvas, apesar de darem prioridade às castas nacionais típicas da região. Logo à entrada têm um canteiro com um cordão rotulado de cada casta, onde ficámos surpreendidos por encontrar a uva Alvarinho tão a sul.

Seguiu-se uma visita à adega, onde se via muito equipamento em inox, desde os lagares, as cubas, o tapete rolante para separação das uvas, os passadiços, enfim, uma adega muito bem equipada. Fomos à cave, onde repousam as pipas de boa madeira. Passámos ainda pela secção de engarrafamento que estava a funcionar em pleno, com 3 ou 4 pessoas de volta da máquina a controlar manualmente todo o processo apesar da máquina ser bastante automática.

Após esta visita às instalações, seguiu-se o almoço, que teve uma apresentação prévia de Augusto Gemelli, que com a sua presença imponente explicou à audiência atenta os pratos que ia apresentar para cada vinho.

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TN 2003
Carpaccio de espadarte marinado sobre creme de grão de bico ao cominho, tomatinhos no forno e azeite de rucola

Frederico Santos - 17
  • côr carregada e opaca, dificil dizer se é granada ou ruby
  • nariz frutado qb, algo vegetal, tabaco
  • boca redonda e cheia, elegante
  • final longo
  • não esperar muito no copo
Carlos Amaro -17
Aroma floral, à Touriga Nacional, com grande intensidade. Fruta e especiarias, chocolate preto , e um toque vegetal dão ao nariz bastante complexidade.
Boca elegante, frutos vermelhos, especiarias, floral e novamente notas verdes. Final longo e um pouco apimentado. Penalizado apenas por algum excesso de álcool no final de boca.
Acompanhou de modo excelente e surpreendente o carpaccio de espadarte, com o creme de grão a fazer o contraponto necessário ao vinho.

TN 2004
Polvo Caramelizado e fumado em cama de "pappa" de tomate e hortelã, perfume de trufa branca

Frederico Santos - 17,5
  • côr opaca, equivalente ao primeiro
  • nariz floral, menos complexo
  • muito bom na boca, com menos alcool, bom final
  • após uns minutos o nariz melhorou
Carlos Amaro - 17,5
Mais fechado ao inicio do que o 2003, mas depois abre-se num belíssimo floral. Fruta e especiarias aparecem de seguida, mais um fundo vegetal.
Boca excelente, com fruta madura, equilibrado, excelente acidez a dar o equilíbrio certo. Muito fresco. Final de extrema elegância e muito longo.
Para mim o melhor vinho em prova.

TN 2005
Ravioli de massa de espinafres recheados com farinheira de presunto e azeitona, espelho de "pesto" de manjericão e queijo Pecorino jovem

Frederico Santos - 16,5
  • côr opaca com tons de violeta
  • nariz muito frutado
  • boca redonda e correcta
  • final prolongado
Carlos Amaro - 16
Aroma muito fresco, focado nas componentes vegetais. Frutos vermelhos e chocolate de leite.
Boca mais quente, frutos do bosque, especiarias. Bom comprimento de boca. De todos os vinhos foi o que menos me pareceu Touriga Nacional. Taninos mais duros, mas bem integrados.

TN 2006
Lombinho de Porco corado na salva com "risotto" de barriga fumada, batata nova e alecrim

Frederico Santos - 17,5
  • côr roxa opaca
  • nariz complexo, aromas herbáceos
  • boca redonda e muito equilibrada
  • deixa boa recordação
Carlos Amaro - 16,5
Muito vegetal, mais contido no nariz. Floral, especiarias.
Taninos bem presentes, boa acidez, chocolate, frutos vermelhos, muito vegetal na boca, noz moscada.
Ainda algo fechado, mas prometedor

Mário Rui Costa - 16,5
Finalmente degustei a garrafa que os meus amigos me trouxeram da HS. Apenas como complemento das vossas notas, realçava que o nariz não sendo muito aberto é no entanto muito bem definido dando grande agrado, se dermos a atenção devida à prova olfactiva. Na boca concordo em pleno com a nota do Carlos, principalmente nas notas vegetais conjugadas com algum fruto vermelho (menos presente que o vegetal), tudo temperado com notas de noz moscada, que predomina no fim de boca e acaba por ficar como o paladar dominante deste vinho. Eu aprecio, mas quem não gostar de noz moscada não acredito que goste deste vinho :-)

TN 2008
Frederico Santos - 16,5
  • côr violeta carregada
  • nariz frutado, vegetal
  • boca equilibrada, ligeiro tanino
  • precisa de mais tempo em garrafa
Carlos Amaro - 17
Este vinho ainda não está no mercado, mas gostei muito, está muito prometedor.
Cor lindíssima violeta. Aroma muito fechado inicialmente, mas nota-se algum floral, frutas e especiarias.
Frutos do bosque na boca, vegetal, especiarias, aromas de bosque.
Taninos ainda por polir, mas promete muito.

Para sobremesa, comeu-se um Bolinho de maçã e caril com molho de caramelo e chocolate branco, que foi acompanhado por um simpático Licoroso Herdade das Servas.
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Muito bons vinhos, intensos e elegantes, carnudos, não hesitei em pontuá-los com cerca de 17 na escala de 1 a 20. Só não dando mais por não ser grande apreciador de touriga nacional na versão monocasta, cujos vinhos tendem ser um pouco frutados demais para o meu gosto. Mas estes apresentaram-se muito equilibrados e bem conseguidos, e com muita juventude contrariando a crença de que os vinhos alentejanos não têm potencial de envelhecimento. Incrível a côr do de 2003, já a caminho dos 8 anos parece a côr de um vinho bastante mais jovem.
Fiquei com vontade de provar os reservas, que para além da touriga, levam também alicante e outras. Será uma boa desculpa para lá voltar.
Frederico Santos
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Em conclusão, um excelente dia de provas, com belos vinhos a acompanhar um grande almoço.
Provou-se aqui que a Touriga Nacional também consegue ter excelente qualidade no Alentejo. Vinhos potentes, carnudos, muito gulosos. Preços bastante sensatos.
O 2003 e 2004 surpreenderam-me especialmente, pela qualidade que apresentam agora.
O 2008, ainda muito novo, mostra grande potencial.
Fiquei com vontade de voltar a esta Herdade das Servas, e provar mais alguns dos seus vinhos.
Carlos Amaro

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Symmetria 2006

É um vinho do Alentejo, feito por Paulo Laureano. Cumprindo a política comercial do produtor, utiliza apenas castas portuguesas. Neste caso Trincadeira, Tinta Grossa, Aragonez e Alicante Bouschet.
Nariz muito agradável, com notas de compota de ameixa, frutos do bosque e um toque de especiarias.
Na prova de boca é elegante, mais uma vez com notas de fruta em compota e especiaria. Fim de boca longo, com taninos suaves e elegantes.
Um vinho muito bem feito, que dá bastante prazer beber.Uma bela escolha nesta gama de preços
8€
16,5

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Quanta Terra Grande Reserva 2007


De um ano glorioso para a produção de vinho no Douro surge um espécime magnifico, um vinho mesmo ao meu estilo, cheio de nuances aromáticas de fruta vermelha e preta bem madura, extraordinariamente macio sem comprometer a complexidade, gordo e guloso na boca.

Este é o meu vinho do Douro, o que mais gostei e impressionou nos últimos anos. Quero realçar o trabalho nos taninos, este vinho consegue manter um  perfil de degustação elevadíssimo sem deixar de ser um modelo de polimento. Fabuloso, já vi muitos produtores comprometer a complexidade dos seus vinhos para os tornar todo o terreno.

Resta referir a cor quase preta, sinal da extracção elevada que se conseguiu e dizer que é feito maioritariamente com Touriga Nacional (65%), Tinta Barroca e Touriga Franca em partes quase iguais e um cheirinho de Sousão.

Parabéns aos enólogos Celso Pereira e Jorge Alves. Este produtor sempre fez muito bons vinhos, está a alargar/verticalizar a gama (ver post do Carlos Amaro sobre o "Terra a Terra", que ainda não provei) e a continuar assim acho que vai deslumbrar no mercado, até porquê pratica preços mais do que justos.

Nota:19/20 (gostei mesmo deste, bolas...)
Preço: cerca de 17€ (aqui está um produtor com vergonha na cara, muito melhor vinho do que muitos 30€ e superior da mesma região)

Boas provas,

Mário Rui Costa

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pequeno Pintor 2006


A marca Monte do Pintor, desde que surgiu no mercado, tem sido sempre um porto seguro para vinhos correctos, muito bem feitos, e a preços sensatos.
Para além do Monte do Pintor, nas versões normal e reserva, tem ainda o topo de gama Escultor, e este Pequeno Pintor, que eu não tinha provado ainda.
A versão do ano 2006 é feita a partir de trincadeira e aragonêz que estagiaram 6 meses em barricas de carvalho Allier e 8 em garrafa.
É muito fresco e vivo no aroma, com a fruta vermelha e ameixas bem integradas com notas de barrica.
Na boca é um vinho muito guloso, equilibrado, com taninos afinados e bela fruta.
Está no momento óptimo para consumo. Fiquei fã deste vinho, e certamente que vou comprar mais.
Preço: 7€
Nota: 16,5

Carlos Amaro

Terra a Terra Reserva 2007


Este vinho é produzido por Celso Pereira, produtor dos Vértice e Quanta Terra, de que sou fã.
É uma marca de gama de entrada, e mostrou-se um tinto cheio de fruta, taninos com garra mas bem polidos, de fácil agrado.
Além da fruta madura, algum chocolate, tosta e toque balsâmicos no nariz.
Bom volume de boca, acidez correcta,e mais uma vez os frutos vermelhos. é um tinto guloso, muito bem feito, daqueles impossíveis de não gostar.
E a um preço bem apetecível.
Um vinho que entra directo para a minha lista do dia a dia.
Preço: 8€
Nota: 16

Carlos Amaro