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sábado, 28 de janeiro de 2012

Visita à Adega Cooperativa de Borba


Depois de dois meses e muitas trocas de mensagens lá conseguimos organizar uma visita à adega cooperativa de Borba através do grupo Portuguese Wine Bloggers no facebook. Esta visita foi impulsionada pelo blogger Carlos Janeiro que com grande empenho e paciência lá conseguiu juntar 8 wine bloggers, dos quais tive o prazer de fazer parte.

Fomos num sábado, e chegámos a Borba já depois das 11 da manhã, onde nos esperavam a relações públicas Márcia Farinha e o enólogo Óscar Gato, que nos receberam numa sala de provas onde já estavam uns rótulos de cortiça antigos a respirar em decanter.


Fundada em 1955, a Adega de Borba reúne atualmente 300 viticultores que cultivam cerca de 2200 hectares de vinha, com 70% castas tintas e 30% castas brancas, sendo as melhores provenientes do sul de Borba onde o solo é xistoso.
Produz entre 12 a 15 milhões de garrafas de vinho por ano, e 40 mil litros de aguardente vínica.
Com 57 anos de existência, tem vindo a modernizar-se constantemente, mantendo sempre um nível elevado de qualidade, o que não é tarefa fácil dada a quantidade e variedade de uvas que ali entram ano após ano.
A adega é grande, provavelmente a maior que já vi, e no centro da vila não tem por onde crescer mais. Pude apreciar algumas casas cuja traseira dava para as cubas em inox, de tal modo está incrustada na vila. É tentador morar ali.
Está em fase final de construção a nova adega, que deverá ser inaugurada em breve, num terreno com 14 hectares por trás da estação, que visitámos depois do almoço.

Mas comecemos pelo principio da visita.
Entrando no amplo pátio da adega surgem os balões brancos de 250 mil litros à esquerda, e à direita uma adega aberta para o pátio muito bem equipada com enormes cubas inox, passadiços, talhões de várias toneladas, enfim, tudo em grande. Ao fundo um laboratório onde é feito um primeiro controlo às uvas que entram, para identificar não só as piores, mas também as melhores.
É necessária muita organização para processar tanta uva na época das vindimas, tendo um calendário apertado para cada casta, sujeito a alterações de ano para ano consoante o amadurecimento de cada uma.
Dentro da adega propriamente dita, encontra-se um segundo laboratório "de campanha" onde é feita nova triagem, e se encaminham as uvas para os vários lotes consoante a variedade e a qualidade.
Existe também uma sala fresca onde repousam muitas pipas de madeira nova com os melhores vinhos, 75% carvalho francês, 15% carvalho americano, 10% carvalho português, e uma pequena percentagem de castanho português, uma madeira mais porosa.


Em seguida passámos às caves do edificio principal, onde nos deparámos com mais cubas, toneis de madeira muito antigos e pipas de madeira mais usada, onde envelhecia a aguardente.


Nesta área existe a enoteca da casa, com uma coleção invejável de milhares de vinhos desde há 50 anos atrás.


Numa sala à parte está a garrafeira de rótulos de cortiça antigos a rodear uns toneis novos de onde sairão provavelmente os novos rótulos de cortiça grande reserva, uma aposta recente da Adega de Borba, que procura obter assim um vinho de qualidade superior em edições mais limitadas.


Passámos pelo laboratório principal, equipado com a mais moderna tecnologia, incluindo um analisador potente, único na Peninsula Ibérica.
Visitámos a secção de engarrafamento, uma sala isolada com grandes janelas de vidro, com três máquinas capazes de engarrafar umas impressionantes 18 mil garrafas por hora.
Passámos ainda pelo enorme armazém onde estavam paletes e caixas de vinho a perder de vista, e muitas mais pipas de carvalho semi-novo.
A adega parecia não ter fim.


Voltámos à sala de provas onde nos foram apresentados alguns vinhos da gama Senses de monocastas.

Rosé 2011, feito essencialmente de Aragonês.
De côr muito pálida e salmonada, tem um bom nariz, floral e silvestre, na boca é um vinho leve e fresco.

Alvarinho 2010
Côr citrina, nariz intenso e complexo, algo exuberante com aromas herbáceos e de fruta tropical. Muita frescura na boca e final muito longo.

Verdelho 2010
Côr citrina, nariz abaunilhado com fruta tropical, boca fresca mas não tanto como o Alvarinho, final moderado.

Sirah 2010
Côr granada, nariz intenso, frutado, alicorado.
Boca com boa estrutura, alguns taninos a mais.
Final longo.

Touriga Nacional 2009
Côr granada, nariz frutado, com alguns tostados.
Boca com estrutura e um bom final, algo adstringente.

Seguiu-se uma prova vertical de Rótulo de Cortiça, um vinho icónico da adega de Borba, do qual provámos 5 edições, uma de cada década:


2008
Côr ruby, nariz complexo, ervas aromáticas.
Boca elegante, final prolongado.

1994
Côr ambar, nariz intenso, couro, especiarias.
Boca elegante, com um ligeiro vinagrinho no final longo.

1982
Levou menos Aragonês.
Côr ambar, nariz muito parecido com o de 94.
Boca elegante com final médio.

1977
Côr acastanhada, nariz muito rico, especiarias.
Boca muito elegante, com final mediano.

1964
Côr acastanhada, bazar de especiarias.
Boca elegante, final longo com ligeiro picante.

É impressionante como o perfil destes vinhos se mantém constante ao longo de várias décadas. Numa prova cega não os conseguiria distinguir.
A sua acidez mantém estes vinhos vivos, com uma elegância fora do vulgar. Fizeram-me lembrar alguns Pinot Noir franceses.

Provámos ainda uma amostra de casco do 2009 Gold do tonel 6, que será engarrafado em breve como Rótulo de Cortiça Grande Reserva 2009.


De côr granada opaca, nariz muito rico, aromas herbáceos, azeitonas.
Boca com muita estrutura, mas elegante, opulento, com um final muito persistente.
Promete ser um grande vinho.

Depois da prova seguiu-se o almoço, e que almoço.
Preparado numa sala da adega pela equipa do restaurante "A Cadeia Quinhentista" de Estremoz, foi acompanhado pela gama de vinhos Montes Claros.


As entradas foram servidas em pratos individuais com nove divisões, contendo linguiça, farinheira e morcela de porco preto no carvão, queijo de ovelha em azeite, coelho em vinagrete balsâmico com pimentos assados, cogumelos estufados com ervas, ameijoas com coentros frescos, mexilhões gratinados, e favas com toucinho fumado e salteado.
Uma belíssima amostra dos sabores do Alentejo, acompanhada pelo branco Montes Claros Reserva 2010.
Este vinho está muito bem conseguido, com a casta Roupeiro a transmitir um nariz muito intenso e rico, e com um conjunto de grande equilíbrio.

Seguiu-se o cação temperado com alho e pimentão da horta, frito em banha de porco preto, com ameijoas e migas de batata.
Muito bem acompanhado pelo tinto Montes Claros Reserva 2009.
Curiosa esta forma de cozinhar o cação com o tempero típico da carne de alguidar alentejana, resultou muito bem com este tinto elegante.

Depois veio a perdiz suada em azeite de Borba, com trufas brancas, espargos bravos, castanhas, uvas e romã.
Acompanhada pelo tinto Montes Claros Garrafeira 2007, foi uma perdição, tive de repetir.
Este vinho mais encorpado que o reserva, está muito afinado, e ligou muito bem com o sabor forte da perdiz.

Para sobremesa foram dois doces conventuais, mas nesta fase já não fui capaz de decorar os nomes e já não estava a tomar notas. Fizeram justiça à boa fama da doçaria tradicional alentejana, muito rica por sinal, e não me atrevo a arriscar os nomes de tão deliciosas iguarias.
Acompanhámos com o licoroso da Adega de Borba, que era muito bom, ao nível de um bom vinho da Madeira.

Depois deste magnífico banquete que terminou por volta das cinco da tarde, fomos visitar as novas instalações que estão mesmo em fase final de acabamentos, já com o equipamento particamente todo instalado.
Por trás da antiga estação de comboios, surge a nova adega imponente, construida com a mais recente tecnologia aliada a soluções ambientais que permitem melhor eficiência energética, nomeadamente a cobertura verde (green roof) que proporciona um bom isolamento térmico, e claro, o mármore que é extraído localmente na pedreira de Borba.
Ao entrar deparamo-nos com um gigantesco armazém com capacidade para várias dezenas de milhões de litros em paletes.


Tem uma capacidade de fermentação de vários milhões de litros distrinuidos por cubas de 60 mil litros cada. Uma autêntica catedral, onde em vez de colunas estão as enormes cubas com mais de 10 metros de altura, a perder de vista para onde quer que olhemos.


As uvas entram por cima e seguem por duas linhas mestras até ao seu destino.
Tudo planeado ao pormenor para se conseguirem separar os lotes o melhor possível.


No meio da imensidão de cubas via-se uma pequena área reservada para a vinificação de vinhos de topo, cujo equipamento ainda não estava instalado.
Subimos ao telhado onde pudemos pisar a fofa cobertura verde assente em placas de espuma, que devido ao clima soalheiro do Alentejo se tornou avermelhada, o que não fica nada mal.


Passámos ainda pela loja onde pudemos comprar alguns dos vinhos provados.
Os preços dos vinhos da AC Borba são sempre acessíveis a todas as bolsas, e julgo ser esse equilíbrio entre qualidade e preço que tornam esta casa um exemplo de sucesso a seguir, mostrando que se pode produzir em quantidade e em qualidade, unindo o esforço de vários viticultores que por si só teriam muita dificuldade em sobreviver neste país.
É de facto uma inspiração ver um projeto com mais de 50 anos a crescer desta forma, quando a maioria das adegas cooperativas nacionais andam pelas ruas da amargura, algumas delas a fecharem portas.
Também gostei de ver o investimento na produção de vinhos de qualidade mais elevada em quantidades mais reduzidas, como é o caso do Rótulo de Cortiça Grande Reserva (o primeiro de 2007 desapareceu logo), assim quem estiver disposto a pagar por esses vinhos também os poderá encontrar aqui, e a preços não muito ofensivos.

Há um outro aspeto que é de realçar: o vinho de Borba encontra-se em todo o lado.
E para quem é apreciador de vinho, por muito manhosa que seja a carta de vinhos do restaurante onde se vai comer (coisa que infelizmente não é rara em Portugal), tem lá pelo menos um Borba a servir de tábua de salvação, que é sempre uma aposta garantida.

Agradecimentos especiais ao enólogo e relações públicas da adega que nos acompanharam todo o dia, à equipa do restaurante "A Cadeia Quinhentitista" que nos proporcionou um almoço brilhante onde a ligação com os vinhos servidos foi perfeita, ao blogger Carlos Janeiro, e ao compadre João Pedro Carvalho que também participou ativamente na organização e ainda me há-de levar a provar o vinho da talha.

Deu gosto ver como se produz o vinho em Borba.

Frederico Santos

sábado, 24 de setembro de 2011

Bétula 2010

Viva,

Uma vez mais o produtor na pessoa da Catarina Montenegro facultou amostras de prova para este vinho. O nosso agradecimento e parabéns pela dinâmica e visão.

Falando do vinho, a colheita de 2010 segue a mesma linha de produção da colheita 2009, mesmo enólogo (Francisco Montenegro), tem como base as mesmas castas (50% Viognier, 50% Sauvignon Blanc), estágio do lote de Viognier em carvalho françês e vinificação em inox do Sauvignon Blanc.

Esta aposta na continuidade manifesta-se na prova, sendo que no nariz são evidentes as notas de pêssego e laranja cristalizada, na boca continuam bem presentes as notas verdes do Sauvignon. A acidez continua óptima tornando o vinho muito fresco, com grande presença de aroma e paladar mas nada enjoativo. O Final é médio/longo.

Face à colheita 2009, de que gostei muito, não se comprometeu a qualidade e o agrado geral permanece.
Contudo notei algumas pequenas diferenças face à colheita anterior. No nariz notei no fundo algumas ervas verdes que não consegui decifrar (a minha mulher disse salsa, mas não me pareceu...) e por vezes alguma manga. Gostei das ervas, dispensava a manga, mas isso são gostos.

Continua a ser uma muito boa aposta a um preço equilibrado. E uma vez mais, não tenho problema nenhum com o uso de castas internacionais em solos lusitanos se o resultado for tão interessante como o apresentado por esta proposta.

Pontuação: 16,5/20.

Boas Provas,

Mário Rui Costa
PS: Fred e Carlos, façam a vossa prova...

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Bétula 2010
Côr amarelo citrino suave.
Nariz intenso e complexo, sem ser exuberante, notas de tabaco.
Na boca entra suave e vai crescendo, com boa acidez a surgir no final, prolongando-o.

Relativamente ao 2009, este 2010 está mais ao meu gosto. Mais elegante e suave sem perder a frescura que se manifesta no final de boca.
Os seus simpáticos 12,5º de alcool tornam este vinho um dos meus brancos preferidos atualmente.

Nota: 17

Frederico Santos
Setembro 2011
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Bétula 2010
Chegou agora a minha vez de provar este vinho.
Nariz fresco, não muito exuberante, notas cítricas, algum melão, e presença forte de relva cortada, tão característica do Sauvignon Blanc.
Tal como no nariz, na boca é a frescura e mineralidade que mais uma vez sobressaem. A fruta está lá, elegante, e bem embrulhada numa excelente acidez, com um final de boca bem longo e agradável.
Nota muito positiva ainda para a graduação do vinho, com uns sensatos 12,5º. Será que a moda dos vinhos pesados e alcoólicos está finalmente a passar?
Uma excelente aposta nesta gama de preço.
Nota: 16,5

Carlos Amaro


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quinta de San Joanne Escolha 2004

Vinho das castas Avesso, Alvarinho e Chardonnay, já com 7 anos de vida, idade que não é muito comum quando se fala de consumir vinhos brancos portugueses.
Os 12,5% são um ponto extra positivo quando se olha à moda actual de vinhos alcoólicos.

A cor denota já alguma evolução, com um amarelo dourado.
Aroma com notas de oxidação, mel, compota de fruta, marmelo, alguma baunilha.
Boca untuosa, gordo, mas com uma muito boa acidez que mantém o vinho vinho e com garra. A compota e as notas de mel surgem também, num conjunto que me agradou muito.
Não sendo daqueles vinhos directos e fáceis, é um estilo de branco diferente e muito interessante. Aguentou muito bem a idade que já tem.

Nota: 16

Carlos Amaro

terça-feira, 12 de julho de 2011

Monte das Servas Colheita Seleccionada Branco 2009

Um vinho que eu já tinha tido oportunidade de provar numa visita à Herdade das Servas, e a que volto agora a provar em casa.
Bonita cor cítrica, a cair para o aloirado. Aromas a frutos tropicais bem maduros, com notas curiosas de mel, mas sem perder frescura.
Bela complexidade na boca, boa acidez, encorpado, novamente as notas meladas acompanhadas da fruta. Bom volume num final longo e fresco.
Gostei muito deste vinho, tornou-se presença assídua lá em casa, até pelo seu excelente preço.
Nota: 16,5
Preço: 7,5

Carlos Amaro

Castello D'alba Vinhas Velhas Códega do Larinho

Um vinho do produtor VDS, que a meu ver tem algumas das melhores relações qualidade preço do Douro, principalmente a nível de brancos, com o seu Castello D'Alba Reserva a ser um dos meus vinhos do dia a dia.

Neste caso o vinho é feito com uvas de Códega do Larinho provenientes de vinhas velhas plantadas a 550m de altitude no Douro Superior e fermentado em madeira.
Aroma complexo, com apontamentos de madeira, um belo carácter mineral, bem equilibrados com a fruta dos citrinos e algumas notas de frutos exóticos, e casca de laranja.
Bom equilíbrio na boca, com grande volume, aliado a uma bela frescura e acidez que lhe dá vivacidade.
Belo vinho, a um bastante bom preço.
Nota: 16.5
Preço: 10.50€

Carlos Amaro

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Brancos do Dão na Quinta das Bageiras


Foi no dia 17 de Junho, sexta-feira, que fomos jantar à Quinta das Bágeiras, com o pretexto de fazer uma prova de brancos do Dão.
O jantar esteve a cargo do sr. Simões, com uma entrada de ovas acompanhadas pelo espumante bruto natural colheita de 2009 das Bageiras que está bem bom, seguida de uma belíssima caldeirada, provavelmente a melhor que já comi.
Os vinhos seleccionados para esta prova foram todos de 2009, e todos à base da uva Encruzado, sendo alguns monocasta e alguns com outras uvas.

Começámos pelo Quinta dos Carvalhais - Encruzado 2009, que mantém o nível de qualidade relativamente ao 2007, sendo um vinho bem equilibrado, embora com alguma madeira a mais no nariz para o meu gosto.
Castas: 100% Encruzado
estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho francês
13,5º
~13€

Seguiu-se o Paço dos Cunhas de Santar - Vinha do Contador 2009, que apresentou um nariz mais intenso e complexo, talvez por levar outras castas no lote.
Muito elegante na boca, deixou uma boa recordação.
Castas: Malvasia, Cerceal, Encruzado
estágio de 8 meses em barricas de carvalho francês
14º
~20€

Quinta das Marias - Encruzado 2009, na versão com e sem barrica, provámos as duas e achei os vinhos muito parecidos, no fundo é o mesmo vinho com estilos diferentes, sendo o que levou barricas novas de carvalho francês um pouco mais elegante e complexo, e o outro mais arrebitado e com mais fruta. Dependerá do gosto e da ocasião a escolha de um deles, são ambos muito bons.
A versão sem barrica já tinha sido provada aqui.
Castas: 100% Encruzado
14º
~11€

Quinta dos Roques - Encruzado 2009, continua em grande forma relativamente ao 2008 que já nos tinha impressionado numa outra prova.
É um vinho muito mineral, com a madeira bem integrada de forma imperceptível, de grande equilíbrio, com um final longo e agradável.
Castas: 100% Encruzado
estágio de 7 meses em barricas de carvalho francês
13,5º
~11€

Entretanto a nossa prova foi invadida pelo vinho da casa Bageiras Garrafeira 2009 branco, que ainda não tínhamos provado, e também não destoou muito, sendo um vinho encorpado e muito aromático, acabou por ser um dos vinhos mais apreciados pelos presentes, mas arrumou com a nossa prova, no bom sentido.
Mais um grande garrafeira branco das Bageiras.
Castas: Maria Gomes, Bical
14,5º
~12€

Quinta da Pellada - Primus 2009, uma prova do Dão não podia deixar de ter um vinho de Álvaro de Castro.
Este vinho é feito com predominância de Encruzado e outras castas da vinha velha da Pellada. No nariz apresenta uma complexidade fora do vulgar, na boca é macio e fresco em simultâneo, intenso e elegante, com final de grande persistência. Um vinho de luxo, do melhor que o Dão tem para nos dar.
Castas: Encruzado e outras
13º
~30€

Finalizámos a prova com Julia Kemper 2009, foi talvez o vinho que apresentou o nariz mais exuberante, com muita fruta, flores, e mineral. Na boca é um vinho cordato e bem equilbrado.
Castas: Encruzado e Mavasia Fina, em quantidades iguais
13,5º
~10€

Segue a média das notas atribuidas por 14 provadores.

  • 17,0 Quinta das Bageiras Garrafeira branco 2009
  • 17,0 Quinta da Pellada - Primus 2009
  • 16,8 Quinta dos Roques - Encruzado 2009
  • 16,1 Quinta dos Carvalhais - Encruzado 2009
  • 15,8 Paço dos Cunhas de Santar - Vinha do Contador 2009
  • 15,6 Julia Kemper 2009
  • 15,0 Quinta das Marias - Encruzado 2009
Todos os vinhos selecionados para esta prova são vinhos que têm sido premiados e aclamados pela crítica, e pudemos confirmar que temos muito bons vinhos brancos no Dão.
No geral são vinhos muito aromáticos, com notas florais e minerais, encorpados, têm estrutura para envelhecer bem em garrafa, e são vinhos gastronómicos que precisam de um bom prato para brilharem.
A caldeirada do sr. Simões acompanhou de forma maravilhosa estes vinhos, e depois ainda veio uma açorda feita com a água da caldeirada, que estava simplesmente divinal.

No meio disto ainda se provou o vinho branco Bageiras Colheita 1994, que com os seus 17 anos ainda está para durar, com uma frescura incrível, a fazer lembrar um bom vinho verde.

No final ainda provámos o abafado das Bageiras, que está cada vez melhor, enquanto comíamos um pão de ló à sobremesa.

Após uma passagem pela loja, lá fomos embora um pouco entornados, mas sem incidentes.

3 nos copos, da esquerda para a direita: Frederico Santos, Carlos Amaro, Mário Rui Costa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quinta dos Termos - Beira Interior

Foi na sexta, dia de Portugal, que nos deslocámos à Quinta dos Termos, perto de Belmonte.
Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.
A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho compensam no resultado final.
Tem muita variedade de uvas, com vinhas bem delimitadas, podendo-se perceber na paisagem nuances de tons de verde entre parcelas distintas.
Os solos são graníticos e ricos em sílica.


Visitámos a adega, bem equipada com grandes cubas inox com os lotes identificados, onde podíamos encontrar Touriga Nacional, Tinto Cão, Rufete, Tinta Roriz, Baga, e até Vinhão, uma uva inesperada da região do Vinho Verde, entre muitas outras.


Na cave de estágio são usadas pipas de carvalho francês Allier, com um tempo de vida de cerca de 4 anos.
Ainda passámos pela secção de engarrafamento, e seguimos para a sala de provas, onde tínhamos a gama de mais de 20 vinhos comercializados pela casa à disposição, e nos esperava uma mesa com queijo, presunto, e chouriço e morçela assados. Seguiu-se a prova comentada pelo sr. João Carvalho, proprietário da quinta.


Reserva do Patrão Branco 2010
A casta mais utilizada é o Verdelho.
Côr pálida. Nariz intenso com aromas de fruta , ervas, mineral. Na boca é elegante, encorpado, de final muito longo com ligeiro picante.
Nota: 16,5

Fonte Cal Branco 2010
Nariz menos exuberante, com notas mais herbáceas e menos frutadas. Bem equilibrado na boca, mais encorpado que o anterior, com um bom final.
Um vinho mais gastronómico.
Nota: 16,5

Rosé 2009
Baga
De côr algo carregada para um rosé a fugir para o grená, tem um bom nariz, e a boca está no ponto, nem demasiado suave nem demasiado pesado, bom equilíbrio. Final curto.
Um bom rosé.
Nota: 16

Quinta dos Termos Tinto DOC 2009
De côr ruby opaca, nariz intenso, com notas de frutos silvestres, boca bem equilibrada com ligeiro tanino, final prolongado. Muito bom tinto para o dia a dia.
Nota: 16,5

Vinhas Velhas 2006
Reserva, tem 50% Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, e Sirah de vinhas novas.
Côr ruby, nariz muito complexo, frutos silvestres, tostados, couro.
Boca muito equilibrada, com um grande final.
Nota: 17

Garrafeira 2004
50% Trincadeira
Côr muito intensa para um vinho com 7 anos, nariz mais intenso e complexo que o anterior.
Boca muito rica e concentrada, com um final enorme.
Nota: 17,5

Tinto Cão 2008
Côr muito escura, nariz suave com notas de tabaco, na boca é intenso mas polido, com um final adstringente. Um bom vinho para guardar.
Nota: 16

Reserva do Patrão 2008
100% Sirah
Côr opaca, de nariz complexo, frutado e mineral. Boca muito correcta, final longo com ligeiro picante.
Nota: 17

O Pecado de Virgílio Loureiro 2007
Chama-se pecado por ter sido feito com uma casta estrangeira: Sangiovese.
Um vinho com o mesmo perfil do anterior, mas mais elegante, mais magro na boca, com um final interminável.
Nota: 17,5

Tinta Roriz 2006
Nariz suave, boca macia com final moderado.
Muito elegante.
Nota: 16

Em suma, os vinhos provados eram todos de grande qualidade, sobressaindo para o meu gosto, o Garrafeira 2004 que ainda está para durar, e o Pecado 2007 por ser um vinho diferente e muito bem conseguido.
É de realçar a hospitalidade beirã com que nos receberam, acabámos por demorar mais do que o previsto por nos tratarem tão bem.
Bem hajam.

Frederico Santos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Bétula 2009

Antes de tudo o mais, cabe-me agradecer a amabilidade do produtor, Catarina Montenegro, pelo envio de amostras de prova para o painel de provadores do nosso blog. Achamos que é um acto que revela uma percepção clara de como funcionam os meios de comunicação nos dias de hoje e aplaudimos a iniciativa. Felizmente para nós e para o sector do vinho de uma forma geral é uma prática em grande crescendo.

Quanto ao vinho, trata-se do branco duriense Bétula 2009, produzido pela Quinta do Torgal estando a enologia ao cargo do Francisco Montenegro. É um vinho resultante de vinhas situadas em solos graníticos e feito a partir de duas castas internacionais muito em moda no nosso país, o Sauvignon Blanc e o Viognier. Este cartão de visita é em si muito prometedor, duas castas que aprecio muito, de grande intensidade aromática e perfil muito próprio (espargos, relva cortada, lima no Sauvignon, laranja, pêssego em calda, anis no Viognier), um enólogo de renome, um produtor com visão, uma garrafa com excelente apresentação, ufa... e deixem-me dizer-vos que o vinho confirmou em grande estilo o que de bom se prenunciava.

Notas de prova:
  • Visão: Amarelo limão com tons esverdeados, límpido.
  • Olfacto: A laranja cristalizada, o pêssego em calda e o anis do Viognier dominam num nariz exuberante sem ser nada enjoativo. É um daqueles vinhos que dão um prazer extraordinário na prova olfactiva e que eu "cheirei" uns bons 10 minutos antes de estimular o palato. As notas citrinas e herbáceas do Sauvignon equilibram bem o nariz, dando-lhe frescura, equilíbrio e sofisticação.
  • Paladar: Ao contrário do Olfacto, aqui predomina o Sauvignon e por inerência temos um vinho bem mineral, com acidez no ponto e bem complexo, com notas de tosta fantásticas e um final longo onde balançam notas citrinas e muito leves de menta. É um vinho cheio de corpo, bem gastronómico.

Conclusão: é um branco de grande estilo e de grande prazer e não há melhor elogio do que dizer que vai passar a figurar na minha garrafeira (assim as 3000 garrafas produzidas o permitam :-) ). Gostei muitíssimo do resultado final da combinação de duas castas com grande personalidade e que costumam ser apresentadas ao consumidor em monocastas (predominantemente), resultado o melhor dos dois mundos.

Nota final: 17/20

Mário Rui Costa

PS: comentando um outro blog, não acho má ideia o uso de castas internacionais no Douro, principalmente castas brancas e este vinho é uma boa prova disso.

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Uma novidade, este vinho branco de castas internacionais feito no Douro.
A garrafa está muito bem apresentada, com um rótulo sóbrio. Gosto especialmente do pormenor da cápsula metálica verde que envolve o topo do gargalo, e dá continuação ao grafismo do rótulo. Fica bem em qualquer mesa.

De côr amarela citrina, no nariz sobressaem frutas tropicais tendo em fundo aromas herbáceos, muito complexo.
Na boca é intenso, tem uma acidez acentuada, e um final muito longo.
É um vinho gastronómico, que deve ligar bem com pratos de marisco. Acompanhou lindamente uma açorda de gambas.

O vinho está bem conseguido, muito fresco e ao mesmo tempo encorpado. Melhor no nariz do que na boca, para o meu gosto falta-lhe ainda algum polimento na acidez para ser um grande vinho.
Acho que a junção destas duas castas resulta muito bem, e aguardo ansiosamente futuras edições.

Nota: 16,5

Frederico Santos
Janeiro 2011

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Um novo branco do Douro, que vai na sua segunda edição, e que foi gentilmente enviado pelo produtor para a prova deste blog.

Aroma muito exuberante e sedutor, com fruta tropical em primeiro plano, notas vegetais, relva cortada e espargos verdes, típicos do Sauvignon Blanc.
Na prova de boca, mostra excelente corpo, dado principalmente pelo Viognier, com notas de barrica a mostrarem-se, mas tudo num conjunto muito fresco, muito mineral e com uma belíssima acidez, e novamente com a fruta tropical em evidência.
Em resumo, gostei muito do vinho, deu muito prazer. Uma combinação de castas fora do comum, mas que aqui resulta muito bem, com as duas a equilibrarem-se lindamente.
Mais uma bela aposta do Douro de um novo produtor.

Nota: 16,5
Carlos Amaro
15-01-2011

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Prova de Brancos


Prova promovida pela garrafeira Tio Pepe, dedicada a vinhos brancos.
A lista de vinhos provados foi a seguinte:

- Esporão Private Selection bº 2009
- Herdade dos Grous Reserva bº 2008
- Castelo D’Alba Grande Reserva V. Velhas bº 2009
- Terrenus bº 2008
- Dolium Escolha bº 2009
- Alvarinho Contacto bº 2009
- Alvarinho Quinta de Soalheiro Reserva bº 2008
- Alvarinho Quinta do Regueiro Reserva bº 2009
- Oboé de JM Reserva bº 2009
- Redoma Reserva bº 2009
- Aveleda Grand Follies bº 2007

De destacar a excelente qualidade de todos os vinhos provados. De facto, não havia um vinho fraco.
De entre todos estes vinhos, destaco os seguintes:

Terrenus 2008:
A maior surpresa. Apesar de já conhecer a boa qualidade do tinto da mesma marca, não estava à espera.
Um muito bom vinho, fresco mineral, fruta tropical, um nariz fantástico e uma prova de boca de grande qualidade. Um vinhão a preços “acessíveis” (13.90€)
Quinta Soalheiro Reserva 2008
Um grande vinho, com um estilo muito diferente dos alvarinhos “normais”, mais encorpado e sério, sem a exuberência no nariz da versão Soalheiro normal.
Maior complexidade e elegância, com a barrica muio bem integrada com o vinho, num equilibrio que não se vê muitas vezes em Alvarinhos.
Um dos meus dois favoritos da prova
Herdade dos Grous Reserva 2008
Um vinho que já conhecia e que nesta prova confirmou o a sua qualidade. De cor forte dourada, mas escuro que os demais, belíssimos aroma a fruta tropical, compota de ameixa, e um fumado da madeira a dar complexidade.
Intenso, gordo, estruturado e envolvente, mas com acidez suficiente para dar equilibrio ao corpo. Um vinho que enche a boca.
Foi este o outro dos meus favoritos
Redoma Reserva branco 2009
Mais uma bela colheita de um dos brancos portugueses com mais qualidade.
Neste momento tudo em elegância, muito concentrado e equilibrado. Um vinho fantástico, que merece ser guardado uns anos.

Em resumo, uma bela prova, com vinhos brancos de grande qualidade.

Carlos Amaro

domingo, 17 de outubro de 2010

Quinta das Marias Encruzado 2009


Já há bastante tempo que andava para provar o Encruzado deste produtor, uma vez que sou fã dos seus tintos.
A produção é pequena, apenas 7330 garrafas, da qual me calhou a número 3334.

Belo nariz, com uma boa intensidade, muito fresco e elegante, centrado em aromas de fruta, principalmente citrinos, algum floral, notas de especiarias e muito mineral.
Boca muito fresca e com boa estrutura, com muita fruta a mostrar-se, aliada a uma bela acidez que suporta muito bem o vinho. Boa persistência.
Gostei bastante do vinho, tendo ficado com vontade de ver como está o seu irmão com estágio em barrica.
Preço: 11€
Nota: 17


Carlos Amaro

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Munda 2007


Engarrafado pela Fontes da Cunha, é um monocasta Encruzado do Dão com seis meses de barrica.
Aromas discretos ao inicio, chegando primeiro notas fumadas, pólvora, tostados da barrica e só depois fruta madura. Tudo num grande equilíbrio.
Na boca é muito elegante. Bom corpo, frutos cítricos, acidez viva, repetem-se as notas de pólvora e alguma maçã. Final longo.
Tudo num grande equilíbrio e muito bem integrado, com a acidez a dar-lhe vida.
Um belo branco, muito equilibrado e elegante.
Garantidamente a comprar mais.
€8
16,5

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vertical de Garrafeiras brancos das Bágeiras


Foi na Quinta das Bágeiras, em Fogueira, que nos juntámos para uma prova vertical de brancos garrafeira. Éramos 15 provadores. Desta vez tínhamos o petisqueiro sr. Simões a cozinhar para nós, e ao chegarmos, lá estava ele na cozinha a beber uma flute de espumante, acompanhado à guitarra pelo seu amigo de longa data, que também era da Figueira da Foz. E não é que canta bem o sr. Simões...
Fomos para a adega onde nos esperavam umas ovas magníficas, acompanhadas pelo não menos magnífico espumante super reserva 2006.
Passámos todos para a mesa, onde nos foram dados a provar os Garrafeiras brancos da casa desde 2001 a 2008. Todos os vinhos estavam em grande nível, ainda muito frescos e cheios de garra, e ao mesmo tempo muito elegantes. Destacaram-se o 2004 e o 2007, que infelizmente já não se encontram à venda na loja da quinta.
A acompanhar foram servidas umas petingas de caldeirada maravilhosas, seguidas de uma Raia de Pitau que estava de chorar por mais. Não me vou esquecer tão cedo daquele molho avinagrado.
No final ainda fomos presenteados com uns Amores da Curia, receita recuperada recentemente pela Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada. Uns pastelinhos de massa folhada em forma de coração, recheados com ovos moles, maravilhosamente acompanhados com espumante, e ainda com uma garrafa de champagne Cristal 2002, gentilmente oferecida pelo Sr. Mário Sérgio, que é um vinho com uma acidez fantástica, ainda com muitos anos para durar.
Rematámos o banquete com a excelente aguardente velha da Quinta das Bágeiras.
Não se pode pedir mais, e saímos todos em estado de graça.

Segue a média das pontuações atribuídas aos garrafeiras brancos:

  • 18,3 - Garrafeira 2007
  • 17,7 - Garrafeira 2004
  • 16,4 - Garrafeira 2006
  • 16,2 - Garrafeira 2001
  • 16,2 - Garrafeira 2005
  • 16,0 - Garrafeira 2008
  • 15,9 - Garrafeira 2002

Mais importante que qualquer pontuação foi o convívio e a alegria deste jantar.

Foi uma noite inesquecível, sobretudo pelos dois senhores figueirenses, que com mais de 70 anos ainda nos fazem ver como é a arte de (con)viver.

Bem hajam.

Frederico Santos

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Brancos monocasta

Foi no dia 14 de Maio, que nos juntámos em casa do Enes, para uma prova de vinhos brancos monovarietais, onde o Rui Correia nos presenteou com um belo arroz de tamboril. Éramos 11 provadores, para 10 vinhos.
Começámos pelo argentino Crios Torrontes 2009, que agradou a todos com a sua exuberância de aromas de frutos tropicais e de flores, sendo um vinho muito novo sem madeira, é muito fresco e agradável.
Passámos ao Alvarinho, com o Soalheiro Primeiras Vinhas 2008, que revelou grande complexidade com aromas herbáceos e alguns tostados, aliada a uma acidez bem equilibrada. A boca muito longa e mineral, com alguma fruta no ponto certo. Muito bom.
Seguiu-se um Arinto de Bucelas, o Morgado de Santa Catherina 2007 apresentou-se muito elegante, um vinho fino.
Saltámos para o Chardonnay com um 1er Cru da Borgonha, o Louis Latour "Chenevottes" 2007. Um vinho que se distinguiu não só pela sua complexidade aromática com aromas de baunilha amanteigados, fruta tropical e amendoas, mas também pela riqueza equilibrada na boca, e sobretudo pela sua persistência, com amendoas verdes, notas herbáceas e muito mineral deixando um ligeiro picante no final longuíssimo. Uma maravilha.
Para representar o Sauvignon-Blanc, fomos para o Neo-zelandês Villa Maria Reserve 2007 (já provado aqui). Tinha aromas adocicados, ervas, algo apetrolado. Na boca era doce e ácido em simultâneo, e com comprimento assinalável. Algum desequilíbrio fez com que este vinho não fosse apreciado por muitos dos provadores, não é para todos os gostos. Foi o vinho com maior disparidade de notas.
Seguimos para o Quinta dos Roques Encruzado 2008, que apresentou um nariz excelente, com fumados, ervas aromáticas, algo metálico. Na boca é redondo, mostrando ao mesmo tempo boa estrutura e bom comprimento. Uma revelação.
Continuámos com a uva Bical da Bairrada, representada pelo Luis Pato Vinha Formal 2008. Com um nariz muito bom, onde sobressairam aromas abaunilhados de barrica, toques florais e algum mineral. Na boca tem fruta madura, mas muito mineral e fresco, corpo cheio, com bastante complexidade e elegância. Um vinhão.
Avançámos para a casta Viognier, com o Madrigal 2008. Um vinho da Estremadura que é um luxo, com aromas de ervas de campo, alecrim, na boca tem um equilíbrio fenomenal.
Para representar a uva Antão Vaz tivemos o Dollium Escolha 2006, um alentejano com nariz muito complexo e intenso, na boca também muito bem conseguido o equilíbrio, mas talvez a começar a faltar-lhe alguma estrutura (este já tinha 4 anos).
Finalizámos com a uva Rabigato do Douro, representada pelo Dona Berta "Vinhas Velhas" 2007, que não impressionou muito, talvez por ser já no final de uma grande prova. Este vinho já se apresentou melhor em provas anteriores. Segue a média das pontuações atribuídas:

  • 17,2 Louis Latour Chenevottes 2007
  • 16,1 Quinta dos Roques Encruzado 2008
  • 15,9 Soalheiro Primeiras Vinhas 2008
  • 15,7 Luis Pato Vinha Formal 2008
  • 15,7 Dollium Escolha 2006
  • 15,3 Madrigal 2008
  • 15,3 Morgado Santa Catherina 2007
  • 14,8 Crios Torrontes 2009
  • 13,4 Villa Maria Reserve SB 2007
  • 13,4 Bona Berta Rabigato 2007

Ficámos assim a conhecer um pouco melhor algumas das principais uvas brancas que se usam por cá, bem como alguns exemplares de uvas brancas populares no estrangeiro.

Frederico Santos
Carlos Amaro
Mário Rui

domingo, 18 de abril de 2010

Vértice branco 2007


Bebi este fim de semana este Vértice branco 2007. Cada vez mais acho que os vinhos tranquilos da marca Vértice são um segredo bem guardado, não chegando nem sequer perto da notoriedade dos espumantes da marca, e não tendo a meu ver todo o reconhecimento que merecem.

Gouveio e Viosinho vindos da sub-região do Cimo Corgo são as castas que dão forma a este vinho de Celso Pereira.
Belo nariz, com notas de tosta de barrica, mas sem cansar devido ao fruto citrino e maçã fresca.
Na prova de boca a acidez toma a dianteira, em sugestões de citrinos, pêra, maçã, algum fruto seco, com algum fumado muito elegante, bem como uma acidez muito viva, que sustenta todo o conjunto e lhe dá uma grande vivacidade.
Excelente corpo e acidez, complexo e estimulante, foi um vinho que deu muito prazer beber.
Preço: aprox. 14€

Carlos Amaro

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Diga?


Viva,

Ontem tive a honra de degustar um branco de um dos produtores mais originais e que melhor vinifica em Portugal e na Bairrada particularmente: Carlos Campolargo.

O branco em questão é o Diga? 2008, feito exclusivamente de Viognier, uma casta que aprecio particularmente. Face à colheita de 2007 nota-se uma salto qualitativo, fundamentalmente pelo grande equilíbrio entre fruta e madeira e pela maior acidez.

Como nota de prova:
- o aroma é fantástico, dominado por notas citrinas complementadas com algum fruto tropical, sem exageros. Este vinho prende-nos logo pelo nariz...
- na boca é bem mineral, com bastante corpo, acidez no ponto e um final bem longo onde a fruta e alguma baunilha permanecem.

Acima de tudo, um branco que me deu um grande prazer a beber, um indutor fantástico de felicidade...

A partir de hoje vou começar a classificar as minhas notas de prova (já tenho a minha folha de cálculo pronta :-) ): 17,5/20

Mário Rui da Costa

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Soalheiro 2008

Continuo a saga da incursão pelo mundo dos alvarinhos com a degustação da colheita 2008 do Soalheiro. Vou ser breve (tlm), dizendo que o aroma combina notas florais (flor de laranjeira?) e alguma fruta, fazendo lembrar de imediato um sauvignon blanc do novo mundo. A boca complementa o prazer, muito fresco, mineral e longo. Não atinge a soberba excelência dos muros do Anselmo, mas é muito bom e bem mais em conta. MRC.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Contacto 2008


Provei esta semana mais um novo vinho, desta feita um novo Alvarinho feito pelo Anselmo Mendes, o Contacto 2008.
Diz o rótulo que o nome Contacto, deriva do contacto da película da uva com o mosto, seguindo processos antigos, adaptados às novas tecnologias.
Pois bem, o que se conseguiu foi um belíssimo Alvarinho, um vinho com um aroma muito intenso, com toques citrinos e florais, muito elegante e mineral.
Sente-se na boca a frescura e a acidez do alvarinho, com um frutado muito agradável e um final fresco e longo com nuances cítrica e minerais. Este factor mineral final é aliás um dos pontos que mais impressiona no vinho
Um dos bons alvarinhos de 2008 que provei, a confirmar o excelente ano que foi este 2008 na região dos vinhos verdes.
Esteve muito bem a acompanhar um cação de cebolada.
O preço do vinho ronda os 9€ nas garrafeiras.
Pontuação: 17

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quinta dos Carvalhais - Encruzado 2007


Mais um branco, desta vez de uma casta típica do Dão.
Este vinho é um clássico do grupo Sogrape.

Tem uma côr pálida e suave.
No nariz complexo sobressaem aromas florais e herbáceos, com algum tostado.
Na boca sente-se alguma acidez, mas muito bem equilibrada.
Apesar de ser um vinho encorpado, que pede uns pratos de peixe mais fortes, tem um conjunto muito elegante, tudo em perfeita harmonia.

Soube-me muito bem a acompanhar um bacalhau assado com broa.

pontuação: 17
preço: ~15 €

Frederico Santos

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2007

Os Sauvignon Blanc da Nova Zelândia têm vindo a afirmar-se de ano para ano, e agora há um número grande de marcas de qualidade, mas para mim o Cloudy Bay é a referência de todos eles, desde que o provei pela primeira vez há alguns anos atrás.
Esta colheita de 2007 vem confirmar isso mesmo. Provado no início deste mês, este vinho é talvez o melhor branco que já provei do Novo Mundo.
Um nariz fabuloso, muito fragrante e mineral, com uma mistura de notas de frutos a explodir, com pêssego, maracujá, manga e citrinos a saltar do copo. A adicionar a isto tem ainda notas de relva cortada, pimenta e algum fundo de pastelaria fina.Na boca consegue ser ainda mais fresco. O que mais sobressai são notas herbáceas, relva cortada de fresco, bastantes frutos, com citrinos (toranja), maracujá e bagas a sobressair.
Com uma acidez cortante mas equibrada com a doçura da fruta, o que dá um toque mais seco do que a maioria dos irmãos neo-zelandeses.
Estava óptimo agora, mas tinha de certeza uns anos pela frente, tal o corpo e acidez apresentados.
No fundo, um grande vinho. Só tenho pena de ter sido a última garrafa lá de casa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Nossa 2007

Ontem provei um novo branco das Beiras que foi das melhores surpresas que tive ultimamente.
Um vinho de grande categoria, que me pareceu verdadeiramente extraordinário se tivermos em conta que é a sua primeira colheita.
O vinho é o Nossa 2007, do produtor "Vinhos Doidos", nem mais nem menos do que a parceria de Filipa Pato com o seu marido William Wouters.É um vinho muitíssimo bem feito e elegante, com uma grande volume e corpo, uma mineralidade incrível, como poucos brancos portugueses.
Tem um final imenso, com acidez no ponto certo. Parece-me que será um branco capaz de se aguentar uns anos em grande forma, mas ao qual é difícil resistir desde já.
Talvez o branco que mais me surpreendeu este ano. Na minha opinião entrou no grupo dos grandes brancos portugueses.

Características
Castas: Encruzado e Bical
Região: Beiras
Enologia: Filipa Pato
Vol: 13%.
Preço: 19€